Foto: falacultura.com.br Feministas protestam contra a música 'Trepadeira' em frente à casa de show onde ocorria apresentação de Emicida

Por Larissa Santiago e Zaíra Pires para as Blogueiras Negras

Escrevemos a quatro mãos porque a porrada foi forte. Escrevemos porque não conseguimos parar de pensar em feminismo, violência, opressão. Sim, Senhor Emicida, diferente do que você afirmou nessa entrevista, a gente (as duas blogueiras que assinam, toda a comunidade Blogueiras Negras e todo um coletivo de mulheres, negras ou não, que se sentiram violentadas com sua música e que combate machismo e racismo TODOS OS DIAS ostensivamente) nunca parou de “falar no tema”. Violência, assédio, morte e misoginia são nossas pautas de todos os dias – e quem sabe do que estamos falando vai vir aqui comentar e dizer o quanto esse assunto mina as nossas conversas e bate papos informais. E isso só acontece, meu irmão, porque esse assunto nos incomoda, assim como a ‘Trepadeira’ incomoda Luana, assim como nos incomodou sua entrevista e cada palavra em sua resposta no vídeo.

Em que momento dizer que ‘Trepadeira’ sugere violência contra a mulher é distorção? Se dizer que uma mulher que tem comportamento sexual livre e autônomo deve apanhar não é violência contra a mulher, então me diga o que é.

É só observar a letra:

Minha tulipa, a fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa
Tru, azeda o caruru
E os mano me falava que essa mina dava mais do que chuchu
(Eita nóis, aí é problema, hein, cê é louco)
[…]
Merece era uma surra de espada de São Jorge
Um chá de Comigo Ninguém Pode

Difícil é entender qual parte da letra não perpetua o machismo. Difícil é conseguir destacar uma frase para ilustrar esse post. Dava para colar toda a letra, um festival de juízos de valor moralistas e equivocados contra uma mulher de sexualidade livre, que não se sentiu na obrigação de pagar uma dívida de fidelidade a um homem que estava “dando sol e água” a ela. Conhecemos de longe essa relação de que, se o cara paga a conta, temos que transar com ele, ou seremos tachadas de piranha interesseira. Se bem que, mesmo que transemos, seremos chamadas de piranha, porque “cedemos no primeiro encontro”. Se o cara é legal, temos que ficar com eles, só com eles, obrigatoriamente? Que século é hoje?

Dizer que Dicró e Moreira da Silva compunham letras machistas não o isentam, Emicida, pela sua composição. Felizmente, estamos, como seres humanos, em um processo contínuo de aprendizado, e uma das nossas principais ferramentas para isso é observar o passado e NÃO COMETER OS MESMOS ERROS que nossos antecessores. Se outros artistas foram opressores nas suas obras, isso não é premissa para que o sejamos, mas, pelo contrário, tendo a oportunidade de analisar criticamente suas produções, devemos buscar não repeti-las.

Você sabe, meu caro, a música – tal como as artes todas, a publicidade e o humor – não está acima do bem e do mal. Não há canção “descompromissada”, afinal ninguém compõe em Marte para avatares, não é? A música é feita em um momento histórico, sobre um contexto, e valida determinado juízo de valor. É formadora e validadora de opinião e seu discurso pode ser mais danoso conforme está na boca de pessoas que tem apelo coletivo, como você tem com relação aos nossos jovens negros e pobres que não encontram voz e identidade em outros espaços.

Lembra de quando você utilizou esse mesmo argumento pra criticar os quadros de humor da Rede Globo e dos humoristas? A arte tem seu papel social e é exatamente assim com o Rap, que é compromisso (como já dizia nosso querido Sabotage). Não se faça de bobo e meta os pés pelas mãos ao querer tornar isenta sua poesia só porque ela é sua e tem como chanceler Wilson das Neves.

