Mabia Barros para as Blogueiras Negras

O post é na esteira do Dia dos Namorados e é um pensamento em construção. E como todo pensamento em construção, tem um quê de autobiográfico. Contudo, mais que isso, esta é uma observação que tenho feito e que, espero, consiga sanar minhas curiosidades acerca do tema muito em breve, num mestrado. :) Antes de tudo, explico o meu lugar de fala: cis, negra, heterossexual. Primeiro, vamos à Síndrome de Cirilo. Antes me referia a ela como um complexo, mas acredito que síndrome seja a nomenclatura mais adequada. Coloquei o link do post ótimo da Daniela Gomes, mas explico um pouco: Cirilo é o garotinho negro da novela infantil Carrossel, que passa toda a trama sendo humilhado e desdenhado pela menininha rica e loira, pela qual ele se interessa. Cirilo, apesar de humilhado e rejeitado, visivelmente não pertencente àquele grupo, se esforça para estar “à altura de sua amada” e sofre com a rejeição, mas não a compreende como racismo, apenas absorve a imposição de inferioridade e se ressente por não ser igual ao seu rival.

cirilo
Maria Joaquina e Cirilo em cena da novela Carrossel, exibida pelo SBT

Nesta relação Cirilo-Maria Joaquina há toda uma historicidade das relações “amorosas” entre homens negros e mulheres brancas, especialmente depois da abolição da escravatura. Estar com uma mulher branca é mudar de status, é evoluir, é ser aceito na roda dos “bem nascidos”. Larissa Santiago falou sobre isso em Relações inter raciais – isso não é sobre amor. É preciso entender que os nossos gostos, que tanto dizemos que “não se discute”, são construídos socialmente. São influenciados desde cedo pelo que aprendemos e vemos em casa, no cinema, na TV, nos quadrinhos, nas propagandas… E, convenhamos, vivemos num país cujo padrão de beleza hegemônico é eurocêntrico. O que beleza tem a ver com isso?! Numa era em que tudo é imagem, tem tudo a ver. Por mais que a pessoa diga que não escolhe x parceirx romântico baseado em aparência, no fundo, existe sim alguns critérios que x “pretendente” precisa ter. E os aspectos raciais estão intrínsecos nesse jogo. Ter o nariz de batata, a pele negra, o cabelo crespo… Claro que, aquelas consideradas “até que bonitas para uma negra” não sofrem tanto com o problema, por estarem dentro do estereótipo da mulher negra que é sexualizada e transformada em objeto de desejo. Sorte (?) da delas.

Mas é esta preferência (ou principalmente ela) pela mulher branca que leva à solidão da mulher negra. Ser preterida pelos brancos, ok. Mas os negros também preferem as branquinhas. São mais bonitas, né? Dá para fazer cafuné, brincar com os cabelos, os filhos não vão “sofrer” com o cabelo “duro”, ele vai poder “clarear a família”. Há até quem ache que o mestiço tem vantagens no Brasil. Como se diz na Bahia: Aonde?! Outra coisa que ouço bastante, infelizmente até de mim mesma, é que há poucos negros com que se relacionar nas classes média/média-alta. Eu acredito piamente que moro no bairro errado. rs Mas não deixo que isso impeça que eu conheça pessoas de outros lugares. Onde eu moro e no meio onde trabalho são mesmo raros os negros. Estamos começando agora. Mas, os poucos que vejo, usualmente namoram com uma menina branca. Não se reconhecem como negros ou acham que “esse negócio de raça é bobagem, somos todos humanos”. Também tem os que me chamam de paranoica, mas estes eu converso com calma, até me entenderem… 😉

No frigir dos ovos, temos, por um lado, meninos que sofrem desde crianças para se adequar a um padrão irreal e meninas que, igualmente, se mutilam para tentar alcançar o padrão inalcançável e as que são rejeitadas. Tem que ver isso aí, produção!


Mabia Barros escreve sobre moda no Maxibolsa e está no twitter.


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181 Comentário

  1. nossa daiane eu tenho 19 anos e também nunca namorei. Aliás só fiquei com 3 homens em minha vida, achava que era uma fase e que iria passar…

    • Vai passar sim, Eli. Passou para mim, passou para várias outras. Mas para passar, é preciso um certo amadurecimento, mudar de perspectivas.

  2. Que texto perfeito. Me relacionei por 2 anos com um branco de família rica e por duas vezes ele iniciou um namoro com brancas estando comigo, sei que ele gostava de mim mas tinha vergonha e medo de me assumir. Hoje ele permanece solteiro e atrás de mim, mas não aceito mais isso. Sou negra de cabelo crespo com 35 anos e há 20nos terminando sozinha em festas e baladas.

  3. Eu já passei muito por isso. Namorei um oriental que era apaixonado por mim, mas não teve coragem de me apresentar para sua família. Namorei um branco, ele me dizia que seus amigos me achavam feia, embora ele pensasse o contrário. Por fim ele me deixou também. Hoje sou casada com um branco que não é bom para mim, me desdenha e me despreza. Pretendo me separar dele, mas sei que ficarei sozinha. Recebo muitas cantadas, elogios de homens brancos e negros, mas não dou bola, eles querem apenas ir para cama comigo, e hoje não caio mais na lábia de homens assim. Enfim sou bem sucedida
    profissionalmente e no amor um fracasso.

