Letícia Maria

Por Leticia Maria para as Blogueiras Negras

Certamente o cabelo é algo importante para toda mulher.

Crescemos e somos criadas ouvindo que o “cabelo é o molde do rosto”.  Precisamos ter um cabelo sedoso, macio, cheiroso, liso… ops, liso?

Sim, de acordo com os padrões, o cabelo liso é um quesito para um cabelo bonito.

Como a maioria das adolescentes, detestava os meus cabelos. Ouvia na escola que meu cabelo era feio, era grosso, era ruim.

O pior de tudo, é que durante muito tempo, eu realmente acreditei.

Aos 9 anos usei relaxamento pela primeira vez. Aos 12 alisei e comecei a pintar – usei o famoso “henê” até os 15 anos, quando praticamente todo meu cabelo caiu. As fortes químicas usadas afetaram de tal forma meu cabelo, que acabei usando um “aplique” para poder fazer um penteado em minha festa de 15 anos.

Parei de usar henê. Mas voltei a alisar e pintar com cores claras, vermelhos, Borgonha, caju.

Durante meu ensino médio, meu cabelo mal alcançou o comprimento dos ombros, em razão das muitas químicas que eu usava seguidamente.

Eu não era feliz com meus cabelos.

Com 17 anos, resolvi alongar meus cabelos, e coloquei tranças – até a metade das costas. Fui feliz por um tempo, com cabelos longos, fáceis de lidar, simples de cuidar. Mas a manutenção era doída: além de levar horas – em média, mais de 6h – ficava durante dias com dores insuportáveis no couro cabeludo.

Depois disso resolvi dar um tempo, parar com as químicas – aos 18 anos.

Deixei meu cabelo ao natural por uns dois anos.

Já na universidade, voltei a usar relaxamento – para abrir os meus crespos. Me incomodava por eu sempre usava meus cabelos amarrados, não os via crescer.

Voltei a pegar o gosto pela coisa, e voltei a pintar novamente, de preto.

Tive várias fases no uso do relaxamento, até parar de pintar de preto e colocar vermelho.

Até que um belo dia, durante um Fórum Social Mundial, em 2010, coloquei um dread. Amei usar aquilo, me empoderei da minha negritude de tal forma que alguns meses depois coloquei mais um.

Estava feliz com meus cabelos, avermelhados, encrespados, com dois dreads.

Fui pressionada a cortar meus dreads, por motivos profissionais. Voltei a achar meus cabelos sem graça alguma.

Ai, fui convencida por uma cabelereira que eu deveria usar progressiva: com este tratamento, meu cabelo ficaria como eu quisesse, meus crespos ficariam moldados e fáceis de fazer chapinha.

Ledo engano.

Perdi muito cabelo novamente e entrei em desespero.  Voltei a usar tranças para que me cabelo crescesse novamente.

Depois que tirei as tranças, passei a fazer progressiva regularmente. Até que o meu cabelo ficou realmente liso, como eu sempre quis ao longo de todos esses anos usando químicas.

Ai, me dei conta que eu não queria mais ter cabelos lisos. Eu tenho cabelo crespo e quero ser assim!

Na universidade ouvi muitas vezes que eu não tinha consciência étnica, por insistir em alisar/relaxar meus cabelos. E nunca me vi dessa forma. Sempre tive muito orgulho da minha cor e da minha origem, o detalhe é que eu não era feliz com meus cabelos.

Anos foram necessários para que eu aprendesse a viver com meus cabelos.

Não se trata de ter consciência para assumir os cabelos naturais. Isso está relacionado a auto-estima. Somos submetidas a todo momento a um padrão de beleza ao qual jamais faremos parte, por mais que passemos as nossas vidas correndo atrás da roupa da moda, do cabelo da hora, dos acessórios da estação.

Quem começou essa leitura sobre cabelos quimicamente tratados, imaginou que alguma receita viria. A única receita, que posso oferecer, car@ leitor@ é que se olhe no espelho e descubra a beleza que a natureza lhe ofereceu, seja ela como for. Não é necessário que sigamos um padrão, um modelo, não precisamos ser tod@s iguais… sabemos que aceitar nosso cabelo, em uma sociedade marcada pelo racismo há mais de 400 anos é – no mínimo – um desafio.

Mas é um desafio que vale a pena: sou negra e linda, não porque alguém me disse, mas porque estou convencida disso!