E quanta má-fé existe na oposição entre machismo e feminismo como se fossem duas forças iguais e opostas? Machismo é opressão do gênero feminino pelo masculino e toda uma sistemática que colabora para isso. Feminismo é um movimento de igualdade e libertação desses padrões de gênero. Um oprime e o outro liberta. Em que momento eles são equivalentes? Usar esse argumento, se não é ignorância, só pode ser má-fé. E no seu caso, ficamos com a segunda opção.

E claro, apesar de serem as mulheres as vítimas da violência machista, quem somos nós para apontar o machismo onde quer que seja? É isso que você diz quando afirma que Luana – e todo o contingente de mulheres negras que ela representa e que estão indignadas com sua produção – só te fez essa pergunta porque ela não entendeu a música. Nós nunca entendemos nada mesmo, não é? Mulher não foi feita para entender, afinal, foi feita para enfeitar e apanhar. Aliás esse é o argumento do opressor quando a gente identifica racismo, lembra? Será que você pode identificar relação entre essas falas ou ainda vai dizer que estamos loucas?

É incrível como cada uma das suas palavras nessa entrevista, cada uma das suas frases, resulta em mil argumentos diferentes para tentar explicar o quanto sua música é machista e o quanto sua resposta é arrogante, cruel e opressora. O Rap é machista como toda a sociedade é machista? Foi mesmo da sua boca que ouvimos isso? Quer dizer, “fodam-se as mulheres, nossas companheiras de luta, metade da população do país, boa parte das consumidoras do meu trabalho. Isso não importa, porque a gente é machista mesmo. Aliás, nosso machismo veio do leitinho da mamãe, somos inocentes nesse assunto”.

Porque precisamos ouvir isso de você? O quanto entristece, fere e magoa ver um dos nossos perpetuando esse discurso violento, displicente e desonesto a respeito da nossa luta. Nossa voz serve para engrossar seu coro mas não serve para gritar nossas próprias demandas?

Outra coisa que é bom escurecer: falar que as mulheres “permitem que o machismo exista” é a mesmíssima coisa de dizer que “os próprios negros são os maiores racistas”. Essa é a estratégia do machismo como sistema: fazer a gente acreditar que as mulheres são os maiores vetores da opressão (e por isso os piores). A gente não acredita nisso e nem vai permitir que essa ideia se propague. Nós somos vítimas, somos parte do jogo, mas não queremos mais ser essa peça manipulável e é justamente por isso que estamos aqui criticando ‘Trepadeira’, desnaturalizando a violência, analisando e desconstruindo seu discurso. Se sua mãe, assim como as nossas, te ensinou algo que está de acordo com o machismo é porque ela não teve escolha – nem mesmo sabia porque estava fazendo. E isso não te dá direito nem imunidade de ter atitude machista (não queira jogar nela a culpa e responsabilidade da sua poesia).

Nosso discurso não tem seriedade? Sério é você, que grava essa música danosa e vem dizer que é brincadeira? É você que está combatendo o machismo por nós? Pois então CALE A BOCA! Cale-se, porque, além de sermos as protagonistas da nossa luta, não precisamos do seu discurso distorcido e desonesto para dizer o que devemos ou não pensar, pelo que devemos ou não lutar.

O machismo tem sido combatido com seriedade e questionar o que nos é imposto não é brincadeira – a não ser que você esteja de brinks no rap, fazendo poesia só por diversão! O que a gente combate é o machismo, ninguém quer destruir, crucificar ou apedrejar Emicida, não mesmo, o objetivo não é você, nosso foco sempre foi e sempre será o sistema. O que gostaríamos de ver mesmo é um sincero pedido de desculpa e admissão do erro cometido (coisa que não aconteceu até hoje).

Você não precisa escrever um rap contra homofobia e por nele versos que exaltam a diversidade sexual, basta não fazer uma música homofóbica! Basta não “agredir” o duelista na rinha chamando ele de viadinho. Não precisa fazer um rap exaltando a mulher ou a luta feminista, basta riscar da sua carreira a música ‘Trepadeira’ e NUNCA MAIS cometer esse descabido ato de acreditar que o eu lírico te dá licença poética para ser feminicida. Lembre-se de onde veio, do seu compromisso. Ou será que você já está achando confortável ceder ao sistema?

