Naquela semana a equipe faria o levantamento poucas quadras da nossa casa. Descíamos e subíamos segurando um mapa. Era casa beirando a praça, caminhos de terra até um córrego e poucas ruas sem saída.

– São quatro pessoas morando aqui.

– Tudo bem, mas e ali ao fundo?

– Ah, mais duas moças inquilinas, irmãs. Já ia me esquecendo que nasceu o bebê de uma delas!

Na minha cabeça – a de uma criança cheia de perguntas – não era legal tocar a campainha de todas as casas. Quero dizer, não era legal tocar e esperar aparecer alguém. E poucas tardes depois, ao perceber que cada casa era diferente, de uma em uma eu ia apostando comigo mesma quantos morariam após o muro seguinte.

Um sobe e desce de gente em um bairro qualquer de São Paulo.

De passagem vi uma praça sendo reformada, o carrinho de feira empurrado escadaria acima, partes de carros jogadas em um canto e uma perua escolar descendo por uma viela muito estreita enquanto todos esperavam. Não passava mais ninguém.

Apesar de ser muito divertido apostar e perder ao ver uma senhora chegar mais rápido que um jovem adulto ao topo da escadaria. Buscar hoje o olhar de enquanto sentada na calçada via minha mãe trabalhar no recenseamento para o Censo de 1990, tem um propósito. Reconhecer estas  diferenças, quanto tudo o que eu poderia esperar era mais próximo que um talvez.

E nestas diferenças, existem pessoas que percorrerão os mesmos caminhos de modos e tempos diferentes. Entretanto percursos e caminhos que na teoria deveriam ser igualitários sabemos não o ser.

A mobilidade urbana é a condição em que são realizados os deslocamentos de pessoas e cargas de um ponto a outro.

Dentro desta condição há diversas modos de se fazer os percursos, entre eles: o transporte motorizado individual; transporte motorizado coletivo e os não motorizados, como o de bicicleta.

Aqui falaremos do percurso a pé.

Quando nos deparamos com este termo “a pé” devemos saber que existem: A pé, de muleta, a pé enquanto jovem, idoso, criança, com carrinho de bebê, grávidas etc. Ou seja, apesar deste termo, este “a pé” não é tão a pé assim.

A mesma passagem sob ferrovia, São Paulo, 2007 e  2017.

[Descrição foto  01  – As duas fotos coloridas acima têm dez anos de diferença entre elas e foram fotografadas por mim. Nelas, uma passagem sob ferrovia. Na primeira vemos crianças uniformizadas e mochilas atravessando-a. Do lado esquerdo, há comércio de frutas sobre caixotes dentro desta passagem, do direito outros caixotes, observa-se até um bebedouro. Na segunda foto, a passagem está mais escura, há a silhueta de um homem de bicicleta e de um outro homem caminhando. O percurso é curto, uns quinze segundos de ponta a ponta caminhando tranquilamente. Dependendo da incidência solar, a passagem fica mais sombria ao longo do dia]

Hoje os caminhos devem estar preparados para o maior número de pessoas. Mas afinal, existe entendimento para um desenho de mobilidade urbana aos grupos em situação de vulnerabilidade?

A Lei sancionada em 2015 de número 13.146, conhecida também como a “Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência” ou “Estatuto da Pessoa com Deficiência” em conjunto com a “Norma de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos” e correlatas, revisada também em 2015, estabelecem parâmetros técnicos para a segurança e autonomia das pessoas com deficiência em mobilidade reduzida em espaços.

Essas Leis e normas que ainda causam conflitos quanto a sua aplicação e conscientização para a inclusão de pessoas pelos profissionais de arquitetura e urbanismo em seus projetos também atendem as pessoas de mobilidade reduzida: “…aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e pessoa gorda. ” (BRASIL, 2015)

Portanto, em um país onde as pessoas envelhecem mais a cada década, há imensa contradição da pouca visibilidade e dos poucos programas e projetos de mobilidade urbana efetivos para estas pessoas no Brasil.

Hoje, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), exige que a notação de responsabilidade (RRT) sobre projetos e obras emitida aponte que o profissional é responsabilizado diretamente ao projetar sem acessibilidade.

Página do “ A arte de Projetar em Arquitetura do Neufert” cuja primeira publicação é de 1936

[Descrição foto 02 – Página  do “ A arte de Projetar em Arquitetura do Neufert” cuja primeira publicação é de 1936 nela há em preto e branco desenhos  e detalhes]

Hoje os caminhos devem estar preparados para o maior número de pessoas. Mas afinal, existe entendimento para um desenho de mobilidade urbana aos grupos em situação de vulnerabilidade?

A Lei sancionada em 2015 de número 13.146, conhecida também como a “Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência” ou “Estatuto da Pessoa com Deficiência” em conjunto com a “Norma de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos” e correlatas, revisada também em 2015, estabelecem parâmetros técnicos para a segurança e autonomia das pessoas com deficiência em mobilidade reduzida em espaços.

Essas Leis e normas que ainda causam conflitos quanto a sua aplicação e conscientização para a inclusão de pessoas pelos profissionais de arquitetura e urbanismo em seus projetos também atendem as pessoas de mobilidade reduzida: “…aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e pessoa gorda. ” (BRASIL, 2015)

Portanto, em um país onde as pessoas envelhecem mais a cada década, há imensa contradição da pouca visibilidade e dos poucos programas e projetos de mobilidade urbana efetivos para estas pessoas no Brasil.

Hoje, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), exige que a notação de responsabilidade (RRT) sobre projetos e obras emitida aponte que o profissional é responsabilizado diretamente ao projetar sem acessibilidade.

Foto captada e disponível na tag #ecapacitismoquando –  Facebook

[Descrição foto 03 – Print de uma publicação do facebook  com os dizeres: #ecapacitismo quando acessibilidade é somente colocar a rampa. Se você pensa assim você tem a síndrome da rampa.]

Este é um exemplo, e existem outros, da busca constante de informações para um novo desenho. Segundo Bader Sawaia (2002), caracterizamos a “dialética exclusão/inclusão” nesta sociedade que exclui para incluir. Esta transmutação é a condição da ordem social desigual para reforçar que afinal, todos estamos inseridos de algum modo.

A busca de novas percepções para além da legislação dos profissionais que desenham e desenvolvem o espaço é obrigatória quando este também é agente ao projetar para a inclusão do maior número de pessoas.

Pessoas são diferentes. (Ícones não oficiais) – imagem  da web

[Descrição fotos  04  Símbolos em silhueta de pessoas diferentes. Ícones  não oficiais.]

Nota: O International Day of People with Disability  com esta tag #ecapacitismoquanto foi celebrado mundialmente  no dia 03 de dezembro de 2016.

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