  4. Mabia, parabéns pelo texto, você descreveu exatamente o que eu penso. Sou negra, tenho 24 anos e nunca namorei, nunca nem mesmo tive um “ficante sério”, estudei em escola particular, fiz faculdade particular, tenho muitos amigos brancos e negros. Alisei meu cabelo por 10 anos da minha vida numa tentativa de ser mais bem aceita pelos que me achavam “feia”, muitos negros inclusive, pois bonitas eram minhas colegas brancas de cabelo liso. Faz 2 anos que assumi o meu cabelo natural e me redescobri, as pessoas me elogiam bastante, e não “acreditam” quando digo que não tenho namorado, mas sinceramente as vezes acho que as pessoas me elogiam para que você se sinta melhor, como se “ela precisa ouvir que é bonita”, não que não goste de escutar elogios, mas não são esses elogios que vão me fazer eu me sentir ou não bonita, isso depende unicamente de mim, da minha auto estima. Quando comentava com minhas amigas brancas sobre “a minha solidão”, elas dizem que é coisa da minha cabeça, que eu sou a preconceituosa da história, bom hoje não comento mais, guardei meus pensamentos e sentimentos para mim, mas recentemente busquei sobre esse assunto na internet e encontrei textos bem interessantes, eu achava que só eu passava por isso, mas vi que outras meninas também passam, é uma triste realidade, mas parei de sonhar com um dia casar e ter uma família.

  5. Belo texto !!
    Sou negro, hetero e meu tipo de mulher sempre foi morena pele clara com olhos azuis.
    Minhas duas primeiras namoradas foram assim.
    Desde moleque era apaixonado pela ainda jovem menina chamada Ana Paulo Arósio, e no perfil dela baseei minha “namorada ideal”.
    Bom, amadureci e hoje namoro fazem 2 anos uma linda mulher negra.
    Só para fins de explicação, ela é negra… não mulata, nem mestiça… tem um tom de pele inclusive mais escuro que o meu.
    Eu a amo e espero passar o resta da minha vida com ele e ter lindos filhos negros.
    Eu acredito na frase “amor não tem cor”, pois o amor de verdade não tem.
    Quando um negro procurar um mulher branca para se relacionar, não se trata de amor… se trata de tentar ser aceito.
    Por isso, acho que o “amor de verdade” realmente não tem cor.

  6. Muito bom o artigo. Me lembro que na adolescência me perguntava se o problema estava em mim pois sempre que saia com minhas amigas, que em maioria são brancas e com olhos claros, eram sempre elas as preferidas pelos rapazes. Meu primeiro e único namoro foi aos 19 anos enquanto minhas amigas já tinham tido outros vários relacionamentos. Esse meu namorado era negro mas se considerava “moreno” e esse era um grande motivo de “n” discussões entre nós.
    Percebo que a maioria dos meus amigos negros namoram mulheres brancas, loiras, inclusive, sou fruto de uma relação inter racial. Mas o que realmente me incomoda é que apesar do passar dos anos, a mulher negra continua seguindo sozinha e isso causa um grande impacto na nossa autoestima, evidentemente. Muito recentemente comecei a me valorizar e me achar de fato bonita. Tive a oportunidade de morar na Europa por um tempo e as relações se dão de forma diferente. O homem negro ou branco não tem “vergonha”, “receio” de se relacionar com uma mulher negra, de cabelo crespo e volumoso como é o meu caso. Aqui no Brasil já ouvi muitas vezes que deveria manter o meu cabelo preso, se não achava que tinha volume demais. Enfim, depois dessa experiência consegui me sentir bem comigo mesma, não me achando como “errada” da história e nunca escondendo minha essência.

    • Michele faço das suas minhas palavras. mas esse amadurecimento, no meu caso, veio com a idade, de saber quem eu sou, o que eu sou e quem eu quero comigo.
      nesse processo resolvi também assumir meu cabelo natural. mas acredita que depois do corte, que fiquei com o cabelo curto, me tornei mais invisível para os homens?? chocada rs.

  7. Eu e minha irmã sempre chamamos a Síndrome de Cirilo de Troféu Marfim. Muitas amigas custam a entender quando conversamos sobre isso, mas depois de várias demostrações práticas fica bem mais fácil. Li seu texto e tive que reler para ela, que só pelo título rapidamente compreendeu o que você quis dizer.

  8. Devo acrescentar que domingo passado pra quem não sabe, tivemos uma roda de conversa organizada pelo coletivo TOMN no CCSP – Centro Cultural da Vergueiro – (evento do facebook) sobre a solidão da mulher negra e apropriação cultural, alguém aqui foi ou soube? Foi uma tarde bastante proveitosa, dividimos histórias e dores pelo que passamos nessa solidão e celibato forçado, algumas meninas até se emocionaram, dizendo o quanto é difícil ser mulher negra no país. Enfim, eu queria reforçar a necessidade de criarmos mais encontros como esses, pois assim juntamos mais forças, e juntas podemos muito mais apoiando umas às outras. E sugiro que façamos mais amizades entre nós, assim podemos trocar ideias sobre como amenizar este problema de solução difícil.