Foto: falacultura.com.br Feministas protestam contra a música 'Trepadeira' em frente à casa de show onde ocorria apresentação de Emicida
Foto: falacultura.com.br
Feministas protestam contra a música ‘Trepadeira’ em frente ao SESC Pinheiros, em São Paulo, onde ocorria show de Emicida, em setembro de 2013.

51 Comentário

  1. Concordo: “uma música nunca é só uma música”! Ela vem recheada de simbolismos, defesas, criticas, e incitações em relação a determinadas situações. Aí ele diz que o cara quer sair dessa vida e quer uma mulher pra casa e não essa mulher “cachorra”…. Nossa nada de machismo!!! Quer dizer o cara pode ter quantas mulheres que quiser mas se a mulher quiser ter vários caras, sair daquela velha teoria que mulher tem que lavar, passar e cozinhar, ela é taxada, deteriorada, marginalizada e isso não é racismo… E o máximo que consegue dizer é: “não, eu não acho que ninguém deve apanhar, cara!” Nossa isso foi triste demais!!! Desculpem-me mas não posso falar muito de RAP pois quase não ouço mas as músicas que vejo amigos ouvirem sempre em sua maior essência é completamente machista!!!!

  2. Ele quer dinheiro e foda-se tdo resto, como foi dito no fim do texto ele tem grana e está confortável cedendo ao sistema ridículo. É por causa desse bosta que muitas pessoas julgam mal RAP, com o perdão da palavra ele é um FDP. Só faz rap pra playboy, o que deveríamos esperar dele? Nada de diferente o que me preocupa é deixar que um zé ruela desses ganhe voz dentro de um movimento tão bacana que é o rap.

  3. Há muito tempo eu tenho sido benevolente com as atitudes do Emicida, suportando todas as desculpas o rap “precisa ser disseminado” e “bla bla”. O texto e comentário da moça do video foi muito denso, sinalizou o impacto que a música trouxe para a mulher.

    O rap é o porta voz da sociedade, da “minoria”, confesso que me identifico com o estilo musical.Mas muita coisa precisa mudar, por exemplo, as músicas . Vale ressaltar que a mulher mudou, mais ainda vivemos presos ao mesmos conceitos.A feminista é chata, mala, mal amada é o que eu ouço por ai e é triste,, pq precisamos quebrar esses conceitos e protestamos contra essa música horrivel.
    A

  4. Não desgosto do Emicida que tem uma trajetória no rap e até então vinha fazendo um bom trabalho…não acompanhei suas participações nos programas da grande mídia e portanto nada posso dizer sobre,contudo a música trepadeira é sem dúvida machista e ofensiva demais,é triste que alguém com uma trajetória no rap,um exemplo para os jovens claro,mas que canta ou cantava a nossa realidade,do preto,pobre,favelado…agir desta maneira,fechando os olhos para a realidade das mulheres,fingindo que o machismo não existe,ou tentando,através da obra de outros compositores se justificar…lamentável a posição do rapper e espero que ele se retrate!Às Blogueiras Negras todo meu carinho,blog inspirador,esclarecedor,que acompanho sempre!Parabéns pelo texto e pelo excelente trabalho que vem realizando!

  5. O cara se vendeu….disse que defende as comunidades e tudo mais, e cantou no sorteio dos grupos da Copa…Copa essa que está desalojando várias destas comunidades que tanto ele diz que defende….e ainda quer se fazer de vítima dizendo que “pegaram ele para santo”….putz, uma super decepção, admirava o trabalho dele mas essa música não há explicação que salve, está muito nítido o que eles querem dizer com ela! Excelente texto o do blog e excelente pergunta a que a rapper fez para ele…

  6. Que texto lindo, bem escrito, deixando claro que não se esta apedrejando um em particular e sim uma atitude ultrapassada de nossa sociedade, fiquei arrepiada!!! Não conhecia o blog, li o texto a convite da Zaíra e pode ter certeza que passarei por aqui sempre!!! Vcs estão de parabéns!!!

