A ME PERDER DE VISTA

teus olhos,
teus olhos não podem reduzir minha cor a da poça de lama
enquanto desejas me sentir à pele
teus olhos,
teus olhos não podem cobrir minha imensidão
ficaram pequenos,
pequenos demais
o que vês,
são só partes de mim
o que não conheces,
não podes amar.

 

TRÊS VEZES UM TERÇO
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.


[Mulheres negras – crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 – digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.]

 

  1. EQUIVOCANÁLISE: “ORGIA”
    Quem se atreverá beber de mim?
    Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
    Ou outro a pôr em risco o juízo?
    Um velho que me agitará entre os dentes?
    Ou outro frenético aos goles imprudentes?
    Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

 

[Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.]

 

BROTO DE TABACO BRUTO
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.