Dessas que tem consigo um genuíno magnetismo, de força e brilho. Ela é sim uma jóia, dessas que talvez ainda não se tenha estimado o valor. Na verdade, saber o valor é o que menos importa, importante sim e lhe dar o valor. E ela própria, elevar-se em tamanho valor.
Rita é um território rico em possibilidades. De sua mente, de seu eu e até de sua incógnita.
A vi com um olhar inquisitivo enquanto a entrevistava, fiz dessa conversa/entrevista, uma espécie de teste de força. Uma força de ser. Mais do que isto, uma força em ser!
Rita de Cássia Maciel Monteiro é filha de Jerônimo Maciel Monteiro que foi trabalhador do Cais do Porto no Rio de Janeiro e de Adelaide Alves Ferreira Monteiro, cozinheira, in memoriam. Esta que nascida no Rio de Janeiro a 06 de Outubro, no bairro  Madureira, viveu em Maria da Graça e mexe com sua própria graça. E diga-se de passagem, a de muita gente. É uma artista de alma, pois vislumbra sempre possibilidades artísticas e culturais. A música e a arte estão ali, naquele ser.
Ela que dançou, encenou, fez projeto social no final dos anos 80 em Campinho Zona Norte do Rio de Janeiro, com o projeto Abadaya, onde junto à outras mulheres, subia o morro de turbantes onde levavam música, teatro e dança. Época de nenhuma referência da mulher negra, principalmente no principal veículo de comunicação de massa, a TV.
Rita também fez dança contemporânea e em 1985 entrou para o Bloco Afro Agbara Dudu localizado no bairro de Madureira, também na Zona Norte do Rio de Janeiro. Rita teve um momento de muita ascensão, quando teve a chance após um concurso que teve três meses de eliminatórias e aproximadamente 2000 inscritos, de se tornar a primeira VJ negra da MTV Brasil, na década de 80. Aos 23 anos, lá estava ela a apresentar um programa de Reggae naquela TV. Grande expoente de visibilidade, apesar de não ser na TV aberta, o que lhe daria ainda maior projeção.
Esta que no Rio, já foi governanta no bairro de Santa Teresa, garçonete no Jardim Botânico, teve a chance de ter sido escolhida dentre tantos inscritos para ser apresentadora na MTV.
Ela partiu pra São Paulo, onde a emissora americana havia montado sua sede, com sua graça e ousadia, também com sua força e beleza.
Após dois anos como apresentadora na MTV, o programa ao qual apresentava fora retirado da grade de programação e desde então ela já não mais atuou na TV. Não lhe foi dado espaço em nenhum canal da TV aberta no Brasil, diferentemente de alguns colegas de emissora.
A explicação mais clara e verídica é, o se não óbvio para alguns, o racismo vigente em território brasileiro, onde ao negro não é dada visibilidade. Nos anos 80, ainda pior, menos visibilidade.
Têm-se no Brasil uma sociedade extremamente racista. Apesar de todo discurso de miscigenação que adoram proclamar. Os indígenas, aqueles que não foram dizimados, vivem em alto grau de marginalização e ainda perseguidos, ultrajados. Os negros, discriminados, marginalizados, estão na esfera mais baixa da sociedade brasileira. Como dizem os versos da canção A carne, de Marcelo Yuka, Ulisses Cappelletti e Seu jorge: “A carne mais barata do mercado é a carne negra. Só cego não vê”.
Rita tem aquela coisa de quem nasceu pra brilhar, aquela coisa de pedra preciosa que ainda não fora lapidada em sua totalidade. Ainda tem mais por vir em brilho, em trabalhos, em estar em cena, presente, com força e fé.  Depois do período como apresentadora, seguiu a trabalhar com arte e cultura. O ano de 2000 foi um ano de grande mudança, foi quando mudou-se para Londres com sua família. Onde até hoje vive.
Disse-me ter um projeto, ou mesmo mais de um que intenciona executar, e aqui na Terra da rainha onde ama estar, pensa poder voltar ao cenário da cultura, do qual nunca deveria ter se afastado.
Rita é daquelas pessoas predestinadas a estar em cena, estar fora de cena, não condiz com sua pessoa, com sua potencialidade. É muito importante que se aprume em ideias e ideais. Taticamente, logisticamente, para potencializar seu valor.
Aqui fica a dica e que por aqui não fique, que se espalhe e neste espalhar se transforme em possibilidades pra esta carioca libriana de luz. Direcionar a luz é deveras importante, pois luminosidade mal direcionada, ao invés de enaltecer, pode sim, deixar ofuscado quem de luz é.
A ela foram oferecidos projetos para entrar novamente no cenário cultural, dentre eles o de trabalhar com o Jongo. O Jongo da Serrinha no Rio de Janeiro, que tombado como patrimônio histórico, deseja em sua direção se apresentar e se fazer conhecer pelo mundo. E fora a ela, esta que aqui vos apresento, que foi dado o título de embaixadora do jongo na Europa.
Nos últimos dois anos, Rita passou por complicações de saúde e foi preciso se submeter a uma operação de joelho, ainda assim, determinada a mudar sua vida com um dos mais apropriados trunfos que se pode ter, os estudos, começou a estudar e acaba de receber a menção de melhor estudante do ano, na instituição de ensino que está matriculada, o Islington College, no norte de Londres.
À Rita, saudações jongueiras, de samba, de musicalidade, de presença no cenário cultural.
Logo ela com aquele sorriso aberto, uma Rita deste tipo que balança mas não cai, em breve estará a nos presentear com alguma movimentação pelas bandas da cultura.