    • Ah, que gostoso!

      Obrigada por dar crédito, e venha sempre que quiser. Sempre tem coisas boas por aqui.
      Bjs

  7. Foda. Mas isso, infelizmente, não me surpreende, porque o preconceito é transversal, está em todos os lugares, tanto no Centro quanto na Periferia. As classes pobres têm como modelo a classe rica, de modo que estas tentam sempre incutir neles os mesmos preconceitos que, em última instância, são nocivos aos próprios favelados. Assim, há preconceito racial contra o negro, porque aqueles que criaram tal coisa são brancos da classe rica e incutem na favela este mesmo preconceito, e de forma tão forte que os próprios negros favelados criam preconceito contra os de sua própria raça. Já vi um carroceiro negro xingar um outro também negro de “preto safado”. Assim com o preconceito de gênero: com efeito, os homens ricos nutrem preconceito contra as mulheres ricas e, por um mecanismo de transmissão, passam isso mesmo para a mente dos homens e mulheres pobres, e estes reproduzem tudo isto. Está aí um legítimo representante desse processo todo. É óbvio que a “explicação” dele não faz sentido, primeiro porque não d’pra defender o injustificável, segundo porque com certeza ele nunca parou pra refletir sobre isso, apenas aceitou tudo aquilo que ensinaram pra ele.

  8. A principio tentei olhar com bons olhos as investidas do emicida na mídia fascista e racista,imaginei q ele teria uma posição politica e tals,mais fikou claro o interesse exclusivamente comercial.Seu novo álbum é muito bom,mais a música trepadeira se mostrou lamentável,contraditória e repugnante – de fato.Parabéns pelo posicionamento pretinhas e muita força e proteção nessa caminhada. Axé e 4P

  9. vamos lá, em primeiro lugar quero deixar claro que, o Emicida não é perfeito, está longe de eu aprovar suas atitudes como artista, como rapper, como pessoa ou como ele conduz a sua carreira. Porem, ele tem direito civil e humano de seguir como o bem interessa.
    Sobre o trabalho: Eu odiei o trabalho antecessor do Emicida, por este motivo tive resistência em ouvi este novo trabalho, mas para poder falar mal eu escutei, e para a minha surpresa, classifico como nota 8. Ele resgatou o compromisso com a poesia neste trabalho, com a musicalidade e principalmente com o Samba.
    Sobre a música: Sim a música tem termos machistas, mas da mesma forma que eu já ouvi de várias mulheres enganadas, desiludidas e decepcionadas a frase “Homem é tudo igual”, é verdade que existe isso do lado de cá do rio, a música não é sobre TODAS as mulheres e sim sobre UMA mulher, nesta história contada, nesta especifica situação e neste especifico tempo narrado. Abordando do lado artístico, a música se apropria de uma situação comum ao Samba, conta histórias, é assim quando nos Sambas falamos de favelas, sofrimentos, homens e mulheres. Volto a reafirmar se trata de uma situação especifica com personagens específicos, por este motivo enxergo mais a arte e o Samba, ao contrário de quem enxerga o machismo. Cuidado com classificações para não enxergar o que se deseja ao invés do que existe de fato.

    • “Cuidado com classificações para não enxergar o que se deseja ao invés do que existe de fato.”
      Essa sua fala está carregada de interpretações e viézes. Quem decide o que é o fato e o que são as interpretações? De quem é o olhar certo e quem são os que enxergam o que desejam?

      Vale para você, meu caro, essa provocação, tanto quanto para nós!

      Não há verdades absolutas, ainda mais na arte, que sempre transcende o artista e sua intenção inicial.

      Dizer que “homem é tudo igual” é equivalente a dizer que “ela merece uma surra de espada de São Jorge” é uma falsa simetria. Nesse bordão feminino que você citou, não há, em momento algum, sugestão de violência.