  9. Nunca pensei que uma situação assim fosse me abalar tanto, mas cada vez mais vejo que dói. a mulher negra é sempre a última opção, e diante da pirâmide da ascensão social, cada vez que nos distanciamos da base, da massa, “do lugar do negro”, vemos o quão raro é ter negros no mesmo ambiente e o quão difícil é se sustentar negro nesse ambiente.
    Nasci numa família em que graças a Deus com muito esforço, trabalho, suor, conseguimos ocupar um espaço que durante muito tempo foi tirado de nós (e ainda é, tendo em vista as barreiras que são colocadas para que alcancemos esse lugar), vivi sempre em ambientes que era a única negra, ou uma das poucas existentes, mas nunca foi motivo de me sentir menor, fui criada e preparada para enfrentar qualquer situação.
    Mas acredito que ter que estar sempre preparado é um fardo que vamos ter que carregar, como se não bastasse nossa história, ainda carregamos essa carga tão pesada que colocam sobre nós negros, e com mulher negra não é diferente.
    Apesar de sempre ser elogiada pela minha beleza, incrível como nunca namorei aos 22 anos, minha beleza só é reparada pelas mulheres ou pelas pessoas mais velhas, mas acredito que para os homens da minha idade no ambiente em que vivo não é suficiente, os brancos sempre buscando os padrões que são impostos na sociedade, e os negros seguindo o mesmo fluxo para se sentir melhor.
    E a mulher negra sempre sendo a última opção, se é que pode ser cogitada como opção da grande maioria. Não que precisemos de homem para ser felizes, precisamos ser completas e encontrar alguém que nos transborde, mas nunca imaginei que pudesse ser tão afetada por sair a noite, frequentar lugares e me sentir invisível aos olhos do outro. Sentir que diante das outras mulheres minha chance de ser amada também é muito menor. Saber que todo mundo te elogia, comenta da sua beleza, mas não as pessoas da sua idade, e ainda se acham bonita falam isso com você, mas apenas como uma observação, numa situação que mulher bonita e dentro dos padrões não serão somente avisadas de que são bonitas.
    Não sei se estou sendo clara o suficiente, mas fico triste em me ver nessa situação, saber que tem milhares de outras meninas nessa situação, por algo que não vai mudar tão cedo.
    No colégio, na faculdade, na balada, em qualquer lugar eu serei sempre mais uma, uma invisível, que não é o bastante.
    E não que isso me deixe com vergonha de ser negra, tenho muito orgulho e sou assumidamente negra, mas abala a autoestima, e imagino em pessoas que ainda buscam por sua identidade, ainda não se reconhecem os efeitos podem ser mais gravosos.
    Essa solidão da mulher negra parece que não vai ter fim. Estou no auge da minha juventude e me sinto deslocada no Âmbito amoroso do meio em que vivo.

    • Julis, te entendo completamente! Faço medicina e tenho 22 anos e nunca namorei. O meio em que convivo é um lugar onde o negro é minoria e ainda não é aceito verdadeiramente. Também sofro com isso, sou elogiada pela minha beleza, mas ninguém se aproxima de mim querendo realmente um relacionamento na faculdade, por exemplo. Me sinto triste ao ver que as mulheres negras ficam sempre em segundo plano ao serem escolhidas. É uma sociedade cruel! Acredito que isso aconteça devido ao fato de ainda não termos encontrado um homem com coragem suficiente para transpor a barreira do preconceito, mas isso não significa que alguém assim não exista. Iremos encontrar alguém que nos transborde, tenho fé em Deus! Se você for do Rio, procure o Be one no facebook, é uma balada gospel na Barra onde comecei a frequentar e tenho sentido que essa ferida tem sido curada por Deus, estou me permitindo conhecer jovens especiais ali! Bjos

    • Julis e Monique, estou na mesma de situação que vocês. Tenho 22 e tb nunca namorei. As pessoas me acham bonita, me elogiam e ficam espantadas quando eu digo que nunca namorei. Acham até que eu tô escolhendo demais, mas como vcs me entendem, esse não é o caso. Me graduei recentemente e no lugar onde trabalho negros também são a minoria. Às vezes eu chego a pensar que ficarei sozinha pra sempre. Mas tento não me abater por isso. Estou com uma ótima auto-estima, cabelo crespo super pro alto e sempre com um sorriso no rosto. Tento fingir que ainda há esperança rs.

  10. Ótimo texto. Tenho lido muito sobre isso ultimamente. Sou negra, durante a adolescência não tive namorados, ficava com alguns rapazes em festas apenas. A seguir namorei por 4 anos um rapaz socialmente branco, afrodescendente, mas de pele clara e cabelo liso, aliás o cabelo é bem classificatório para o individuo ser taxado de branco ou de preto aqui no Brasil (aliás, talvez seja o cabelo o que mais nos separe do padrão, muito mais que os traços). Enfim, esse namorado, durante esse tempo todo, não me apresentava a seus amigos de faculdade e nem me levava com ele aos lugares/festas/eventos, sempre saíamos sozinhos, ou ficávamos na minha casa ou na dele, hoje vejo que eu sempre ficava “escondida”, ele gostava de mim mas se dizia reservado, hoje sei que era pra não me mostrar, que ele tinha vergonha mesmo. Bem, ele me deixou por uma colega de faculdade, loira, de olhos azuis, eles estão juntos há mais de um ano e ele não tem vergonha de mostrá-la a ninguém, estranho né? rs. Desde então eu permaneço só, me acham legal, engraçada, sou bem-sucedida, mas continuo sempre sozinha…vou a festas com meninas até nem tão bonitas, mas que por serem brancas tem preferência, e por aí vai. conheço muitos caras negros, super embasados, engajados politicamente, que quando você vai ver, mesmo eles, todos namoram meninas brancas, ai me perguntam: por que não? E eu pergunto: por que sim? O que posso dizer é que dói muito, mas que nós, mulheres negras, temos que entender que nossa solidão não é circunstancial, ela é política.