54 Comentário

  1. Nossa me vir total nesse texto. Meu cabelo é liso quimicamente, mas já faz um tempo que parei de alisalo , pois quero que volte ao normal. Ultimamente tenho refletido bastante e acho que é hora de me asumi como realmente sou , porem ainda estou com medo, pois não sei como as pessoas vão reagir com essa mudança, pois faz muito tempo que o aliso … Mas esse texto me deu mais coragem e vontade de mudar. Muito obrigado

  2. Tbm tenho esse problema cm o meu cabelo. Sou negra e sempre ponho defeito no meu cabelo…ja usei alongamento, trança, lã…em fim…tudo que vc imaginar ai quando ta grande passo relaxamento e depois cai quebra ai volto cm a trança…em fim…sou louca!! Agora eu quero ele sem quimica sem escova e sem chapinha….quero ele natural
    Bjs

  3. Parabéns pelo post adorei! Você é linda! É isso aí meninas vamos nos assumir da maneira que somos e dane-se quem descordar não devemos nos sentir obrigadas a seguir o padrão imposto pela Sociedade e pela mídia somos lindas somos negras somos crespa sim e com muito orgulho!!!

  4. Porque vocês só ensinam e dão dicas para mulheres jovens? Tenho 65 anos e gostaria de ver dicas artigos comentários sobre mulheres mais velhas! Obrigada.

  5. O povo acha que toda uma luta e consciência racial se resume ao cabelo da pessoa, as vezes a pessoa se traveste de radical cheio de dreads e tal mas no fim das contas tá lá atrás da aprovação do branco. O importante é se sentir bem e feliz com vc mesma,
    sem se abalar com discursinho furado de radical pé de chinelo.

  6. Me senti toda em sua palavras. Não passei por todos esses processos, mas o meu desejo é semelhante ao seu. toda vez que é preciso retocar o alisamento eu penso: Por que não cortar esse cabelo e parar com a química? Me falta a coragem. Agora estou nesse momento e estou me sentindo mais fortalecida em minha decisão. Não sei como será.

  7. Leticia parabéns pelo texto e por se colocar assim sem restrições. Acredito que não por usar cabelo alisado, relaxado ou seja o não natural, a mulher negra não tenha consciência étnica, (como você parece que já ouviu isso também né?)
    Também já fiz muitas coisas no cabelo e atualmente uso cabelo misturado ao meu o que não me faz menos negra ou consciente do que é ser negro no nosso país e do racismo que enfrentamos. Tem pessoas que não entende assim, fazer o que né?
    Mas a frase que você colocou em um dos comentário acho essencial…. PARABÉNS, novamente.
    “Que sejamos livres para usar o cabelo como quisermos, e felizes com eles!

  8. Muito legal o texto mas a palavra certa não seria APODERAR ( assumir a posse, ocasionar domínio) ou é mesmo ( emponderar: regular)?

  9. cabelo é atitude,uns gostam de lisos ,outros cacheados.
    num país que na maioria temos cabelos que não são lisos e a ditadura da beleza é ser da moda (lisos) ,tem que ser vc ,lisos ,crespos não importa,o que vale é vc sentir bem….
    os meus são cacheados ,e eu gosto de lisos….acho que fica mais arrumado e cada um sabe de si e vc se acha bem assim continue assim,cheia de atitude e se achando linda ,parabéns 1

  10. Meu sonho é assumir meu cabelo crespo e ir cuidando dele, mais desde pequena já fui levada ao salão para estar alisando :(. Hoje quero mais que tudo usar ao natural, sei que demora para crescer e tudo mais, mais o que mais me deixa meio assim é porque sou profissional da Saúde e hospitais e tudo mais está tudo tão fútil pra trabalhar têm que ter um “padrão”, como se cabelo liso fosse tudo né ?!. Quem sabe né. Você é linda!

  11. Somos o orgulho do Mundo… temos a cor da noite! Os descendentes de um povo cujo os europeus escravizaram por anos. Hoje, com muito orgulho de dizer: sou negra!
    tenho orgulho do meu povo batalhador, corajoso, feliz! Sou negra, sou pretinha, sou Camila Américo!

    • Obrigada, e tens razão.
      Mas é importante que sejamos o nosso próprio orgulho. Só assim podemos ser o orgulho dos demais!

  12. Leticia passei por grande dillema, sou branco do cabelo afro, mais sofri muito preconceito na escola entao decidi apelar pro ralxamento, acobou com meu cabelo, entao fui pra progressiva, mais a pois cinco anos decidi usar meu cabelo ao natural e o resultado me surpreendeu todos amaram.
    Me sinto muito mais bonita agora.
    Quero te dizer que emuito lindo o seu cabelo.