      A música é machista no momento em que, a partir de um exemplo, valida esse comportamento violento. É uma música de um cara que se desiludiu com uma mulher e quer bater nela para ensinar-lhe uma lição. É uma música de um cara que sai fazendo juízos de valor sobre o comportamento sexual de uma mulher porque ela não quis manter uma relação de exclusividade com ele.

      Fato, a música fala de duas personagens, não de todas as mulheres e todos os homens do mundo. Mas a música naturaliza a violência, valida comportamentos violentos, banaliza, à medida em que ela denota que isso é normal. A música afirma que é ruim uma mulher que decide viver sua sexualidade da forma que bem entender, sem acatar a essa imposição social de que as mulheres tem que ser monogâmicas e quando encontram um cara que quer o mesmo, tem a obrigação de ficar com ele, sob o risco de ser, mais uma vez, rotulada com algum adjetivo que sugira que, ou ela é burra por não aproveitar um homem que não é igual aos outros, ou é promíscua, porque preferiu manter relações efêmeras a se casar com um cara que a quis. Como se, ainda hoje, o grande objetivo da vida de uma mulher fosse casar-se com um “bom homem”.

      Veja quantos juízos estão subentendidos nesse discurso de que o cara traído tem o direito de ser violento com a mulher, seja física ou verbalmente.

      E isso não é coisa da minha cabeça, é análise do discurso, sob a qual todas as artes passam. As pessoas interpretam o que veem e ouvem, e de alguma forma se apropriam disso pra sua vida. Ainda mais se o interlocutor é uma pessoa com a qual ela tem identidade, como o Emicida o é para milhares de jovens, tão carentes de outras referências que se aproximem do seu mundo, da sua linguagem, da sua realidade.

      É essa juventude que queremos? Repetindo esses valores moralistas, violentos, machistas?

      Uma música nunca é só uma música. Ele, como artista, tem a obrigação de saber disso e se responsabilizar pelo que diz, mesmo que em forma de poesia. Ou melhor, principalmente em forma de poesia.

  10. acho a música na verdade bem sintomática da reação frustrada de um homem frente a libertação sexual da mulher. ao invés de apagar a música de sua carreira, acho que o emicida devia pensar mais por aí, talvez a melhor resposta que ele poderia dar aos questionamentos justos que surgiram. ele já disse que não acha que nenhuma mulher merece apanhar, distanciando-se do eu lírico da musica. acho que o modelo em que foi feita a pergunta e a resposta não contribui para o debate. tenho certeza que sairiam coisas muito melhores se fosse direta e ao vivo a interlocução. ali, na hora, é natural que ele tente se justificar, e incorreu numa série de contradições. dificilmente ele conseguiria manter essa posição diante da perguntadora, e ia ter de corrigir-se. reitero que ouço a musica muito mais como a frustração pessoal de um desiludido do que como apologia ao machismo.

  11. eu achei bem ruim a música não sei como o wilson das neves participou disso, sei que ele não quis fazer uma critica como outros artistas já o fizeram! Pelo menos é assim que eu vejo essas musicas do álbum “o samba é minha nobreza” http://www.youtube.com/watch?v=MnhsulT6pwA eu vejo como uma clara critica contra bater em mulher e tudo mais!

  12. Acho que ele tá cedendo. Já viram as participações do Emicida nas vinhetas da mtv nova (é, a norte-americana, que comprou a mtv brasileira)? Ele tá lá o tempo todo. Dinheiro cega… Virou do outro lado. Boicote ao Emicida.
    Muito bom o texto!!!

  13. Como macho, branco e hétero concordo plenamente com suas palavras, Zaíra. Não podemos mais repetir, justificar e reforçar esses comportamentos que ainda trazem sofrimento (inclusive físico) a quem quer que seja. Peça desculpas Emicida, sua justificativa é aceitável, cresceu nesse ambiente machista e excludente, é fruto das mesmas distorções que todos nós também somos, mas não é uma desculpa. Agora que sabe disso, que está tudo explicado, peça desculpas e prometa que irá pensar também na dor na próxima vez, não só no porrete.

