Texto originalmente publicado em Tarja Preta

 

Eu queria realmente entender o que passa na cabeça de pessoas brancas que subestimam a inteligência de pessoas negras como se ninguém estivesse fitando essa articulação maliciosa.

 

Eu quero falar diretamente com aquela pessoa branca que nos usa como muleta para apoiar seu racismo institucional velado pra uns e escancarados para nós.

Vocês subestimam nosso raciocínio, como se estar presente nos seus ambientes fosse um favor que vocês nos fazem. É como se a todo momento houvesse uma mão passando na nossa cabeça: “eu te dei essa oportunidade, você precisa me agradecer o tempo todo”.

Pessoas brancas acham que a nossa capacidade é invisível, que nossa esperteza foi jogada de lado, que todos nós somos meros malandros, além de acharem que a sagacidade é um item raro entre os nossos.

Pois bem, pessoas negras não são fantoches para contar pontinhos de diversidade, seja no trabalho, na Universidade ou na sua roda de amigos.

Eu sou desculpa pra assuntos banais, já decorei os discursos repetidos a favor dos negros e na prática observo só as beiradas que vocês querem comer às nossas custas.Vocês não passam de mais uma Princesa Isabel!

Nossas ideias não são bem-vindas, nós sempre estamos sob questionamento. Vocês não aceitam nossa sabedoria. Institucionalmente a diversidade e empoderamento pregado por pessoas burguesas e brancas são apenas disfarces para mostrar quem ainda manda.

Vocês nos toleram, não engolem nosso desenvolvimento pessoal, autoestima e conhecimento conquistado com penas que serão cumpridas eternamente dentro de nós mesmos.

Pessoas brancas: vocês não estão fazendo um favor quando nos colocam em posição de poder, ou em uma condição confortável perante a maioria dos nossos.

Minha inteligência, independentemente de como ela se manifeste, não será cerceada pelo olhar de “até aqui”. Eu me recuso a ser medíocre e covarde como vocês, que são sim mentes preguiçosas e que assinam contratos da lei do esforço mínimo. No meu sangue correm os sonhos dos meus antepassados, eu me nego a viver às custas das chibatas institucionais. Vocês não estão me fazendo um favor. Façam-me o favor…