​Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora feminista nigeriana. É autora de três romances publicados no Brasil e um livro de contos. Sua palestra intitulada “Sejamos todos Feministas” foi transcrita e lançada em forma de livro. É uma autora de grande prestígio e de reconhecimento internacional. Em grande parte de sua obra, a autora aborda questões raciais, feminismo, efeitos da colonização europeia na cultura africana e aspectos da cultura igbo, à qual pertence. Chimamanda também dá oficinas de criação literária em Lagos, onde mora.

Sua publicação mais recente, “Para Educar Crianças Feministas – Um manifesto”, é uma obra relativamente curta que possui 15 sugestões exemplificadas de como contribuir para uma educação pauta pelo feminismo, ou seja, pela igualdade de gênero, sem reprodução de estereótipos que tentam limitar os universos considerados feminino e masculino.

No começo da obra, Chimamanda diz que as sugestões que propõe visam atender ao pedido de uma amiga que gostaria de saber como educar uma criança feminista. A autora inicia dizendo que as mulheres não devem carregar o fardo da perfeição nem serem definidas apenas pela maternidade, ou seja, que não só podem como devem desempenhar outros papéis que contribuirão não apenas para seu bem estar, mas também como exemplo para sua prole.

​Chimamanda também aponta a importância do papel do pai na criação dos filhos, mostrando que eles não devem se colocar no papel de quem ajuda, mas assumirem a responsabilidade que lhes é devida na criação dos filhos como parceiros, não como auxiliares. Ela também mostra que o casamento deve ser visto como uma opção, não como um prêmio, mentalidade que leva a sociedade a encarar a mulher solteira como uma fracassada.

Falando sobre os papéis de gênero, ela aponta que meninos e meninas não devem ser definidos por cores, profissões, nem por brinquedos específicos, mas que todas as possibilidades devem ser exploradas de acordo com os interesses de cada um, que não devem ser limitados por estereótipos que buscam definir o que cada um pode e deve fazer.

Chimamanda mostra como é importante parar de ensinar às meninas e mulheres que elas precisam agradar sempre, serem sempre dóceis, bem comportadas, e que devem desempenhar um papel de submissão, ao passo que aos meninos e homens é permitida a rebeldia, a liberdade sexual. Ela mostra que os valores mais importantes a serem ensinados não têm gênero, porque são valores que todos devem aprender como a honestidade, a coragem, a autonomia, a autenticidade, entre outros.

A autora mostra a importância da autoestima, enfatizando que devemos ensinar as meninas a gostarem de si mesmas como são, entendendo que há diversos tipos de beleza e que não devemos sofrer para nos enquadrar a um determinado tipo de padrão que é considerado mais aceitável na sociedade. O autoamor nos liberta e não permite que aceitemos que outros nos tratem como objetos.

Ao longo das diversas sugestões que fornece ao longo do livro, a autora nos faz pensar na nossa própria educação e nos faz questionar padrões de comportamento que um dia talvez tenhamos visto ou ainda talvez vejamos com naturalidade hoje em dia. A nossa libertação começa pela educação, que resulta no nosso empoderamento e nos intrumentaliza para a luta contra o discurso que legitima a desigualdade de gênero.

Dessa forma, podemos propor para as crianças, independentemente do nosso grau de parentesco, uma educação libertadora, que não as limite de forma alguma, mas que permita sua livre expressão, sem cobrar delas um determinado padrão de comportamento de acordo com seu gênero, mas de acordo com sua essência.

Imagen destacada – Chicacoza