  11. Eu sou negra e sou casada com um loiro ,meu primeiro marido também era branco e realmente sinto nas pessoas, um certo preconceito tipo VC é sortuda… Eu nunca busquei casar com branco mais aconteceu .

    • Minhas primas são casadas, a mais velha com um rapaz negro de pele clara; a mais nova, com um rapaz branco, mas ela tem a pele mais clara que a outra. Ambas têm filhos com seus respectivos. Me pergunto, será que o marido da mais nova a vê como negra ou morena clara?

  12. Sou negra e confesso que este texto me trouxe um “alívio” pois acreditava, como todos a minha volta queriam que eu acreditasse, que estava louca. Sempre tive esta percepção dos relacionamentos, e mais, tinha exemplos claros dentro de casa. Minha mãe loira de olho verde não teve problema em se casar com um negro em ascensão social. Meu pai e seus irmãos, negros, tomaram como esposas mulheres brancas, quase como troféu e prova de que estavam melhorando de vida. Já suas irmãs, minhas tias, continuam solteiras e sozinhas, sem tem tido chances de construírem uma família. Sigo a mesma estrada, ainda que bem sucedida profissionalmente e considerada “bonita” por todas as minhas amigas, não consigo emplacar nenhum relacionamento sério. Minha irmã (OBS. minha irmã se parece mais com a família de minha mãe, ou seja, mais clara, ao que me pareço mais com meus parentes paternos, negros), casada com um homem negro, diversas vezes me acusou de racismo, por não me relacionar com negros. Por algum tempo eu mesmo acreditei nisto, mas depois me dei conta que eu estava no lugar errado. Onde trabalho, estudo ou frequento, não conheço ninguém da minha raça. Me interesso pelas pessoas que estão no meu convívio, e estas muitas vezes se interessam pela idéia de ter uma mulata de escola de samba a sua disposição em uma festa, mas não aguentam o fardo de manter um relacionamento fora dos padrões estéticos “normais”. Infelizmente vejo que ainda caminhamos em marcha lenta, mas tenho a esperança que no futuro este tipo de discussão seja algo completamente sem sentido.

  13. Mabia concordo plenamente com você, pena muitos não verem o óbvio, mas se engana quem acha que isso só acontece por aqui. Grande abraço! belo artigo.

  14. Mabia concordo plenamente com você, pena muitos não verem o óbvio e se engana quem acha que isso só acontece por aqui, grande abraço! belo artigo.

  15. Sou negra, mas muitos pensam atenuar me chamando de mulata. Meu cabelo é duro (cheio de progressiva kkkk ), meu lábios grossos, minha cor é linda. Não sou esse meio termo -parda- que querem me enfiar guela abaixo, me assumo como negra e ponto final.
    Namoro há quase quatro anos um japonês. Pois é, um oriental de família tradicional não me escolheu porque sou preta, mulata ou parta, não é uma questão de exterior… ele me ama pelo que eu sou, pela minha beleza interior. E eu o amo, exatamente pelo o que ele é por dentro.
    Escutamos cada gracinha…. outro dia no metrô aqui no Rio, umas senhoras falavam que eu só podia ser prostituta para estar com um oriental.

    Nós reagimos numa boa, porque sabemos que somente pessoas limitadas podem restringir o amor , um sentimento tão lindo e verdadeiro, a tonalidade de pele…

  16. Concordo em parte com o texto. Infelizmente, o efeito “não tem nenhum negro à minha altura” é bem mais comum.

    Sou casado com uma branca. Mas amo sim, a essência dela. Ela era gordinha, hoje está magrinha. Temos uma bela filha negra, nossa família é feliz.

    E sobre a síndrome de Cirilo, sofri até os 8 anos de idade, idealizando a “menininha mais bela da turma”, num padrão midiático imposto à exaustão. No entanto, aprendi dentro de um lar plural, que a cor da pele é só a cor da pele.

    Aprendi a admirar a mulher, qualquer mulher. No entanto, nunca consegui uma namorada, peguete ou amiga colorida negra. Elas não se permitem, não aceitam, não acreditam.

    Acredito que essa questão da síndrome do Cirilo é um pouquinho mais ampla.

    • Sou Negra e concordo com você Luciano, realmente é uma questão bem mais ampla que deve ser trabalhada tanto em crianças branca como negras, para que na vida adulta suas escolhas sejam livres e não impostas. Infelizmente estamos bem longe disso.