  13. Você é muito linda e seu texto me fez lembrar a poeta jamaicana e feminista Una Marson.

    Ela tem um poema chamado Kinky Hair Blues, que você talvez conheça…que reflete exatamente isso…. acho que ela manda o seguinte recado: Você não tem que ser como ninguém, você tem que ser quem você é… e seu cabelo é tão lindo sendo como é… e a sua pele é tão maravilhosa como é…e que se danem o que os outros pensam…. um grande abraço para você!

    “Kinky Hair Blues”

    Gwine find a beauty shop Cause I ain’t a belle.

    Gwine find a beauty shop Cause I ain’t a lovely belle.

    The boys pass me by,

    They say I’s not so swell.

    See oder young gals

    So slick and smart.

    See dose oder young gals

    So slick and smart.

    I jes gwine die on de shelf

    If I don’t mek a start.

    I hate dat ironed hair

    And dat bleaching skin.

    Hate dat ironed hair

    And dat bleaching skin.

    But I’ll be all alone

    If I don’t fall in.

    Lord ’tis you did gie me

    All dis kinky hair.

    ‘Tis you did gie me

    All dis kinky hair,

    And I don’t envy gals

    What got dose locks so fair.

    I like me black face

    And me kinky hair.

    I like me black face

    And me kinky hair.

    But nobody loves dem,

    I jes don’t tink it’s fair.

    Now I’s gwine press me hair And bleach me skin.

    I’s gwine press me hair

    And bleach me skin.

    What won’t a gal do

    Some kind of man to win.

    Author: Una Marson (Jamaica)

  14. sou de cor branca tenho cabelos afro, sofri muito tempo com a discriminação do meu cabelo começando de ksa, sou filha de branco com preta, e hoje tenho duas filhas sendo o pai um afrobrasileiro de pernambuco como ele costuma dizer descendente de escravo, minhas filhas tem o cabelo afro e tenho ensinado elas a valorizar sua beleza afro e ser orgulharem de serem negras e o pai tb me ajuda, é muito importante educar desde as crianças q ninguem é melhor q ninguem…

  15. Amei seu texto, mais ainda não sei o que fazer com meu cabelo. Estou a 4 meses sem alisar e pensando no que fazer para deixá-lo o mais natural possível. E sinceramente não sei o que fazer, pois meu cabelo é extremamente crespo, não dá nem para pentear, mais tenho esperança de que encontrarei uma forma para abolir o alisamento dos meus cabelos.

  16. Muito bacana sua postagem. Estou passando por uma transformação parecida, tenho cabelo crespo mas não muito, desde 2008 eu relaxo, porém depois de alguns anos percebi que a cabeleireira, toda vez que ia relaxar passava o pente na parte de trás, o que acabou alisando somente essa parte.Meu cabelo foi ficando horroroso e mudei de salão, mas lá disseram que a única alternativa era cortar curto e ir tirando o restante do liso aos poucos, odiei essa ideia por amar meu cabelo comprido, mas no mês de abril por já estar á 6 meses sem relaxar (sem dinheiro para cuidar)o cabelo estava péssimo e tive a triste ideia de cortar chanel, no primeiro gostei tirei foto e tudo, mas no segundo dia senti vontade de chorar, não ficou feio, mas cabelo curto não é pra mim e agora só uso meu cabelo preso e com um coque, que é pra ninguém se lembrar de mim com ele curto!!!Até o fim desse ano vou por mega hair cacheado amo demais, pois só assim conseguirei usá-lo solto como gosto.

  17. Meu cabelo não é crespo, é cacheado.. Eu não sei dizer ao certo qual é o meu tipo de cabelo, só sei que eu nunca conseguiria fazer um black power nele porque ele não pára em pé. Enfim, quero dar o meu depoimento tbm: Desde que eu era criança a minha mãe já gostava de alisar os meus cabelos e fazer uma caralhada de tratamentos pra que ele ficasse “melhor”.. Sinceramente, eu não me importava muito com aquilo, já que eu cresci com a ideia de que cabelos lisos são mais bonitos etc, aquela coisa toda.. Mas eu cresci e acabei percebendo que cabelo não tem quer ser liso pra ser bonito, percebi que todas aquelas besteiras que me diziam desde sempre não passavam de mentiras. Bom, hoje eu não sinto mais vontade de alisar os meus cachinhos negros, gosto deles ao natural. Bjs, adorei o blog, tô conhecendo hoje.

