No dia 24/05, por volta das 17h30, nossa companheira Rosana Meneses, foi abordada em uma via pública, por um segurança do Supermercado DIA% sob a acusação de ter roubado um pacote de peixe. Da via ao supermercado são cerca de 400m. Nossa companheira havia passado no Supermercado DIA%, da rua Delfino Cintra – Campinas/SP, e feito uma consulta de preço de um pacote de filé de merluza. Por ter avaliado caro, 500g de peixe por R$15,99 voltou o pacote para a geladeira e saiu do estabelecimento. Na abordagem o segurança se apresentou como Policial Militar e coagiu a mulher a ver a bolsa dela. Em via pública, em frente à inúmeros jovens que saíam de um colégio privado da mesma rua, exigiu a revista da bolsa sob a alegação: “Você roubou um pacote de peixe do mercado. Devolve!”. Mesmo não havendo pacote de peixe, a conduziu de volta ao supermercado alegando que lá haveria a filmagem que atestaria o roubo.

Ao ser informado que essa conduta era racista, o segurança disse que não. Alegou ser casado com uma mulher negra e que a abordagem era por conta da atividade SUSPEITA. A atividade suspeita foi uma mulher negra, de turbante, consultar um preço? Não! Cotidianamente, sabemos que pessoas negras no Brasil, não são suspeitas. Elas são alvo! Por isso, cerca de 60 jovens negras e negros são assassinados em nosso país por dia.

Nossa companheira foi levada de volta para o Supermercado DIA%. Ao chegar no DIA% aguardou que advogadas chegassem para acompanhar a tal conversa. Entretanto, a sócio-operadora, um encarregado e uma consultora da Franquia alegaram não ter informações sobre o nome e identificação do segurança. Disseram que só poderiam apresentar as filmagens mediante solicitação judicial.Na oportunidade, o mercado se eximiu da responsabilidade em relação a conduta do funcionário, e apontou que qualquer procedimento referente a segurança do local é do encargo de uma empresa terceirizada – Águia. Entretanto, quando era para atestar o suposto roubo, as filmagens, segundo, o segurança, seriam apresentadas.

O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Campinas como constrangimento ilegal(art.146) e sequestro e cárcere privado (art.148). Num primeiro momento a ocorrência seria registrada como injúria racial, mas não concordamos com essa tipificação. O que ocorreu foi racismo! A honra de nossa companheira foi de fato atacada, mas os crimes lavrados no B.O são “resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” (art.1º, Lei7716/1989).

Entretanto, deixamos registrada a conduta humana da escrivã, responsável pela lavração do B.O. Inclusive registrou “que a vítima atribui todo o ocorrido a sua origem, vestimentas e aparência física, e gostaria que o caso fosse tratado como racismo”. Também, recebemos a orientação do delegado de Plantão, que o crime de racismo deve ter seu registro lavrado por um procedimento administrativo, uma vez que pessoa jurídica não pode ser responsabilizada por crime de racismo.

DEIXAMOS EXPLÍCITO QUE ESSA NÃO É A PRIMEIRA SITUAÇÃO DE RACISMO PRATICADA PELA REDE DIA%. CONHEÇA OUTROS CASOS NO

TAMBÉM, SOLICITAMOS QUE VOCÊ QUE NÃO COMPACTUA COM O RACISMO NÃO COMPRE NA REDE DIA%!

Quantas pessoas brancas você conhece ou já ouvir falar que passaram por acusação de furto em um supermercado?

DIA% RACISTA!!

 

“Deixando para trás noites de terror e medo
Nós nos levantamos
Em uma aurora que é maravilhosamente linda
Nós nos levantamos
Trazendo os presentes que meus ancestrais me deram,
Nós  somos o sonho e a esperança do escravo.
Nós nos levantamos
Nós nos levantamos
Nós nos levantamos.”

(Still I Rise – Maya Angelou-adaptado)