  17. Ótimo texto!!! Triste realidade de negros e negras do nosso país. Alguns, na tentativa de serem aceitos, fazem até mais do que mudança exterior. Aprisionam suas ideias e sentimentos e depois de um tempo se transformam em nada. Frequentar lugares onde há uma maioria negra tem me ajudado muito.

  18. Sou negra, baiana, estudei na faculdade pública em um curso de “ricos” e cercada por brancos. Por ser negra, pois os caras negros nunca se interessavam por mim. Tão pouco os brancos, já que a grande maioria queria minhas amigas brancas, do cabelo liso. (na minha cabeça elas eram bonitas, eu feia… Meu cabelo crespo só vivia preso, aí elas, as amigas, me deram um relaxamento de presente de aniversário, mas porque EU não me sentia a vontade com meu próprio cabelo… a sociedade faz isso com a gente implicitamente, o tempo todo, nas mínimas atitudes).

    Hoje, namoro um negro (faz 3 anos) e sinto que ele não escolheu cor de pele. Mas é difícil achar um branco aqui que namore uma negra ou vice e versa. E quando tem, racismo pra dentro.

  19. Eu sou negro, e acredito sim que inconscientemente somos levados a ignorar as negras, pois crescemos em uma sociedade cheias de paradigmas sociais, que se não tivermos opinião própria acaba por controlar nossas decisões….. Mas fui contra a maré, namorei 2 negras, não gostava muito de brancas demais, e me casei com uma linda morena(em sta catarina seria negra) ……

    • Corvus, ainda assim, o termo morena também é usado exatamente pra não considerar a mulher negra. Ela é negra sim, se se identifica como, pois morena é uma pessoa que tem cabelos pretos, apenas isso.

  20. O texto, assim como as reflexões da Leysha nos comentários, são de arrepiar. Mais arrepiante ainda é você se emponderar como negro e perceber a mentira que era a sua vida envolta num padrão eurocêntrico em pleno (!) Brasil. A luta continua, há muito trabalho para tocar adiante o que os negros americanos, apenas como exemplo, já tinham começado desde os anos 1950. Nos EUA, existe (em certo grau) uma consciência de raça e uma classe média e alta constituída por negros. Mesmo sendo um país que escravizou “apenas” cerca de 500 mil africanos, já conseguiram eleger um presidente negro – casado com negra e pai de negras – enquanto o Brasil, que traficou cerca de 5 milhões de africanos, quase não tem negros em posição de destaque – quiçá na politica.

  21. Obrigado pelo texto! Lendo este e mais outros sobre o tema consigo me dar conta de tanta coisa que já me aconteceu nas tantas tentativas de relacionamentos com homens.
    Fiquei muitas vezes sem saber o que o responder para amigas brancas me perguntando porque eu estou sempre sozinha, ou como é difícil ficar com um cara sem que ele queira namorar. Tudo ficou mais claro.

  22. Realmente a principio vi esse texto pensando que fosse outro ponto de vista deturpado sobre o assunto, mas calei a boca, ótimo texto mesmo, realmente você apontou o que mais afeta a postura da sociedade, que é o fato de estar entre os da “alta” então tem que seguir padrões e blá blá blá, algo que realmente muitos de nós aprendemos até dentro de casa, o que é lamentavel…

    Só pra constar sou branco.

  23. Não é questão de negro ter que casar com negro e branco ter que casar com branco. O que o artigo esta abordando é o status. O homem negro quando adquire poder ou seja melhora seu status social, sente a necessidade de provar isso para a sociedade. Nós mulheres infelizmente somos o símbolo de status de poder masculino. A mulher branca é a que melhor assume esse papel, pois se enquadra no padrão de beleza estabelecido pela sociedade brasileira. Então um negro que se se formou na faculdade, que se tornou destaque na mídia dentre outras forma de alcançar poder , procura se autoafirmar ao lado de uma mulher branca. A autoestima do homem negro que alcançou o poder, grita para a sociedade: “olha agora eu sou tão foda que até uma branca me quis”. Então podemos realizar a equação: homem negro + poder = status = mulher branca. Não precisamos ir muito longe para detectar a veracidade da equação, basca abrir os olhos. Um amigo negro que se formou na faculdade, que alcançou um bom emprego, que se tornou um grande jogador de futebol, que tem destaque na mídia ou se tornou um magistrado, dentre outras formas de poder, percebam que raramente esse homem tem uma mulher negra ao seu lado, pois o negro é desestimulado a ser negro. O poder embranquece o homem negro.

  24. CARAMBA! que texto ótimo! Minha monografia foi exatamente sobre esse assunto, o tema foi CINEMA E REPRESENTAÇÃO DO NEGRO: Uma análise da construção de sentidos da imagem do negro no imaginário infantil a partir do filme A Princesa e o Sapo

    Coloco aqui um resumo sobre o conteúdo, e se quiser a monografia pra ler me envia um e-mail vai ser um prazer ter uma formadora de opinião lendo esse trabalho que deu trabalho rsrs fazer

    “Acredita-se que é na infância que o indivíduo começa a formação da sua personalidade, e que as representações sociais impostas pela mídia têm grande influência nesse período. Ao observar as representações dos negros na mídia, percebe-se que elas seguem determinados padrões que além de desvalorizar, reforça o estigma de que os espaços sociais ocupados pelo negro são sempre os subalternos. Reforçar uma imagem estereotipada de um segmento étnico, nos meios de comunicação, tende
    a influenciar os processos de subjetivação, identificação e formação das crianças.

