Nas décadas de 1970 e 1980 feministas negras como Angela Davis, bell hooks e Lélia Gonzalez já apontavam que a luta antirracista é indissolúvel da luta de classes. A recusa de feministas em reconhecer outras experiências de mulheres (que não as brancas, universitárias e de classe média) suprimiu a conexão entre raça e classe, escamoteando a situação de privilégio de um seleto grupo de mulheres forjado pelo discurso da “opressão comum”.
  • Renata Maria Franco Ribeiro

    Brilhante reflexão Marjorie. Excelente oportunidade para enriquecer nossas rodas de debates por uma educação antissexista por uma educação mais justa que prime pelo respeito e o exercício da cidadania.

    • Olá, Renata!

      Fico muito feliz com o seu retorno. Acho esse debate oportuno na atual conjuntura política que estamos vivendo, embora eu tenha escrito o texto há pouco mais de um ano. Seguimos na luta!

      Abraço.

  • Oi Marjorie;
    O texto é muito bacana! Creio que precisamos aprofundar nossos olhares para as formas que a raça define o gênero. E discutir as experiências de mulheres negras nos mundos do trabalho é um caminho essencial para tal aprofundamento. Sou historiadora e tenho um blog voltado para discutir as experiências de mulheres negras na primeira pessoa. Passa lá: http://pretasdotoras.blogspot.com.br/
    Um beijo e parabéns pelo texto,
    Giovana.

    • Que maravilha encontrar uma companheira de área, também sou historiadora. Vou dar uma olhada no seu blog agora mesmo. Muito grata pelo retorno, Giovana! Bjs

  • Carolina Santos Pinho

    Oi Marjorie.
    Parabéns pelo texto! A tematica do texto é fundamental principalmente para basear nossas reivindicações como a ampliação das vagas nas universidades e acesso a elas pelxs negrxs, indígenas e outras minorias que constroem as lutas cobtra opressão. Ninguém pode falar por nós, queremos o nosso espaço para fazer ecoar nossa voz. Não precisamos e/ou queremos falar através de ninguém.
    Mas no seu texto, fiquei em dúvida sobre a afirmação: “O capitalismo não crias as desigualdades raciais e de gênero, ele as apropria”.
    Segundo essa afirmação, poderíamos concluir que não é necessário acabar com este sistema econômico. Ou seja, poderíamos “modificar” esta característica do capitalismo que teríamos um sistema mais brando.
    Fico em dúvida se não seria mais preciso dizer que o capitalismo se apropria e resignifica as diferenças?
    Afinal, diferença e desigualdades são categorias diferentes.
    Mais uma vez, parabéns pelo texto.
    Abraços.

    • Carolina, obrigada pelo questionamento instigante! Em relação a sua dúvida, o texto propõe justamente o contrário, creio que você tenha isolado a frase. Não existe a menor possibilidade de haver um capitalismo mais brando, é um sistema que sobrevive da exploração, é totalmente perverso. A questão é que racismo e sexismo podem existir em outros contextos de organização econômica não-capitalistas. Significar dizer que, mesmo se o capitalismo deixasse de existir como sistema econômico, não poderíamos garantir o fim de outras formas de opressão extraeconômicas. Não é do meu interesse induzir à ideia de “diferença” e “desigualdade” como sinônimos pois, obviamente, não são. Além de feminista negra, sou uma feminista materialista. Acredito na ideia de unidade nas diferenças. Um grande abraço.

  • O texto é muito oportuno, e também traz uma instigante reflexão sobre como aproximar produções científicas do nosso dia a dia de mulher negra pobre para assim buscarmos formas de emacipação que rompam com este sistema racista e sexista.

    • Que bom que gostou, Ivana! Penso na pesquisa ativista como algo que possa fazer essa aproximação. Muito obrigada!

  • Excelente texto. Me faz pensar na ilusão que mulheres brancas de classes privilegiadas tem reproduzido, quando se apegam num discurso pela “liberdade de escolha”, ao pensa na relação entre maternidade e trabalho remunerado. Liberdade individual é fundamental para avançarmos nos direitos das mulheres, mas sem uma consciência de classe ela é facilmente capturada pelo capitalismo, e seguimos reproduzindo desigualdades e ignorando o racismo.

    • É necessário vislumbrar outras possibilidades de emancipação que não estejam fundamentadas em ideais liberais. O capitalismo se utiliza do racismo e do sexismo para tornar a força de trabalho de mulheres, negros e, principalmente, de mulheres negras mais barata. É preciso desconstruir a definição de emancipação (faço minhas as palavras de bell hooks) como a obtenção de igualdade social com os homens brancos da classe dominante. Grata pelo retorno, Carolina!

  • Obrigada, Aline! Como havia dito no meu perfil no Facebook, o tema carece de um debate amplo e há uma atual e insistente rejeição em se pensar as conexões entre capitalismo e questão racial numa perspectiva de gênero, veja pela baixa receptividade a qui mesmo no blog. Como ignorar a materialidade das condições de vida de mulheres negras? Creio que o conceito de interseccionalidade, como tem sido pensada pelas femininistas negras norte-americanas, é uma ferramenta que devemos usar na nossa prática e na nossa produção de conhecimento.

  • Aline Matos da Rocha

    Muito bom o texto Marjorie! Interessante e reflexivo (que é justamente esse o convite, mas para além da reflexão acho que o texto é propositivo) a questão da apropriação do capitalismo das desigualdades raciais e de gênero. O que você colocou é perfeito no sentido de que temos de ter o olhar atento para isso, por que senão se dilui. Somente uma categoria, pensemos raça, não explica tudo, classe tampouco, dentre outras. O texto também é um alerta para nós (falo do meu lugar de mulher negra), senão vemos tudo como uma questão de raça, e há outros elementos. Senão caímos em um essencialismo, que para mim é muito perigoso. Gostei!