    • Christian, Guilherme e Rodolfo

      É tão feliz ver vocês aqui colocando palavras tão assertivas e reconfortantes!
      Que a gente consiga junto construir uma consciência de justiça em homens e mulheres.

      Obrigada pelas palavras

  14. Achei incrível a entrevista do Emicida, no início da sua falação, quando ele diz que a sociedade é machista e por isso está justificado o machismo no rap (excelente sacada da autora nesse texto em fazer uma ponte entre machismo e racismo, pois como ambos, o indivíduo que fala não é machista nem preconceituoso é sempre os outros); ele esquece totalmente qual é o papel do rap. O papel da transformação social para o Emicida não existe.Ou hora existe, hora não? Logo, o compromisso do Emicida e do seu rap qual é agora que alcançou de terminado sucesso? Viva Thayde, Dexter, GOG, Japão, X, Atitude Feminina, MV Bill (MV Bill (até ele) e tantos outros que lutam por um transformação social de fato, pois isso não é brincadeira.

  15. Emicida não representa o Rap Nacional, nem chega perto disso. Nenhuma mulher pode ser descrita dessa forma, no inicio me questionei e até me achei conservador, mais lendo a letra percebi que ser conservador e retratar a mulher da periferia dessa forma, voltamos a velha questão do machismo disfarçado, disfarçado nos meios de comunicação e principalmente na nossa sociedade brasileira, assim como o racismo, que pensamos não existir no Brasil, que pena, doce ilusão, entre em uma universidade publica e procure por uma aluno negro, você vai poder comprovar esse racismo.

  16. Emicida tenta se explicar, mas não consegue, pois ele tenta defender uma música que é machista, no sentido de dar a solução da violência para a “dor de amor” do protagonista. A pergunta da MC foi desconcertante para ele… Se era para falar de um cara que gosta mesmo de uma mina, mas acaba sendo deixado, seja por um, seja por vários, que da próxima vez ele se inspire em um mestre como Paulinho da Viola, que escreveu essa bela música quando de sua separação da esposa: http://www.vagalume.com.br/paulinho-da-viola/nao-quero-mais-amar-a-ninguem.html

  17. Péun!
    Representada até os dentes!
    Muito obrigada Larissa e Zaíra!
    E o cabra ainda vai subir ao palco num show de DIREITOS HUMANOS no dia 15, no Parque do Ibirapuera!!!!
    Não é possível que ele continue indo a público, com dinheiro público, bradar idiotices como esta!!!!

    • A gente é que agradece, Ana Paula!!!

      Tudo que eu adoraria era que ele tirasse a música do set list do show [ó sonho]

  18. na minha opiniao ele nao foi machista em nenhum aspecto, musica é liberdade de expressao… se voce nao é igual a mulher citada na letra nao tem por que levar a mensagem pro pessoal. Essas mulheres existem e musicas sobre elas serao feitas parem de se ofender com tudo que aparece!

    • Liberdade de expressão não significa sair bostejando por ai de forma isenta. Quer falar idiotice utilizando-se de um eu lírico machista? USE, mas depois não ache ruim quando receber inumeras reclamações, já que elas também parte dessa suposta liberdade de expressão.

      Além de ser muito conveniente para você, ó João, que venha nos dizer com o que devemos ficar ou não ofendidas.

    • Aí chega o cara e vem botar banca dizendo que a gente é que não deveria se ofender, maspoxavida, né Jão? Essas molieres que se ofendem com tudo! Não entende? Então procure entender: se a mulher quer dar pra quem ela quiser, QUE SE FODA MANO! O cara não tem direito de encher ela de porrada, nem de cometer nenhum – leu bem? NENHUM – tipo de agressão contra ela. 😀
      E sobre vir dizer o que é ou o que não é liberdade de expressão, entenda: todos são livres para dizerem o que querem, ouvirem o que não querem, mas sempre serão responsabilizados por seus dizeres. Traduzindo: não é porque é opinião que estará fora de julgamento. 😉
      É simples assim. /o/

  19. Sobre a música em si, fala sério, quanto nós mulheres passamos por esse tipo de decepção e tudo o que ouvimos é “Ah, homem é assim mesmo.”. Tudo o que temos a fazer é nos conformar. Pior do que a “música” em si são os argumentos que ele usa.

