Considerações sobre elogios racistas

Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigxs, familiares. Muitas vezes até por nossos parceirxs.

Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, diga-se de passagem) que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, acredito. Outros nem tanto. Fico aguardando ansiosa para que você, mulher negra, deixe seu comentário dizendo se também acontece com você. Se concorda, se discorda. E sobretudo, o que você faz para deixar bem claro que o elogio racista pode ser tudo, menos benvindo e apreciado.

Adriana Alves é atriz e frequentemente é chamada de morena


01. “Você é uma morena muito bonita”

Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeiras lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial. Se você precisa se expressar, tente um simples “você é bonita ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do contexto pode ser tão ruim quanto.

Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente. Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem moreninha, sou n.e.g.r.a. O bom é que, dependendo de como essa resposta é dada, a pessoa já se toca que ela não deveria ter começado o conversê, que simplesmente não estou disponível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos.


02. “Seu cabelo é muito bonito, posso pegar?”

Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapasssou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e dizendo que eu tinha uma “peruca muito bonita”. Não retruquei de caso pensado, antecipando seu constrangimento por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi olhar aquela expressão de arrependimento por ter percebido o que fez.

Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser inebriante. Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça muito bem a pessoa, não toque em seu cabelo sem consentimento. Eu iria mais longe. Para mim a boa etiqueta simplesmente reza que não se deve nem mesmo pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida.


Alek Wek é uma modelo de traços delicados

Alek Wek também é uma modelo de traços delicados

03. “Você tem os traços delicados”

Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver com a ideia de que será bonita se tiver uma expressão “fina”, leia-se semelhante a de uma pessoa branca. Como se determinado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de suas variantes é outra expressão igualmente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que ao meu ver é a mesma coisa de dizer que “você é bonita para uma negra”.

Afinal, qual a dificuldade de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek tem de ser descrita como uma “mulher negra bonita” enquanto as mulheres brancas são apenas “mulheres bonitas”? Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas sempre fazendo questão de te colocar “no seu lugar”, como se algumas fronteiras jamais pudessem ser cruzadas.


Cena de Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche

Cena de Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche

04. “Você tem a bunda linda”

Essa é uma opinião que certamente não é unânime. Faço questão de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Para muitas de nós, esse comentário expressa a hipersexualização a que somos historicamente submetidas como exemplifica a triste biografia de Saartjie, denominada a Vênus Hotentote, exposta como atração circense em função da admiração que suas nádegas causaram na Europa do século XIX.

Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que acontece entre duas pessoas, preciso considerar a tradição racista secular desse tipo de discurso. Trata-se de reduzir a mulher a um pedacinho do seu corpo, desconsiderar sua humanidade, transformá-la num pedaço de carne exposto no açougue como aconteceu e acontece diariamente. Meu conselho é pergunte antes se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura desse tipo de elogio.


Mulata da Leandro de Itaquera Mulata da Leandro de Itaquera

05. “Você é uma mulata tipo exportação!”

Esse elogio ainda o tratamento dispensado à mulher negra no seio da senzala, da casa grande. O pensamento que nos reduz em brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer uma tradição escravocrata secular, que transforma a mulher negra em “peça” que alcançará boa cotação no mercado onde a carne mais barata é a nossa. O nome desse mercado é exotificação. Em alguns casos, hiperssexualização.

Infelizmente também estamos falando sobre o modo racista com que as mulatas de escola de samba, mulheres que respeito e admiro, são mostradas e consumidas. Mulheres que levam o samba no pé, no sorriso, na raça. Que, ao invés de serem uma referência de beleza, são vendidas como frutas exóticas na temporada do carnaval. Mulheres que recentemente tem sido preteridas por “personalidades da mídia” em nome de uma pretensa “democracia racial” e muitas vezes com a anuências de algumas agremiações.


Qual é a sua opinião?

Porém, preciso dizer que os elogio racistas podem (e devem)  subvertidos. Quando o assunto são as mulatas de quem já falei aqui, isso é bastante evidente. Ser uma mulata exportação também atesta um padrão de excelência e traduz qualidades como perseverança, força. Minha professora de dança adora dizer que a graça de uma bailarina é diretamente proporcional à sua força. Mulatas são a expressão mais concreta desse enunciado.

Por isso fiz questão de usar como título desse post, um trecho do poema de Elisa Lucinda, Mulata Exportação, que resume tudo o que tentei dizer até aqui: “deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata” como muita gente gosta de pensar. E acrescento, “opressão, barbaridade, genocídio, nada disso se cura trepando com uma escura!”. Muito menos tecendo elogios racistas, diga-se de passagem. Quem o diz é a mulata exportação do poema. Sou eu, somos todas nós que já ouvimos essas porcarias.

Confesso que essa lista tem algo de muito pessoal, cujas entrelinhas tem muitas dedicatórias alimentadas por ironia. Nem por isso menos pertinente. Por isso adoraria ouvir a opinião de vocês. Esqueci algum elogio racista que te incomoda? Que te fez espumar de ódio, revirar os zóios e dizer algumas verdades? Você também acredita que esse tipo de comentário, como tudo aquilo que é racista e preconceituoso, diz muito sobre a pessoa que o faz do que sobre a pessoa a quem se destina?

Me conta!

Update – Para aqueles que quiserem entender porque é tão ofensivo tocar em nossos cabelos, recomendo a leitura de Carta aberta sobre aos que põe as mãos sobre cabelos afro.

  • Fred Ramos

    Artigo muito esclarecedor. Acho q já fiz algum comentário assim, sem intenção e sem o conhecimento de toda carga histórica, preconceituosa e racista implícita. Creio q existe muita gente quem nem tem idéia disso. Conhecimento é libertador… ótimo artigo.

  • Nanana

    Bom… Eu nao sou negra, aliás, não tenho a pele negra. Mais adorei o post ! A Internet deveria ser usada pra isso, mais 100 sites como esse, e o Brasil estaria ja um pouco melhor. E no mais, racismo, no Brasil e o fim da picada, e um país mestiço, todos somos mestiços, uns mais claros, outros não… uma coisa que me chateia, e que quando eu digo negra, como no exemplo qui vc deu, não falar moreninha. ai sim, tem pessoas que reclamam…

  • joah

    Você é uma ótima escritora, sabe ?Sabe de uma coisa que eu gostaria de compartilhar isso com você e que você também poderia me ajudar. Eu percebi que muitas pessoas ficam quietas sobre esse assunto, mas quando alguém conta algo racista do tipo: “Ela é bonita.Só porque é negra ” como se quisesse dizer que por ser negra não posso ser bonita. Muita gente ri ou demoNstra que gosta de ouvir isso. Eu percebo isso sabe, é horrível pra mim.

  • Gilmara Silva

    Peço licença poética para comentar:

    De Elisa Lucinda
    Mulata Exportação

    “Mas que nega linda
    E de olho verde ainda
    Olho de veneno e açúcar!
    Vem nega, vem ser minha desculpa
    Vem que aqui dentro ainda te cabe
    Vem ser meu álibi, minha bela conduta
    Vem, nega exportação, vem meu pão de açúcar!
    (Monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu dendê?)
    Minha tonteira minha história contundida
    Minha memória confundida, meu futebol, entendeu meu gelol?
    Rebola bem meu bem-querer, sou seu improviso, seu karaoquê;
    Vem nega, sem eu ter que fazer nada. Vem sem ter que me mexer
    Em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais vai doer.
    Sinto cheiro docê, meu maculelê, vem nega, me ama, me colore
    Vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê.
    Vem, nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar.”
    Imaginem: Ouvi tudo isso sem calma e sem dor.
    Já preso esse ex-feitor, eu disse: “Seu delegado…”
    E o delegado piscou.
    Falei com o juiz, o juiz se insinuou e decretou pequena pena
    com cela especial por ser esse branco intelectual…
    Eu disse: “Seu Juiz, não adianta! Opressão, Barbaridade, Genocídio
    nada disso se cura trepando com uma escura!”
    Ó minha máxima lei, deixai de asneira
    Não vai ser um branco mal resolvido
    que vai libertar uma negra:

    Esse branco ardido está fadado
    porque não é com lábia de pseudo-oprimido
    que vai aliviar seu passado.
    Olha aqui meu senhor:
    Eu me lembro da senzala
    e tu te lembras da Casa-Grande
    e vamos juntos escrever sinceramente outra história
    Digo, repito e não minto:
    Vamos passar essa verdade a limpo
    porque não é dançando samba
    que eu te redimo ou te acredito:
    Vê se te afasta, não invista, não insista!
    Meu nojo!
    Meu engodo cultural!
    Minha lavagem de lata!

    Porque deixar de ser racista, meu amor,
    não é comer uma mulata!

  • Brizza

    Uma que nunca esquecerei foi um rapaz que estudava comigo num determinado curso de inglês, o qual certo dia veio até mim e disse que gostaria que eu fosse empregada doméstica da casa dele. Esse conseguiu marcar minha juventude negativamente. Fiquei muito triste com isso, achei super discriminatório o comentário dele.

  • Aline pereira da Silva

    Incrível esse texto traduz muito do meus incomodos diarios… já ouvi comentarios do tipo- nossa voce é morena, mas seu nariz é empinado…ou aqueles assedios nas ruas do tipo que morena gostosa ou porque voce nao ‘arruma” seu cabelo… Quando tinha 15 anos estava caminhando na rua, quando dois caras passaram de moto e o que estava na garupa du um tapa enorme na minha bunda… cheguei em casa chorando e ate hoje nove anos depois ainda me sinto humilhada. É muito indignino ser tratado como mero objeto..Parabens Charô.

  • Hannah Catharina Oliveira

    O pior de tudo é ouvir (ainda mais na Europa) que eu sou “clara” demais para ser negra. Sinto te informar que sou negra sim! Se você não é negro não venha dar “pitacos” sobre a minha “negritude”. Aqui em Portugal chega a ser ridículo. Não existe “os negros” ou “aquela pessoa” existe “os pretos. Preto é COR e ponto. Eu sou NEGRA. Parece até que ser negro na Europa é uma vergonha. Namorar uma então… Nem se fala.
    O meu ex era branco dos olhos verdes e um dia estávamos voltando de uma maratona no metrô. Por eu ser negra e brasileira (e ele português) e estar usando uma simples calça legging (aquelas para treinar), foi o suficiente para uma fulana, PORTUGUESA e BRANCA me olhar com cara de nojo e absurdo e ainda ficar de cochicho, balançando a cabeça, por eu estar com um homem branco e usando uma legging. Me subiu uma ojeriza tão grande que o meu olhar de raiva foi o suficiente para ela entender que se continuasse ia ouvir, e muito. Olhei fixo para ela e perguntei “qual foi?”. E fitei ela da primeira a última estação. 90% dos europeus se chocam ao ver um casal inter-racial. FATO. E ridículo.

  • Passei boa parte da vida escutando expressões como essa sem conseguir me defender… Hoje nem vem que não tem!!!!!! Eu rodo a baiana e fecho com quem for.

  • Nanda

    Nunca tinha pensando nesse “você é uma negra linda” dessa forma. Eu, quando falava isso para a minha amiga, queria dizer como se uma das coisas mais lindas nela fosse o fato de ser negra. Ultimamente estou entrando bastante no Blogueiras Negras pq essa mesma amiga minha me abriu os olhos para algumas expressões que eu usava (sem nenhuma maldade) e que tinham conotação racista.

  • Ja me disseram que era uma morena muito bonita.. e fiquei meio constrangida pq não sou morena e sim negra. Me arrependo ate hj por não ter falado nada no momento, em ter sido objetiva ou ate msm grossa pra mostrar q sou negra de fato.. Enfim me arrependo muito =/

  • morro de raiva desses tipos de comentários, eita morena boa, ohhh morena do peitão, gostosa e etc, affs é cada coisa que da vontade de esganar a pessoa que faz isso, não respeitam, acham que somos apenas carnes pronta pra comer, mas espero que um dia não muito tarde isso mude.

    • Melanie

      No geral já acho que isso não vai de modo racista apenas, porque eu tenho uma pele clara e loira e ouço muito me chamarem de galega, amarela, branquinha gostosa, falam do meu peito, da bunda e tudo que se acham no direito.

      Na verdade tratam a mulher em si como carne, mas na hora caracterizam bastante achando que tão elogiando e não abusando

  • Danilo Brasil Pinto

    Bem a algum tempo venho acompanhando as publicações, mas essas foi apaixonantemente construtiva, sou aluno de História da Universidade Federal de Alagoas, e vemos tudo isso que você descreveu com base nos argumentos Históricos sociais da época colonial que se encrustaram tão forte na sociedade brasileira que muitas vezes se torna invisíveis.
    Mas muitos dos pontos que ressalto é que muitas vezes (por já uma questão cultural) é o incentivo que muitos fazem em relação a esse new racismo… e no meu ponto de vista forma de segregação racial.

  • Ana Maria Barreto

    O artigo é maravilhoso e eu realmente me encontro nas linhas desse blog.
    E uma frase popularmente utilizada por algumas mulheres é: “Não me toca que eu não sou tuas negas”. essa é a que eu mais repudio.

  • túlio cesar

    Cor da pele não é nada mais que um detalhe.as diferenças tem que existir.pois se não fosse assim. Não existiriam as variações de gosto. Uma pele negra incomoda. Pois é uma maravilha. Eu amoooo. Tulio

  • Joelma Diniz

    Acho horrivel quando dizem que as negras sao boas de cama, isso é nos tratar como objetos sexuais, como se ainda estivessemos em uma senzala e a única oportunidade de passar pra casa grande, fosse através de movimentos sexuais quentes, sou um ser humano e o que traz meu progresso sao minhas capacidades intelectuais, morais e emocionais, nao as derivadas de movimentos pélvicos frenéticos,que é como somos identificadas pela maioria das pessoas.

  • Ângela Lúcia Rocha

    Já passei por cada uma.
    Meu namorado é branco e trabalha na segurança pública, e um dia ele foi me buscar e antes de ele chegar um colega dele (é branco ) me disse que eu tinha um corpo tão lindo como de uma européia, mas que fazer sexo com uma negra não tem preço por causa do tamanho da bunda.
    Chorei demais, mas meu namorado sabe quem sou e eu sei quem ele é, e seguimos em frente!

  • Mirian

    Excelente matéria concordo, essa de ficar falando vc é uma negra bonita ouvi e ofende sabe fazem questão de falar “negra bonita” fazendo alusão pra mim disso mesmo, tipo vc é uma negra bonita pra sua raça como se fosse difícil encontrar uma isso é muito racista porque não falam simplesmente vc é bonita pronto, mais tem que citar a raça ninguém fala para uma branca vc é uma “branca bonita….”

    • Marcos Woelz

      Concordo plenamente: como homem, quando quero elogiar digo simplesmente “você é muito linda”. Mais simples né?

    • Gabriela

      Entendo o seu ponto de vista, mas não acredito que dizer para uma negra que ela é “uma negra linda” seja racista. Vc não ouve com frequência alguém usar a expressão “branca linda”, mas ouve as expressões “loira linda”, “morena linda”, “ruiva linda”, “japa linda”, e assim por diante. Esse pode ser um elogio que ressalta a beleza e uma característica física específica – que o emissor acredita ser atraente – de alguém.

  • SaraSabba

    Excelente texto. Gostaria de compartilhar que o ”termo mulata” vem da época da escravidão e significa mula que obedece. Esse termo foi apresentado a mim por um homem que me disse que eu era uma mulata linda, como não gosto desse tipo de coisa fui procurar saber a fundo o que significava, daí percebi a gravidade do problema. Muitos não tem conhecimento do significado, mais deixo minha contribuição.

  • Evelyn

    Quantas vezes já não ouvi, você tem traços de negra americana. Eu fico tipo oi?, tudo bem que o Brasil é na América, porém é óbvio que estão falando das Norte Americanas que tem traços europeus, fico indignada.

  • Texto maravilhoso!

  • Laudicéia Nicácio

    Estou lendo o blog pela primeira vez e ameii a matéria, me fez lembrar de uma colega de trabalho também negra que certa vez puxou meu cabelo de forma até agressiva a meu ver para constatar que não era mega hair. Detalhe ela fez tudo isso em tom de brincadeira pelo menos na concepção dela. Fiquei indignada com a situação.

  • Charô, esse texto é maravilhoso! Porque explicita de forma tão evidente aquilo que se faz oculto pela fala. Certamente um excelente exercício de autocrítica para todos e todas, especialmente para despertar o estranhamento nas mulheres negras! Eu já ouvi todos, e só quando podemos discernir o que é elogio e o que é preconceito – e a carga embutida num sob o outro -, é que podemos combater!

  • MUITO BOM, PARABENS PELO BLOG, VOU CONTINUAR ACOMPANHANDO…!

  • H

    Como os padrões de beleza brasileiros são etnocêntricos, até as negras que são consideradas bonitas são as que têm traços europeus na aparência. Sempre que eu ouço alguém dizer “ela é uma negra bonita (que soa como: ela é negra, mas é bonita) eu me pergunto: se fosse uma mulher branca, iriam dizer que é uma branca bonita, ou somente que é uma mulher bonita?

  • Ruth

    A Alek Wek não tem os ´traços finos´, vejo um nariz mais largo e lábios grossos. Minha observação, um exemplo de negras de traços finos é Sharon Menezes e Taís Arujo.

  • Eliana Almeida

    Adriana Alves é uma das mulheres mais bonitas que já vi, fico muito triste quando alguém tenta me convencer de que sou morena.

  • Ler essa matéria foi muito interessante. Há tanto tempo já venho ouvindo tantos elogios similares que nunca havia parado para pensar nas raízes deles, “seu nariz não é tão grande”, “você é uma morena linda”, “você não tem bunda de mulata”…
    Grande parte da disseminação desse pensamento, e desse tipo de elogio acaba sendo nós mesmos, que muitas vezes nem percebemos a sementinha do mal nas palavras alheias.

    É, essa sociedade ainda precisa passar por grandes avanços.

  • Roberta

    Oi, Charô. Vim parar aqui após ter irritado uma amiga a quem inadvertidamente disse que não é negra, pois tem pai branco. Não estou aqui para me justificar, mas jamais me passou pela cabeça que a ofenderia com aquele comentário! Senti muita vergonha na hora e mais ainda agora, depois de ter lido seu texto e os comentários dos leitores e percebido que existe um tantão de racismo velado que eu não consigo ainda enxergar. Tenho me empenhado a vida inteira em identificar e combater meus preconceitos, sejam raciais, de gênero, religiosos ou de qualquer sorte, mas esse é um exercício que requer uma autocrítica apurada e disposição para ouvir e entender o outro. E requer tempo, persistência. Eu, mulher nordestina, sei bem onde o meu sapato aperta, mas ainda preciso ler e ouvir outros tantos relatos como este para entender o que caleja uma mulher negra. Obrigada pela chacoalhada.

  • Lud

    “seu cabelo nem é tão ruim assim”!!!!!
    cansei desta!

    • Dany

      “seu cabelo nem é tão ruim assim”!!!!!

      É claro que meu cabelo não é tão ‘ruim’ assim…
      Ruim é ter que OUVIR um comentário tão IDIOTA desses!!!

    • Laudicéia Nicácio

      Pior para mim diziam e ainda insistem em dizer seu cabelo é ruim igual ao da família da sua mãe o da sua irmã é bom igual ao da família do seu pai. Ou então é ruim mais é comprido o seu cabelo. Ruim de suportar é o preconceito, isso cansa.

  • erika zeni

    Odeio o termo mulata (o). … Gente voces ja foram ver a etiologia dessa palavra???? Pq aceitamos isso ? Usamos esse termo com naturalidade no dia dia como se ao falar a palavra mulata (o) nao estivessemos reduzindo uma raça a animais quadrupedes desprovidos de qualquer racionalidade

    • Parabéns pelo artigo. Matéria muito bem escrita, que nos ajuda a pensar sobre coisas que com elas convivemos diariamente sem que percebamos. O tema foi muito bem abordado, mostrando que a pessoa que escreveu tem sensibilidade e percepção aguda do que acontece com a nossa sociedade.

  • Sarah Hipolito

    Ótimo texto. Sempre quando querem me elogiar dizem que sou uma morena bonita, mas se é crítica dizem que sou uma neguinha abusada. Sempre ouço: “Ah mas você não é negra, é morena clara.” Minha mãe é negra, e nasceu com os cabelos muito lisos, finos e pretos, toda vez alguém pergunta “como ela faz para alisar o cabelo e parecer tão natural”? É como se para ser negro necessariamente tenha que ter cabelo crespo, é como se fosse o “protocolo” da negritude, o cabelo crespo e volumoso. Já até perguntaram a ela qual a marca do “henê” que ela usava. Quando saio com meu pai (de pele branca), sempre acham estranho quando dizemos que somos pai e filha, e não sou namorada, nem amante nem adotada. É como se fosse estranho que um “branco” tenha se casado com uma negra e tiveram filhos, é como se isso fosse algo “diferente”, daí falam: “ai, poderia ter puxado os olhos de seu pai, morena de olho claro ficaria linda!”. Ou dizem para meu pai: “Ah, mas sua filha é uma morena muito bonita”. Cansei de ouvir isso. Mas, graças a Deus, em minha casa, não “notávamos” nossas diferenças (sou a mais escura dos três filhos de meus pais), na minha infância não tinha isso, sempre amei a cor de minha pele, acho que por isso nunca me importei com esses comentários, talvez porque na época não entendia bem a conotação racista neles, hoje quando dizem que sou morena, abro o sorriso e respondo com bom humor : “põe mais tinta aí amigo, sou negra”, alguns entendem a “brincadeira”, outros não e ainda respondem que não queriam dizer isso. A minha única alternativa é rir desses “pobres coitados” que “não sabem” que estão sendo preconceituosos.

  • Carla

    Lendo esse texto incrível lembrei de muitos comentários racistas que já ouvi. Tenho a pele mais ‘clara’ mas sou NEGRA, NÊGA, NEGONA MESMO!
    Quando tinha 16 anos comecei a namorar com um rapaz branco e sofri preconceito da família dele por causa do meu cabelo e sabe, nunca liguei. Sempre soube dar respostas á altura do racismo dele. O meu segundo namorado também branco nunca demonstrou nenhum preconceito.Me chamava de preta e eu gosto quando me chamam assim.
    A pouco tempo meu cunhado me fez um comentário super infeliz. Perguntou pro meu noivo se ter uma empregada “pretinha” era caro. Na hora fechei os olhos e respirei fundo para não responder na frente de todos. Meu namorado envergonhado me pediu desculpas, mas foi muito constrangedor. Não gosto quando falam que não sou negra porque minha pele é mais clara, que sou café com leite. Odeio isso! Sou negra sim senhor, com muito orgulho!
    Negra, universitário,com carteira B, estagiando no TJ. Algumas pessoas “estranham” dizem que “fugi da regra”. Porque? Negras só podem ser empregadas domesticas?!