    O propósito é aprofundar o assunto, percebendo como a insuficiência de protagonistas negros ou a presença estereotipada podem afetar diretamente as crianças negras no sentido de se identificar, e as crianças de outros segmentos étnicos no sentido de reconhecer o outro como semelhante. Dessa forma esta pesquisa propôs-se a investigar a origem da construção das representações sociais dos negros ao longo da história, percebendo em como esse construto se transpôs para os produtos midiáticos culturais de forma geral e posteriormente em produtos culturais infantis, analisando também o lugar social que a mulher negra ocupa e como esse espaço pode influenciar a construção e formação da identidade de meninas negras. A escolha por se trabalhar contos de fadas se deve ao fato de que eles atuam no emocional da criança e influenciam o modo como meninas constroem sua identidade/auto-imagem, ao enxergar nas princesas um padrão estético dito como o mais bonito e mais aceitável.

    Assim coube a esta pesquisa aprofundar no estudo de apropriação dos contos de fadas feitos pela Disney, uma vez que eles além da função de entretenimento servem como canais de veiculação de ideologias e valores a partir da sua forma e conteúdo.

    O objetivo é refletir a partir de todo o conteúdo teórico junto aos modelos da estética da recepção, a importância da narrativa do filme A Princesa e o Sapo na construção de
    sentidos da imagem do negro para o público infantil.”

  25. Sou branco e minha namorada negra, minha família já declarou guerra ao perceber que está sério depois de 4 anos… Estou saindo de casa em razão disso. Racismo hoje pra mim não fica barato, posso estar em qualquer situação que compro briga até quando estou sozinho pessoas assim não são dignas da minha compania. Muitas vezes estes indivíduos são alienados.

    • Nossa Leonard, eu tiro o chapéu para o seu comentário, que merece aplausos de pé!! Parabéns pela iniciativa, isso mostra o quanto vc a ama de verdade, independente de sua cor :)

  26. é uma vergonho pra nosso grupo étnico, mas isso tem uma explicação, o povo negro perderam sua cultura que era milenar, perderam seu idioma linguístico, o povo afro descendente perderam seus nomes e sobrenome de origem africano, em fim perdemos nossos valores, depois 385 anos de escravidão formal no brasil, eu por exemplo sou um negro e tenho nome e sobrenome de europeu, coisa que não tem nada a ver com migo, sou obrigado a viver com isso.

  27. Quero desabafar aqui. Minha familia é composta por pai e mãe pardos, e eu e meus dois irmãos somos pardos tambem. Pois bem, desde criança nóstres crescemos ouvindominha mãe dizer ” ve se não vai trazer uma negona pra morar aqui” ” de preto ja basta nós” ” vamos pentear esse pixaim”. Como eramos crianças não entendiamos o q estava por tras daquelas frases, só aceitavamos. Hj, eu, minha irmã e meu irmão somos casados com brancos, e nunca parei pra pensar o pq dessas escolhas, mas lendo esse texto varias possibilidades me vieram a mente…

  28. Nossa Alexandre Costa, conta mais por favor, que dizer então que seus primos negros estão com brancas porque foram rejeitados pelas negras? Nossa estou surpresa onde é esse mundo? é no Brasil mesmo?
    Uma coisa que eu sempre reparei que a sociedade esta ai para mostra, o quanto o negro preferem clarear, jogadores de futebol e famosos seguem seriamente a regra de se casar com brancas, é só fica rico e a neguinha é jogada de lado. Acredito que o casamento inter-racial beneficia mais os negros homens, já a mulher negra ou vai para Europa onde dizem que lá a beleza negra é valorizada ou fica na desigualdade. Como vamos ser todos iguais desse jeito?

  29. Vendo os comentários, começo a achar q vivo em outro mundo. Onde moro acontece justamente o contrário. Meus primos, amigos negros e eu geralmente nos relacionamos com mulheres brancas porque as mulheres negras rejeitam homens negros por causa de sua cor de pele. A ponto de eu chegar em uma garota negra e ela me falar que não fica com preto. Meu susto foi tão grande que eu nem tive reação. Só pensei comigo:”Tá ok floquinho de neve”.

    • É Verdade Existe a rejeição tanto do home quanto da mulher. Tem muitas mulheres negras que se negam a se relacionar com homens de sua cor. Ja presenciei uma cena dessas semana passada Alexandre. Eu também era uma que fazia esse tipo de coisa inconscientemente, mas depois que me afirmei hoje não vejo mais cor e sim o amor. Tanto que sou casada com um negro. O amor não tem cor

    • Bom dia, também como Alexandre Costa comentou acima tenho este dilema na minha família onde minhas primas sempre abertamente diziam que não iriam ter relacionamentos com negros e agora que casaram-se com brancos não querem ter filhos para que não venham mestiçados, eu mesmo fui rejeitado por mulheres negras e a ultima que consegui namorar estava circundante num grupo social de brancos onde ela não me convidava para ir as festas ou me apresentava a suas amigas e depois de eu ajudar ela a ponto de me comprometer em ler resumos de trabalhos, comprar livros e dar enfase ao artigo de banca dela para se formar na faculdade terminou o nosso relacionamento, e então uma vez quando namorei uma mulher branca fui abordado em plena rua por um grupo de mulheres negras e chamado de traidor, está bem sairmos rindo mas a vontade era de descer o desabafo,mas seria uma ofensa a minha companhia e a mim mesmo. Então onde está o “complexo de Cirilo” quando as relações estão cada vez mais difíceis entre os membros da mesma cor atras de ascensão social?

