Patricia Lacerda é campeã brasileira de Jiu Jitsu de 2018 em duas categorias: Peso e Absoluto. Apesar disso, você não encontra quase nenhuma informação sobre Patrícia nos sites sobre esportes ou páginas específicas de Jiu Jistu e mais: Patrícia conseguiu ser campeã tirando grana do seu próprio bolso, é mole?. Uma mineira que batalha seu lugar no que escolheu pra viver, dentro de um esporte majoritariamente masculino e que não visibiliza as mulheres negras. Vamos conhecê-la?

Quem é Patricia Lacerda?

Claudia Patricia Lacerda, 42 anos, nascida de Estrela Dalva em Minas Gerais. Menina de familia de pessoas simples do interior de Minas Gerais. Eu conheci a Patricia num Brasileiro Sem Kimono no Rio em 2013. Tijuca Tenis Club, classico palco do Jiu Jitsu Mundial em terras cariocas. Eu estava hospedada na casa de uma que seria sua adversaria naquele Campeonato onde Patricia lutou na faixa azul e faturou o bronze naquele brasileiro. E a poucas semanas atras vejo pelas redes sociais Patricia ser campea Brasileira na faixa marrom. Imediatamente associei esse valor agregando a milhares de pretas que nunca desistam de seguir seus sonhos mais sinceros. Nesses anos acompanhando Patricia pelas redes sociais vi a troca de time. Vi Patricia nunca deisiti, vi Patricia em Lisboa, Portugal, Patricia nunca parou, nunca desanimou, nunca se vitimou, nunca se deixou levar por pensamentos limitantes. Essa mulher vive o jiu jitsu e o jiu jitsu vive na nossa campea brasileira do Campeoanto Brasileiro da CBJJ em Barueri, Sao Paulo do ano de 2018.

 Fale um pouco sobre seus pais…

Meus pais são simples, de origem humilde. Mas, que sempre me deram toda educação e dissernimento.

E sua infancia?

Nasci no interior de Minas Gerais, tive uma infância muito tranquila, sempre gostei de esportes e brincava muito na rua com as outras crianças. Participei do time da cidade de futebol feminino, onde aprendi muito trabalhar em equipe. E aos 15 anos vim para o Rio.

 Como comecou a treinar jiu jitsu e há quanto tempo?

Um amigo me chamou para assistir uma a uma aula de jiu-jitsu, nessa época eu já era faixa azul escura com ponta preta de muay-thai. Quando eu conheci o jiu-jitsu me encantei desde o primeiro contato, sai do muay thai e me dediquei exclusivamente ao jiu-jitsu há 8 anos atrás.

 Como está sendo treinar na nova equipe? 

Está sendo uma experiência incrível e motivadora, onde convivo com pessoas dedicadas e com sede de vitória.

Como é ser aluna do Totti? Conheço e acompanho o trabalho dele como árbitro, já tive a honra de trabalhar na mesma mesa que ele no Pan 2017 e foi muito legal. Excelente profissional. Como ele é como mestre?

Ele é um grande mestre e principalmente um amigo que me ensina todos os dias como tracar metas e estrategias para alcançar o sucesso. Tenho muita gratidão por tudo que aprendi e venho aprendendo com ele.

O que a palavra creonte significa pra vc dentro do jiu jitsu?

Creonte é uma pessoa que troca de equipe, por exemplo, eu já fui considerada creonte, mas acredito eu, que temos uma liberdade de ir atrás do nosso crescimento pessoal. E algumas mudanças são necessárias para isso acontecer, acho que as vezes o individualismo é algo importante para o ser humano. Então, hoje respeito muito cada atleta com suas escolhas, acho que toda pessoa tem seus sonhos e metas pessoais.

 Quais foram os fatores que fizeram vc mudar da NU pra equipe Totti?

Fatores financeiros e interferências pessoais.

Como é sua vida atualmente? Trabalha, estuda, treina, como é sua rotina?

Minha alimentação é bem regrada, treino todos dias, faço preparação fisíca na praia 3 vezes na semana, musculação e trabalho com alimentação.

Tem algum hobby? O que gosta de fazer nas horas de lazer?

O meu lazer é esse, gosto da endorfina!

 Já sofreu algum tipo de racismo dentro ou fora do jiu jitsu? Tem alguma tecnica para reagir ao racismo?

Sim, fora do jiu-jitsu. Uma vez fui em uma famosa joalheria na Zona Sul do Rio no Shopping, quando entrei a gerente me olhou com olhar de julgamento e chamou o segurança. Eu tinha ido buscar uma encomenda que já estava paga, nesse mesmo eu perguntei pra ela se ela achava que eu iria assaltar a loja. Liguei para o shopping, a loja me pediu desculpas e isso causou grandes transtornos tanto físicos quanto emocionais. Hoje eu lidaria bem melhor com esse tipo de situação, acho que pessoas com esse tipo de atitude, estão muito distantes da própria verdade e se incomodam com coisas do externo, mas hoje eu enxergo com muita facilidade que isso é um problema para pessoa, e não para mim. Hoje minha posição é de vitória, guerreira, e a cor da minha pele me orgulha, pois existe toda uma ancestralidade que me fortalece a cada dia. O esporte me ajudou muito nesse processo.

 Como está sendo ser a Campea Brasileira 2018 de Jiu Jitsu Peso e Absoluto?

A ficha está caindo aos poucos, fico emocioanada a cada mensagem de parabenização e reconhecimento.

Quais sao seus futuros planos dentro do jiu jitsu?

Todo atleta tem que mirar o topo do seu esporte, hoje eu quero me graduar e ser campeã mundial e tenho fé que isso acontecerá, e no que depender de mim correrei muito atrás.

Oque é o jiu jitsu para você e como ele melhora sua vida?

O jiu-jitsu é tudo na minha vida, ele me motiva todos os dias e me dá uma certeza de que é isso que quero pra minha vida.

O jiu jitsu faz ser mulher e negra num pais racista e machista como o Brasil , um pouco mais fácil? Como você usa o jiu Jitsu na sua vida?

Eu sempre fui uma mulher muito forte, o jiu-jitsu me deixou mais segura. Mas, essa fortaleça está dentro de mim desde sempre, nunca me abati para machistas, racistas…Como eu disse anteriormente, o problema está com eles, eu estou muito bem resolvida e feliz.

 Pode mandar um recado para todas as mulheres  do Brasil E ESPECIALMENTE PARA AS MULHERES NEGRAS:

Acreditem em seus sonhos, nas mulheres que são e que podem se tornar. E nunca deixe alguém rotular vocês por sexo ou cor de pele, existe algo dentro de cada um de nós que vibra todos os dias por vitória, conquistas, sucesso… e isso precisa ser liberado, expressado. Força meninas, nós somos mulheres guerreiras e podemos chegar onde quisermos. O mundo é de todas nós. E a minha vitória é só um exemplo de força feminina, de milhares outras por ai.

Nota da colunista:
Pretas do meu Brasil, vocês devem ter ideia de como é ser atleta e negro no Brasil. A Patricia Conseguiu esse feito sem nenhum patrocínio, com amor, dedicação e dinheiro do próprio trabalho. Se voce que lê esse blog e gostaria de ver uma mulher negra forte lutando campeonatos de jiu jitsu pelo Brasil e pelo mundo lenvando o símbolo da sua marca no quimono, lembrando que esse apoio pode ser revestido no seu imposto de renda, o instagram da patricia é http://www.instagram.com/patriciajiujitsu
Apoie uma atleta brasileira negra para que ela possa cada vez ocupar lugares mais altos no esporte representando todas nós.