  • Clara

    Já escutei uma pior sobre Bumbum. Um menino me disse que queria ir pra cama comigo pois, meu bumbum era grande mas, devia ser mas “limpinha” que uma negra.
    Bem eu tenho pele clara mais como típica brasileira tenho antepassados negros .
    Chorei na hora de horror pois, tal comentário veio menino que antepassados fugiram do Holocausto.

  • Dany

    Bom, como já disse, sou bissexual e há alguns anos estava ficando com um rapaz branco, porém relendo um antigo diário, lembrei de quando olhando minhas fotos de formatura ele disse que eu ficava bem de cabelos lisos. Até ai eu achei de boa, mas o pior foi quando elogiei um rapaz negro em uma novela, ele disse coisas desagradáveis que nem vale a pena dar detalhes, mas disse que se pudesse escolher não seria um (homem negro). Dai eu disse que não havia gostado do comentário e ele ainda achou ruim. Reclamei pq meu pai é negro, e sabem o que ele disse? “Seu pai não é negro, seu pai é MORENO, q eu vi na foto!”. Poxa, meu pai é NEGRO e não “moreno”! Entendi que ele não me via como negra, mas como uma “morena clara”, e achei muita ignorância da parte dele aquele comentario( tanto do ator negro como do meu pai) e covardia em não querer admitir que fora um comentário racista.

  • Kênia Vaz

    Viro os Zóio quando escuto: A filha dela é linda, é BEM morena, mais é linda!!!

  • Lendo esse texto percebi que ao longo de minha adolescência e infância ouvi muitos desses elogios racistas e reproduzi até os meus quinze anos. Hoje, depois que li esse texto, me arrependi de algo que disse para uma amiga minha, disse aquele elogio “você é uma negra linda”. Tenho 16 anos e espero tirar todo esse racismo enraizado em mim.

  • Gostei muito do texto e ele serve para nos fazer refletir sobre atitudes que sáo consideradas normais na sociedade brasileira e sáo sim expressáo do racismo entranhado em diversos valores. Mas lendo náo pude deixar de pensar, como mulher obesa, que as gordas ouvem frases equivalentes como por exemplo: ” vc tem um rosto lindo” ou ” que bunda bonita” ou até o “nossa, como v é bonita mesmo grande” e coisinhas assim… Preconceito tem a ver com os valores do patriarcado, que dita a estética, a “normalidade” e estigmatiza as pessoas que sáo “menos” que o ideal. Logicamente náo estou dizendo que o poder destrutivo do racismo e sua história de horrores sejsm iguais à gordofobia, mas só achei interessante contribuir para o debate. Parabens pelo texto.

  • O que mais escuto é você é uma morena linda ou vc é uma mulher negra muito bonita. E tem um com perdão da palavra, que é mto foda que irrita horrores é esse: VC É TÃO LINDA, QUE NEM PARECE COM AS NEGRAS BRASILEIRAS. Tá bom de açúcar.

  • Dany

    O que vc acha do termo “a cor do pecado”?

  • Beto

    “Meu Deus! Como essas moças tao bonitas, vejam soh, loiras, de olhos azuis, foram se envolver com essa quadrilha de politicos e viraram “pastinhas”?! Loiras e de olhos azuis! Nao precisavam disso! Como eh que pode?!” Papo mais ouvido sobre as belissimas “pastinhas” da mafia dos super-faturamentos que usam prostitutas “de luxo”.

  • Lívia Rodrigues

    Adorei o texto!
    Lembrei de algumas frases extremamente racistas que canso de ouvir por aí, não necessariamente ligadas à estética ou elogios. Me deixam sempre possessa.

    Primeiro exemplo: frases que SEMPRE vem acompanhadas de um MAS e quase sempre são proferidas por pessoas mais velhas:

    “Fulano é muito gente boa, você precisa conhecer, ele é pretinho, bem escurinho mesmo, MAS é muito responsável e inteligente”.

    Segundo exemplo: frases que dão a entender que fatos desagradáveis e/ou trágicos que acontecem com pessoas brancas e/ou bonitas são mais desagradáveis/trágicos.

    “Nossa tadinha da fulana, tão bonita, ela era loirinha dos olhos azuis, como isso foi acontecer com ela?”

    Nesse segundo caso, sempre retruco: Por que? Se fosse negra e/ou feia seria menos trágico? rs.

    Terceiro caso: frases que desqualificam o que você vai falar sobre cabelos e estética negra, porque você não é negra.

    Eu sou considerada pela sociedade uma pessoa morena. Até a adolescência tive os cabelos lisos, que nesse período ficaram superrr encaracolados, o que adoro, amo meu cabelo. Então já ouvi de tudo, “nossa, o que aconteceu com o seu cabelo? Ele era tão lisinho”, dos cabeleireiros sempre uma oferta de escova…entre outras coisas.
    Eu conheço muitas mulheres, inclusive da minha família, que tem a pele muito branca e os cabelos muito crespos. Elas não gostam dos seus cabelos e fazem de tudo para domá-los. Como sou apaixonada por cachos e cabelos crespos, pesquiso muito sobre isso e às vezes quando uma delas reclama dos seus cabelos eu digo que acho lindo e digo que há maneiras mais adequadas de cuidar do cabelo crespo (do que da maneira que elas vem fazendo) e tal, aí vem a parte que me irrita:

    “Você fala isso porque o seu cabelo não é ruim igual ao meu, pra você é fácil”, “O seu cabelo é cacheado, MAS (ele voltou!) é bonito, não é igual ao meu que é um fuá”.

    Ficou enormeee

    Beijos

  • Cássio

    Infelizmente esse tipo de raciocínio ainda existe, e de forma quase subliminar. Aposto que muita gente se viu nesse contexto, ao tecer algum elogio a alguma mulher negra, por exemplo, e acrescentar o “negra”, ao se referir a ela, como se precisasse disso. Porque não fala “vc é uma mulher branca muito bonita”? Gostei da explicação.

    Quanto ao último “elogio”: “mulata tipo exportação”, ao meu ver escapou-lhes um fato tão grave quanto o que foi exposto. Chamar um(a) negro(a) de mulato(a), por si só, é racismo! Sim, porque a origem da palavra mulata vem de mula. Quando um casal de negro com branco tinha filho, ele era (e ainda é, como se vê) chamado de mulato, em referência à mula, que é a cria de um cavalo de raça com um burro, ou jumento. Então, o termo “mulata”, usado aqui sem essa observação, passa despercebido.

    Não sei se em algum momento do blog, há uma indagação a esse respeito, quanto à palavra “mulata” ser de origem racista. Mas me pareceu que até mesmo quem escreveu essa matéria desapercebe-se desse fato. E não estou criticando, nada disso! Só quero tentar enriquecer o texto, muito bem escrito, por sinal, e também levantar essa questão, que acho pertinente, uma vez que essa palavra está sendo usada no texto, sem qualquer observação.

    E para finalizar, cito um outro exemplo de palavra “claramente” racista: denegrir. As pessoas usam essa palavra, algumas até pensando que estão falando bonito, mas na verdade estão perpetuando um conceito racista, de que determinada atitude mancha a reputação da pessoa, ou torna a sua reputação como “de negro”. Denegrir nada mais é do que tornar de negro, um conceito totalmente racista!

    É isso. Espero ter contribuído para o blog.

  • Olá ótimo texto sou negra e ja escutei vários elogios assim, antigamente ficava quieta mas hoje retruco dizendo pq isso nao me soa como elogio e tem gente que se espanta!

  • Lorena Nonato

    Outra coisa: Tem uma musica do Thiago Thomé, da pele preta, na qual ele diz que ”não venha me dizer que o primo do teu avô era preto e que por isso você é preto também” porque o teor de melanina que a pele dele tem dentre outras coisas, incomoda a quem vê. Sabe o que é ser negro, acordar toda manhã, vestir a camisa, ciente do papel do negro na sociedade, de sua representatividade, ciente de que é preciso luta para acabar com tais estigmas,… aquele que é negro.Ser negro é ter consciencia. Sabe o que é isso, quem passa por isso. Então, como diz Thiago Thomé em sua MARAVILHOSA canção, não venha me dizer que porque ”não sei quem, parente de não sei quem, que é primo do irmão do seu avô” é preto que você também é, claro que na teoria, o Brasileiro é misturado, miscigenado. Contudo, ser negro na sociedade atual, tem sido muito mais do que apenas herança herdada por parente distante, que só vc e sua família sabem. Ser negro é a pele negra, o olho escuro, o nariz de batata, o cabelo duro… é receber olhares cruéis e elogios preconceituosos de muitos que se dizem contra o racismo e, de tão ignorantes que são, não percebem o efeito que esses ”elogios” causam.

  • Lorena Nonato

    Texto maravilhoso! Estava conversando hoje pela manhã com minha mãe justamente sobre esses comentários que, nas suas entrelinhas, está presente claramente o racismo. Contudo, não é algo escancarado, acho que está enraizado na sociedade de alguma forma, e as pessoas falam sem ter noção do quanto isso é constrangedor. Meu cabelo é black Power, e muitas vezes na rua, as pessoas me olham, pedem para tocá-lo.. e assim, é complicado porque eu me sinto um E.T. mas logo isso passa porque eu sou negra, do cabelo duro e ciente da representatividade do meu cabelo, do porque que eu uso ele, do porque das minhas roupas e do meu pensamento crítico. Muitos dizem : ”Ah, eu sei como é isso…” Não, não sabem… ou sabem apenas como espectadores… e não como personagens principais. Sabe o que é sentir na pele a dor de comentários e comportamentos racistas como esses quem é negro, e passa por isso a todo minuto, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 4 semanas por mês, 12 meses por ano!

  • Marta

    sou negra e como tal e acho como todos os negros já sofri muito preconceito a ponto de escutar de uma ex-sogra que achou uma pena o fim do namoro que queria tanto uma neta, e que o primeiro presente que ela daria seria um rolo de barbante para amarrar os cabelos, as pessoas as vezes falam que não tem intensão mais de boa intensão o inferno está cheio, acham que exageramos com a nossa luta pelo fim do preconceito e acham que tudo que falamos é um drama, mais só pode falar quem já sentiu na pelo o peso do preconceito. Muito bom esse texto a respeito do assunto.

  • Julia

    Sou caucasiana, de família com racismo velado. Hoje sou casada, mas quando entrei na faculdade, há 10 anos, conheci um cara que foi amor à primeira vista. Ele é negro e estudava na sala ao lado da minha. No 5º dia de faculdade já estávamos em um bar de música ao vivo,conversando por horas, tamanha foi nossa atração intelectual. No 10º dia de faculdade já estávamos transando feito loucos em um motel barato na proximidade.Era uma coisa muito louca e muito verdadeira. Nossa atração foi ficando maior e maior… até que ele me pediu em namoro e aceitei. Conversamos sobre a questão do racismo na minha família, mas eu achei que seria algo mais “brando”. Que lidaríamos facilmente. Quando o levei em casa a primeira vez, minha mãe disse: “Cuidado para não engravidar, não quero ficar fazendo trançinhas em cabelo de neto”.Pronto. Meu mundo caiu. Eu fiquei com tanta vergonha dele que por um instante fiquei atônita. Continuamos juntos por quase dois anos. Levei-o às festas de família, mas sempre vinham os comentários maldosos. Hoje, com a experiência que tenho, posso afirmar que foi o preconceito que minou nossa relação. Ele ficou estafado, não aguentava mais algumas pessoas que me cercavam, E éramos muito jovens, eu com 19 anos e ele com 23.Tenho essa mágoa guardada dentro de mim. Amo meu marido, mas acredito que se não fosse o maldito preconceito nós teríamos uma outra história.

  • Ana Carolina

    O mulata me mata ! Me sinto um pedaço de carne, que vive de samba e nada mais. É um triste estereótipo, mas que ainda é muito usado. Sou carioca, então vivo em uma cidade que é divida em subúrbio ,zona sul e barra da tijuca. São vidas noturnas e lazeres completamente diferente. Sinto muita diferença quando vou pra zona sul, percebo que eles não sabem nem como conversar ou quando tentam fazer elogios fazem os detes tipo: mmorena linda, mulata ou sempre vem com assuntos relacionados ao samba. É estranho, mas eu fico abismada como esse tipo de coisa ainda exista. É uma triste ignorância, mas infelizmente existe.

  • Em relação aos 3 primeiros: eu tenho travado uma luta eterna sobre eles. Mesmo na universidade, sou uma das 2 negras de minha turma e escuto esse tipo de comentário sobre o cabelo, o “ser morena” o tempo todo. É claro que em meu circulo de amizades isso tem diminuído constantemente é muito bom poder dizer as pessoas o quão irritante e racista esses tipos de comentários e atitudes são. Demorei muito a aceitar o meu cabelo como ele é, como li em outras postagens, é um desafio para uma criança negra, ainda mais mulher, compreender o quão belo seu cabelo é a partir do momento que até mesmo os desenhos infantis são repletos de meninas brancas de cabelos lisos…. Mas agora que eu o aceitei, ainda tenho que lidar com pessoas querendo toca-lo?! Oh puxa! Mas sobre os dois ultimos, graças a Deus, eu NUNCA ouvi nenhum deles. É simplesmente absurdo que um homem tenha a cara de pau de dizer “você tem uma bunda linda”, não consigo imaginar a minha reação perante a tal ofensa… Provavelmente eu desceria a mão caso acontecesse comigo.

  • Marina

    Eu sou branca, mas tenho o cabelo cacheado (nem tanto cacheado) e me lembro que desde sempre colocaram a ideia que cabelo bonito era cabelo liso, tinha uma época que eu até fiz um relaxamento e fazia chapinha todo santo dia, perdendo cerca de 30 minutos a cada manhã por causa disso, porque? Porque cabelo cacheado é ruim, não presta, embola muito. Hoje eu já me livrei disso tudo e meus cachos estão lindos e eu amo eles, mas ainda vejo gente falando que cabelo cacheado é ruim e tem que ser alisado, mesmo com tantos cachos lindos por ai. Quanto ao colocar a mão no cabelo, tem muita gente que faz isso com o meu, normalmente pessoas desconhecidas, passam a mão e bagunçam todo o meu cabelo e eu tenho que ficar o resto do dia com o cabelo bagunçado ou preso, sem falar que essas pessoas cuja “passada de mão” não foi e nunca vai ser autorizada ainda se sentem ofendidas quando eu peço educadamente para tirarem a mão do meu cabelo e não passarem de novo. Hoje em dia não acho mínima graça em cabelo liso e incentivo todas as mulheres a deixarem seu cabelo ao natural, seja qual tipo de cabelo for.

  • Glayciele

    Toda vez que paro pra ler e ver o Blog choro e fico emocionada , vivo isso diariamente parecemos um frango na assadeira é os cães do lado de fora desejando comer … triste triste essa nossa sociedade Racista .

  • Bárbara

    Tenho dúvidas! Confesso que estou me introduzindo agora em questões raciais voltadas para negros (desde que comecei a ler e me interessar mais sobre o feminismo, diga-se de passagem – Glória 3x, amém). Por ser uma pessoa quase que completamente leiga a essas questões, tenho certas dificuldades, como por exemplo, em saber qual é a minha verdadeira etnia e compreender sob quais justificativas uma pessoa se auto-intitula como negra no Brasil. Cor da pele? Traços físicos? DNA? Isso tudo mais o fato de que ela apenas deseja se intitular como tal? Não sei se isso soa absurdamente idiota, mas juro que até agora nunca obtive uma resposta que realmente respondesse a tais perguntas. Gostaria de saber se a autora do texto ou qualquer outra pessoa que não seja ignorante assim como eu (e que tenha paciência pra ler isso tudo) possa me explicar. Sobre alguém se auto-intitular como moren@, como saber se o fulan@ está sendo racista consigo mesmo ou não? Tomando fatores genéticos como exemplos (e no MEU caso): Sou adotada e segundo minha mãe adotiva, minha mãe biológica era parda com cabelo “escorrido igual ao de índio”. Meu pai, negro (pelo que diz minha mãe adotiva, entende-se que ele era de um tom mais claro). Uma das minhas irmãs biológicas, porém, era loira e branca. Uma outra era morena (segundo minha mãe). Todas as duas também filhas dos meus pais biológicos. Eu tenho um tom de pele mais claro, também. Há 6 meses atrás, o meu cabelo “era liso” (utilizava químicas há tanto tempo que nem me lembro mais). Resolvi finalmente fazer a transição para o natural, eis que agora possuo um cabelo encaracolado e lindo, não me arrependo em nada de tê-lo assumido! Até onde me lembro, nunca na minha vida alguém se direcionou a mim como negra….até a semana passada, quando fui parada (literalmente) no meio da minha faculdade, por uma moça que propôs que eu participasse de uma campanha publicitária (do curso dela). Ela se direcionou a mim como “negra linda!” (e abrindo mais um milésimo parêntesis, depois de ler sobre os elogios racistas, me pergunto se eu mesma não fui um alvo, pois quando perguntei sobre o que realmente se tratava a campanha, após me explicar o tema, a moça complementou com um “ah, e já escolhemos também uma loirinha ali…”. E vejam bem, sou tão ignorante com questões raciais que não consigo nem enxergar se isso foi preconceito da parte dela ou não!). Enfim, voltando ao “negra linda” – confesso que fiquei surpresa (e não ofendida), pois realmente não me lembro de já ter sido considerada negra, nem por amigos, nem familiares, mas sim “morena”, “parda”. Ou seja, acho que fica bem claro que sou julgada quase que estritamente pela minha cor. Voltando ao meu tom de pele, se é que isso é relevante, ele fica ainda mais claro quando deixo de tomar sol e volto à minha cor natural, um “amarelo pálido”. ENFIM, acredito que minha “nova etnia” surgiu assim que assumi o meu cabelo. Então quer dizer que hoje em dia eu sou negra?! Mas e há 6 meses atrás, o que eu “era”?! É algo que simplesmente não faz sentido pra mim. Socorro!

  • Ana Maria

    Sou branca, e vivo num estado onde a maioria esmagadora é branca. Nunca presenciei nenhum ato explícito de racismo. Costumo a tomar as dores dos oprimidos, tanto que foi assim que eu cheguei aqui. E nunca me considerei uma pessoa racista – até agora. Encontrei vários pontos interessantes no teu texto, que fiquei com vontade de comentar, mas tive medo. Sim, MEDO. Medo de ser mal recebida no blog simplesmente por ser branca. O que uma mulher branca sabe sobre ser negra? Que contribuição eu posso dar se não vivo – literalmente – na pele do oprimido?
    E esse tipo de pensamento me deixou em choque. Isso não está escrito em algum lugar, não fica subentendido no teu texto. Foi coisa da minha própria cabeça – o que me fez perceber que o racismo está tão intrínseco na nossa sociedade que acabei sendo racista sem querer. Não no sentido de desprezo ou preconceito, mas segregacional. E isso me assusta.

  • Concordo com o texto.
    Pô a Alek wek(sonho) é lindissima demais, ela tem uma história mui forte e de mui sucesso, tem muito talento
    E aê na boa, num elogio sincero e pessoal meu..
    Negras são as mais lindíssimas.. melhores *-* (!!!)

  • Bia Rosa

    O qual mais me irrita é ouvir as pessoas falando “Ela é negra,mas é bonita.” Dizem isso como ser negro fosse um defeito.Fico mt brava!

  • Vanessa

    Olá, Charô. Achei seu texto tão bom que resolvi escrever este comentário (coisa que rarissimamente faço) só para poder parabenizá-la! Você conseguiu colocar seu ponto de vista sobre esse assunto delicado sem parecer “uma reclamona”, por falta de uma palavra melhor. E concordo com grande parte dele, só não digo que concordo com ele todo pela minha própria ignorância do assunto, não vivo esta realidade a qual você apontou, não sou negra, mas admiro fortemente pessoas como você, que sabem lutar pelo que querem e o fazem de uma maneira não agressiva, mas pelo contrário: esclarecedora. Sou feminista e sei o quão difícil é expor nossas ideias dessa maneira sem sermos taxadas de mil coisas que nos inferiorizam. Cada um sabe a dificuldade que é viver dentro da própria pele e ninguém tem competência para dizer que qualquer reivindicação dessa pessoa é puro “chororô” – porque não é. Lutar pelo que se acredita não é fácil, mas ainda é mais fácil do que encarar a realidade injusta em que se vive. Mais uma vez parabéns.

  • Marina

    oi Charô! olha só, li o seu texto e achei muito bom, mas fiquei com algumas dúvidas…
    Não sou negra, e talvez seja pura ignorância minha por não conhecer muito o tema “racismo”, mas nunca pensei que fosse errado elogiar o cabelo de uma pessoa negra… afinal, como você mesma falou é algo difícil de se ver ao natural, e que chama a atenção. da mesma forma que eu acho muito bonito quando vejo, também acho muito bonito ver um cabelo ruivo natural, por exemplo… também é difícil de se ver, e eu elogio da mesma forma.. e quanto a tocar no cabelo, acho que ninguém gosta que um desconhecido faça isso..
    e assim, dizer “você é uma morena linda” não seria a mesma coisa que dizer “você é uma loira linda”, o que é considerado completamente normal? não acho que todas as mulheres negras se sintam ofendidas com esse elogio… pelo menos não me parece que traz alguma mensagem subjetiva, como no caso do “você tem traços delicados” ou “você é bonita para uma mulher negra”, que eu acho absurdo.
    enfim, peço perdão se estou sendo ignorante, apenas nunca tive essa visão e fiquei um pouco preocupada em já ter ofendido alguma amiga minha…
    agradeço se você puder me esclarecer 🙂

  • Alexandre

    Não sou muito adepto a palavra Negro, Moreno ou Afrodescendente se for uma característica tem de ser Preto(COR), pele marrom. No Brasil foi criado um conceito que preto é racismo, mas negro é seguindo o dicionário ” Triste, melancólico; funesto: período negro; da noite sem estrelas; No Brasil, até 1888, escravo.; Trabalhar como um negro, trabalhar muito; trabalhar como um mouro ; Que é de cor escura; sombrio. Portanto batizaram nosso tom de pele desta forma para inferiorizar. Sou preto, sou marrom e tenho orgulho do meu tom de pele.

