Mas então pera, quando é mesmo que o Blogueiras Negras faz aniversário? Essa é uma questão que a gente realmente precisa conversar. Senta que lá vem uma historinha.

Precisamos dizer que não temos nenhuma pretensão e nem vontade de criar uma narrativa única sobre a nossa trajetória. Esse seria um esforço infrutífero e injusto para com todas mulheres que já participaram deste projeto. O que a gente espera é que existam muitas histórias e aqui vamos contar apenas mais uma delas.  Não é nem mais e nem menos verdadeira ou importante do que qualquer outra.

Se esse mesmo texto fosse escrito por outras autoras, seria completamente diferente. Um espaço como o Blogueiras Negras só pode ser explicado através de muitas vozes, de muitas perspectivas. Caso contrário estaríamos simplificando algo que é muito maior que um plano, é um nó de ideias e de vidas, entrelaçadas em universos múltiplos onde tempo, espaço e ancestralidade compõe a possibilidade de infinitas possibilidades.

Tivemos porém alguns marcos. Nosso primeiro post foi publicado no dia 8 de março de 2013, escrito por Larissa Santiago, que falou sobre invisibilidade de outros dias. Mas conforme a gente foi vivendo essa estória aqui, muito  cedo nos questionamos sobre a escolha de publicarmos pela primeira vez nessa data, hoje teríamos feito diferente. Fatasso!

Porém, tivemos também a oportunidade de perceber que esse primeiro post foi na realidade construído ao longo de muitos meses. Não podemos precisar com exatidão de quanto tempo estamos falando, talvez seis meses? Talvez muito mais?  Fica aqui o convite a todas para que nos ajudem na tarefa de contar a nossa própria história, com muitas vozes e pontos de vistas.  Essa é a própria natureza do que pretendemos aqui.

Precisamos falar por exemplo de um blog chamado Tempo Fashion, onde Juh Sara pergunta sobre blogueiras negras, dialogando com as inquietações de todas nós. Isso é talvez aquilo que explica a longevidade do nosso espaço, mais que uma  ideia ou um projeto, ele é fruto do desejo e do esforço conjugado e articulado de todas nós. Reflete um momento de maturidade do próprio movimento de mulheres negras em que, mesmo vindas de diversos espaços e histórias, decidimos juntas construir esse caminho.

Este sempre foi nosso desejo, desde as primeiras e inseguras conversas com Cidinha da Silva a quem agradecemos por sua escuta atenciosa quando tudo aqui era apenas um sonho. E o de todas nós que aqui escrevemos, labutamos pra fazer a mágica acontecer. Apesar de nossa pouca idade e experiência no que mais tarde seria chamado de ciberativismo, logo entendemos  que apenas a coletividade poderia conferir sentido a tanto empenho, tanto esforço e tanta batalha.

Sim, para que pudéssemos colocar nosso bloco na rua no dia 8 de março, muito foi feito no ano anterior. Estamos falando da busca por outras mulheres, aquelas que tanto admiravamos à distância. Estamos falando também da Blogagem coletiva da mulher negra que nos fez ter a certeza de que nada faria sentido se não fôssemos todas, lá pelos idos de novembro de 2012. Segundo as nossas contas, poderíamos inclusive retroceder um pouco mais no tempo…

Mas vamos um pouquinho à frente…

Finalmente, após muita saudade do Encontrão de Recife, tivemos a oportunidade de comemorar o nosso aniversário e nos reencontrar mais uma vez uma na outra, nós que temos tamanha participação na vida uma das outras.  Mesmo de longe e muitas vezes sem nunca termos nos encontrado pessoalmente, criamos uma rede de apoio em que uma ajudou a construir a outra, formando uma teia coesa de pensamento e ação que agora completa 6 anos.

Nossa agradecimento a você Natália Néris que nos brindou com uma linha do tempo sobre a imprensa negra e a nossa tradição de fazer comunicação.

Nosso muito obrigada você Dulci Lima, que comunicou sobre um novo modo de fazer feminista negro no qual o Blogueiras Negras se insere como espaço de referência e ao mesmo tempo virada.

Nossa gratidão Gabriela Pires compartilhar conosco sua linda trajetória. Pela sua coragem e companheirismo para todas as horas.

Nosso muito obrigada Maria Teresa Ferreira ter falado sobre o que significa para você publicar com todas nós.

Nosso amor e respeito Maria Clara Araújo  porque sem você nada disso seria possível.  Sem seu entusiasmo e carinho, não estaria mais aqui escrevendo agora.

Foi como se o universo tivesse por um momento ajudado com todas as suas forças para nos propiciar o momento de imensa alegria. A gente chorou, a gente se abraçou e a gente reafirmou afetos. Contando inclusive com aquelas que não puderam participar por causa da distância, do trânsito e por causa da grana.

A gente nunca vai esquecer que no dia 14 de dezembro, uma sexta feira, a cidade de São Paulo fervia, mas a gente se abraçava.

Esse é o nosso modo de agradecer a você autora,  que é a grande aniversariante. Nós estamos falando de mais de 400 mulheres negras irmanadas pela escrita, pela disputa de raça, gênero, classe e autoria.  Estamos falando de mais de 1200 textos, um acervo que nasceu de muito empenho, de muitas vidas e vontades.

Se hoje a gente pode dizer em alto e bom som que nós sabemos fazer informação pra fazer a cabeça é por sua causa.

E a reza foi tão forte que a gente precisou colocar no papel para acreditar o que fizemos juntas através da escrita e o quanto ainda preciso ser feito. Não pela violência que nos é dirigida todos os dias, mas pelo que nós somos em nossa essência: mães e filhas de marco civilizatório que coloca como única oportunidade viável de ação e pensamento diante de perspectivas insistente e historicamente tão sombrias.

A você toda nossa gratidão e respeito,  pelo seu trabalho, pela sua confiança e pelo seu tempo. Porque é isso que faz o Blogueiras Negras uma realidade. É um sonho que se fez concreto porque você está aqui com a gente.

Pra você nosso compromisso e o nosso desejo de no ano que vem estarmos mais uma vez aqui, Sempre em busca de irmos cada vez mais longe juntas, porque sem isso nada faz sentido.

E entre todos os erros e acertos, tudo que a gente quer é comemorar muito mais.  Que venham 7, 14 e 21 anos!

Com um  muitíssimo obrigada todas mulheres que já participaram da coordenação deste espaço. O corre é grande e a fita louca, nossa lembrança e abraço em todas vocês. E já abre espaço na agenda que ano que vem é na Bahia!

E aquele abraço para as parceiras que  participaram do nosso aniversário. ThoughtWorks Brasil, que nos acolheu com todo cuidado e carinho no seu espaço mavioso, em nome de Paula Granjeiro e Camila Gomes. Boitempo, na pessoa de Yumi Kajiki, que nos presenteou com amor em forma de livro! Obrigada em nome de toda nossa comunidade.