  18. Oi Letícia! Tu és muito bonita guria! mas o que eu queria te dizer é que isso de gostar do corpo, olhos cabelos…, no meu ponto de vista tem mais haver com a idade do que com o tipo de corpo, olhos e cabelos que se tem, adolescentes de todas as etnias costumas ter pouca autoconfiança e geralmente não gostam do que receberam de herança genética, por isso devemos olhar para nossas crianças todos os dias e dizer o quanto são lindos e amados! Com certeza a herança da degradação imposta pelas senzalas à auto imagem dos negros no Brasil é um agravante a mais que repercute nos jovens até hoje, e agrava ainda mais esse sintoma característico da juventude!

  19. Letícia, seu texto é lindo e você é linda.

    Seu texto me fez lembrar que quando eu era pequena (eu era filha única bem mimada) eu me sentia uma princesinha e me achava linda. Eu comecei a duvidar de minha beleza quando comecei a estudar em um colégio particular de classe média no qual eu me lembro de umas cinco criancas negras além de mim (esse colégio tinha uns 3.000 alunos). Comecei a ouvir todo tipo de piadinha sobre meus cabelos e o engracado foi que nessa época até desenvolvi uma certa agressao contra meus pais, porque tinha a sensacao de que eles mentiam pra mim falando que eu era bonita quando isso nao era verdade. Que nóia, né? mas isso é o que essa nossa socializacao preconceituosa faz na cabeca das meninas negras.

    Mas um dia melhora… melhor acreditar nisso…
    Mas uma vez parabéns pelo lindo texto e cabeleira:-)

  20. Venho de uma família que se orgulha em ser branca!
    Mas desde criança minha mãe tentava encrespar meu cabelos muito lisos, e quando chegava o verão ficávamos horas esparramadas ao sol pra pegar uma corzinha (corzinha nada, quanto mais bronzeada melhor), não é estranho?
    Eu demorei pra assumir meus lisos, mas continuo achando cabelos crespos e volumosos muito mais bonitos!

  21. Fico muito feliz com os comentários e com a repercussão do texto, que segue entre os populares no blog.
    É muito importante que reconheçamos nossa beleza em nossos cabelos, tenham ele a cor e textura que tiverem.
    Que sejamos livres para usar o cabelo como quisermos, e felizes com eles!
    Beijo!

  22. Há 06 meses resolvi assumi o afro é descobri o que é preconceito não velado ,ás vezes quando entro num ônibus ou estou em lugares públicos mulheres em sua maioria negras começam a solta risinhos de deboche ou insinuações :que o meu cabelo está bagunçado ou alto ,mas não me importo,pois estou descobrindo minha identidade cultural.
    Abaixo a ditadura do alisante .

  23. Maravilhoso texto!
    Primeiro, cabelo não é moldura do rosto de ninguém. Tomem muito cuidado ao dizer isso, pois as moças (e moços, mas temos que concordar que o cabelo é um aspecto infinitamente mais importante aos olhos da sociedade para a mulher que para o homem) que não têm cabelo devido a algum problema (ex: tratamento quimioterápico) ou tiveram que raspar por qualquer motivo podem se sentir ressentidas. Cabelo não é moldura, não é essencial, não tem que ser assim ou assado. Cabelo, ademais, é cabelo. O resto das definições são “armadilhas sociais” que procuram cercear ou condenar, mesmo que ingenuamente, em alguns casos.
    Mudando o foco, eu não sou contra quem alisa o crespo. Larguei o alisante há pouco tempo. Mas, há de se salientar que eu não era feliz com meu cabelo crespo. Eu sentia que ele era feio, não gostava dele. Hoje, cuido muito bem do meu crespinho e o adoro (mas longe de mim condenar quem alisa). Muito provavelmente o manterei crespo durante um tempo, depois alisarei, depois deixarei crespo, pintarei de sabe-se lá quantas cores e por aí vai. Mas hoje sei que não será porque não gosto do meu crespo, mas sim porque senti uma genuína vontade de mudar que não foi influenciada por um estereótipo racista. Acho que para a saúde mental e bem estar da pessoa consigo mesma, deixo uma ressalva: Tente aceitar seu cabelo, GOSTAR dele antes de alisar ou fazer qualquer alteração em sua cor/estrutura/etc. Não é porque eu, por exemplo, gosto de fazer A que não irei flertar com a atividade B de vez em quando. O problema surge, na minha opinião, quando eu desgosto de A porque as pessoas disseram que eu não devo gostar de A e, portanto, vejo apenas B como alternativa, gostando ou não de B.

