Não quero silêncio e nem promessas, estou cansada de ver o racismo assombrando e violentando nossos corpos há pelo menos quinhentos anos aqui no Brasil. Somos arrastados constantemente por correntes e presos a algemas de um sistema que tem o Estado como principal aliado na barbárie impetrada a nós todos os dias.
  • Thiago Teixeira

    Prezada Sheila, excelente texto. Sou negro e me sensibilizei com sua percepção no que tange ao descaso da sociedade com pessoas de etnia negra. A discriminação, o tratamento desigual em hospitais, escolas e empresas só diminuir quando houver ascensão da raça negra nos postos de gestão. Não temos representatividade política (é a realidade, negro não vota em negro), não se vê médicos negros, gerentes negros, executivos negros, governantes negros, delegados negros, etc. Já viu algum piloto de avião negro? Enquanto a raça ariana perpetuar no poder, por mais “bonzinhos” que sejam, educados, humildes, mente aberta sempre estaremos as margens da sociedade e sem oportunidade alguma. Não sou exemplo pra ninguém, mas trabalho como gerente de obras, engenheiro, nunca na minha vida selecionei pessoas pela cor, e sim na capacidade de realização de cada um. Mesmo assim recebo piadinhas de colegas de outros projetos dizendo: “Para entrar na equipe do Thiago tem que ser preto”. “Thiago é um tarado, só tem mulher na obra dele”. Aquilo me indignou, e desde então passei a reparar na cor e sexo de meus encarregados, topógrafos, administrativos, almoxarifes, apontadores, enfim fim, de todos os meus líderes. Realmente uma grande parte é negra e há mulheres em postos que tradicionalmente são ocupados por homens. Todos, eram auxiliares, tinham muitos anos de empresa e nunca tiveram oportunidades, porquê? Eram geridos por branquinhos, machistas, racistas e preconceituosos. Mudei o uniforme deles (as), salários, e hoje são cobiçados pelos mesmos gerentes de obra que nem olhavam no rosto deles em suas obras. No caso das mulheres, a intensão era outra. Carpinteiro (a), armador (a), pedreiro (a), ajudante que sabe ler desenho, tem liderança, facilidade com informática eu dou oportunidade mesmo e quero nem saber a sua cor ou sexo. Todos tem capacidade, não existe, na minha concepção, superioridade de raças ou sexo em nenhuma atividade, e o racismo existe sim. Brancos são preferência sim. Empresas contratam líderes branquinhos sim senhor, gerente de banco restringem empréstimos a casais negros sim, e nem me venham falar que negros com diploma tem tratamento diferenciado que é mentira. Faltam coragem e ousadia nas pessoas em deixarem o preconceito de lado e darem oportunidades iguais a todos (as).

  • Suéria Dantas

    Não sei o que pensar e nem como agir… Gostaria de saber o que fazer de fato para produzir mudança, mas, depois desse episódio, sinceramente, me sinto impotente. Nesse momento só há o mal estar, uma revolta, a tristeza e um enorme sentimento de que tudo que sofri e sofro não servirá de nada se em algum lugar uma mãe negra continua lembrando-nos do quanto ainda somos cativas. Me vem em mente agora uma entrevista que assisti em um programa de esportes semana passada com o cantor Jair Rodrigues, onde ele falava que nunca sofrera racismo no Brasil, por um momento pensei: Meu Deus! Em que tipo de universo paralelo esse senhor vem vivendo aqui no Brasil ? Será que ele não enxerga o genocídio explícito que assola o nosso povo a mais de quinhentos anos? A que nível de alienação chegamos para termos a ideia de que o problema é exclusivo da família da Cláudia e de tantos outros violentados diariamente. Aqueles que tiveram mais sorte (porque é sim questão de sorte) deveriam tomar consciência e exercer o seu papel social, utilizando os meios de divulgação para promover um pais mais justo com todos nós, e não contribuir com mais desserviço e “cegueira conveniente” perpetuando os grilhões que persistem através dos séculos aprisionando o nosso povo.

  • Forte e emocionante! Cheio de verdade.
    Não, não somos livres, não nos fora dada jamais a alforria.

  • Quel

    E como dói, vamos rezar e agir POR NÓS, sempre!

  • magno

    Nos espressar é importante. agora Vamos ajudar a familia da claudia. Na pratica.

  • fabio nogueira

    Quando o morro,o favelado e o população negra se revoltarem contra todo o sistema que oprimem, a maquina do Estado e os que a mantém irão repensar a maneira como nós devemos ser tratados.

    Burguesia classe média,aplaude atitudes da policia dentro das favelas. E o meio de proteção que eles tem(a burguesia). Ai eu,pergunto: Até quando vamos ficar calados vendo o povo negro sendo reprimido?

    Por isso defendo e defenderei a forma dos Black Block’s de atuar. Eles dão o troco contra aqueles que nos reprimem

  • Aline Araújo

    Agora seria hora de parar essa cidade, que de maravilhosa não tem nada para quem mora fora da Zona Sul de Manoel Carlos. Hora de abandonar certos rótulos e de unir a sociedade civil na luta pela vida. Fiquei mal o dia todo com isso. Vi uma mãe negra com um bebê fofo no colo, brincando com ele. Chorei. Imaginei 1000 coisas. Pensei que aquela criança provavelmente seria morta quando fosse jovem. Pensei que aquela mãe poderia ser a Claúdia. Pensei que não quero colocar filhos nesse mundo. Me senti impotente. E acomodada. E o nó na garganta insiste em não sair. Esse racismo tem que acabar, esse preconceito social, idem. A PM, meu Deus, como pode agir assim? A imprensa, manipuladora, insensível e exploradora. Como pode numa página como Globo.com ter mais destaque para o BBB do que para essa barbárie? E essa exibição ilimitada das imagens da mulher sendo dilacerada? E a família? Eu já nem sei o que pensar. Vivo em uma casa confortável, fora da favela, e tenho medo. Sou formada, tenho emprego e estabilidade. E sou discriminada pela minha melanina. E desrespeitada como ser humano e como mulher. Fico pensando nos meus semelhantes que não tiveram a mesma oportunidade que eu e vivem como a Cláudia vivia. Já não bastasse o sofrimento natural pelas péssimas condições de vida, de saúde, de prestação/ausência de serviços públicos, há o “problema” de nascer fora dos padrões. A minha vontade é largar tudo para trás e sumir dessa cidade. Desse país. Desse mundo. Mas, não! Acho que é hora de reunirmos forças, vontades e esforços para mudar essa situação. Somos muitos e somos fortes. Ninguém liga para protesto de favelado. Ora, se nem gente eles são, não é mesmo??!!! Mas se iniciássemos uma mobilização englobando vários grupos, a visibilidade seria muito maior. Creio que, assim como eu, tem muita gente saturada. Essa pobre Cláudia, para mim, ao menos, representou a última gota d’água no copo! Que a morte e A VIDA sofrida, sem chances reais de mudanças, dela sirva de inspiração para a gente levantar o bumbum do sofá e iniciar ou consolidar uma desobediência civil!

  • Ticiane Caldas de Abreu

    Só não consegui entender o porquê seria um erro nascer preta. “Além do erro de ter nascido preta, mulher e pobre”