foi como num filme que dessas histórias que a gente escuta que tudo vai passar. a gente ouve de fulano que primeiro o sol e depois a sombra, e de ciclano the sun rises even after the darkest nights ou levanta preta. eu falo desses frases cheias de emoções que vem de bocas que ajuda a gente a esquentar. eu tinha um sol tão poderoso dentro da minha casa, que nem tinha percebido o quão frio meu corpo ficou depois que a luz desse sol foi ficando pequena.

não digo que apagou, porque às vezes ele vem e esquenta de novo, esquenta quando tô escutando fundo de quintal, arlindo cruz, ou colocando um torço ou brinco amarelo. era a energia desse sol que na sua  intensidade máxima, esquentava meu corpo ao máximo que eu conseguia vencer guerras, lutas que eram tão pequenininhas, que hoje parece ser que eu tô enfrentando um exército. quando fico sem luz, perco a vontade de ir pra rua, que é meu lugar preferido na cidade, ler galeano e até dançar gil.

eu queria que Davis, Djamila e qualquer outra mulher escrevesse mais de quando falta luz, de quando tem muita carga, ou escrevesse sobre a falta.  a falta, ausência, machuca todos os dias. to escrevendo um dia de cada vez pra eu não esquecer, se é que tem como, da sua melhor risada. o meu sol dava risadas tão altas que eu duvidaria quem tiver lendo não ficasse quente também.

é muita deselegância essa coisa de ir embora e não voltar, eu tenho que concordar que a saudade ela rasga, chega de fininho e toma conta do corpo e da mente. a saudade é a falta de um xêro, café quentinho. até quem me vê fa fila do pão sabe que tá faltando você.

a minha vida agora parece um pouco desses poemas do Guimarães Rosa que fala que a vida tira algumas pessoas da nossa vida para aprendermos a ser felizes sozinhos, eu queria que esses textos cruéis demais para ser lidos rapidamente fizesse sentido na minha vida agora.

eu espero que quando o sol retornar pra dentro de casa de novo, eu possa sambar ao som de arlindo cruz,  fundo de quintal, tomar uma cerveja e depois quiçá recitar um poema pro primeiro que passar. eu quero voltar a ser poema, como eu era. como esse sol recitava pra mim todos os dias.  e voltar ter o sorriso mais bonito do bar.

eu quero que Dandaras, Majus, Natálias, Walquírias, Anas, que seja por um momento de descuido ouçam o seu nome e saibam que por aqui nessas terras passou uma Iolanda, meu eterno sol.