  24. Muito bom! Também me aceitei há pouco tempo (quase 1 ano atrás) e vejo que é bem melhor ser livre de química, deixando-os naturais, como eles realmente são! Parabéns!

    Aproveitando o momento, passo aqui pra divulgar meu primeiro vídeo que fiz, dando dica de como texturizar o cabelo crespo masculino e feminino também! Espero que goste 😉

    Obrigado!

  25. Isso mesmo meninas, precisamos aceitar nossos corpes e cabelos, mas sobretudo precisamos nos sentir felizes com eles…

  26. Não tenho um cabelo muito bom, mais gosto dele assim. E depois desse texto e desses depoimentos maravilhosos, eu vou aprender a gostar e a dar valor mais ainda,porque devemos gostar do que nos temos e não do que quereos ter…

  27. Até hoje eu mantenho uma relação estranha com o meu cabelo. Não questiono o crespo e sim a falta dele e a sua irregularidade algumas partes com chumaço e outras ralo e quase sem fios, apresentando uma aparência de desleixo. Eu não estou satisfeita pois sei que as madexas ornamento o rosto de qualquer pessoa. Para resolver esta questão momentânea- acredito- faço uso de tubantes o que incomoda meio mundo.mesmo assim adorei o texto sobre os cabelos crespos quimicamente tratados.por fim tem gosto para tudo nessa vida.

  28. Adorei o texto, adorei!
    Eu sofria com relação aos ataques que minha cabeleira era alvo na escola e na família, por ser bem cheia e ondulado, me chamavam de ”leão”, então imagine uma menina de 11, 12 anos ouvindo isso, até uns 15 só usava rabo de cavalo, mas mesmo assim meu cabelo sempre foi armado, até que que aos 15 cortei bem curto porque eu adoro cabelos curtos, rs, e quando ele voltou a crescer, assumi o ”assanhado” como minha mãe carinhosamente chama; já com meus 16, 17 na cidade pequenina em que morava riam da menina de cabelo ‘fuá’ ao vento e eu ria, mas de alegria porque após todos aqueles anos aceitara-me como eu era não como queriam que eu fosse, eu até poderia fazer escova, alisar, mas gosto de como sou e isso é o que insisto em repassar aos adolescentes com que tenho contato como educadora, que eles têm que se amar do que jeito que eles – não do jeito que aquela novela brega ou programinha de auditório quer que eles sejam!!!

    Beigos!

  29. Ai, que lindo! Sim, ter cabelo liso não te faz ser “menos” negra, pois mudar faz parte da vida também. E viva a transformação.

    • Tenho 53 anos e descobri aos 50 que eu queria ter o meu cabelo crespo, natural. Usei e abusei dele. Há dois meses fiz um relaxamento para soltar um pouco os cachos, pois fica mais fácil nos dias de frio não ter de molhar os cabelos todos os dias. Adoro meu cabelo. MEU cabelo. Cansei de ouvir discursos hipócritas de que eu deveria “assumir” meus cabelos crespos. USO MEU CABELO DO JEITO QUE EU QUISER, ora crespo, ora mais liso. Meu cabelo é BOM porque é meu. Demorei para poder dizer isso. As mulheres de cabelo liso podem cachear, fazer babyliss, permanentes etc e tudo é permitido. As negras não podem NUNCA mudar seus cabelos pois serão alvos de comentários como “não assumir a negritude”. É preciso desvendar o racismo, o preconceito e a cara-de-pau de pessoas que acham que são nossas DONAS e podem definir o nosso cabelo. CADA UM FAZ O QUE QUER DO SEU CABELO. Ufa!!!
      Parabéns amiga, você descobriu isso muito mais rápido do que eu.

    • Parece até que fui eu que escrevi isso! Você disse exatamente tudo o que eu digo sempre. Eu uso o meu cabelo como eu quero! Alisado ou crespo, preto, vermelho ou a cor que eu quiser.

  30. Lindo poema!
    Nos contempla de mais…
    Me faz lembrar o poema do Oliveira Silveira, “Encontrei minhas origens”… afinal, nos encontramos quando temos consciência de quem somos e aprendemos a nos amar dessa forma.

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