  • Eu moro num bairro periférico e sei como as minhas amigas negras são olhadas em shoppings de ricos, é triste e concordo com grande parte do que você escreveu. Porém, em relação ao item 03 e 04 acho que isso acontece não só com as negras, mas com as mulheres em geral. Parabéns pelo texto! Muito bom!

  • Texto interessantíssimo. Os elogios 1 e 3 sempre foram frequentes na minha vida. E as pessoas realmente acham que estão elogiando como uma espécie de recompensa por sermos negros. Fora que sempre me taxaram como morena também. Negra jamais. Confesso que também demorei para me definir como negra, mas estou no caminho dessa evolução de pensamento e tento transmitir isso aos mais novos. Parabéns pela opinião!

  • Bruna Cristofoli

    Gostei muito do texto! Me fez lembrar também do machismo, que muitas vezes está dentro de nós. Como mulher de pele branca eu gostaria de destacar um pormenor quando aos cabelos. O meu não é liso, nem encaracolado, nem ondulado, é uma mistura, e eu vivo numa região cheia de descendentes de italianos, e sempre morri de curiosidade pelos vossos cabelos, e não acho que neste caso é uma atitude racista, simplesmente é ignorância, e se eu tivesse proximidade com alguém gostaria de tocar, porque para mim fica especial quando é deixado natural, sem essas químicas.

  • Altino Júnior

    Gostei muito de seu post. Tenho particularmente lutado contra o racismo que existe dente de mim que, se materializa em um “morena”.

    Ainda carrego comigo todo o “peso” que a palavra “negra” pode carregar e tentei muitas vezes fugir disto, no entanto, esta atitude não é a melhor, se eu entendi um pouco da sua “linha de pensamento”. Vou refletir mais e tentar trabalhar de forma mais efetiva este questões em minha inconsciência.
    Infelizmente não tenho muito com o que contribuir – especialmente com os elogios, mas, parabéns por esta e pelas suas outras publicações.

    Altino Corrêa Pantoja Júnior

  • Jenifer Nascimento

    Amei o texto!!! E é bem isso, só quem tem na pele um pouco mais de melanina sabe o que (e como) é!! Tenho traços finos mesmo e muita gente “provoca” ao dizer que “se não fosse meu cabelo” (que é meeeeeeeeeega cacheado) eu “passaria” por branca. Sem contar que já ouvi tbm que “para uma negrinha até que eu era bem bonitinha”, logo, negro é feio. E inúmeras outras coisas que eu poderia relatar. E o que mais me irrita no nossa país é essa falsa modéstia que não há racismo. Será?? Coloca um negro de terno numa loja de carros importados e um branco de bermuda e chinelo, a qual deles o segurança ficará mais atento?? “Não sou racista porque tenho amigos negros!” Não é mesmo?? Então comece a namorar e apresente a sua família “àquele” negro ou negra que você encontra e leva para cama às escondidas!! O que me incomoda não é o racismo escancarado: “não gosto de negros e não os quero aqui.” Ótimo! Respeito isso. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, desde que não se utilize de violência e agressão verbal para isso! Sem contar que RACISMO “perdeu” um pouco da força de crime inafiançável, porque agora tudo vira INJURIA RACIAL, quando são dirigidas palavras de ofensas e repúdios em relação a raça de alguém. Ser chama da de “neguinha” (no pior tom possível) não é considerado mais nada. Para ser crime, tem-se que impedir alguém de fazer ou ter acesso a algo que seja, comprovado e com testemunhas, que foi por causa da sua raça que foi barrado. Racismo é tu olhar com desdém para alguém que não tem o cabelo escorrido ou o “volume mal controlado”. É dar um sorriso sem graça ao ser cumprimentado por um negro e fazer comentários desagradáveis quando ele virá às costas. É ficar surpreso ao ver que um negro tem ensino superior completo e não foi somente graças as cotas que ele chegou lá e muito menos que não é “graças ao benevolente patrão BRANCO” que lhe deu a oportunidade e o auxílio de custear-lhe os estudos. É ser subordinado por um negro e dizer que: odeia aquele negro, em vez de odeio o “meu chefe”!!! Em fim, o desabafo poderia ser interminável, mas a certeza é só uma: SOU NEGRA, sim (não por consideração de que raça é algo auto-declarado), mas sim, pela maravilha de sê-la e com muito orgulho!!! O

  • marcos alves

    Ao amigo Guilherme. Ébano meu amigo e uma especie de árvore muito nobre e na maior parte das vezes muito escura e densa. De origem africana, é rara e muito utilizada na fabricação de moveis , instrumentos musicais e objetos decorativos O termo ébano também é muito aplicado em referência à raridade da cor negra que possua grande valor, assim como em elogio a pessoas negras portanto, para mim não é um elogio. Fuiiiiii

  • Bianca

    Olá, eu não sou negra, sou morena e vi que você pediu que as mulheres negras opinassem, mas vou me intrometer aqui, afinal não vivencio isso então é uma mera opinião. ^^
    Concordo que todos os “elogios” que vc mencionou são racistas! Esse “vc é uma mulata tipo exportação” é tão racista que chega a dar calafrios!
    Quanto ao “vc é uma negra bonita”, eu concordo plenamente com você que dá a impressão de dizer “vc é bonita, apesar de negra”, afinal de contas nunca vi ninguém dizer “vc é uma branca bonita”. Sempre fiquei incomodada com essa frase e ela é realmente muito comum! adorei o texto!

  • Tenho a pele claríssima, daquelas que viram um tomate quando tomam sol, mas me recuso a dizer que sou “branca”, porque meu avô paterno era negro! Puxei, talvez, por minha avó materna, alemã… Então, graças à miscigenação, tenho pele bem clara, com cabelos bem escuros e cacheados… Não vou esquecer jamais uma situação que ocorreu quando eu tinha uns 7 anos: uma mulher se aproximou de mim e de minha mãe, levou as mãos ao meu cabelo, pegou um punhado, com vontade, e exclamou: “nossa, é macio!!!” Eu, do alto de minha sinceridade infantil, já respondi, brava: “claro que é macio! Por quê? Só cabelo liso pode ser?” Pensa numa criatura que não sabia onde por a cara… minha mãe olhou com tanta raiva pra mulher… É o pensamento que “cabelo de negro” é ruim… porque não era o padrão do cabelo dos “brancos”… muito triste isso!!!

    • Gente… o “graças à miscigenação” foi irônico, OK??? Não quis dizer que foi um benefício ter a pele clara… o que acontece é que, devido à mistura de raças, saí com a pele clara, mas com o cabelo bem cacheado, o que me faz passar por pérolas deste tipo. Ah, me lembrei de um outro caso: no ginásio, uma professora gostava de proferir impropérios contra negros, e minha mãe foi reclamar… disse que eu tinha ficado ofendida… a professora, com o maior espanto do mundo, respondeu: “mas a Keyla é tão branquinha! Não sei porquê ela ficou ofendida… não disse nada contra ela!” É mole? Você, para se sentir ofendida com o racismo das pessoas, necessariamente deve provar com a cor da pele que você “merece” se sentir ofendida!!! As pessoas se esquecem de que o Brasil é um país de miscigenação… Viva a diversidade!!!

  • tiago

    e se eu dizer “seus olhos são lindos”…. sei não…
    o contexto é muito importante

  • Isabela Andrade

    Charô, texto simplesmente perfeito! Não sou negra, mas preciso te dizer. São mulheres como você que me inspiram e me fazem sair desse senso comum construído pelo patriarcado, que faz com que achemos normal ouvir elogios racistas. Corriqueiramente, ouço homens e meninos, até amigos meus, se referindo à alguém do sexo oposto como sendo uma delícia. Até uns tempos atrás, achava isso normal, mas agora, nessa minha fase de amadurecimento e transição para o feminismo, tenho base para formar uma opinião sólida, e ter argumentos para qualquer tipo de machismo. Seu texto, embora não se restrinja a comentários feitos apenas por homens, também me fazem crescer e sair da ignorância. Obrigada!

    • Charô

      Muito obrigada!

  • Boa tarde! Seu texto foi muito bem escrito e esclarece muita coisa que precisa ser corrigido na sociedade. Tenho uma dúvida: no contexto de sua crítica, “ébano” é considerado elogio? Na linguagem poética, usada em letras de música, é uma referência comum aos negros. Desde já muito grato e ótimo dia!

  • Eu ouço tanta coisa absurda todos os dias, que fica até difícil de listar!
    Já ouvi muito esse “Você é uma morena muito bonita”.
    Já ouvi num salão de cabeleireiro que “Nossa, que cabelo lindo! A gente faz uma escova – insira aqui o nome da progressiva – que vai te deixar ainda mais bonita”. Detalhe: Tenho um black power e não passo química NENHUMA!

  • Ainda bem que você coloca que o lance da bunda não é unanime. Já fui em festa black e me senti uma desbundada e olha que tenho 102. É fato que as mulheres negras tem disposição de terem ancas maiores. Mas é claro que falar ‘que linda bunda você tem’ fica estranho as vezes

    • Graciete

      Nem todas as negras tem quadris avantajados! Não é estranho, é muito pior! Ser mulher não é ser uma bunda! Mulata remete a “mula”!

  • Mariana

    Sou branca, mas, na opinião que posso dar apenas ao ouvir e ver esses tipos de situações, e na empatia de me enxergar em uma situação análoga, o que se torna lógico pra mim é que nem deveria haver essa necessidade de especificar se é morena, negra ou mulata. É MULHER. É PESSOA. Uma mulher bonita, uma pessoa bonita. O fato de ter que usar um termo racial para falar de uma pessoa me causa até dor de estômago. É como você disse, ninguém diz “olha, uma branca bonita”, então porque dizer isso sobre uma mulher negra?. Pra mim, é racismo do mais puro.

  • Greg Candalez

    Eu, quando uso do elogio “Que negra linda…” falo com a maior intenção do mundo, reforçando justamente o ‘negra’. Pra mim, a mulher negra é muito mais poderosa, quando linda,do que uma branca. Por isso eu gosto de falar “negra”. Não sabia que isso incomodava vocês, eu sempre achei que era um elogio reforçar ‘negra’ em vez de ‘morena’ ou ‘mulatinha’.

    • Charô

      O problema é chamar uma negra linda de morena linda. Simples.

    • Graciete

      Vc já parou pra pensar se alguém fala: “Que branca linda!”. Dizer: “Que negra linda!” tá implicitamente dizendo que as negras são feias, mas certa negra é linda!

    • Julia

      Fico imaginando se vc falasse que as brancas são mais belas… Mas concordo, acho que fica meio: “bonita para uma negra”. Na verdade concordo mais pq já vi que é unanime ou qse entre as negras de que é racista, e quem define o q é racismo e o que ñ é são os negros, visto q sao eles os que mais sofrem disso no brasil. Nada q eu odeie mais do q branco dizendo oq é racista e o q nao é pra um negro haha. Mas vc pelo jeito reforça pq é sua preferencia, assim como gente q fala minha loira, minha morena, minha negra… Hahaha meu namorado me chama de minha nega e eu me derretooo hahahah msm sendo branca

    • Tatchi

      O problema está no enfoque Greg. As mulheres brancas são apenas- Mulheres lindas! As negras, são Mulheres negras lindas, as orientais (vale ressaltar) são Japonesas (nem todas são) lindas… Mulher índia linda… A impressão que me dá é que o branco é o normal, o comum. Então não precisa de mais adjetivos, mas todo o resto, que não é branco, tem que frisar e enfocar a cor, pois é de “máxima e suprema importância”! Por que?

  • Roberta Pereira

    Ouço muito destes comentários e o mais incrível é como as pessoas eufemisticamente falam “morena”, “moreninha escura”, acreditando que ao falarem negra estarão me ofendendo. Piadinhas racistas também fazendo parte desse discurso que se perpetua.

  • Ane

    Já ouvi: que se arranjasse um ‘gringo’ eu já estaria casada…
    Tirando o meu cabelo eu tenho um rostinho lindo…
    Um cara me paquerou, não dei bola ficou me chamando de neguinha…
    Negra dos traços de branco…
    Você deve sambar muito….
    As negras são mais quentes…
    E por aí vai, mas não me deixo abater. Sempre deixo quem lança essas pérolas sem graça ao perguntar simpática e sorridente: Por quê? Aí, eles gaguejam…

  • Oi. eu sou branca. Assim, MUITO branca. Branca chamada de Polaca. Deixa eu falar que lá na minha terra (Curitiba), a mão-de-obra-barata-importada não foi a negra, nem a nordestina, foi a mão de obra Polonesa. Na infância, quase todas as empregadas domésticas que conheci eram polonesas com sotaque. E aí que o termo “POLACO” é tão ofensivo e racista e inferiorizante quando os criados para indicar os negros, ou o termo “baiano”, cirado pra indicar breguice, burrice, inferioridade, pobreza.
    Mas vim aqui só pra dizer que odeio quando alguém descreve um negro como “aquele moreninho”. Moreninha é a minha irmã mais velha, que tem cabelos negros e bronzeia fácil no sol (ao contrário de mim, porque polacos ficam cor-de-rosa). Eu não sei reconhecer simplesmente porque moreno não é negro. Outra forma de racismo pavorosa e xenofóbica que já escutei muitas vezes é: “eu gosto dos negros, o problema é o mulato. Mulato é preguiçoso.” – o que na minha opinião, é um claro repúdio à mistura de raças, tipo “que horror ir pra cama com um negro!”

    Era isso…

  • Brenda

    Oi! Gostei muito do texto. Queria só me manifestar e dizer que “voce é uma negra muito bonita” não é dizer “vc é a exceção dos negros, é bonita”. Dizemos “voce é uma loira muito bonita” e com isso ninguém quer dizer que as outras loiras são feias.. é apenas uma característica a mais. ouço muito “você é uma magrinha muito bonita” e não consigo pensar nisso como uma frase que enfeia as outras magrinhas.
    Mas não sou negra, to só expressando minha opinião mesmo.. Nunca vivi a experiência de ser chamada de negra bonita, portanto, caso esteja falando besteira algm me diga.
    Achei o negócio do “morena” ao invés de “negra” mto bom tbm!!! Já conversei sobre isso com uns amigos. Parece que tentam botar um eufemismo no lugar. Mas PRECISA de eufemismo? É lógico que não.

    • Charô

      O problema não é ser chamada de bonita, o problema é te dizerem que você é bonita mesmo sendo negra por exemplo. Espero ter esclarecido.

  • natany

    Ola!
    Otima postagem, concordo muito com o q vc disse. Nao sou negra ,mas ja vi amigas ouvindo essas coisas.
    minha mae é branca e minha avó é negra. Mas puxei mais o lado dela. Sou uma morena clara, porem de cabelo liso. Todos na minha casa sao brancos, e ja ouvi palavras preconceituosas de pessoas da minha propria familia. Ja cheguei a ouvir de alguns que eu teria o “privilegio” de segurar a sombrinha da sinhazinha se eu fosse escrava. Vai vendo. É muito triste todo esse preconceito. Afinal todos viemos do pó e é pra la que iremos no final.
    Esse preconceito so mostra o quanto a humanidade é ignorante.

  • Jalu

    Elogios Infames:
    – “Nossa, essa negra é linda. Imagina se escovar esse cabelo…”
    -“Mas você nem é tão negra assim”,
    -“Mas você não precisa dizer que o seu cabelo não é crespo” (porque é um black com cachos)
    …entre outros.

    • Luiz Gustavo

      Jalu, o problema em falar que o cabelo de alguém é crespo está também no dicionário, porque pode ser pejorativo, veja:

      crespo
      cres.po
      (ê) adj (lat crispu) 1 Que tem superfície áspera; rugoso. 2 Encaracolado, frisado, riçado. 3 Agitado, encapelado, encarneirado (diz-se do mar). 4 Escabroso, escarpado. 5 Diz-se do estilo de construção difícil. 6 Arrogante, ameaçador. 7 Rude. 8 Bot Designativo das folhas onduladas na margem. 9 pop Difícil. 10 Exaltado. 11 Diz-se de certa variedade de capim-gordura. 12 pop Difícil, perigoso. sm pl Franzidos, pregas, rugas. Antôns (acepções 1 e 2): liso, macio.

      Destaco o 6° ponto ( Arrogante, ameaçador), acho que não devia estar dessa frma. Abraço.

      Fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=crespo

  • PRISCILLA CABRAL

    Adorei o texto, sou branca, tenho amigos negros, tenho ex negros, amo a cultura, o talento, odeio a nossa história no que diz respeito as barbáries, sei que o preconceito é velado e existe sim, e gostaria de pedir aos pais que elogiem muito seus filhos, desde sempre, que digam o quanto são lindos, que mostrem a eles a história dos negros que lutaram e morreram pela igualdade, dos músicos, atletas e famosos que tornaram e tornam nosso mundo melhor! Uma amiga que estava cursando pedagogia precisava fazer um trabalho sobre os negros e estava sem tempo, eu fiz um trabalho simples, direcionado as crianças, para fácil entendimento. Se tiverem interesse é um PDF e está no link a seguir, quem não conseguir pode me enviar um e-mail: priscilla.cabral@gmail.com. Super beijo. http://www.sendspace.com/file/4tanmq

  • Sérgio Melo

    Parabéns pelo texto, como homem tenho a vergonha de dizer que já usei dois desses supramencionados “elogio”, lendo esse texto me remeto a pensar e a refletir, tento a certeza de não cometer esse delito racial, Amplexos as todas as mulheres que aqui deixaram sua contribuição.

  • Carmen Cruz

    A questão da “bunda” e de reduzir a mulher negra a um pedacinho do seu corpo, não é pelo fato de ser negra, mas pelo fato de ser mulher! td mulher indipendentemente da etnia, da cor, do tamanho passa por isso! isso é machismo, não racismo!

  • Carlos Alberto Pinheiro Marques Junior

    Infelizmente o racismo é cultural

  • Bom após ler vários comentários e relatos de preconceito eu vou contar o meu…..

    Sofri vários preconceitos em várias etapas da minha vida, a primeira foi aos 7 anos de idade na escola por uma professora branca que se recusava a me ensinar, eu era a unica negra dentro da sala onde ela me colocava no fundo da sala me excluindo dos demais, ela me usava de exemplo pro resto da sala falando pros alunos não serem igual a mim, burra, ignorante e isso tudo de pé na frente de todos da sala…..conclusão repeti a segunda série.

    o Segundo momento foi ainda na escola, nessa época eu ja tinha 12 anos…..era hostilizada por uma menina da minha sala que era branca, loira de olhos verdes, ela fazia piada com meu cabelo crespo e com a minha condição social e incentivava os outros a fazerem o mesmo, nessa época eu ja não era a unica negra dentro da sala de aula tinha mais uma, mas eu era alvo pq tinha resposta pra tudo e tinha orgulho da minha cor e isso revoltava mais ainda a menina, foi então que ela literalmente comprou quase metade da sala pra pararem de falar comigo e me excluírem nos intervalos das aulas.

    o Terceiro momento foi ja com 17 anos quando tive meu primeiro namorado que era branco de classe média, havia um preconceito velado pelos pais dele e pelo irmão mais novo, o maior medo dela a mãe era que eu quisesse engravidar do filho dela, fora o apelido que descobri que ela tinha colocado em mim e que era assim que se referia quando conversava com outras pessoas da família (Negrinha Cheche lenta).

    E por ultimo foi quando eu tinha 19 anos no meu primeiro emprego, sou secretária de um médico e onde trabalho na época havia uma outra secretária de um outro médico que ficava na recepção do consultório, durante quase o dia todo eu ficava em uma outra sala com os meu afazeres de secretaria e no final da tarde a outra moça ia embora por conta da faculdade que ela fazia e eu então assumia a recepção…um belo dia fizemos a troca e uma paciente que estava esperando a consulta se virou a mim e disse “Quanto que vc cobra pra fazer faxina aqui? pq eu to precisando de alguém pra limpar a minha casa”….ou seja eu negra não poderia fazer outra coisa aqui se não fosse pra limpar?? sem falar que as pessoas entram aqui procurando a “Juliana” secretaria do Dr. e quando se deparam comigo não acreditam que estavam falando com uma negra ao telefone.

    Enfim são relatos que aconteceram em vários momentos da minha vida, eu sendo mulher e negra acho q sofro bem mais preconceito.

  • Eva

    Alguém já ouviu o elogio ‘você é uma branca muito bonita’? Então.

  • Myrella

    Sempre bom saber quando você ta ofendendo alguém sem perceber.
    Eu sou bem branquela e falo isso sem orgulho, porque sei exatamente o quanto eu já fui bem aceita sem nem provar o meu valor, exatamente porque a cor da minha pele ou do meu cabelo já falavam por mim antes. Muita gente comentou falando: aaah, mas não acho que seja racismo se a pessoa ta falando sem a intenção. Quer dizer, se eu quero fazer sexo com você e te apalpo sem a sua permissão, tudo bem porque é só ‘carinho’ e não estupro?
    Como falei no início a visão que alguém que não divide as mesmas experiências vindas de uma condição imutável sua, sempre terá uma percepção diferente das coisas e a minha era sobre o cabelo. Eu sempre achei muito fascinante os cabelos que eram diferentes dos meus e aí sempre pedia pra encostar. Me sinto envergonhada agora. Obrigada por isso.

  • Muito bom o Texto.
    Queria entrar em contato
    Bjs Ligia
    Revista Crioula – O Universo e a Valorização da Raça Negra

  • Ams

    Acredito que seu texto se adapta para todas as mulheres, não especificamente as negras. Não me leve a mal, não sou negra, mas tenho descendências mistas, como o europeu, indígena e afro. Vejo os atos de racismos, com qualquer etnia ou origem, como algo tão arcaico. Já defendi e fui defendi em situação desse tipo e, concluí, que quem toma uma atitude preconceituosa como essas é um simples palerma, por não respeitar a pessoa em si, e não apenas suas origens. Não existe racismo, existe gente pobre de espírito que vai SEMPRE discriminar o próximo, vai sempre defender só os interesses deles e vai sempre viver num universo tão minúsculo, que é o mundo imaginário que ele criou, onde as coisas são ao modo dele e o que tiver fora desse modo, não faz sentido e deve ser repreendido.

    • Charô

      EXISTE SIM.

  • Oi Charô, seu post me fez lembrar minha infância. no colegio, eu procurava por uma inspetora. Eram duas, uma albina, e a outra, negra. disse que procurava pela negra. tomei advertência verbal por ter chamado a inspetora negra de negra. a diretora do colegio me olhou como se eu fosse a pior pessoa do mundo. Mas a pior pessoa do mundo daquela sala, olhava pra mim.