    • Concordo com o Alexandre. Sou filha de pardo com branca, me considero parda. Quando era pre-adolescente muitos foram os meninos negros e pardos que caçoavam de mim ou não tinham nenhum interesse. Passei boa parte da vida sendo admirada pelos brancos mesmo. Hoje sou noiva de loiro, e apesar de vc e boa parte pensar q foi pq escolhi assim, não. Ele foi que me escolheu e me trata tão bem quanto qualquer homem nessa vida fez. Somos melhores amigos forever. O texto é muito bom, mas ainda penso q existe pequenas exceções no quesito gosto.

  30. Este texto esta muito bem colocado. Infelizmente estamos vivendo sobre um enorme paradigma.Os homens negros desde quando são crianças e postas na cabecinha deles que namorar a mulher branca é mudar de status. Acham que serão aceitos na sociedade(tenho pena!)Para ser aceito na sociedade é demostrar seu valor em conhecimento, costumo dizer que conhecimento é poder. Conheço vários homens negros que ficam com mulheres brancas para desfilar, mas gostam da negra para namorar.
    Vou contar um caso: Minha amiga apaixonou por um homem negro(ela é negra), mas ela achava estranho porque ele nunca saia com ela mesmo ele demostrando todo o desejo e carinho. No final ela descobriu que ele gostava de mulheres brancas pois quando ele saia com elas chamava mais atenção. Bom…ele queria ser aceito pela sociedade!
    Agradeço a oportunidade de deixar um comentário e também pelo belo texto de reflexão.

  31. Muito bom o texto! Parabéns! Você tem uma mente clara e livre de paradigmas!
    Não só os negros mas o brasileiro de maneira geral tem seu parâmetro de “estética” voltado ao eurocentrismo. Não a toa, mulheres brancas muitas vezes tingem seus cabelos de loiro (mesmo que fiquem toscas e com seus cabelos ressecados como a maioria fica).

    Sobre os homens negros, é dessa forma que funciona! Sou criticado muitas vezes por postar em debates essa mesma linha de raciocínio. Enquanto as mulheres negras gostam de estar do lado dos homens negros, estes, tendo oportunidades preferem as brancas mesmo que sejam esteticamente menos bonitas.

    O que deve ser feito no Brasil é o mesmo dos USA (mais uma vez os USA, tenho que tirar o chapéu para eles). Lá, os negros aprendem a valorizar sua cultura e negritude desde crianças a ponto de alguns brancos quererem imitá-los. Casam-se e constituem famílias negras, sem se sentirem diminuídos com isso.

    • Isso está mudando muito por aqui. Cada dia se vê mais brancas namorando e tendo filhos com negros. Mas uma negra com homem branco é raro.

  32. para os incrédulos aqui que não acreditam na síndrome de Cirilo, vou mostrar aqui,segundo estatísticas do IBGE
    branco casado com branca=75,3%
    negro casado com negra=39,9%
    pardo com parda=69%
    índio com índia=65,4%
    amarelo com amarela=44,2%

    • Fernando, te ajudo a completar as estatísticas:

      negra com branco (pelo menos no BRASIL): 0,0%
      negro com branca: 75%

      Tudo por auto (observação pessoal)….

      Eu ainda defendo a mistura dessas etnias entre si, indígenas com brancos, negros, orientais mestiços e negros com todos esses. Ficar cada um no seu quadrado não vai erradicar o racismo e a tal Síndrome de “Cirilo”, só vai reforçar a ideia nazista e radical de que “lugar de negro é com negro e branco com branco”, é a mesma coisa em dizer que bissexuais só podem ficar, se relacionar e ter amizade entre si, meio egoísta e extremamente limitado isso, né…. é isso mesmo que vcs querem??

    • Dany Lively, te ajudo a refazer suas estatísticas sobre o Brasil com meu depoimento pessoal, afinal meu pai é branco e se casou com uma negra, que vem a ser… minha mãe!

  33. Concordo com você que existe um padrão de beleza que exclui a mulher negra. Concordo também com a existência de homens e mulheres preconceituosos na própria comunidade negra. Em meu mestrado discuto um pouco sobre essa questão de o discriminado voltar contra si mesmo o discurso do opressor. Só não vejo que isso possa levar a uma “solidão feminina negra”. Acho que sua ideia leva a um caminho sem saída: se o homem negro casa com uma branca, ou uma mulher negra casa com um branco, eles portam essa síndrome e pronto? Não é uma forma estreita de ver as coisas? Se um homem branco casa com uma negra é por conta da sensualização da mulher negra, se uma mulher branca casa com um negro, é falta de opção? Homens negros e mulheres negras só podem casar com pessoas também negras? Machado de Assis era mulato e casou-se com uma portuguesa de pele clara. Enfrentou a família dela e viveram juntos e apaixonados por décadas. Posso parecer ingênua aqui, mas amor também deveria entrar nessa equação, não?
    Infelizmente, encontrar um parceiro não é tarefa fácil para nenhuma de nós, mulheres. Quem de nós quer casar um cara racista, machista ou que só valoriza a aparência, seja ele branco ou negro? Sem falar na questão da idade, que também influi no quesito “beleza feminina”… Casamento ficou mais difícil, porque a mulher também têm outras opções. E eu acho que isso é bom. Que os relacionamentos somente ocorram quando as duas pessoas realmente têm esse objetivo é um grande avanço.

