A escravidão no Brasil não acabou, apenas se disfarçou com o passar dos séculos. Se prestarmos atenção na arquitetura e nos apartamentos de luxo dos tempos atuais, podemos encontrar claramente o modelo de casa grande e senzala quando vemos o “quartinho de emprega”, um ambiente pequeno, escuro, as vezes sem janela, mal ventilado. Quando ouvimos queixas da parte das empregadas pelos abusos e o ato de desumaniza-las, cometidos pelos patrões, de não poder usar os talheres, de não poder comer a comida, e muitas vezes de não poder usar o banheiro… A escravidão moderna é ganhar 300 reais por mês para trabalhar 10 horas por dia em uma casa e ser tratada como um animal,mas para as visitas a insistência na frase clichê: “Ela é um membro da nossa família”.

Esse comportamento social no ambiente trabalhista se extende para o ambiente afetivo, pois essas serviçais são na maioria das vezes abusadas, assediadas e até mesmo estupradas pelos patrões como um animal que está ali não só para servir á toda a família como uma escrava mas também atender as necessidades sexuais de seus patrões e os filhos homens desses patrões. E esse assunto é absolutamente normal numa conversa machista de bar entre os homens, sobre como ele saciou suas necessidades sexuais com as tais empregadas. Visto que essa classe de mulheres cuja profissão é hereditárias, essa profissão está diretamente ligada aos descendentes dos escravos que não possuem a minima chance de ascensão social, as empregadas de hoje são filhas, netas e bisnetas de outras empregadas passado. E na mente masculina o homem jamais poderá assumir um relacionamento com essas mulheres muitas vezes negras, outras vezes mestiças, pois jamais seriam respeitados pelos seus amigos numa conversa de bar.

O homem branco da elite social brasileira não vai ousar admitir um relacionamento com uma mulher negra, descendentes dos escravos, eliminando assim mais uma maneiras dessas mulheres ascenderem socialmente, como muitas mulheres brancas conseguem, nascem pobres, muitas vezes estúpidas e ignorantes, e assim continuam na idade adulta, não procuram intelecto e cultura mas por causa de sua cor atender o padrão obrigatório social do homem brasileiro de formar uma familia, isto significa: cor da pele e cabelo como ÚNICO pré-requisito, AS BRANCAS EMBORAS NASCIDAS NA MISÉRIA, pelo simples fato de serem brancas conseguem mudar de classe social. As negras não. Afetivamente essa oportunidade de melhora de condição social não se extende ás mulheres negras e por isso a hereditariedade na profissão de empregada doméstica e a também hiper-sexualização das mesmas numa roda de conversa masculina.

O homem perderia seu poder e status se exibisse uma negra como esposa, mãe de seus filhos, e como isso é uma regra, quase que uma obrigação entre os homens de classe média, esse comportamento também é reproduzido entre homens de classes pobre e inclusive homens negros. Torna-se um status masculino: Ostentar uma esposa branca, escolher uma branca para formar uma família. O homens coloca as negras em outra” caixinha” em sua mente: Somente para Sexo.

A consequência desse ato são os relacionamentos extra conjugais que muitas vezes a amante negra é com quem o homem prefere passar a maior parte do tempo e o encontro com sua parceira social branca vai se tornando um estatuto, o cumprimento de uma obrigação, bem menos prazeroso, já que sua escolha foi baseada somente na raça, muitas vezes esse homem branco acaba se decepcionando com o passar dos anos com essa mulher branca que não lhe ofereceu qualidades reais digna de ele a amasse e então ele fora do casamento consegue uma mulher que ele consiga admirar, e queira muitas vezes passar a maior parte do tempo com ela, e em algum casos até tem filhos, outros filhos com ela, filhos esses mestiços, bastardos, totalmente ás escondidas, fora da imagem que ele exibe para a sociedade.

A ostentação da mulher branca como esposa torna-se um padrão, um símbolo de poder, copiado por homens pobres, inclusive homens negros, em pleno século 21 os requisitos sociais para um casamento não se baseia na personalidade e nas qualidades pessoais dessa mulher, que muitas vezes ela não apresenta. Eu costumo dizer que se a mulher de pele clara “pintar o cabelo de amarelo” no Brasil, ela não precisa nem ter caráter, uma das qualidades mais importantes,  e sim ela irá encontrar um parceiro que queira dividir sua vida com ela, e assinar um documento passando seus bens legalmente para ela, enquanto que a negra ou a mestiça com quem ele se diverte a maior parte do tempo, não terá esses direitos financeiros.

Inspiração – Preta Rara

Imagem de destaque – Capriess