  • Denis

    Quero enterrar minha cabeça num buraco quando escuto alguém falar “Ela é negra mais é uma boa pessoa!”… (Minha mãe diz isso da ex-noiva do meu irmão!) ¬¬ aff…

  • Concordo com tudo! Bela voz e cor que dizem tudo isso, que há tempos queria ver no mundo!

  • Marcelo Caitano

    Muito bom o texto!
    Um amigo um dia me corrigiu e nunca mais esqueci.
    Não use o termo denegrir, pois equivale a tornar de forma negativa algo em negro.
    Preconceito puro.

  • Nay Freitas

    Adorei o post!!! Maravilhoso! Infelizmente passamos por isso, cabe a nós nos amarmos, nos dar valor e mostrar para todos, que não somos melhores e nem piores que ninguém… Somos seres humanos, mulheres iguais as outras, sendo elas brancas, verdes, amarelas, vermelhas.

  • Ouvi o seguinte:-“Tu és moreninha mas és inteligente !Respondi:tu és branquinha e já não posso dizer o mesmo(sei que não fui educada).Também não deixo me chamarem de pretinha!Preto é o nome de uma cor..SOU NEGRA !
    Não há nada mais racista do que essas campanhas -anti-racismo- nas redes sociais.
    Mas Negro é lindo!Bjks.

  • Mônica Fagundes da Silva

    Maravilhoso! Expressou tudo o que nós sentimos com os elogios racistas. Em realação ao comentário do cabelo depende da pessoa, da situação. Talvez em alguns casos não seja mesmo racismo. Mas o restante dos elogios é muito pertinente!

  • Nina

    Olá Charô,

    Primeiramente gostaria de aplaudir a tua iniciativa em discutir o não dito que a sociedade brasileira tolera à tanto tempo. Para mim, o importante mesmo é falar sobre toda a opressão que a mulher brasileira ainda sofre nessa sociedade machista e paternalista.

    Deixo aqui minha pior experiência racista em terras brasilis: eu tinha aproximadamente uns 16 anos….muito ingênua e romântica e infelizmente naquela época meu padrão de beleza era alimentado e construído pela mídia, ou seja, loiro de olhos azuis. Um amigo do meu primo recebeu na casa dele um alemão numa espécie de intercâmbio ou algo do gênero com essa descrição e eu imediatamente fiquei encantada quando o conheci. Fomos num grupo pra um bar ou clube e eu tentando o meu melhor para que ele me notasse puxava assuntos à torto e a direita, até que ele me disse da maneira mais abominável possível que ele não se sentia atraído por mim…ele disse que eu deveria ir procurar um dos meus. O que mais me ofendeu não foi necessariamente o racismo dele, e sim ele vir para o meu país e ousar se achar no direito de ser racista!!!

    Não entrarei no mérito do racismo em si pois passaria horas à escrever um comentário que viraria um ensaio sobre o sujeito, então, me contentarei a dizer que eu não acredito em raças, assim como não acredito na história do mundo ter sido criado em 7 dias. Não existe, para mim, raça negra, branca, amarela, vermelha, etc, etc, etc e sim a raça humana. O resto é cromatismo. Ponto final.

    Partindo desse princípio, sempre me incomodou muito e a vida inteira quando ouço alguém fazer alusão a uma pessoa com relação à cor de sua pele, seja ela qual for. Não entendo a necessidade de classificar as pessoas. Eu não vejo as pessoas em cores, e sim como pessoas. Discordo plenamente de todos esses “termos” que foram criados um século atrás tais como “pardo”, “mulato”, “mameluco” para classificar uma população que não precisa de outra denominação que não brasileira para se reconhecer enquanto povo e que, arcaicamente, ainda hoje são utilizados. O mais recente me irritanto de uma maneira particular é o tal “afro-brasileiro” diretamente importado dos Estados Unidos. O porque de ainda hoje insistirmos em copiar um povo ignorante no que se refere à racismo ainda hoje me intriga.

    Eu não sou negra, nem branca, tão pouco morena, e desafio qualquer um a tentar me classificar avisando de antemão que será uma batalha perdida. Minha ascendência não me resume como pessoa, e acredito que ninguém deveria aceitar ser classificado. Não acredito ter conhecido na minha vida inteira pessoas negras no Brasil. Assim como não conheço pessoas brancas. Talvez uma família que morava na minha rua, mas tenho até hoje as minhas dúvidas. Acredito que no Brasil não existam negros. Todas as pessoas tiveram (num geral com exceção de tribos indígenas que nunca tiveram contato com a civilização), em algum ponto na história de sua família, a mistura inevitável que compõe a história de nosso país, e uma vez misturado, não existe mais volta. O mesmo acontece com as tais chamadas pessoas brancas.

    O racismo e o preconceito só existem ainda hoje porque a maioria ainda participa e compactua ativa ou pacificamente para propagá-lo, e muitos o fazem porque são ignorantes.
    Sei que soa clichê dizer que cada um tem que fazer a sua parte, mas essas últimas semanas de protestos tem provado o quanto isso é verdade. E isso vale para o ignorante machista que desrespeita a mulher brasileira, esteja ela aonde estiver, com “elogios” racistas ou não.

    A melhor maneira de lidar com os tais “elogios” na minha opinião? Educar a pessoa equivocada, se o tempo e a paciência o permitir. Caso contrário, reagir com a mesma atitude: ignorância (no caso, ignorando completamente sem se deixar afetar por um pequeno comentário que não representa absolutamente nada vindo de uma pessoa estranha que não faz parte de sua vida).

    Obrigada Charô pela oportunidade. Espero ter podido contribuir um pouquinho para uma discussão que deveria fazer pauta do dia-a-dia da sociedade brasileira. E como dizia meu primo, força na peruca!!

    🙂

    • Olá Nina!
      Gostei muito da sua colocação, principalmente ao termo afro-descendente. No mais, posso disser que já fui repudiada por homens negros, que tinham o desejo de clarear a família e, hoje, sou casada com um homem branco, que apesar de haver sido criado nos preconceitos de nossa sociedade e me trata melhor do que muito homem negro.

  • Renato Pinto Michishita

    Sou homem, descendente de japonês por parte de pai e português por parte de mãe.
    Sempre pensei muito sobre o tema racismo e preconceito. Os descendentes de japoneses passam por esse problema no próprio Japão, onde vivi por 18 anos.
    Gostaria de opinar sobre esse assunto e desenvolver o assunto com as demais pessoas, mas parece que o pedido de opiniões é dirigido somente às mulheres negras…
    Estou certo ou posso deixar minhas opiniões também?

  • Talita Cordeiro

    Charô, amei o seu texto! Mas gostaria de fazer um “desabafo”. Acho lindo os traços tanto físicos quanto culturais da raça negra e, não tomo chamar alguém de Negro(a) como ofensa, jamais. Sou beem branquela, e, infelizmente ao chamar alguém de negro MUITA gente tanto negra quanto branca me interpreta como se estivesse falando mal da pessoa, como se eu estivesse xingando o negro em questão. Infelizmente vivemos numa sociedade extremamente preconceituosa que ao verem uma branca como eu chamar alguém de negro já pensam que estou dando uma conotação ruim para a tal pessoa. É triste…

  • Maria Eduarda Giering

    Não sou negra, mas tenho uma filha negra e sei bem o que é o preconceito. Muito bom seu post!

  • Alexandre

    Charô,
    Concordo com quase tudo. Mas quem está paquerando, está afim de “namorar”.
    Independente de ser negra, não seria natural hipersexualizar uma paquera quando há espaço pra isso??

  • JORGE DE SOUZA0,,,, SANTA ROSA

    O tema merece debatido á exaustão. Sou negro assumido soteropolitano e, destes comentários dentre os que me chamaram a atenção ressalto o da senhorita ou senhora Jucinara Reis postado ontem. Nestas ocasiões é realmente difícil se identificar a real intenção do não negro, então porque só a interpretá-la como maldosa, pejorativa ou racista,

  • Simone

    Entendo perfeitamente o que se passa com os negros em nosso país, aqui existe um racismo velado, que creio ser o pior dos racismos! Porque um sujeito é preconceituoso e não admite que é, mas sabe de modo perverso como “cutucar” o outro sujeito que ele supõe, pela cor da pele, ser inferior à ele.
    Eu adorei uma entrevista do Chico Buarque quando ele diz que, nenhum de nós brasileiros é branco, acho lindo isso, somos todos mestiços, temos o índio, o negro, o português, o italiano, enfim, somos todos seres humanos e merecemos respeito! Vejam os índios, sendo exterminados e lutando sozinhos, só sabemos pela internet o que acontece com eles.
    E a mulher em especial ainda sofre mais preconceito por ser mulher, ainda somos consideradas seres inferiores, ainda recebemos salários mais baixos, ainda tratadas como objeto, acho que estamos em uma trajetória, ainda falta muito para que as pessoas vejam as outras pessoas como seres humanos, independente de qualquer coisa.
    Por isso me recuso colocar aqui se sou branca, negra, índia ou seja lá o que for.
    Sou um ser humano que mereço respeito e isso basta.

  • Ser negro no Brasil é complicado. Não tenho mais onde ser preto (negro, tanto, faz!) e ainda me chamam de ‘moreninho’.
    Mais uns 500 anos e isso passa. Gostei do texto.

  • Maria

    Eu acho que tudo depende da maneira como é dito. Eu sou branca transparente e já escutei cantadas “vc é uma branquinha linda!” pq tem problema em ser chamada de negra linda?
    As vezes a pessoa vem elogiar na boa intenção, mas só pq usou a palavra errada… leva uma patada? Quando se é negra é uma característica marcante, sou branca transparente e tb é uma característica marcante.

    Eu tenho o cabelo colorido e já me apareceu gente falando que é lindo e perguntou se pode por a mão. Eu achei estranho da pessoa querer mexer no meu cabelo, mas entendo pq eh cabelo diferente… uma negra com cabelo grande e natural, tb num se vê tanto por aí.

    Acho que tudo depende de como a pessoa fala, não trate com grosseria quando alguém vem numa boa com elogio. Só agradeça! Tb se ofender, manda a merda haahha

  • ‘Mulata” Palavra de origem espanhola, feminina de “mulato”, “mulo” (animal íbrido, resultado do cruzamento de cavalo com jumenta ou jumento com égua). As palavras “mulato” e “mulata” foram usadas de forma pejorativa para os filhos mestiços das escravas que coabitaram com os seus senhores brancos e deles tiveram filhos.

  • Você está exagerando. Desde quando “você tem uma bunda linda” expressa racismo? Branca também tem bunda. Não concordo com esse elogio, realmente é uma coisa bem grosseira de se dizer a uma mulher, mas ele talvez expresse sexismo, nunca racismo.

  • Maurice Assis

    Sou casado com uma mulher negra e já sai com outras mulheres negras, mas nao me lembro de ter falado pra alguma delas “Vc é uma negra muito bonita”, me lembro de dizer “Vc é uma mulher bonita, ou simplesmente, vc é muito bonita.” Eu amo minha mulher independente da cor da pele dela, eu amo minha mulher e pronto!

  • Caroline

    Respeito suas ideias, mas acho que tudo isso só alimenta o auto preconceito. Dá senhora que quis mexer no seu cabelo. Sim é raro ver negros deixando o cabelo natural (lindo), a maioria alisa.. Acho um gesto de admiração. As vezes oque as pessoas tentam dizer de uma maneira vocês encaminham para o preconceito.

  • Um adendo: sou parda, está na minha certidão de nascimento e me orgulho disso (apesar dos outros me dizerem que não) e gostaria de explicar o termo morena. Eu por ex, sempre tive uma dificuldade enorme na palavra negro. Não pq era algo diferente pra mim, pq nunca foi, mas puramente pq não sabia como a pessoa reagiria. Negro? Ou moreno? O racismo e o preconceito no Brasil é ensinado ainda na barriga da mãe, entranha no cerebro e vc nem mesmo percebe o quanto pode estar sendo preconceituoso(a). Tenham isso em consideração quando vcs ouvirem essa expressão, moreno, pq eu acho que muitos não querem ofender ninguem, apenas não tiveram educação suficiente pra entender que negro é negro em todas as nuances da cor da etnia e ponto final. (se feri alguem com o q disse, peço desculpas antecipadamente – o texto é um mea culpa gigante)

  • cristina

    Boa noite,
    Ainda acho, que o pior assédio sexual vem da maioria dos cafajestes que não se pode chamar de homens para cima das mulheres em geral, sendo elas, negras, mulatas, ruivas, loiras, pardas, índias, galegas, polacas etc…Quando um homem não consegue segurar sua cabeça em cima do pescoço e frear sua língua para dizer aberrações do tipo, oi Gostosa, pô que peitão…Ou simplesmente, olhar de um jeito vulgar que chega a mulher se sentir como se estivesse sem roupas. Mulher branca também sente ofendida quando a chamam de galega azeda!!

  • Sylvia

    Não sou negra e concordei com a maioria das colocações, mas, infelizmente, acredito que o pior de tudo isso é a visão que os homens têm da mulher de modo geral. Algumas dessas cantadas são comuns a todo tipo de mulher e revelam a falta de valor a individualidade e características de cada uma de nós. Estamos sempre sendo tratadas como “a loira”, “a negra”, “a gostosa”, “a etc”…ou seja, um produto, algo a ser avaliado…a sensação é de que não estamos sendo vistas e isso é terrível!

  • Nathalie

    Adorei o post, e desde criança acho preconceituoso se referir a um negro como moreno. Eu sou morena filha de branca e de negro, e quando alguém ia se referir ao meu pai como moreno, eu sempre interpelava: ”ei…não, ele não é moreno, É NEGRO.” Eu percebo realmente, até na faculdade, tem uma negra linda na sala, e quando vão se referir a ela dizem: sabe aquela morena? Não gente!! Ela é NEGRA! E qual é o problema disso? É como se os negros sofressem se nós o chamarmos de negros, como se SER MORENO fosse algum ideal superior.. aff é um ranço de ignorânca que parece não ter fim de verdade, mas ele terá! Tenho fé! 😀

  • PAULO FERNANDO DA SILVA

    MULHER, NEGRA. SIMPLES COMO O TEXTO.

  • Carolina

    Queria agradecer pela luz que esse post traz. Somos submetidos todos os dias a preconceitos “por baixo do pano”, aquele que não se tem a intenção. Eu nunca tinha parado pra pensar, mas eu mesma já teci comentários do tipo, como “que negra linda”. Fica a lição, o importante é estarmos sempre aprendendo. E hoje aprendi com você, obrigada.

  • Renata

    Isso acontece todo o tempo. Ao invés de dizerem negra, dizem morena, como se a palavra “negra(o)” fosse algo pejorativo.

  • Jucinara Reis

    Não é tão simples identificar, nem é tão simples classificar.
    A verdade é que vejo dois lados dessa moeda:
    1. De tanto apanhar, por vezes saímos em atitude defensiva, melhor dizendo, contra-ataque contra pessoas que nunca quiseram nos ofender, mas, tem essas atitude enraizadas inconscientemente. Que tal, em vez de partir para a ignorância, demonstrar uma postura de autoafirmação e valorização?
    Ex.: Hoje um representante de uma marca de cosmético me falou: “Moça, o poder está na guanidina (acho que é assim que se escreve)”. Eu simplesmente sorri e falei: “Obrigada, mas, amo os meus cachos”.
    2. As pessoas falam isso sem perceber o quão agressivo e doloroso é ouvir. Às vezes falam como se estivessem fazendo um favor, tentando ajudar.
    Ex.: “Teu cabelo é bonito, mas, se eu fosse você, dava um relaxamento, só pra definir os cachos”
    Já vivi muitas situações dolorosas, inclusive com meus parentes. A maioria com a postura de “ajudadores”.

  • Marília

    O termo “mulata” é sempre horrível de ouvir. Até onde me recordo e li, deriva da palavra “mula”. Eu não sou mula, eu sou negra. E pronto.

    Gostei do texto, mas retiraria esse termo.

  • ANAMARIA

    MUITO LEGAL O TEXTO E CONCORDO QUE TAIS ELOGIOS SEJAM FALSOS E NÃO SÃO DE BOM TOM!OS NEGROS DVEM SER CHAMADOS DE NEGROS SÃO LINDOS ATUALMENTE SUPER VALORIZADOS ,NÃO SÓ PELA SUA BELEZA, COMO TBÉM PELA SUA INTELIGÊNCIA E POSTURA ATRAVÉS DOS TEMPOS .FALSOS ELOGIOS DÃO UMA CONOTAÇÃO RACISTA,MASSSS EU PARTICULARMENTE CHAMO MEUS AMIGOS DE NEGUINHO(A) ,MESMO SENDO BRNCOS RSRSRSRS E FICA SEMPRE TUDO MUITO BEM!É PRECISO TER INTIMIDADE PR QUE SOE NATURAL, SEM PRECONCEITOS!!!PELO AMOR DE DEUS NÉ “GENTIIII”!!????

  • Natalia

    A primeira frase é a mais forte de todas, infelizmente a sociedade brasileira além de machista é racista, complicado lidar com esse tipo de abordagem gratuita e ofensiva.

  • Tenho 18 anos, e desde que me conheço por gente me deparo com um certo conflito por ser negra. Agora, felizmente, muito menos pertinente – aliás, quase não existe. Antes o problema era na escolinha, quando eu não podia dizer que Fulana ou Ciclana eram morenas porque eram brancas de cabelo escuro. “Morena” era adjetivo só para mim, a negrinha. E claro, ninguém queria me chamar assim. E eu não queria ouvir.

    Até que um dia, quando já estava lá pro final do ensino fundamental, eu estudava em uma escola que tinha um servente que é negra. Lembro-me da diretora pedindo a palavra, de sala em sala, de mãos dadas com a tal (não me lembro o nome, infelizmente) e dizendo assim que soava preconceituoso quando nos referíamos a ela como “aquela moreninha”; afinal, dizer que ela é negra não tinha nada de errado. Ela é assim e ponto.

    Meu Deus, pensei. Eu sou negra. E aquilo era novo para mim.
    Foi aí que participei da comunidade “Morena, eu? Não, sou negra e linda!” no orkut.

    As pessoas se assustam quando eu digo que sou negra. Ainda mais quando, em algumas provas ou vestibulares, tenho que marcar a opção “preta”. “Não Ceres, que isso, você é morena!”

    Mas a questão pra mim é a seguinte: isso (para acreditar que o mundo é bonito) é questão de informação. Os caras têm medo de gritar “Êh negra bonita!” quando nos veem na rua. As pessoas não sabem que eu me aceito e me amo assim. É compreensível porque esse pensamento era meu também. Porque com 5 anos de idade eu chorava por meu cabelo ser diferente de quem estudava comigo, e a cor da minha pele também. Nasci nesse meio.

    Por isso não ligo tanto de ouvir “Você é uma morena muito linda.” Sei que soa preconceituoso, mas se eu que sou negra demorei tanto tempo pra sacar, imagina pra quem tá de fora? Já me incomodei demais com isso, mas não adianta muito. Fico irritada, e deixo de curtir a cantada.

    Mas – com certeza! – se me perguntarem sobre isso, encherei o peito e direi: “Morena, eu? Não! SOU NEGRA E LINDA.”

  • Nino Yoshida.

    Olá Charo, parabéns pelo texto. Achei o blog muito interessante, divertido até.
    Mas, barbaridade, uma coisa que tenho notado é que o governo PeTralha tem disseminado o ódio racial. É lamentável.
    Grato.

  • Adriana

    A do cabelo não sabia que era ofensivo, de verdade, eu sempre elogio cabelos crespos e afros não só pq gosto mas pra demonstrar e até ‘incentivar’ a pessoa, sabe … inflar o ego mesmo.

  • Garota parabéns! você conseguiu expressar o que me enoja nesses falsos elogios enraizados de racismo. Certa vez, na minha cidade em um local de classe média alta um homem me abordou com o seguinte comentário: ” é neguinha, mas é linda”. Eu me mantive séria, mas até hoje me arrependo de não ter destilado um ; vá si ferrar! Eu acredito que esse tipo de atitude racista tem que ser combatida na mesma hora.

  • Amei o texto

  • Eliana Angélica Peres D’Alessandro

    Séculos aprendendo que ser negro era feio…..deu nissso. É urgente valorizar todos os tipos de beleza.Não deve haver padrões em se tratando de gente.Sou artista plástica e criei uma estética minha para designar o cabelo dos negros..Se tiver curiosidade entre no meu face.
    Na minha sala na universidade de ciencias sociais,eramos tidos como a sala dos maloqueiros (tinha mais mulheres,negros e homossexuais…a melhor sala!!!!)

  • cris

    Amei seu texto muito muito bom. Já escutei todos esses elogios e outros piores como ” Gostaria muito de dormir com uma mulher negra dizem que elas são melhores de cama”, etc odeio isso odeio.

  • Celia Regina Ferreira Silva

    Concordo plenamente conheço bem esses “elogios” e sempre me indignei, principalmente com o “vc e uma negra muito bonita”, da vontade de reponder por que ser negro é feio? Outra coisa que gera desconforto em algumas pessoas é se auto denominar negra/preta, parece palavrão…
    Otimo texto, diz examente o que nos mulheres negras, ouvimos desde de cças…

  • Luis

    Achei o seu blog muito interessante e inteligente. Mas essa questão de como se aproximar de uma pessoa de outra etnia, especialmente no caso dos negros, é uma coisa tão complicada. Não deveria ser assim. Por exemplo, eu moro no exterior, e aqui, se eu me referir a alguem com negro, essa é a maior das ofensas, punível com processo por discriminação. Aqui tenho que me referir ou como “afro-…” ou “preto (black)”. Isso gera uma confusão tão grande, que às vezes simplesmente não sabemos qual a melhor forma de nos expressar. Por isso, é melhor mesmo ficar no genérico, sem referências que possam ser associadas à intenção de ofender ou denegrir.

    • No caso, é porque aí no exterior a palavra “negro” ou “niger” tem outra conotação, que não é o mesmo que “preto”. Em português, negro ou preto dá no mesmo, significa apenas a cor.
      Da mesma forma que aí você pode dizer “black”, a tradução é “preto” ou “negro”.