    • É exata,ente o que penso, Stella. Não acho que sejamos obrigados a somente arrumar parceiros (as) negras pela “segurança” de não sermos discriminados, desvalorizados, mas sim por gostar, sentir atração, mesmo. Contudo, percebo que a reclamação vem de grande parte das mulheres héteros em relação aos homens, que parecem ser grande parte do problema. Somente uma mulher lésbica insinuou que as mulheres também prefiram as parceiras brancas. Não sei, não posso responder pelos demais, mas na minha opinião, racismo é achar que tem que ficar cada um no seu quadrado, só branco com branco e negro com negro, não vejo problemas na miscigenação, é algo até bonito de se ver, pelo menos para mim, e nos mostra que o preconceito e as barreiras de classe estão sendo superadas, pelo menos entre algumas pessoas que sustentam esse tipo de relação (inter-racial) sem o menor problema. Quem gosta jamais sentirá vergonha de ser visto com alguém diferente de sua etnia, pelo contrário, será motivo de orgulho para si saber apreciar o “diferente”.

    • O texto não é sobre relacionamento inter-raciais (de forma generica) é sobre homem negros que bem sucessidados que para se sentirem aceitos no meio social pegam como trofeu, mulheres brancas pq acreditam que isso é uma forma de ascenção social.

  34. Mabia, parabéns por estas palavras, você não traduziu só a realidade brasileira mas também a realidade negro-relações em geral… Eu sou negra, cabelo crespo e ANGOLANA e sempre oiço pessoas dizerem e a fazerem coisas que me fazem ter realmente pena de mentes tão pequena que contribuem para o desrespeito ao negro. Num país em que o favoritismo por pessoas de “pele clara” por vezes é o óbvio (postos de trabalho, na escola, até em baladas).

  35. Gostei bastante do seu artigo, porém acho que ele carrega um conceito um tanto atrasado, no que tange as relações inter-raciais. Eu me sinto atraído tanto pela mulher branca como a negra. A questão que existe um radicalismo dentro do movimento negro, que sempre criticou essas relações, que são relações normais.

    • Daniel, tudo que é normalizado passa por dois processos: o de naturalização e o de normatização. O que você me diz ao escrever que a relação inter-racial é “normal” é que ela está tão banalizada e diminuída de significados e contextos, que passou a ser regra e não exceção.

    • daniel peixoto,relações inter étnicas,são exceção , a maioria das pessoas preferem se casar com pessoas da mesma cor ,com exceção dos negros que a regra é casar com pessoas não-negras,e exceção é casar com outro negro,leia o livro virou regra??de Claudete Alves.

    • Tem um estudo do IBGE que saiu acho que 2012, e ele fala que os brasileiros preferem casar entre pessoas da mesma cor (brancos + brancos +/- 75%) mas que entre os negros isso não acontece. E sendo isso um desvio pq o normal é pessoas querem casar com seu iguais e não com seus diferentes, construções sociais, feitas na infância que permancence qdo adultos. Qto a materia acretido que não é sobre relacionamento inter-raciais (de forma generica) é sobre homem negros bem sucessidados que para se sentirem aceitos no meio social pegam como trofeu, mulheres brancas pq acreditam que isso é uma forma de ascenção social.

  36. Gostei do artigo, contudo a preferência por parceiros brancos está igualmente – muito – presente nas mulheres negras também. Infelizmente é a pura verdade!

    • É a realidade da nossa sociedade, mas apontar um ou outro não vai resolver a questão. O ponto que eu toquei, nesse texto, é o da síndrome de cirilo, apenas, mas esse assunto é bastante amplo e temos vários textos aqui no blog que o discutem.

  37. Na minha opinião assistir menos tv, menos de 1 hora por dia resolveria noventa por cento dos problemas………..o restante se resolve frequentando lugares em que a maioria das pessoas são negras….

    • Cristiano, eu já não assisto TV há anos. Aquilo lá é lixo puro. O pior é que está acontecendo a mesma coisa com a internet. Aquele Facebook, por exemplo, virou uma porcaria. Todo mundo querendo ser o que não é para ser aceito e respeitado. Comédia total! Acho que no geral o povo brasileiro tem complexo de inferioridade.

    • Tem mesmo, Carlos, um complexo de vira-latas gigantesco. Mas Cristiano, criar uma bolha onde não se seja afetado por nada é impossível, se vivemos em sociedade. Meu filho não vê, mas o filho do vizinho vê. E como faz para que, ainda que a maioria seja negra, não sejam todos colonizados e a menina de cabelo alisado tire um sarro da menina de cabelos crespos?

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