    E, olhando a letra, vocês repararam no trecho “Mas não, cê me quis salgueiro chorão
    *Costela de Adão, raspou os cabelo de Sansão*
    E tu vem, meu coração parte e grita assim
    Arrasa bi…scate!”
    Talvez seja ainda mais negativo do que enxergo, mas pra mim faz alusão a Eva, tirada de uma das costelas de Adão, “parte” dele”, cuja descendente, Dalila, traiu a Sansão de forma a facilitar sua tortura e morte. Muito ruim representar a qualquer mulher assim.

  20. Na boa, eu curto muito o som do Emicida porque está na letra da grande parte de suas músicas o comprometimento do rap, que é justamente o que o Tas: falou “melhorar a sociedade”. Mas me entristece saber que ele teve essa posição diante da “Trepadeira”. Uma pessoa que na infância viu a opressão e desigualdade social de perto não deve fazer o mesmo só porque alcançou o sucesso. A música é machista sim, ele foi super contraditório nessa entrevista, se complicou todo apenas para não assumir o erro, o que é muito mais digno e respeitoso para quem quer que seja. Espero “um sincero pedido de desculpa e admissão do erro cometido”. ACHO que você, Emicida, é muito mais do que um compositor por brincadeira, espero verdadeiramente que eu esteja certa.

    • Tenho a mesma opinião que você, Jess! Curto muito o som do Emicida também e é no mínimo bastante decepcionante depois dessa música (que, aliás, não tem absolutamente nada a ver com as outras composições dele nem tem conexão com o resto cd do qual ela faz parte), ouvir essa entrevista. Poderia no mínimo reconhecer o erro e se desculpar humildemente, cara.

    • “O Rap é machista como toda a sociedade é machista? Foi mesmo da sua boca que ouvimos isso? Quer dizer, “fodam-se as mulheres, nossas companheiras de luta, metade da população do país, boa parte das consumidoras do meu trabalho. Isso não importa, porque a gente é machista mesmo. Aliás, nosso machismo veio do leitinho da mamãe, somos inocentes nesse assunto”.

      Porque precisamos ouvir isso de você? O quanto entristece, fere e magoa ver um dos nossos perpetuando esse discurso violento, displicente e desonesto a respeito da nossa luta. Nossa voz serve para engrossar seu coro mas não serve para gritar nossas próprias demandas?”

      Arrepiei lendo isso. Foda. Triste mesmo.

  21. mais uma do emicida….. quando ele foi no esquenta (programa que apesar da globo e da ideia de que agora o povo está representado, acho masssa!!) e disse que não se importava com o que os “pioneiros” achariam da participação dele lá, que agora o rap não era mais intransigente percebi que ele não se importa com as trajetórias das outras pessoas, não valoriza o que já vem antes até de termos nascido… Ele se considera o precursor do rap, a voz… fala sério…. lutar contra nós mesmos nunca é vitória…

    • Primeiramente quero elogiar o blog, ele é de extrema importância.
      Sou homem, pensava que eu era feminista, mas aos poucos fui percebendo a quantidade de ideias equivocadas eu tinha, de conceitos construídos a respeito do assunto.
      Minha namorada é feminista e com ela desconstrui muitos dos meus pensamentos.

      E como chateia ver o Emicida usando argumentos no mínimo levianos, dizer que 70% dos MCs foram criados pelas mães, dizer que artistas do passado faziam esse tipo de poesia, como se isso fosse uma justificativa. E sim, existem mulheres machistas, o que também não é justificativa, elas são vítimas do sistema e é também por isso que as feministas estão lutando, para desconstruir toda essa merda histórica, de que de tão velha, um grande parte acha natural, normal.

      Deixo aqui, meu apoio a vocês mulheres, que lutam dia-a-dia.
      Força na luta!

Deixe uma resposta