  • Denise Telles

    Perfeito o seu raciocínio. Sou negra e também odeio ser chamada de “morena”. Mas aqui discordo de você. Não acho que o perpetrador considere a palavra “negra” como ofensa racial. O raciocínio dele é o seguinte: essa pessoa aqui na minha frente é linda e inteligente, portanto só pode ser “morena”, porque “negras” não são lindas e inteligentes. Ou então: só me dou ao trabalho de falar com ela porque ela é “morena”. Se fosse “negra” eu nem perdia meu tempo. É como se ele estivesse nos dando um upgrade, porque assim ele não se sente rebaixado.

    • Michele

      Dãããã vc acabou de se contradizer. Se isso não é ofensa racial, é o que então?

  • Gabriela

    Simplesmente AMEI o post. Não entendo porque as pessoas se sentem tão apavoradas em chamar um NEGRO de NEGRO. Tenho vontade de gorfar quando alguém me chama de morena. Eu insisto dizendo que não sou morena, sou negra, sou preta.
    Chamar alguém de negro não é xingamento. Óbvio que certas pessoas ignorantes usam a expressão como uma forma de ofensa, mas por favor né gente!!!
    Morena é o raio que um dia lhe partirá, eu sou NEGRA.

    • Deborah

      Oi Gabriela! Eu sou mulher e negra. Eu assumi meu afro faz dois anos e fico muito feliz quando vejo na rua outra mulher negra com o cabelo natural. Fico tão feliz que costumava elogiar a pessoa por demonstrar sua negritude de jeito tão lindo. Bem, eu disse costumava, porque uma vez fui elogiar dizendo “é muito bom ver outras mulheres negras abrçando seus cachos…” e tive como resposta uma mulher fazendo escândalo querendo saber “quem é você pra me chamar de negra?”. Era uma mulher de pela mais escura que a minha, de cabelo mais crespo que o meu, uma mulher negra, linda e com cabelo maravilhoso que estava ali na rua gritando comigo. Eu queria elogiar e acabei ofendendo. Hoje sou mais cuidadosa com elogios e, se não consigo resistir, chamo de morena. Se a pessoa retrucar dizendo que é negra eu explico, se não, fica morena mesmo, E quando ouço alguém me chamando de morena não me irrito mais. Existe sim estigma no Brasil e, se é difícil pra um negro abordar outro enquanto igual, imagina pra um branco! Eu sei que cada caso é um caso e tem gente que simplesmente não consegue imaginar que algum negro seja bonito e apela pro “moreno”, mas também tem gente que simplesmente cresceu ouvindo negros serem descritos como moreno e sinceramente acha que é uma abordagem mais educada. Acho que aqui cabe a nós educar o outro, que afinal parece estar pelo menos tentando elogiar. Um abraço! Deborah

    • Jeferson

      Querida Gabriela. Vc tem toda a razão. MAs infelizmente por conta de algumas pessoas e ainda sim com essapalhaçada de politicamente corrteto, as pessoas acabam falando coisas do tipo “…aquela moreninha que veio ontem…”, sendo q essa “moreninha” é negra. O medo de referir-se ai negro como negro, é construido a partir dessas situações, q até mesmo alguns negros, infelizmente sustentam. Estava eu em um ponto de ônibus quando um van abriu a porta para entrar um passageiro. Tinha duas negras sentadas. Até aí tudo normal. Mas depois o cobrador da van anunciou o destino da van, onde ela passava, como de costume. Um cara, q era negro tambémk, e outro q não, fizeram uma brincadeira no intuito de dar em cima das meninas negras. Aí ele me manda uma dessa. “Só se essa morena me levar junto”. Pô, o cara é negro e manda uma dessas. NA hora perguntei: “morena? Que morena?” A própria menina me olhou com espanto e o cara também. E detalhe: ainda mencionei, na maior cara de pau, q não tem problema nenhum em falar mulata. O q me assustou foi a cara q eles fizeram. MAs as pessoas tem q acabar com esse negócio mesmo.

  • Ana Paula

    Parabéns pelo texto. Simples e direto.

  • lendo seu texto não pude deixar de lembrar as [muitas] vezes que escutei ‘você é bonita, mas podia emagrecer’ ou ‘é gordinha, mas é bonita’… sei que os niveis do preconceito não estão nem parecidos, mas me fez lembrar disso…mesmo.

    no mais, arraso de post.

  • Arrasou, preta! Elogios racistas que já ouvi e que me fizeram subir pelas paredes de raiva? “até que vc é bonita!”, “seu cabelo não é ruim” Mas que coisa boa que eh internet, pq eu cresci num mundo muito branco… Se tivesse contato com outras mulheres pretas de fibra como vc desde pequena, teria crescido mais feliz. Mas sempre e tempo, e faremos um mundo menos babaca pras novas pretinhas que virao!

  • Karoline Nascimento

    Para mim o 1, 2 e 3 são os piores. Poucas foram as vezes que recebi um elogio sem ter um “morena”/”mulata” ou “negra” na frente. “você é uma morena linda” soa duplamente negativo: você é um tipo “especial” de beleza que tem que ser separada das outras e que você é bonita para uma uma morena. Ou seja ser morena é ser feia, mas VOCÊ é bonita.
    Sei que preconceito é preconceito, no entanto isso abala a minha auto estima desde a infância. As meninas brancas com os cabelos cacheados ou lisos eram sempre as principais nas apresentações enquanto nunca era a escolhida por melhor desempenho que tivesse. Riam do meu cabelo, chamavam (e ainda chamam) de “Bom Bril” “Assolam”, lembro me de um vez em que fui chorando a coordenação falar que alguns colegas estavam rindo do meu cabelo na 5° série e as coordenadora junto com a diretora e a mãe de algum aluno também riram, disseram que era normal e que eu deveria ficar era orgulhosa pois “Assolam” era o mais caro. Não achei engraçado. 🙁
    São lembranças que simplesmente não dá para apagar.
    Até hoje vejo que minhas amigas “brancas” são preferência entre os homens, que são descritas como lindas, bonequinhas, delicadas e “para namorar”.Acho que vivo a sombra disso até hoje. Quando alguém me paquera penso as vezes que é até está tirando um brincadeira de mau gosto, pois sempre fui o “referencial de feiura” na escola. Sempre tive problemas com a auto estima e sempre me questionei se minha vida seria diferente se fosse branca. Me doí muito dizer isso.
    Já fui discriminada por pais de uma amiga que me julgaram ser uma má companhia, apenas por ser negra. Mesmo tendo as notas mais altas da sala e ser uma das melhores alunas da escola. Fico com medo só de pensar em que isso algum dia possa acontecer na casa de algum namorado, que só por ser negra poderei ser julgada como promiscua ou como um relacionamento não sério.
    Vivo a sombra da minha adolescência (acabo de fazer 18 anos) de nunca ter tido ainda um namorado, de mesmo sendo elogiada por amigos e familiares e não chamar tanta atenção e atrair o sexo oposto como eu gostaria. Detesto mais ainda quando as pessoas vem me dizer que aparência não é importante, acho muita hipocrisia fingir que tudo é bonito e que todos somos iguais quando na pratica não é assim. Penso que temos que aceitar SOMOS PRECONCEITUOSOS SIM e que esse é o primeiro passo para mudar nossa própria mente.
    Ser chamada de “morena” sinceramente não me incomoda, porque sei que a maioria das pessoas (principalmente quem é “branca”) tem receio de falar “negra”. Tenho uma amiga “branca” que me chama de “black” “preta” e até de “negona” mesmo, a intimidade gerou isso. Mas para falar de outra pessoa que ela não tem intimidade ela se refere como “morena” mesmo. Ela mesma já me disse que tem medo de chamarem ela de racista, mesmo ela namorando com um negro e tendo praticamente a família e os amigos de maioria negra. Tive sorte de ser sempre acompanhada por amigos que gostam de debater sobre diversos assuntos e a gente sempre conversa sobre tudo já debatemos sobre isso várias vezes. A palavra “negro” parece que vem carregada se mil significados – e vem mesmo. Só ouço alguém chamar “negro” de “negro” nas minhas aulas de história, filosofia e sociologia e mesmo assim parece algo forçado as vezes. Aparenta simplesmente que se trata de pessoas fora da realidade ou de um grupo altamente distinto se seres, como por exemplo ” os negros levados em navios negreiros…” parece se tratar de pessoas surreais e que nada tem a ver conosco.
    Antes de ler esse post nunca tinha notado, porém sempre me disseram “Você tem os traços delicados”. tenho a boca fina e o nariz não tão largo (ainda que não tão fino como se manda). Desde pequena comparam minhas sobrancelhas com a de Fátima Bernards e partes do rosto com o de determinadas atrizes e personalidades – brancas. Cresci brincando com Barbies loiras e assistindo filmes onde as personagens principais tinham o estereotipo europeu, enquanto quando aparecia alguma personagem negra era sempre “escandalosa” e mal educada. Desafio a qualquer um a assistir um filme que não tenha um personagem negro que segue esse esteriótipo. “A Hora do RUSH” é o único que me lembro no momento, mas tenho certeza que já nos deparamos com vários personagens assim infelizmente…
    Sei que muitas coisas estão na minha cabeça e que muitas vezes EU tenho preconceito comigo. Leio aqui que várias mulheres tem o cabelo natural, invejo e admiro todas que conheço por não serem escravas da industria de cosméticos. Mas até hoje aliso meu cabelo e faço mil e uma outras coisas para ficar mais “branqueada”.
    Não sei se é insegurança, não sei se é por em minha própria casa ser desencorajada a ter o meu cabelo como ele é, mas até hoje ele é alisado. Minha prima resolveu parar de fazer químicas e minha própria família que tem pessoas negras desaprovou. Sendo que ela se mudou outro estado não sofre tanto com a pressão social aqui imposta. Pode parecer ridículo isso, mas por aqui negro tem que ser maquiado. Dentro da minha casa tenho que ouvir comentários racistas como ” ela é preta, mas ainda bem que a menina nasceu branca” e ver a naturalidade com que as pessoas encaram isso sem questionar ou se dar conta do que estão falando.
    E para finalizar esse comentário enorme queria deixar aqui que me sinto até mais leve por ter comentado e exposto como me sinto. Obrigada por me dar essa oportunidade e é por esse espaço aberto e por falarem do que todos ignoram. Eu simplesmente adoro vocês!

  • Ana Cláudia

    Acho que a parte do cabelo é a pior… Eu uso aplique longo e simplesmente me sinto um macaco no circo. Todo mundo quer por a mão, todo mundo quer saber como faz… É um inferno!!!

  • letthyssia

    Brilhante, Charô!
    O “mulata tipo exportação” eu não tinha escutado ainda, mas todos os outros “elogios” sim. E me deixam louca de cara!

  • Republicou isso em Blog do @rodrigoluiz23e comentado:
    para a conta do “racismo nosso de cada dia” – só que com as mulheres, que sofrem muito mais que eu

  • É sempre bom encontrar uma pessoa pensante, seja ela mulher, homem, verde ou amarelo. Eu sou “resultado” de um “cruzamento” entre uma branca e um moreno. Nasci morena “média”, lábios grossos e cabelos crespos (antes da escova progressiva,rs). É uma situação complexa pq no meio de negros sou branca e no dos brancos, bem…não sou magra e alta o suficiente (rs,rs). O Brasil é com certeza um dos países mais racistas que conheço, pq aqui, até há pouco tempo nem existiam negros, não é verdade?! Fico muito feliz que aparecem cada vez mais famílias negras (inteiras, não fragmentadas) na TV, demorou!!. Mas na minha opnião, esta questão da identidade, passa também pelos negros. Que, depois de anos de opressão, acabaram tendo dificuldade de se orgulhar também, cada vez mais de serem negros. Posso estar errada mas, me parece que alguns brancos que fazem este elogios, possam ser pessoas que pelo menos fazem alguma coisa para se aproximar, diminuir as diferenças. Mesmo que muito equivocados. Temos muito a evoluir, hoje já se sabe que racismo é ignorância, mas fico feliz que tenhamos dado alguns passos mesm assim.

  • Paulo Pinheiro

    Só discordo do número 04.

    Quero crer que quando alguém está elogiando o derriére de uma mulher seja uma amiga próxima ou um amante/marido/namorado com intimidade suficiente. Se não for é uma grosseria EM QUALQUER COR.
    Não é racista. Pode ser machista/sexista se não for num momento conveniente. Mas racista não é. A questão das negras terem ou não essa característica física não pode incidir como evidência de racismo. Existem glúteos bonitos em várias raças e sempre chamará a atenção porque simplesmente é belo.
    Quanto ao resto concordo com tudo, e acho o número 5 o mais repulsivo de todos. Mulher não é produto pra ser exportado.

    Sobre o número 1 também cabe um comentário: caracterizar uma pessoa como “negra” também tem sido enquadrado pelo patrulhamento ostensivo. Tanto que criaram essa assertiva de “não diga ‘negro’, diga ‘afro-descendente'”. Não gosto de me sentir pisando em ovos. Direi sempre “mulher bonita”. Mas se quiser indicar alguém de longe quero poder dizer “Eu trabalhei com aquele sujeito ali. Qual? Aquele negro.”, sem estar sendo patrulhado por isso. Muitas vezes as pessoas dizem “moreno” justamente pra não serem confundidas com racistas. Acredite.

  • Mayra

    Acredito que muitos desses supostos “elogios” possam ser inclusos para todas as mulheres, que ainda sofrem com uma sociedade pseudo liberal, porém ainda extremamente machista. Certos “elogios” seriam melhores se não expressados. A mulher em si já é muitas vezes tratada como um pedaço de carne, desvalorizando a parte que deveria ser verdadeiramente o essencial: o cérebro!
    Parabéns pelo blog!

  • Maravilhoso o texto e eu concordo com quase tudo! Exceto a coisa do cabelo… Explico.

    Por que não se pode manifestar a admiração por um cabelo bonito, vistoso, seja ele de uma negra, de uma loira, de uma ruiva ou de quem quer que seja? Tive uma amiga loira que tinha os cabelos de um tom que eu nunca vi igual. Pareciam fios de ouro. E a nossa amizade começou quando, no pátio da universidade, eu disse “Olha, me desculpa, eu nem te conheço, mas seus cabelos são tão bonitos! Será que você se incomoda se eu olhar mais de perto?”. Não me lembro se me atrevi a tocá-los na ocasião.

    É só uma demonstração da mais sincera admiração. Tenho uma amiga negra que tem um cabelo lindo também (mas, ok, aí já é minha amiga e eu tenho intimidade para tanto). Mas não veria problemas em pedir licença para admirá-los propriamente, caso fosse uma deconhecida (frise-se: “pedir licença para”).

    Não sei, para mim é assim, eu sou um freak ou o quê?

  • Angelina

    Quando alguém fala para mim: “Você conhece a Fulana? Uma meio morena, sabe?” eu faço questão de corrigir que a pessoa em questão é negra, não morena. Acho ridículo! Pior que isso só dizer “de cor”. Terrível! “Moreninha”, “bem morena”, “morena escura”, “mulata” é abominável!
    Agora dizer: “Nossa, que negra linda!”, é racista dependendo do contexto, pois essa é uma característica notável, não? Não dizemos: “Nossa, que loira linda!”, “Nossa que japonesa linda!”, “Nossa, que ruiva linda!”, “Nossa, que índia linda!”, etc? Se a pessoa quis dizer que “apesar” de ser negra ela é linda, isso é racista. Mas se ela quis identificar a pessoa entre várias para seu interlocutor, não. Seria o mesmo que dizer: “Nossa, que mulher linda!”; “Qual, mulher?”; “Aquela mulher negra à sua direita.”

  • marcella

    Estava lendo os outros comentários e descobri o que significa a palavra “mulatx”. Que horror! Vou parar de usá-la. Enfim, a unica “necessidade” de usar a cor é pra descrever pessoas.. sempre começamos pela cor, é algo marcante, certo? As vezes fico pensando se isso é “errado”, pq algumas pessoas acham horriveis “rotulos” e fico pesando se o negro também acha isso ruim, alguns acham.
    Quando eu era criança, tipo na 2ª série, tinha umas aulas pra descrever coisas, imagens, animais… e não vejo nada demais em dizer a cor, afinal, não é ofensa nem defeito. O.o É chato demais quando descrevem alguém que nao lembramos quem é, e ficam falando ‘uma morena, bem escura’…. ai você não conhece ninguém daquele jeito.. até que tem que dizer.. ‘você não está falando de uma negra?!’…

  • Tintilli Fernandes

    Concordo com praticamente tudo o q vc escreveu, Charô. Só com relação ao do cabelo é q eu fico meio na dúvida. Acho natural q as pessoas queiram tocar num cabelo q elas consideram bonito. Posso estar equivocada, mas creio q isso não passa pela questão do tipo de cabelo (seja de uma pessoa negra ou de uma pessoa branca), mas sim de ser um cabelo bonito ou não, na concepção da pessoa q demonstra interesse em tocá-lo. Bjs!

  • marcella

    Cheguei aqui através de um blog http://maiordigressao.blogspot.com.br/2013/05/das-sutilezas-da-gordofobia-velada-o.html?spref=fb. Enfim, curti os dois textos.
    Bom, eu sou morena, meio amarelada, aliás. Curto muito não minha cor.. mas enfim. É complicado demais isso de como chamar alguém, pq muitas vezes a própria pessoa negra/mulata não diz pra pessoa que a chamou de “morenx” que ela é negra/mulata. Como a gente fica?! Ficam aquelas dúvidas de se a própria pessoa negra é preconceituosa.. e quando outro NEGRO, define outro mulato (um pouco mais claro, mas ainda assim “negro”), de “morenx”.. pior ainda! Acho que não corrigem o outro por achar muito constrangedor esfregar na cara do amigo/colega que ele é preconceituoso? Então vivemos nesse circulo eterno que ngm quebra… Se a própria pessoa que foi chamada de “morena”, aceita.. como vou poder dizer que ela é negra/mulata quando me pedirem uma descrição?!
    O que devemos fazer? (pergunta não-retroativa.. conselhos pfv)

    As vezes acho que as pessoas tem um problema de visao também, quando dizem que sou branquinha, clara.. oxi, eu sou morena, não tem como confundir! Sempre “corrijo” as pessoas que erram minha cor…
    Fiquei pensando sobre isso dos elogios, e não fico chamando os caras negros que acho lindos, de ‘negro lindo’, chamo de lindo apenas.. então, UFA, acho que estou fora do preconceito que detesto.

  • Érica

    Eu não me sinto no direito de falar muito sobre nada disso pq só fui me identificar como nega há pouco mais de 1 ano, depois de repensar nos alisamentos e escovas que eu tanto submeti meu cabelo por anos e anos. O racismo vem de forma muito diferente de pessoa pra pessoa de acordo com suas características. Minha pele é clara, então, qndo faço escova no cabelo – o que é raríssimo, fico com um aspecto bem “embranquecido” e eu percebo claramente como isso muda a forma como sou tratada pelas pessoas, principalmente em lugares onde vou consumir/comprar coisas. Não preciso dizer que cresci ouvindo que todo mundo deveria ter cabelo liso e que meu cabelo PRECISAVA ser domado, controlado e que era ruim, duro, feio, né? Hoje em dia eu simplesmente AMO meus cachos, ouço muitos comentários racistas por causa dele mas tbm ouço muitos elogios e eu particularmente não me incomodo quando pedem pra tocar no meu cabelo – apesar de entender pq muita gente odeia. “Elogios” racistas que eu ouço com frequência: “pelo menos vc é clarinha, sua pele é bonita e qndo toma sol fica vermelhinha”, “Poxa, c alisava o cabelo, agora que tá crescendo dá pra ver que nem é ruim assim (tocando na raiz do meu cabelo), pensei que fosse bem ruim.”, “Vc é uma morena bonita, quando c tá de chapinha c fica uma gracinha.”.

  • Yasmin

    Percebo que muitas vezes as pessoas tem medo de usar as palavras “negro” e “negra”, achando, por ignorância, que isto seja uma ofensa.
    Já aconteceu mais de uma vez: “A Fulana de Tal, aquela morena” e eu responder: “Não conheço nenhuma Fulana de Tal morena. A única que conheço é aquela que faz tal aula comigo, mas ela não é morena. Ela é negra.”
    Não preciso nem falar do choque que ficam, não é? Como se eu estivesse confessando que assassinei minha mãe.
    As pessoas precisam entender que, se se referir a alguém como “aquela moça loira” ou “aquela moça ruiva” não são ofensas, se referir como “aquela moça negra” também não é (e também não deve ser falado como se fosse, claro!).

  • MARISTELA BONFIM

    Uma senhora, puxou o meu cabelo no supermercado. Eu olhei para ela com certo espanto e ela justificou: “Desculpa, querida! Só queria saber se o seu cabelo é natural”. Contei até 10 e disse: “Seria mais simples e menos doloroso se a senhora tivesse me perguntado. É natural.” E continuei a fazer as compras. Durante todo o tempo ela me observava. Prendi o cabelo com um coque banana, deixando a raiz aparecer. Ela passou por mim sorrindo e disse: “jurava que era mega hair.” Fui pra casa com raiva de mim, por não ter dado uma resposta a altura para esta invasão.

  • Mariana

    No meu ponto de vista o Brasil é preconceituoso com TODAS as mulheres que fogem do padrão, nem digo de beleza, mas sim de formato do corpo, apenas isso. Me entristece de saber que o preconceito se estende também às com traços orientais, indígenas, e proveniente da américa latina, como Bolívia, Perú, etc. Ou seja, qualquer uma que foge do padrão norte-americano ou europeu. As referências são sempre ao formato de corpo e aos traços do rosto, como orientais não tem peito nem bunda e se o cabelo não é liso, como estabeleceram, dizem que é um japa de cabelo ruim, como se isso se referisse à alguma etnia ou que uma mulher tenha o dever de ter um corpo para agradar aos outros para que tenha valor. E, infelizmente, isso se estende automaticamente a todas as etnias, incluindo as negras.

  • Angelo

    é, pra quem é branco e nasceu num meio racista. é comum cometer estes erros de tão internalizado que é.
    uma das primeiras coisas que tive de aprender, é que, ao elogiar alguém, colocar o traço da pessoa que para você é incomum, soa como se este traço normalmente fosse negativo.
    dentro do ponto de vista de um homem branco, é difícil desnaturalizar expressões que, sem perceber, são machistas, racistas, homofóbicas. essa violência velada que se propagada as vezes sem ter a intenção…
    as vezes precisa de um empurrão(as vezes tipo um “this is sparta!”) para cair a ficha. como este post ajuda.

