Meu pai me perguntou por que quando outro dia fui perseguida por um homem dentro da universidade, fiquei desesperada, por que não me impus, não ameacei, como tantas vezes faço em outras situações. Também não entendo o porquê. Sei é que só penso em fugir, me esconder, guiada pelo medo. Medo de que ao enfrentá-lo, ele me desse um tapa na bunda e saísse dando gargalhadas.
  • Que texto lindo. Chorei… Me relembrou muita coisa d aminha própra vida:-(

  • Romina Borba

    Natália, eu já usei até aliança falsa (comprei uma de bijouteria folheada a ouro) e usava na mão direita (de noivado) e cada vez que era assediada falava uma história de um falso noivo diferente), só pra evitar assédio.

  • Natália

    Nossa… também já troquei de roupa, troco de calçada, já andei muito olhando pro chão, exatamente pelos mesmos motivos. No geral não gosto de ser olhada porque, normalmente, quando olham, o fazem com falta de discrição e porque me dá um certo medo. Às vezes até me pergunto se não estou paranóica, mas ainda prefiro me prevenir em qualquer situação.
    Infelizmente, esse tratamento desrespeitoso começa/acontece nas escolas. Aos meus 9 anos de idade, na 3ª série, tive dois colegas que adquiriram a mania de tocar nas meninas e lembro de ter batido e apanhado de volta também. Com o tempo eles pararam, mas não me lembro exatamente as medidas que a escola tomou (se é que tomou =/), só me lembro que eu não compreendia bem a situação ou o que eles pensavam e que me sentia constrangida. Ao menos minha professora nos deu algum apoio na época.
    O que muita “gente” finge não entender é que palavras machucam. Toques machucam e humilham, nos mostram muitas vezes indefesas. Olhares ofendem e relembram. Porque as palavras, toques e olhares nos lembram claramente como somos vistas por muitos, como quem vale no máximo como objeto sexual e não tem direito sobre sua vida.

    E… uns meses atrás, fui abordada por um homem que parece ter o dobro da minha idade, quando voltava da feira. Mesmo depois de um não (até menti que era casada), ele continuou me seguindo e isso começou a me assustar. Ele corria na frente, por outro caminho e ficava parado “me esperando” Num dado momento do trajeto, resolvi parar e esperar para “encara-lo” e me impor, morrendo de medo. E então, entre outras coisas, ele descreveu a primeira vez que tinha me visto, que percebi que já fazia muito tempo. Eu disse algo e outro não. Mas ele continuou me seguindo, indo por outros caminhos. Consegui despista-lo entrando num mercadinho, meu medo era que descobrisse onde eu morava. Depois de chegar em casa e pensar mais um pouco, percebi que era a mesma pessoa que já havia me abordado e insistido 7 anos atrás, quando eu tinha 16 anos! Fiquei com mais medo ainda. Fiquei semanas com medo e raiva por ele ter me seguido, evitando ir à feira naquele dia e horário. Com o tempo não o vi mais, mas caso me se aproxime novamente, terei de tomar alguma providência.