  • Tânia

    Meu nome é Tânia e muitas vezes sou “elogiada” de forma racista com a expressão “você é uma negra com traços de branca”.

    A cada dia temos que criar novas estratégias de enfrentamento do racismo, porque por muitas vezes ele tenta se apresentar com sutilezas.

    Adorei a postagem e tomei a liberdade de incluí-la em meu blog: http://voceemquestao.blogspot.com.br/

    Aguardo sua visita.

    Abraços, Tânia.

  • Cristina Dias

    Olá,

    sou branca, mas fã, muito fã dos penteados afros.
    Uma vez fiz dreds de lã.

    Me lembro de ouvir de um chefe: você não vai trabalhar no balcão, com esse cabelo de traficante.

    O mesmo comentário aconteceu quando fiz trança rasteira…

    Achei grotesco e me imaginei negra, realmente minha gente, é difícil sim!

    Tive um romance com um queniano. E juntos num boteco, ouvimos de um branco: nossa, como ela tem coragem de ficar com ele?! Como pode?!

    Me senti mal por isso, ele disse não ligar, mas liga sim, liga muito.
    Porque isso machuca, fere e é uma coisa retrograda…

  • Como sempre um trabalho impecável,me sinto bem representada como mulher negra nesse texto e como somos vistas na sociedade.

  • Isadora de Paula

    Texto excelente !! Concordo com tudo! Nao sou negra mas fico extremamente incomodada quando alguém fala para alguma pessoa negra “que ela é uma negra linda”. Mas acho que o cabelo é relativo, minha experiência pessoal já vi pessoas pedindo para pegar no cabelo de outras só por ser bonito mesmo, sejam esses cabelos lisos, crespos ou cacheados. Acho que vai depender da situação, e da forma, que esse pedido acontece.

  • Dan

    Boa noite! Adorei o texto! Acho importante a gente começar mesmo a escancarar esse racismo pras pessoas verem que ser racista num é só não gostar de negro e xingar alguém de preto fedido. O racismo está em todos os lugares, até onde nem imaginamos. Por exemplo, ele está também na palavra ‘mulata’. Eu jamais permito que alguém me chame de mulata sem explicar o significado da palavra e o teor racista que ela carrega. Copiando do dicionário: “Palavra de origem espanhola, feminina de ‘mulato’, ‘mulo’ (animal híbrido, resultado do cruzamento de cavalo com jumenta ou jumento com égua). As palavras ‘mulato’ e ‘mulata’ foram usadas de forma pejorativa para os filhos mestiços das escravas que coabitaram com os seus senhores brancos e deles tiveram filhos.”
    Agora, sobre elogios racistas, ontem mesmo num show duas pessoas me pediram para tirar fotos comigo (oi?). Tipo, quem de cabelo liso e pele branca vive sendo parado na rua pra tirar foto? Isso SEMPRE acontece comigo. Eu simplesmente não consigo entender. As pessoas tratam como um animalzinho no zoológico e eu não gosto. Além disso, quando elas elogiam meu cabelo sinceramente, sempre me sobra também um certo estranhamento. Quem de cabelo liso e pele branca vive sendo elogiado pelos seus belos cabelos naturais? Eu sinto uma certa piedade nesses elogios. Como se me dissessem: “deixa eu te ajudar a recuperar sua autoestima, meu bem. sei que você sofre muito com o racismo”.

  • Gostei muito do texto, mas só sou contrária a uma coisa. Sobre o elogio em relação a “bunda” não acho uma ofensa literalmente preconceituosa, mas sexista. Não sou negra, mas tenho uma bunda, digamos, “avantajada”. Recebo muitas cantadas desse tipo. Acho que o importante é o contexto. Mas um desconhecido vir comentar sobre isso na rua, acho agressivo.

  • Lêda Mayara

    oi, tenho pele e cabelos claros mas de origens diversas, traços grossos e cabelo crespo, e vivem dizendo que tenho a cor linda, mas se não fossem os traços negros, eu não gosto, porque sou o que sou, e como todo o povo brasileiro com múltiplas características, sem raça definida.

  • caio

    discordo do 4- infelizmente o brasil e talvez o mundo esteja preso nesse tabu do moralismo sexual, onde “olhos” são poéticos, espirituosos, e bunda é apenas carne, tudo é apenas carne, e elogiar a carne não implica necessariamente que vc não valorize as qualidades humanas da pessoa.

  • Digo tecnologias (Que mal fiz a vida)

  • Gastaria de saber que mal fizemos a vida?Trabalhamos e como! em horas feridas, ajudamos a construir este pais,muito e a história não mensura o quanto em seus registros, só que hoje nos estamos cada vez mais organizados e conhecedor dos nossos direitos a das múltiplas tenologias que fazem a grande roda da economia girar,já fui príncipe fui rei tivemos princesas e rainhas negras o que precisamos é colocar essas rainhas e esses reis no parlamento no poder em fim para defender nossos interesses.abraçafro.

  • Arianna Beatriz

    Incrivel como o racismo esta internalizado em todos, percebi isso em alguns comentarios(me desculpem, sou curiosa). O fato de terem criado, termos como pardo, moreno e mulato foi pura e simplesmente mais uma parte da politica de branqueamento existente principalmente na sociedade brasileira, muitos termos ate criados sim por negr@s. Mas a culpa é nossa?(d@s negr@s) claro que não. A culpa é de quem inferiorizou @s negr@s, reduzind@-n@s da nossa condiçao de seres humanos. Entendam negr@ nao é racista, pq nao estamos numa situaçao de opressor, mulheres nao sao machistas pelo msm motivo. Essa questao da sexualizaçao da mulher negra é mto antiga, e a mulher branca tem que entender q apesar de ser oprimida pelo machismo, tem o “privilegio” de ser branca (digo privilegio pq em qualquer situaçao de escolha p cargos em emprego por exemplo e houver em disputa uma mulher negra e uma branca, a escolhida sera a branca, pq lugar de mulher negra é em trabalho domestico, dai tbm o motivo da luta das domesticas ser absorvida pelo movimento negro). Sofro diariamente c situaçoes de racismo principalmente referentes a cor da minha pele a ao meu cabelo. Por minha pele ser mais clara(msm assim me considero negra) mtas pessoas me chamam de morena, e ainda por cima qdo digo q n sou se sentem ofendidas. Vá se foooder! Me desculpem de novo, mas n entendo essa mania q os brancos tem de quererem decidir o q é certo errado, feio ou bonito, ofensivo ou não, é claro q eu sempre retruco, eu nao serei silenciada! Eu nao aceitarei essa babaquice nem q isso custe a minha exclusao. Eu quero ser a minoria, a minoria q luta por uma sociedade justa, com liberdade e igualdade de direitos, mas q respeite e aceite as diferenças sem transforma-las em desigualdade. Pq no Brasil negro é aceito desde q nao questione sua condiçao de subalterno. O Brasil nega negro q nao se nega.

    • larissantiago

      Eu me li agora. Obrigada Ariana <3

    • Rose

      Eu também. Adorei!
      Porém sou negra bem escura, inconfundível mas por este povo hipócrita eu já virei até morena.
      Ahhhhhhhhhh vida.
      Não dou conta.

  • cris

    Todos os dias, em todos os lugares, não muda sempre igual, você pode conhecer um milhão de negras, mulatas que vai continuar ouvindo sempre esses “elogios”. O do cabelo pra mim tem sido o mais comum, isso quando não te perguntam, por que vc não faz uma escova progressiva meu bem, ia ficar linda com o cabelo liso.

  • Gente, morri de rir! Rir pra não chorar. É incrível como nossa postura guia tanto a recai das pessoas. Quando eu era “branqueada” com cabelos alisados minha vida era outra! Depois que abandonei a química vi tantas coisas diferentes… Mas enfim, esse de “morena” acho o mais pesado. Dizer a palavra “negra” ou “negro” é pecado? Acho incrível quando na escola estou conversando com os professores e falo “Sabe o fulano, aquele negro, assim e assado? Pois então, conversei com sua mãe hoje…” sempre escuto essa resposta” Ah sim! Um que é moreno bem escuro.”
    Realmente não podemos permitir esse tipo de comportamento, além de ridículo na minha concepção é o tipo de racismo mais “safado”, que é o que diz “não sou racista…”.

  • Raquel

    Nossa, ouço uma dessas coisas pelo menos uma vez na semana. Isso de ser bonita para uma mulher negra é constante e me irrita profundamente. Certa vez, um colega de trabalho falou mal de um clube- bem popular entre os negros daqui – dizendo que a maioria das mulheres de lá era feia (cheio de negrinhas , foi o que ele disse) e que só ia lá por causa do bom samba; eu falei para ele que isso me ofendia diretamente e ele disse que não deveria me ofender porque não era tão negra, era moreninha rsrs
    Semana passada uma outra colega de trabalho que vive tentando exaltar a inteligência de pessoas brancas (falando que dava aula na Escola Americana e que os alemães sempre eram os mais rápidos a terminar os deveres e que os alunos indianos e africanos demoravam a entender os exercícios, por exemplo) perguntou de um jeito bem pejorativo ao nosso chefe, que também é negro, se o cabelo dele crescia black power, “o seu cabelo cresce por alto assim, daquele jeito lá, tipo black power hahaha”.
    Enfim, sempre acontece algo do tipo. 😛

  • Raquel Souzas

    Muito bem apropriado o seu texto. Gostaria de acrescentar um que sempre ouvi na minha carreira estudantil( da universidade ao doutorado), mesmo depois dos 30 anos. “Ah você poderia ser modelo!!” Afinal para que uma mulher negra estudar, não é mesmo????

  • Amanda

    Olha, achei o texto um tanto “exagerado”. Entendo que preconceito quando está entranhado a gente não percebe mesmo e até estranha quando percebe o que antes nem mesmo foi notado. Porém, na minha opinião, não vejo preconceito em admirar ou ter curiosidade em saber como é um cabelo crespo, tocar no cabelo sem permissão é deselegante para qualquer um, seja lá qual for a quantidade de melanina na sua pele.
    A questão dos “traços delicados” deve ser pensada, pois realmente existia (quando havia pouca miscigenação) traços específicos de cada etnia, não há nada de estranho nisso. Nós caracterizamos o asiático pelos seus olhos puxados, caracterizamos os índios pelo cabelo pretinho bem lisinho, o albino pela pele rosada e todos os pelos amarelos… isso para mim são só características comuns, só se torna racismo quando a pessoa acredita que TODOS os asiáticos devem ter olhos puxados, todos os índios devem ser assim e assado e todos os negros precisam ter nariz de batata, lábios carnudos, bunda grande, cabelo crespo e blá blá blá… isso sim é racismo, mas caracterizar uma única pessoa por traços que ela realmente tem, não vejo racismo nisso. (lembrando que eu disse que esse caso deve ser pensado, afinal, há casos e casos. “traços delicados” também pode ser um elogio racista, dependendo do contexto)
    Referente a bunda, acho que isso não é elogio para mulher nenhuma! A menos que estejamos falando de uma conversa entre parceiros sexuais ou algo do tipo, não vejo onde está o elogio em reduzir a mulher a um pedaço de carne, mais uma vez, isso independe do tom da pele.
    MULATA… ta aí sim uma palavra que eu realmente não gosto e que considero um verdadeiro elogio racista usado por muitos que desconhecem seu significado.
    Sabem a origem do termo “mulato(a)”? Vem de mula mesmo. Não referindo-se a inteligência (pior do que isto), mas referindo-se ao fruto da miscigenação entre negros e brancos como seres frutos de espécies diferentes que, segundo os racistas, não deveriam se misturar. Sendo assim, os frutos dessa mistura seria um animal que não deveria ter nascido e que não pode gerar uma nova espécie (a mula é o resultado de duas espécies diferentes e por isso nasce sempre estéril, pois não há como formar uma nova espécie a partir de espécies diferentes). Essa palavra sim é um elogio racista que muitos (incluindo o blog) usam sem perceber o preconceito contido nela.

  • Da minha mocidade até minha vida adulta,sempre escutei que era uma morena linda,quando jovem não sabia como responder.Mas agora tenho a resposta na ponta da lingua,morena cadê sou negra meu bem,não tenho nenhum problema com isso…Cresci em um lar que lá era tudo muito bem resolvido,meu pai era filho de portugues com mineira negona, minha mãe filha de indio com negro,uma mistureba só,tenho uma irma com a pele mais escura que a minha e outra com a pele mais clara que a minha, meu pai tem a pele mais clara que a minha,olhos claros e tudo mais.Mas cresci ouvindo minha mãe dizer ” Aqui todos vcs são pretos,passaram a cara no mesmo lugar preto” kkkkk… Então não é a cor da nossa pele que define quem somos, mais sim a forma que nos foi dada nossa raça,então não importa se sou ou não mais clara que um ou outro mais sim o que sou de fato, NEGRA…Com muito orgulho!

  • Viviane V.

    Não sou negra, me considero parda (apesar de na minha certidão constar que sou branca, e a maioria das pessoas falarem que sou branca). Sei lá, me parece que existe uma classificação teórica (na qual sou parda) e outra social (na qual sou branca)! Considero isso uma forma de racismo, pela tentativa implícita de se dizer que é melhor ser “branca” do que “parda”!
    Mas vamos ao que interessa!
    O 4 não serve só pra negras, e enquadro aí ser chamada de “tanajura” ou “linda essa sua bunda empinada”! Mas não acho que tem que se perguntar pra dizer isso, tem que apenas não dizer, é um comentário machista e que transforma a mulher em objeto sexual!
    Fazer referências aos lábios carnudos, se encaixa no que escrevi sobre o item 4.
    Queria entender a necessidade das pessoas fazerem elogios ressaltando a etnia do outro, e uma pessoa e pronto!
    Mas tem negras que não aceitam serem chamadas de negras. Uma conhecida minha, uma vez me perguntou qual era a cor dela (porque até hoje não sei), daí respondi que ela era negra e ela brigou comigo porque ela se considerava morena!
    O termo “morena” é muito incerto, pra mim se refere apenas a cor do cabelo!
    E falando em cabelo. Se a pessoa quer alisar o seu cabelo, não faz diferença pra mim. Mas falar que vai alisar o cabelo pra ficar mais bonita é uma atitude racista da própria pessoa! Seja liso, enrolado, encaracolado, etc, não é isso que define se o cabelo é bonito ou não, e sim se se ele é bem cuidado!
    Mas ao fato de não tocar no cabelo, tenho ressaltas. Dependendo da região/país em que a pessoa more é difícil ter alguém com o mesmo tipo de cabelo, algumas pessoas querer tocar por fascínio (sim, isso pode ser considerado racismo, mas nem sempre é). E outras pessoas simplesmente gostam de tocar o cabelo de outras (de preferência com o consentimento do outro) sejam eles enrolados ou lisos! Tento tomar cuidado ao tocar no cabelo de qualquer pessoa!
    Espero não ter fugido muito do proposto!

  • Valéria Natividade

    Texto perfeito! Tudo verdade! Eu já vivi e vivo todos eles…

  • Charô, gostei de ler esse texto porque muito me interessa como os meus elogios afetam as pessoas. Eu não vou dizer que sou branco porque acredito que raças não existam, de fato sou predominantemente rosado (é, fiz as contas e se misturasse a minha epiderme sairia um bege rosado) e o meu amor é uma mulher marrom, fruto de uma mistura que muito me agrada.

    Acho que considerar alguém negro depende do referencial. Para mim ela é negra, só que quando vejo um africano amigo meu penso que ninguém é negro no Brasil. Bom, por essas que não acredito que raças existam, são algo arbitrário que criamos para tentar entender o mundo (e para justificar um bocado de atrocidades).

    Bem, do meu ponto de vista ela é negra e eu a chamo de minha negrinha enquanto sorrio, olho nos olhos dela, acaricio o seu cabelo enrolado que sim, me agrada mais do que o liso (talvez pelo tato me lembrar dela) e ela adora.

    Será que dentro dos relacionamentos mais próximos podemos criar acordos, padrões onde estejamos confortáveis mesmo que alguns deles possam soar racistas?

    Quando eu a chamo de negrinha eu a chamo sentindo que negrinha é a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu na vida.

    Se derramar amor em cima da palavra ela “despejorativa”?

  • Queli Alves

    Tudo muito perfeito! Mas como algumas aqui, eu não concordo muito que querer tocar o meu cabelo seja uma atitude racista e nem me sinto ofendida por isso. Pense: A maioria de nós somos induzidas desde muito cedo, a alisar os cabelos. Ver uma negra com cabelos naturais ainda é coisa rara embora isso venha mudando nos dias de hoje. Então, quando as pessoas se deparam com uma negra passarelando com seus cabelos afro naturais, as pessoas querem tocar, apalpar, sentir a textura e eu deixo. Não me sinto ofendida. O fato de mulher negra não ser vista com cabelos longos, se deve sempre ao constante uso de alisamentos que tiram a saúde dos cabelos e consequentemente, causa queda. Por isso é muito mais fácil ver negras com cabelos curtinhos e maltratados. Se soubéssemos o quanto é possível a convivência com nosso afro, cultivaríamos longos e belos cabelos. Beijos!!!

  • Giselle

    Texto rápido e primorosamente no ponto. Primeiro devo esclarecer: sou mulher, branca, que recebeu “ensinamentos” racista desde sempre. Lembro que achava horroroso e que tinha algo de errado, mas já reproduzi alguns desses ensinamentos ao longo da vida e trabalho para me livrar deles. (Assim como internalizamos o machismo, etc etc)
    Nesse aspecto, noooossa, o que já catei de ‘pérolas’ absurdamente racistas às mulheres… Suspeito que alguns deles não sejam ditos diretamente à mulher negra, pois a hipocrisia não permite. Aí entre brancos haveria um espaço ‘seguro’ pra ser racista sem ficar feio. Esse “ela é negra mas é bonita, tem traços finos” acho de doer. Um dos elogios que me fazem é ter a tal ‘boca carnuda’. Ok. Mas isso viria de onde senão do meu pai, que é pardo? Pq caucasiano não tem. Pq a boca carnuda é muito atraente numa branca mas não numa negra? Que necessidade de ‘branqueamento’ é esse pra poder classificar uma mulher negra como bela?
    Daí também tenho questões sobre as mulatas. A origem dessa palavra já é algo que acho complicado… E nos dias de hoje percebo nas entrelinhas um “ela não é negra, é mulata”, o tal branqueamento de novo.
    Agora um que acho mais vergonhoso ainda é quando um homem branco é casado ou namora sério uma mulher negra. Já presenciei uma vez, depois que o casal foi embora, o comentário de quem ficou (todos brancos) “Ah, ele deve gostar de negras” no que um homem completou “Tem cara que tem fetiche”. De lembrar deu até enjôo. Tenho que pedir desculpas por essas pessoas. Sério. Essa acho que foi uma das situações mais horrorosas de racismo que presenciei. Como assim reduzir a mulher a ‘fetiche’? Ele não pode gostar dela? Só isso, namora pq gosta? Não pensaram nisso pq ela é negra? Me senti ultrajada por tabela, fiquei pensando qual característica física minha seria o ‘fetiche’ do cara que estava na época. Mas claro que enquanto o casal estava presente, todos muito cordiais e civilizados. Ah, foi só um “comentariozinho bobo” entre brancos, essas coisas que a gente faz o tempo todo. Desculpas. Não sei nem o que dizer pra expressar como sinto triste por isso. Desculpas mesmo.
    Acho que o elogio racista que realmente fiz (várias vezes) foi o do cabelo. Acho lindo e realmente tive/tenho poucos amigos negros. (escola, faculdade, trabalho, vida social… são raros, mas imagina, não existe racismo no brasil) Já elogiei os cabelos e pedi pra pegar sem ter intimidade pra tanto. Olha, você me deu material pra refletir e obrigada por me mostrar isso. ^^
    Ps: amo o blog! poderia fazer uma carta enorme mas acho que nem cabe.

  • Tainá

    Adorei o artigo tambem. Sou cabeleireira negra, e lido diariamente com o racismo. O que Nao suporto e o ‘cabelo ruim’ e o ‘bom’, nem preciso dizer qual e de quem. Ruim das negras, bom das brancas. Sempre que ouço esse tipo de comentario, faço questao de contestá-lo, e elas retrucam ‘ nao sei porque a ofensa, seu cabelo nem chega a ser ruim, ele e Cacheado. Quanto mais ‘ brancas’ somos, mais bonitas para a democracia racial.

  • Pedro

    Acredito que o termo “moreno” ou “morena” impreciso. Não diz nada em termos étnicos. Parece simplesmente significar “não-branco”, até porque também é usado para se referir à ameríndios, indianos, árabes, etc. Mistura de negro com branco é mulato, esse sim um termo mais adequado.

    • Mulato vem de mula. pesquise como nascem as mulas e verá o quão ofensivo o termo é, assim como seu racismo inconsciente.

      Equivale a dizer que brancos e negros não deveriam procriar pq são de espécies diferentes.

  • Lucy Góes

    Adorei o texto, realmente esta é a realidade das mulheres negras, tem também a história do cabelinho “Como seu cabelinho está lindo!”. Passei por muitas situações de racismo, principalmente no mercado de trabalho. Foram muitas situações, por exemplo, quando tinha 18 anos estava em busca de trabalho, participei de um processo de seleção para trabalhar como empacotadora em uma loja de departamentos. Fiz o teste, não soube o resultado, a única informação que recebi por parte da pessoa que me indicou foi que lhe disseram: Pelo menos se ela fosse mais clarinha.

    Uma outra situação foi participar de um processo de seleção para trabalhar em uma empresa do sistema “S”, neste processo, 145 candidatos concorreram a 2 vagas, fui aprovada em todas as etapas e fiquei como uma das duas candidatas apta a ocupar a vaga. Ocuparia se não fosse a entrevista com o Diretor Administrativo que quando me viu não teve nem o trabalho de simular uma entrevista final. Ficou o tempo todo no celular e em seguida me disse que eu receberia uma ligação informando sobre o processo. Desta vez recebi a ligação sim, me informando que eles desistiram de ocupar uma das duas vagas. Nesta mesma organização participei de mais dois processos de seleção e nas últimas etapas eles sempre arranjavam uma desculpa. Até que uma amiga que trabalhava no local me falou: será que vc não percebeu que eles não contratam negros para trabalhar nestas áreas?(as áreas eram: Recursos Humanos/Treinamento e Consultoria Empresarial).

    Uma outra emblemática foi a participação em um processo de seleção para trabalhar no Setor de Treinamento de um Hospital em Salvador. Participei de todo o processo fui aprovada, mas… não recebi o resultado. Desta vez a situação foi tão cruel que a psicóloga que fez o teste um tanto indignada, me chamou e disse: se você reproduzir o que eu estou te falando agora eu vou negar em qualquer situação ouviu? O diretor falou que não podia contratar uma pessoa negra porque esta pessoa teria que lidar com os médicos do hospital e os médicos poderiam não gostar.

    Foram muitas outras, mas teve mais uma que nesta eu já trabalhava na empresa, estava participando de uma seleção para fazer um curso de Pós graduação em Gestão Empresarial oferecido pela empresa que queria formar um quadro de Gestores. Sempre fui muito dedicada ao trabalho, curiosa, criativa, trabalhava muito bem em equipe, sempre tive um espirito de liderança muito forte, e outras qualidades que o universo organizacional tanto valoriza. Fui aprovada no processo feito pela Universidade Federal da Bahia, no entanto, mais uma vez fui colocada de lado, pelos Diretores da Empresa. “Coincidência?” ou não, todos os escolhidos e escolhidas eram brancos. Me disseram que eu ficaria para uma outra vez, que não aconteceu.

    O discurso dos empresários é que os negros/as não são capacitados para ocupar determinados cargos. Imagine que sou graduada, fiz 4 especializações, mestrado e outras coisas mais. O que vejo é um teto de vidro, as oportunidades estão lá, você a enxerga, porém o vidro existe para impor os limites, os limites que todos os negros e negras tem enfrentado para mudar a realidade deste país.

    E outras, outras e outras coisas aconteceram que não caberia aqui neste espaço. Hoje me dedico a pensar políticas públicas de combate ao racismo, mas tenho plena consciência que ainda temos um longo caminho a percorrer.

    Parabéns a vocês pela iniciativa.

    • Nossa Lucy, que depoimento! é muito bom você dizer isso, pois ainda há muita gente que pensa que racismo não existe mais no Brasil! Chocantes essas histórias! Só tenho a dizer que voce nunca desista, pois é uma pessoa preparada e merece um cargo de acordo com seu preparo. Não sou negra, mas já sofri alguns preconceitos por parte de empregadores por não
      ser de família rica. Espero que essas pessoas um dia percebam o quanto perderam em nos julgar dessa forma. Parabéns por ser quem é e força sempre!

    • Giselle

      Lucy;

      Seu depoimento é emblemático. Bom, sou branca, logo posso estar enganada, mas ao meu ver, uma das maiores dificuldades é a inserção no mercado de trabalho. Tanto criticam as cotas, mas a concorrência é praticamente a mesma. Os alunos cotistas tem desempenho melhor do que os não cotistas, ano após ano. São profissionais melhores, mas cadê esses jovens que não vejo nas empresas? Você relatou situações revoltantes. E toda a sociedade sabe que existe. Por mim deveria existir cotas nas empresas. Não consigo conceber que alguém ache “estranho” um negro no mercado de trabalho em boas posições, qualificado. Liderando. E acima de tudo, ganhando bem.

    • Ju

      Lucy,
      Passo a mesma situação que você. Sou formada em Psicologia. Tenho um excelente currículo, falo inglês fluente e não consigo emprego de jeito nenhum. Quando consigo é freelancer. Eu não conseguia entender o que acontecia, ou melhor, não queria aceitar, apesar de já ter pensado que era por causa da cor. Mas agora, tenho certeza. Eu não sou cotista. Passei em Federal com muito estudo e esforço, tenho experiência na área e só não fiz a pós ainda porque percebi que, na minha região, isso não influencia muito(visto que a cidade é pequena e muita gente branca sem pós consegue emprego. O que conta mesmo em seleção, aqui, é a experiência). É humilhante esse tipo de coisa. Eu estava me forçando a acreditar que a questão era QI, mas tendo em vista a forma como fui tratada no último “emprego”, acho que é racismo mesmo (a minha chefe era um porre comigo e eu nunca tive problemas com colegas de trabalho ou chefia – nos locais onde estagiei e trabalhei anteriormente, a chefia me adorava, me elogiava muito, mas não pagava bem e eu não era contratada, então acabei abrindo mão para tentar algo mais seguro e me decepcionei mais ainda.). Bom, ainda espero que esse fato não seja verdade na minha vida, mas,realmente, não vejo muitos negros nessa área.

  • VALÉRIA CORREIA

    Engraçado é que a gente percebe essa coisa podre do preconceito tarde demais. Talvez tenha sido bom… talvez eu também carregue comigo um certo preconceito… ainda não sei… ou não tenho essa certeza… combato todos os dias isso em mim…mas sempre soube, pelas frases que eu ouvia, que algo havia de diferente. As frases eram e ainda são das mais absurdas tipo: “a gente tem que estudar para outras coisas pois em alguns trabalhos nunca vamos conseguir entrar, ter a vaga…” absurdo ou não, era e é verdade total! Eu trabalho com música coral, e várias vezes recebi telefonemas para o grupo cantar e quando chegávamos me perguntavam onde estava a regente? Eu sempre pensei: porque não pode ser eu? Ou então, os meus alunos de um coral de comunidade, antes favela, nada mudou, ouvirem: “nossa, mas eles são tão limpinhos… ” ou ainda: “como é que são, você precisa de alguma coisa especial para trazê-los, como vai ser o comportamento deles?” Ou, “eles vão ficar numa sala fechada para que não tenha criança correndo e gritando de um lado para o outro… ” como assim? “Você precisa que eu arrume alguns seguranças para os meninos?” E eu explicar: são crianças e quem cuida sou eu… ninguém anda armado, somos todos muito bem educados, favelado é outra coisa, que mora principalmente ali perto do asfalto, do tipo que joga lixo pela janela, fala palavrão em alto e bom som, faz escândalo por qualquer coisa, mas tem um cartão de crédito sem limites no bolso, nós não somos assim… somos gente, somos produtores de uma arte que tem como base fazer música boa, cantar, ser diferente assim! Eu, como mulher que sou, também já vivi coisas que nunca imaginei serem exatamente o que eram, mas eram: elogios de um “especificamente” namorado que tive… ele dizia as pessoas: “gente, essa é a Val, mas ela não é linda?!?” Eu sempre pensei que ali, naquele comentário, tinha de tudo, inclusive uma mostra da diferenciação que existia naquela cabeça doente, naquele momento eu só não via… ou então, apresentar-me a família como uma amiga pois os pais não entenderiam… os meus amigos achavam isso um absurdo e eu dizia que eles eram de uma outra geração… eram mesmo: a geração do preconceito a flor da pele… da minha! rsrsrs Desse povo, eu quero distância, muita… e o mais famoso dos elogios sobre cabelo que eu já recebi e ainda recebo: “como você faz para lavar seus cabelos?” Já ouvi assim: “vou casar com fulana para clarear a família”, isso é o cúmulo da imbecilidade por m2… já ouvi da mãe de um homem com o qual eu saía, nada sério eu tinha com ele, a gente era amigo e a gente ficava junto, ela, a mãe disse: “meu filho: cuidado com as brancas, as loiras e principalmente as morenas…” na hora pensei: não é comigo… não sou nada disso… e eu somente ri… fazer o quê? Ou então, alguma “amiga” sua saber que você tem um relacionamento com um homem e assim dar a maior força para aquela que é diferente fisicamente de você ficar com ele… e por uma questão de sociedade, que vive em guetos, a valorização: “nós somos diferentes” rsrs Pois é… no posto dos meus 48 anos de idade, já vivi muitas coisas e tenho muitas mas muitas histórias, de ordem negativa, como essas… mas tenho histórias lindas, de pessoas lindas, com os preconceitos entendidos e tentando viver diferente… sem esse ranço da sociedade com a qual vivemos, às vezes sem escolha…

  • josemir

    muito gostei desse comentário sobre a bunda.
    ” Meu conselho é pergunte antes se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura desse tipo de elogio. ”
    .
    E a macharada tem que se tocar que isso se refere a qualquer parte do corpo de uma mulher, negra ou não. Um elogio direto, simples e respeitoso tem muito mais impacto do que uma cantada a moda machista, basta o homem saber avaliar a situação pra não causar uma situação racista e/ou machista.
    Parabéns ao artigo. muito bom.

  • Daniela

    Concordo totalmente com o texto, mas em relação ao cabelo, tenho uma experiência que gostaria de relatar. Sou clara, mas de cabelos crespos e moro na Suécia. Aqui, praticamente não vejo pessoas com o meu tipo de cabelo, resultante de alguns séculos de miscigenação. Minha sogra, que me conhece há mais de cinco anos, só nesta semana perguntou se podia tocar no meu cabelo, porque ela achava ele lindo. Eu acho meu cabelo muito bonito, e entendo que as pessoas aqui tenham curiosidade, porque é algo que não se vê. É claro que existe racismo, mas não vejo essa atitude em particular da minha sogra como um caso de racismo, até porque nunca sofri isso por parte dos meus sogros. Pelo contrário, eu me sinto lisonjeada porque, enquanto que no Brasil eu sofria desde pequena com meus próprios pais dizendo que meu cabelo era uma “guaxa”, aqui as pessoas ficam de bobeira como um cabelo pode ser tão bonito sem precisar ter antes passado pelo cabelereiro.

  • Jimena Nogueira

    Achei todas maravilhosas!!!!!!! Essa cor é simplesmente linda demais.

  • Camila

    Não sou negra, sou morena. Mas dei a “sorte” de cair num meio de pessoas onde o preconceito com a cor da pele é extremo. Então para eles, por exemplo, sou negra, macaca, escura. Imagina para se referir ás pessoas negras, o que eles usam?? Usam “moreno”, “negrinho”, num tom jocosamente elogioso e sempre que eu os ouço falar de alguém e em seguida designar qual a cor da pessoa, eu me sinto tão triste, porque parece que estão falando de um animal no pasto, que vc irá reconhecer pela característica da cor.

  • Monique

    Olá! Adorei seu texto!
    Não sou negra, sou branca, porém nesse país miscigenado em que vivemos ser branca não é ser caucasiana propriamente dita. Meu pai é negro, minha mãe é branca, porém minha avó por parte de mãe era negra, daí originou-se a pessoa que vos fala, uma garota branca com traços de negros e índio. Por ser assim “diferente” (do que a sociedade eurocêntrica considera lindo) sofri bastante no colégio que estudei. Faziam chacota com meu cabelo, por ser cacheado, com meu nariz por não ser fino, com minha boca por ser grossa.. E já que a unica coisa que eu poderia “””””mudar””””” para não ser mais vítima do bullying era o cabelo, taquei química nele… E mesmo com ele liso voltava a chacota com dizeres de que o mesmo era PERUCA, que o meu cabelo de POODLE, de BOMBRIL nunca poderia ser liso.. Hoje em dia me arrependo por ter sido fraca e ter posto alisantes no meu cabelo, espero muito até o dia que a química saia e eu desfile com meus cacheados novamente.. E ALIÁS: Professores, quando virem que um aluno seu está sendo oprimido por conta de racismo, HAJAM! Hajam de maneira agressiva aos agressores, por que ATÉ HOJE eu tenho ÓDIO dos professores que me viam sofrer e nada faziam.

  • Olá!Gostei do texto e expressa sim o que mulher negra passa constantemente. O tempo todo, é incrível isso! Eu moro no nordeste e aqui as pessoas referem-se a mim como “morena”, “aquela morena”, eles tem vergonha, receio de dizer a palavra negra. Soa como ofensivo na mente limitada deles, e apesar de estarmos no século XXI parecem também que nunca viram negro na vida e sempre olham espantados na rua, no supermercado, na praia e etc. Ficam me olhando com ares de surpresos e quando estou de mão dadas com meu esposo que é branco, os pescoços chegam a virar para nos ver passar. E pelo fato dele ser estrangeiro ainda sou taxada de prostituta infelizmente. Só pelo fato de ser negra e pelo fato de estar com um estrangeiro. Me julgam sem nem me conhecerem, nem conhecerem meu passado, minha história. Porém quando eles vêem a aliança no meu dedo tentam disfarçar e já mudam o tratamento por puro interesse! É incrível parecemos seres de outro planeta! Quando um casal branco anda de mãos dadas não vejo ninguém olhando e muito menos virando o pescoço para olhar. A desculpa que as pessoas dizem é que em Natal,RN não tem negros. Que desculpa mais esfarrapada! E isso justifica ser preconceituoso?! Quando eu vim morar aqui a 6 anos atrás não acreditei que uma capital fosse tão mal desenvolvida no que diz respeito a mentalidade das pessoas. Já ouvi na rua um homem dizendo bem alto e bom som que preto tem que casar com preto. Já ouvi um grupo de rapazes todos pararem de conversar quando eu e meu esposo passamos de mãos dadas e eles disseram “é black and white”! Tem gente que fica rindo acredita?! Olha sinceramente!
    Quando eu ando na rua com minha cachorrinha que é uma yorkshire algumas pessoas na rua me perguntam se ela é minha, mas quando meu esposo vai na rua com ela ninguém pergunta se a cachorrinha é dele. Quando eu digo que sou pós graduada, que falo 3 idiomas ai eles falam “ah! então você é inteligente né!” Credo! Tem vezes quando eu estou meia virada eu dou fora. Mas tem vezes que é melhor fazer carão e ignorar mesmo! E, o povo não se toca que eles além de preconceituosos são super inconvenientes. Misericórdia!

  • ismael silva

    O termo MULATA/mulato é algo super pejorativo….. sentir falta dessa observação…

  • É interessante ouvir todos os tipos de elogios racistas possíveis, pois automaticamente, se constrói uma lista. Estou cursando a faculdade mas desde o colegial ouço algo tipo, “nossa essa pretinha é inteligente pra caramba”, como se não fossemos dotados e autossuficientes. Muitas vezes deixo transparecer a minha desaprovação pelo possível elogio mal sucedido outras eu nem tento comentar a respeito, pois acabo sendo grossa.

  • Valquíria

    Eu sou uma mulher branca e fico um pouco confusa quando leio textos como esse. Eu já elogiei o cabelo de uma menina negra, porque de fato acho maravilhoso, e agora ao ler isso fiquei com medo de tê-la magoado de alguma forma. Mas eu acho que textos assim, apesar de denunciar os erros que a sociedade comete, também afasta esses “dois grupos”. Não sei se estou me expressando bem, acho que apenas fico triste por saber que negros e brancos ainda não são iguais na sociedade. Seria muito bacana se ambos brancos e negros pudessem elogiar suas características mútuas e distintas sem maldade por trás. Pois como já diria Darcy Ribeiro, no Brasil, se não temos um pé na senzala, temos os dois!

  • Cristiane

    Pois é, sempre ouço algo parecido ou idêntico. rsrsrs Mas, sei lá, além de tudo isso, acho que o que mais me irrita é ser chamada de “Moreninha”…”Ah, sei a Cris, aquela moreninha!” Pô, moreninha??? Que medo é esse??? Não sou moreninha! Sou negra a cor da minha pele é marrom, meu cabelo é crespo e meu nariz é de batatinha sim e amo ser do jeito que sou e ser quem eu sou.

  • Primeiramente, adorei o texto! Incrível!!
    Sou morena clara e tenho olhos verdes, nariz e lábios grossos, além do cabelo cacheado.
    Essa mistura de genes que carrego não me deixa de fora desse tipo de estereotipação, por exemplo quando digo que não sei sambar constantemente me dizem que “não honro o lado do meu pai”.
    Sempre ouvi comentários do tipo “se tivesse puxado o nariz da sua mãe (fino) seria mais bonita”, ou o clássico: “hoje tem festa, não vai arrumar o cabelo?” Respondia com um “mas ele ta arrumado” e recebia de volta “mas não vai fazer nem uma chapinha?, vai assim mesmo? ”
    É difícil lidar com esse tipo de situação, infelizmente se não levantarmos nossas vozes continuaremos sofrendo com esse tipo de separação, preconceito velado. Vamos à luta, um dia de cada vez e conseguiremos fazer a sociedade evoluir! Mais uma vez, parabéns!

  • joelma

    Que texto incrível… Parabéns pela iniciativa…..já ouvi muito esses “elogios”, já chorei por pensar que nunca seria aceita e depois descobri que a aceitação maior que eu precisava era a minha, muitos negros trazem dentro de si esses preconceitos, e me doí tanto pensar que alguém se acha inferior por ser diferente… …..As pessoas não entendem que a gente só quer ser do jeitinho que a gente é, e ser respeitado…. Amo meus traços, amo minhas raízes, amo a diversidade… amo amo amo….

  • Minha mãe é branca, meu pai é negro. Não importa onde, pra todo mundo eu sou “morena”. Meu cabelo é crespo, e com meus cachos selvagens ou com chapinha, me sinto a mesma pessoa. Com o cabelo descolorido ou com o castanho natural, sou negra, mas obviamente, me recusam até o direito de me considerar negra. “Ah, você não é tão negra assim”, “Crespo nada, que seu cabelo não é ruim! É cacheado!”. Isso quando, ao estar no seu modo natural, não vão metendo a mão no meu cabelo, querendo puxar, tipo, oi? Leva empurrão mesmo, que detesto gente encostando em mim do nada. Mas o que mais me dói, mesmo, é que geralmente tenho que brigar, em qualquer coisa em que precisam que você declare cor/etnia, para que marquem como negra e não como branca. Qualquer ser que olhe para a minha pessoa percebe meus traços, meu cabelo, meu corpo, pra que me embranquecer?

  • Dani Bastos

    Acho todas nós mulheres negras se identificaram quando leram esse texto da Charô, que trouxe reflexões pertinentes e necessárias. Esses “elogios” confirmam que a mulher negra tem a sua beleza negada e invisibilizada por um padrão estético imposto, que é indiferente a diversidade. O “Você é uma morena muito bonita” é de fato um dos mais comuns e mostra a não-aceitação da mulher negra como uma mulher bonita, pois se é como se pensassem: ela é bonita.. mas é negra e negras não são bonitas, então vou chamar de morena. Muito bom mesmo! Parabéns, Charô!

  • Aline Pires

    Oi Charô!

    Já ouvi de amigas na faculdade, durante uma conversa em que eu disse algo sobre ser mulher negra, a seguinte frase: “Ah que isso… vc não é negra, neeeeegra… Vc é morena clara…”

    Tenho certeza que não falaram pra ofender ou algo do tipo, mas o preconceito está tão embutido na cabeça das pessoas, que ninguém na roda de amigos percebeu o racismo no “elogio”…

    E sobre os traços finos… Aff… sempre ouço esse papinho…

    Adorei o texto e o blog! Parabéns!

  • O “elogio” que mais me irrita é “Nossa! Como você é inteligente! me surpreendeu.” É quase como se dissesse que “sendo mulher negra e suburbaba, deveria ter déficit cognitivo”.

  • Elaine

    Gostei muito do texto, lembro que quando era criança, algumas pessoas perguntavam pra minha Mãe: “seu marido é branco?, sua filha tem a pele tão clarinha.”, Na época não respondia, mas hoje, ai daquele que se atrever a falar que sou clarinha.
    abri mão do relaxamento, alisamento, e estou assumindo minha negritude e deixando meus cabelos naturais e incentivando todas que conheço a fazer o mesmo, valorizar nossa raça e ter orgulho de nós mesmos.
    Valeu .

  • Texto muito claro, lúcido e bem escrito, direto ao ponto. Parabéns para a autora. Gostaria apenas de comentar uma coisa. Imagine a situação onde temos uma mulher branca em um lugar público e chega uma outra e diz: nossa como você é linda, nossa seu cabelo é lindo, etc. Não é uma coisa muito rara? A não ser que seja algo fora da “norma”, tipo uma cor azul, ou um adereço diferente. O que estou querendo dizer é que mesmo sem a palavra “negra” ou “morena” na frase, sempre me parece que a exclamação traz embutida a ideia de que a pessoa elogiada é exótica. Ou seja, racismo do mesmo jeito.

  • Fabiana Soares

    Acabo de ver toda a minha vida num flashback! Minha mãe é branca de olhos verdes e dos “traços finos” rsrsrsrs e sempre perguntaram pra ela como era ser mãe de uma moreninha… Pode? Acabei desenvolvendo respostas prontas para estas situações. Acabei me acostumando com o olhar indiscreto das pessoas sobre mim. “Nossa.. mas como vc é diferente” Resposta: diferente pra mim é elefante rosa. Ou sou feia ou sou bonita! “Nossa… que moreninha linda… Já pensou em viajar pro exterior? Os gringos ficariam loucos!” Resposta: o que vc pensa sobre sua filha loura se prostituir?

  • Lilly Martins

    Nossa, Charô, que texto incrível. Essa coisa do cabelo… Já passei por cada situação, e olha que eu uso tranças, que é algo bem mais comum. A maioria das pessoas pensa que não, mas eu acredito que quando se trata do cabelo da mulher negra, muita gente ultrapassa a linha do bom senso e vai metendo a mão mesmo.

    E sobre chamar de morena: sou negra com várias características da etnia (inclusive cabelo crespo), e quando fui tirar a segunda via da carteira de identidade a senhora que preenchia o meu cadastro me olhou de canto de olho, hesitou e perguntou “é parda ou negra?”, ao que eu respondi: “negra… Parda seria muito forçar a barra”. Eu e minha mãe rimos; ela não. HAHAHA. Dá pra ver o medo de ofender que ainda existe (dá pra entender, visto que existem pessoas que se ofendem mesmo; a sociedade transforma o negro em algo tão inaceitável que muitos que pertencem à etnia preferem se “embranquecer”). O jeito é encarar com bom humor.

  • camila

    A familia do meu marido me detesta por eu apesar de ter a pele clara,tenho cabelo bem crespo,e lábios grossos.Parei de ter contato com essas pessoas por que cheguei a ouvir da tia dele que não era para ele se casar comigo porque nossos filhos iam nascer todos com cabelo duro,que eu era feia,tinha por causa dos meus lábios grossos e que eu era “amarela”,(aqui na bahia,pessoas claras de cabelo crespo são chamadas assim).Na minha casa também ouvia esses comentarios do meu proprio pai;—Amarela nojenta!sarará…

  • Eliz

    Morena é o que mais ouço, e pior ainda é quando perguntam se minha irmã é de sangue.

  • Charô

    Queridxs, agradeço a todos os comentários. Conversem que é para isso que a gente escreve. Um super abraço!

  • Charlene Gomes

    Sempre passei por isso, sou filha da mistura: Negro, índio e ruivos, como resultado não sou negra, tenho sardas e cabelo bem crespos e a vida toda desde bebê, não me recordo de um só dia que não tive mãos alheias passando no meu cabelo duvidando ou espantados por serem naturais ou simplesmente “conselhos” de como deveria arrumá-los para ficarem mais lisos…

  • Sempre me irritei com esses “elogios”. Mas só comecei a ter consciência de todo o racismo contido neles, muito tarde. Mas agora, não tolero mais declarações racistas. Sempre faço questão de mostrar o quanto o indivíduo que reproduz está contribuindo para a naturalização desse tipo de violência( querendo ou não). O mais triste dessa luta diária é ser considerada a chata, que procura racismo em tudo. Ou a fresca, que não tolera comparações do seu cabelo com palha de aço, ou não tolera ser chamada de “morena cor de jambo”, ou qualquer outro “elogio” . Mas essa é nossa luta, vamos em frente.
    Adorei o post.

  • Pois,
    Depois de ler até me inspirei a comentar e postar algo no meu blog há muito parado. Mas outra coisa muito curiosa que EU acho bastante preconceituoso é o termo “mulata”. Basta estudar a raíz da palavra, o “centro” ainda está lá: MULA. E a mula, nada mais é que o cruzamento de um burro com uma égua; e quando empaca não sai do lugar nem mesmo se o dono quiser. O termo vem de longe, de tempos antigos, onde a escravidão era visível e aceitável socialmente. E uma historinha que meu pai contou faz muito sentido:

    “”O filho do patrão (um rapaz caucasiano, não branco, não sejamos racistas; o que vale para nós, vale para todos igualmente) se envolvia com alguma negra e você sabe, vocês tem “quadris largos”, mais volumosos que de muitas mulheres por aí (que, cá para nós: é uma característica que 80% possuem e chama a atenção, sim, ainda mais quando a “concorrência” está cheia das saias enquanto você ta usando alguma roupa de saco ou de algodão). E a criança era o resultado do burro do guri com uma moça de ancas largas. Nasceu ai uma mula humana. Ou “mulato/a”. Mulatinho, para ficar carinhoso e deixar o racismo suprimido.””

    Pro racismo e preconceito sumir do Brasil, o esquema é fazer com que o negro deixe de ser a “alegria da festa”. O negócio é entender que no passado da sua família alguém era importante na África. Pegar essa linha de onde arrebentou e dar um nó. É fazer com que todos os negros e negras façam a cultura do passado, transcender para o futuro.

  • Fabricia

    Que texto lindo, Charô!
    Parabéns pela sensibilidade e pela transparência com que tratou o tema!
    Grande abraço

  • nossa, com um elogio desses é preferível que a pessoa fique calada!

    eu que sou gorda, também recebo diversos elogios “gordofóbicos” do tipo “vc tem o rosto lindo” ou “vc é uma gordinha/fofinha linda” ou os famosos “nossa que linda roupa, te emagreceu muito!” “esse cabelo afinou muito seu rosto, tá ótimo”
    as pessoas são tão presas em padrões pré estabelecidos que até mesmo quando admiram e acham bonito uma pessoa que esteja fora desses padrões sentem que precisam JUSTIFICAR seus elogios fazendo com que saia de suas bocas essas coisas tortas e horrorosas que tem o efeito contrario de um elogio, fazem a gente se sentir mal.

  • Anna Benchimol

    Seu texto é maravilhoso. E é muito bem escrito (às vezes leio textos em que bons argumentos se perdem numa dissertação mal escrita). Gosto, gosto muito!

  • Fernanda Sousa

    Perfeito, Charô!

    Meu processo de afirmação da minha identidade negra iniciou-se ano passado, quando entrei na USP e passei a ter contato feminismo, que me ajudou a me entender como uma MULHER NEGRA, não “morena” ou “mulata”. Uma coisa no seu post que me chamou atenção é você dizer que a expressão “mulher negra linda” é racista. Eu, mesmo depois de todo esse processo de afirmação identitária, sempre utilizei essa expressão para me referir às mulheres negras que eu considerava bonitas, mas nunca tinha refletido sobre o conteúdo racista dessa expressão. De fato, se não falamos que fulana é uma “mulher branca linda”, por que falamos que fulana é uma “mulher NEGRA linda”? Na ingenuidade, talvez, ao usar essa expressão, eu achava que estava acentuando a beleza da mulher negra, não só dizendo que é uma mulher linda, mas marcando a questão étnico-racial, num sentido de empoderamento. Mas, pensando, acredito que essa expressão desvela um sentido muito mais racista do que subversivo.

    E quanto falar que uma pessoa é negr@, só agora eu consigo fazer isso sem nenhum problema. Por mais que eu considera a pessoa como negra, quando me referia a ela a um terceiro, eu sempre dizia “moren@”. Hoje, não mais.

    Parabéns pelo post, Charô!

    • Raquel

      Fernanda, fiquei pensando nas suas considerações sobre o elogio “mulher negra linda” ter um conteúdo racista pelo fato de adjetivar a mulher também como negra.
      Será que incluir o “negra” junto de “mulher linda” não poderia ser visto muito mais como uma estratégia de dar visibilidade às mulheres negras e à beleza da mulher negra?

  • É devastado esses comentários e a sexualização da mulher negra .

  • Danielle

    Adorei essa materia. Imagino como deve ser dificil ter que encarar ignorancia racial em pleno seculo XXI.

  • Não sou negra, mas concordo plenamente com tudo que foi descrito!! Percebo que sendo apenas mulher já sofremos altos abusos com piadinhas sexistas e machistas… e percebo que a mulher negra sofre muito mais com todo esse racismo “embutido” na nossa “cultura”. Espero sinceramente que um dia tudo isso mude.

  • Ai, meu Deus, Lucinda me faz querer morrer de amor! E essa poesia é das suas mais contundentes, das que mais revolvem milhares de sentimentos dentro da gente.

    Como ela consegue lavar nossa alma e bater na cara dos preconceitos das pessoas com tanta classe e tanta lindeza?

    Agradeço por ter tido a oportunidade de conhecer Lucinda e sua poesia ainda na minha adolescência. Ela me salvou de muitas tristezas e de muitos grilos que poderiam ter sido devastadores.

  • Ramonna

    Sou professora, recente em uma aula sobre raças comuns no Brasil, sugeri que meus alunos (entre 6 e 7 anos de idade) falassem de suas raças, quando um deles ficou constrangido quando comentamos que ele era negro, quando questionada pela família dele percebi que o meu aluno sofria preconceito da própria família, que o ensinava que ele era “moreninho” , nesse momento tive que ser firme com ele e sua família e expliquei que ser negro não é defeito, é apenas uma raça como as outras existentes em minha sala de aula, índios, brancos, mulatos e negros também. Ao perceber esses preconceitos “mascarados” em meus alunos os perguntei qual era a minha raça e eles ficaram com vergonha e receio de dizer que eu era negra ou mulata, TODOS sem graça disseram que eu era branca, lábios grandes, nariz arrendondado e cabelos encaracolados então tive que na prática ensinar a eles que ser negra não defeito e nem sinal de pessoas feias e todos ficaram surpresos quando ouviram da minha boca que sim, sou mistura da raça negra e branca, de tal forma sou mulata!

    Parabéns pelo texto, ótimo!

  • Janaina

    Tem também. “Seu cabelo não é crespo, é cacheado.” Como se o dono do elogio me tirasse do “erro” da meu cabelo ser crespo. Eu geralmente respondo assim: olha, eu considero o MEU cabelo como crespo. E outra que tem me incomodado bastante “Meu cabelo é crespo/cacheado mas tem a parte de baixo lisa.”. Tipo assim, um consolo pra vc que foi acometida pelo mal do cabelo crespo. Aí com esses eu só levanto o olhar pro céu e dou um suspiro de cansaço mesmo.

  • Nossa, e as cantandas gente!!! Quam aí já recebeu a “nossa, Globeleza”???? o/

    Ia escrever mais mas eu já comentei na página do Face hahaha pra não ficar repetitivo né!

    O texto tá ótimo!

    beijinhos

  • Edna Mara Prigol

    Algumas vezes usei o termo morenx, moreninhx, mas na minha cabeça não estava sendo racista, mas aprendi com amigxs e principalmente com minha filha, usar a palavra negrx.
    Mas já ouvi muitos desses “elogios” a uma amiga.
    Já senti muito preconceito por ser mulher, imagino como deve ser dura a batalha para a mulher negra, é necessário sempre responder a altura destes “elogios”!
    Parabéns gosto muito do blog!

  • Ana Gabriela

    O difícil é contra-argumentar com uma cultura racista tão arraigada.
    Minha tia avó um dia me disse que nós eramos negras duas vezes, porque apesar da pele clara temos cabelo ruim.
    :-/

  • Sou negra e lésbica e nordestina. O “elogio” que eu recebo de “você é moreninha, não é preta não. Você é bonita” é o mesmo de “você é gay, mas é gente boa, honesta”. Que é o mesmo que “nossa, como você conhece essa música refinada? Toca aí no nordeste?” quando eu digo que estudo violino.

    Pense na gota serena! O que me resta a fazer é tocar um tango argentino. Um Libertango!

    • Charô

      Amei, libertango <3

  • Suh

    O meu caso é semelhante ao de Norma Santos que postou acima, tenho a pele um pouco mais clara e os cabelos ondulados, no entanto não tenho nariz afilado e nem boca fina o que me diferencia do esteriótipo indígena, apesar de TODOS me dizerem que sou índia. Entendo que as características indígenas estão presentes em mim, mas não me vejo assim já que sinto e vejo o meu sangue negro talvez pelos traços que me marcam mais. Isso me deixava extremamente confusa até pq minha mãe (tão escura quanto eu) nunca me permitiu ser negra,pois sempre que eu me autointitulava assim ela me corrigia me dizendo que sou índia e que a família dela toda é índia, mas sei que temos sangue negro é claro, qual brasileiro não tem?? É muito difícil para nós negrxs termos a consciência e o peito de nos assumirmos já que muitas vezes somos “corrigidxs” por amigxs e familiares que acham que estão nos fazendo bem, afinal que quem é que quer ser pretinhx, não é?

    • Charô

      Um abraço pra você Suh. Acho que é isso mesmo, as pessoas tentam nos corrigir. Quem quer ser negro afinal?

  • Paty

    Não conhecia o racismo até chegar no Brasil, me assustei, fiquei indignada, muitas vezes fui alvo de ”elogios”racistas, mas poucas vezes respondi, preferi ignorar . A pior situacão, por assim dizer, que já passei foi encontrar um cara que comecou a me bajular com comentários extremamente racistas. Desde que cheguei aqui o que mais me incomoda são os homens que chegam perto por que sou negra e acham que sou “facil”. Já tive o desprazer de ser seguinda por um carro, cujo dono achou que eu estava me fazendo. Todos dias passo por esse constrangimento, de ver homens atrás achando que a ˜neguinha˜ tá sempre pronta e disponivel para um branco. Uma vez estava numa lancheria, e um senhor querendo conversa, tentou me elogiar dizendo que eu era a negra mais linda que ele já viu dos subúrbios no centro. Negra tem que ser sempre da favela (nada contra favela), mas me aborrece saber que aos olhos dos brancos, negro jamais pode ter uma condicão boa de vida, ou mesmo morar num bairro “nobre”, na faculdade os primeiros anos, escutei muito, ” moras em tal bairro, nossa os teus pais devem ser muito rico”, sendo que nem era bairros de ricos, por ser negra, há lugares para pessoas dessa cor, só faltava essa dizer isso.
    As recordacões que tenho do Brasil é tráumatico, nunca imaginei que poderia ser considerada prostituta pelo simples fato de ser negra e ter pernas grossa, jamais cogitei a ideia, de que aqui
    negro tem que ser e deve ser só e somente da favela, pois lá é o seu lugar… Amei o blog sucesso pra voces que essa luta continue chegue mais longe,

    • Charô

      Obrigada Carolina, benvinda à nossa “democracia racial”. Sinto muito por você, por mim, por todas nós. Abraço!

  • Adorei o texto, importantíssimo pra gente enxergar inclusive nossos próprios preconceitos. Sou gorda, descendente de índios, e sempre tive o cabelo muito liso e comprido, e é incrível como as pessoas acham que corpo de mulher é público e vão logo pegando no meu cabelo, colocando a mão sem nem pedir licença, achando que é elogio. Fico muito incomodada, mas sou meio bobona, fico sem graça de dar uma resposta, de cortar a pessoa… Toda minha solidariedade a quem passa por isso.e por tantas outras formas de “elogios”.
    Beijos a todas as Blogueiras Negras, adoro esse espaço! (=

    • Charô

      Olá Carolina, estamos aqui pra nos fortalecer. E aprender a responder juntas. Obrigada pela audiência!

  • PER-FEI-TO!! Esse texto cai como uma luva na minha vida, e creio eu que na vida de milhares de outras mulheres negras também. Sou do tipo que fica profundamente incomodada em ser chamada de “morena” (sou negra, pô, não f*de!) e mais ainda quando alguém questiona minha negritude “porque sua pele é clarinha”… Nossa!! E o cabelo sempre reeeeende comentários, principalmente os desagradáveis, como pedir para pegar (horrível isso, o cúmulo) ou dizer “seu cabelo é lindo” e logo em seguida sugerir relaxamentos, alisamentos, reduções de volume, etc “porque ficaria tão mais bonito”. Já chegaram ao cúmulo de me dizer “seu cabelo é ruim mas sua bundinha é uma delícia” (e eu prontamente fiz a figura se arrepender de ter nascido). Fora que, para além dos elogios, em matéria de autoestima sempre surgem críticas pesadíssimas pra gente, por vezes desde a infância. Trabalho com alguns casos, e não são raros os de meninas que sofrem bullying pesadíssimo, chamadas de “feias”, “barangas”, etc e (mesmo por serem muito jovens) não perceberem o fundo racista contido nesse “padrão de beleza” que violentamente as exclui. Por vezes sequer as equipes pedagógicas têm preparo para perceber e lidar com a situação. Felizmente podemos todas contar com essa cada vez mais forte sororidade negra, que nos fortalece enquanto mulheres e nos dá condições de nos amarmos do jeito que somos e de não aceitarmos a violência caladas! Só tenho a agradecer!

    • Charô

      Bárbara, suas estórias certamente dariam um Segundo post sobre o assunto. Obrigada pelos comentários!

  • Carol

    Eu já terminei com um carinha, pq ele me achava uma bunda ambulante, não levava em consideração nada o que eu falava, mas eu tenho a bunda grande e era isso que o fazia feliz….QUE ODIO

  • Ligya Moraes

    Para mim, o pesadelo de todos os tempos é o cabelo. Também já tive o desprazer de me perguntarem se era peruca, na época em que troquei a química pelo black. Até hoje as pessoas pedem pra botar a mão, como se eu fosse algo em exposição! E há o clássico: “Já está tão grande, se você relaxasse só pra DOMAR, ficaria ainda maior”! Resposta na ponta da língua: Se alguém precisa ser domado aqui, esse alguém é você e leve junto seu racismo!

    • Charô

      Adoro quem responde assim na lata, adoro. Obrigada pelo comentário Ligya!

  • Dayane Candido dos Santos

    Sou chamada de morena diariamente no meu trabalho e como não tenho papas na língua, advirto a pessoa: “Morena não, por favor, sou NEGRA.” E a resposta que mais escuto é: “Naõ, vc nem é tão negra assim, é melhor ser chamada de morena.” Affff… a ignorância que perpetua na cabeça das pessoas encobre a falta de informação, um racismo “as avessas” e a discriminação escondida em “elogios degradantes” à nós, mulheres negras. Adorei o artigo e fiz questão que postá-lo no face. Parabéns!!!

    • Charô

      Obrigada Dayane por compartilhar e deixar a qui sua opinião!

  • Tamara Rocha

    Sou branca, professora de História e amo samba, quando danço tem gente que diz: nossa, parece uma neguinha, ou por causa do meu cabelo que é cacheado dizem que tenho cabelo de nega! Digo: que ótimo, sou negra mesmo, não de cor mas de alma e coração, sou índia, sou negra, com muito orgulho apesar de carregar na pele a cor do europeu…Nós mulheres sofremos todo e qualquer tipo de discriminação, por tudo em tudo quanto é situação, penso que não devemos nunca aceitar e sim levantar a cabeça e dizer: Sou negra sim, e daí? Qual é o seu conceito de cabelo bom ou nariz perfeito? Europeu? me desculpe querido, mas não estamos na Europa e meu país é cheio de misturas aceite vc ou não!

    • Charô

      Pois é Tamara, quem quer parecer uma “neguinha”!

  • Pedro Jackson

    Lamentável!!! Concordo plenamente com o texto!

    • Charô

      Obrigada Pedro.

  • Olá, cheguei até este blog por meio de dois queridas amigas que me ajudam a entender a questão do racismo todos os dias: a Dani e a Bethânia. Sou professora. Não sei o que vocês passam porque nunca passarei pelo mesmo… Tento entender para poder atuar, de alguma maneira, contra o racismo. Hoje mesmo, numa reunião de professores, fomos informados sobre uma aluna que está sofrendo muito por causa do racismo. A última atitude da minha aluna adolescente foi alisar os cabelos para que os seus colegas parem de soltar “pérolas” racistas. Da minha parte, gostaria da ajuda de vocês para saber como atuar em situações assim, sem chamar a atenção ainda mais para a adolescente… Eu quero fazer algo, mas não sei direito como fazer… Queria saber como ela se sente, mas não sei… 🙁
    Obrigada, queridas! Eu ainda quero acreditar que um dia, tudo isso que vcs contam aqui, seja passado.

    • Charô

      Talita, obrigada por seu comentário. Entrei em contato via facebook.

  • larissantiago

    Tem um que eu adoro “só que não” que diz: “mas você nem é tão negra assim”. Chamar de morena é o mais comum…

    • Charô

      Né Larissa! É quase branca =P

    • Rafaela Nascimento

      Odeio com todas as forças o “mas você nem é tão negra assim”, ou pior, quando afirmo que sou negra e com um tom de reprovação decidem que é inaceitável: “Pára com isso, você é branca, negro é o fulano/beltrano, você é no máximo morena/moreninha!”, sinceramente não tenho mais paciência e respondo ofendendo: branca é o c#$#$%@, sou negra!
      Outro comentário que odeio é: “Como assim VOCÊ não samba? Tá no seu sangue”, porque sou negra eu sou obrigada a saber sambar ou a gostar de carnaval? ¬¬”

  • Alyne Nunes

    Olá meninas, sempre leio as postagens do blog e os publico em página do facebook, pois tenho em minha rede pessoas que teimam em dizer que tais elogios são um reconhecimento de que sou diferente (e uma boa diferença) das demais negras que existem! Pois eu comecei meu processo de compreensão de que tais elogios são ofensas e racismo, muito tarde! Por ter em meio seio familiar quem verbalize tais “elogios”, sempre escutei tais ofensas, embora elas me incomodassem eu não reagia, hoje é diferente eu reajo e de maneira grosseira as vezes. Já cheguei a discutir com uma branca que insistia em afirmar: Alyne você não é negra, não se diminua, você é morena! Se vc quer militar pois bem, mas assuma o que você é. Isso me marcou profundamente! Minha pesquisa é justamente em cima desses estereótipos que parecem elogio e figuram como preconceito. Amo tudo o que você escreve e identificação é máxima, obrigada Charô por expressar tão bem as angustias que nós mulheres negras vivenciamos.

    • Charô

      Alyne Nunes, tem que reagir mesmo. É uma processo, uma construção, mas vale muito a pena. E obrigad apor suas palavras, essas sim, um elogio!

    • larissantiago

      Alyne, a gente sabe mais do que ninguém como essa sociedade racista se manifesta com seu elogio sutil!
      Queremos muito depois ter acesso a sua pesquisa. Queremos que você contribua com a gente :*

      Um chêro, minha preta!

  • Norma Santos

    Eu completamente amei o texto…como tenho um fenótipo indígena (pele parda e cabelos lisos) nunca ouvi nenhum desses ‘elogios’. Simplesmente me parece absurdo que alguém realmente pense que está elogiando a outra pessoa com esse tipo de coisa, fala sério isso de ‘mulata exportação’, tocar no cabelo alheio sem permissão ?! (oh god) me lembrou que quando fiz minha primeira tatuagem uma garota que era uma simples conhecida puxou meu braço pra ‘observar’ melhor a tattoo…não estava esperando por isso e senti meu espaço pessoal extremamente invadido…imagino que a sensação seja parecida. O ‘elogio’ da sua lista que estou mais familiarizada é o “morena ou morena escura”, falado sempre com um tom diferente como se pessoa devesse ter alguma especie de vergonha da cor da pele..quase como se fosse pecado…

    • Charô

      Norma, a sensação é a mesma. A invasão nunca é benvinda! Obrigada por seu comentário.

  • Aline Souza

    Infelizmente é isso e muito mais. Eu tenho 20 anos, sou negra, pobre e favelada. Frequento lugares onde, infelizmente o preconceito está escancarado seja no tratamento ou na forma de olhar. São frios, olham com antipatia, nojo. Isso me entristece mas ao mesmo tempo me dá incentivo pra lutar e mudar de vida e mostrar pra eles que sou capaz e digna de respeito.

    • Charô

      Força, muita força. Eles querem nos alquebrar mas não conseguirão. Abraço!

    • Raquel

      Aline, eu sou negra, tenho 23 anos, sou de classe média e moro num “bairro bom” Os lugares onde frequento também têm preconceito e, às vezes, é pior porque é velado, mas o olhar também denuncia. Quando trabalhava no Itamaraty deixei de pertencer a um departamento porque alguns diplomatas poderiam não gostar de eu estar lá, já presenciei conversas de advogados de lá se referindo a indicação do Ministro Joaquim Barbosa ao STF a “agora aquele preto vai ficar se achando, mas ele nunca deixará de ser um macaco”…
      Ou seja, a nossa luta tem de ser o tempo todo e em qualquer ambiente e força e fé que você (e eu e nós todas!) vai conseguir mostrar que é capaz.

    • Ai que nojo de gente assim! De doer isso, sabia…

  • eloá

    É bem assim mesmo!! principalmente em relação aos traços, sempre tem um ” que nariz mais empinadinho, você puxou de quem?. Outro fator que vejo muito é as pessoas terem receio de chamar um negro de negro, pois ainda hoje a palavra negro é socialmente estigmatizada como xingamento. Acredito que o nosso posicionamento frente á essas questões é uma das melhores formas de enfrentamento.

    • Charô

      Obrigada Eloá por seu comentário!