Texto originalmente publicado em Atlanta Black Star

Vivemos tempos sombrios. Assassinatos na nossa cara, violação de direitos humanos, estrangulamentos em supermercados, estupros coletivos e mais mortes. Governos que destroem nossos sonhos e nós precisamos resistir.

Num momento tão sem adjetivo, com as esperanças quase se esvaindo, precisamos de inspiração. Eis aqui: as Blogueiras Negras trazem 10 guerreiras negras que marcaram a história do mundo. Seus feitos, desconhecidos. Suas histórias, apagadas, mas não aqui. Leia com atenção, anote e se inspire. Ouça também “The Message”, vendo as bailarinas pretinhas que aquecem o coração, ou “No Surrender“, mostrando os pretinhos jamaicanos dançando, sem se render. Tenha força!

Rainha Yaa – Manhyia Palace Museum, em Kumasi

1- Rainha Mãe Yaa Asantewaa (1840–17 de outubro de 1921) Yaa Asantewaa foi a rainha mãe de Ejisu no Império Ashanti. Ela era uma lutadora excepcionalmente corajosa que, em março de 1900, criou e liderou um exército de milhares contra as forças coloniais britânicas no território Ashanti, hoje Gana. Esse episódio histórico ficou conhecido como “A Guerra do Trono de Ouro”. O Trono de Ouro era o símbolo espiritual de unidade e soberania da nação Ashanti. Yaa Asantewaa mobilizou as tropas ashantis e por três meses sitiou o forte britânico de Kumasi. Os colonizadores britânicos tiveram que mobilizar tropas e artilharia para romper o cerco, exilando a rainha Yaa Asantewaa e 15 de seus conselheiros mais próximos nas Seychelles. Ela viveu no exílio até sua morte em outubro de 1921. A guerra de Yaa Asantewaa, como é atualmente conhecida em Gana, foi uma das últimas grandes guerras no continente africano a ser liderada por uma mulher.

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Amazonas do Daomé

2- Ahosi ou Mino (Amazonas de Daomé): As Amazonas de Daomé eram um regimento militar exclusivamente formado por mulheres do povo Fon do Reino de Daomé, na atual República do Benim. Elas existiram do século XVII até o final do século XIX. Enquanto as narrativas européias se referem às mulheres guerreiras como “amazonas”, por causa de sua semelhança com as amazonas semi-míticas da antiga Anatólia, elas se nomeavam Ahosi (esposas do rei) ou Mino (nossas mães) no idioma  Fon. As Ahosi eram extremamente bem treinadas e inculcadas com uma atitude bastante agressiva. Elas eram lutadoras ferozes com uma reputação de decapitar soldados no meio da batalha, bem como aqueles que tiveram a infelicidade de se tornarem seus cativos. Seh-Dong-Hong-Beh foi uma das grandes líderes das guerreiras Mino. Em 1851 ela liderou um exército de 6.000 mulheres contra a fortaleza Egba de Abeokuta. Como as Mino estavam armadas com lanças, arcos e espadas, enquanto os Egba tinham canhões europeus, apenas 1.200 sobreviveram à longa batalha. A invasão européia na África Ocidental ganhou ritmo durante a segunda metade do século XIX. Em 1890, o rei Behanzin contou com as guerreiras Mino juntamente à soldados do sexo masculino para combater as forças francesas durante a Primeira Guerra Franco-Dahomeana. O exército francês perdeu várias batalhas por causa da habilidade das guerreiras Mino em batalha. O exercíto Dora Milaje, do filme Pantera Negra, é inspirado nas guerreiras Mino.

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Rainha Nanny

3- Rainha Nanny ou Nanny : A rainha Nanny, uma heroína nacional da Jamaica, era uma líder bem conhecida dos quilombolas jamaicanos no século XVIII. Ela foi sequestrada de Gana, na África Ocidental, quando criança, e foi forçada à escravidão na Jamaica. Ao crescer, ela foi influenciada pelos quilombolas e outros líderes dos africanos escravizados. O povo Maroon eram negros escravizados que fugiram da lógica opressiva da escravidão e formaram suas próprias comunidades no interior da Jamaica. Nanny e seus irmãos fugiram da fazendo onde eram escravizados e se esconderam na área das Montanhas Azuis. De lá, eles lideraram várias revoltas em toda a Jamaica. A Rainha Nanny era uma líder espiritual inteligente e respeitada que foi fundamental na organização dos planos para libertar os africanos escravizados. Por mais de 30 anos ela libertou mais de 800 escravos e ajudou-os a se estabelecerem nas comunidades quilombolas. Ela derrotou os britânicos em muitas batalhas e, apesar dos repetidos ataques dos soldados britânicos, o assentamento de Grandy Nanny, chamado Vila de Nanny, permaneceu sob o controle dos Maroon por vários anos. Em 2015 foi lançado o documentário Queen Nanny Legendary Maroon Chieftainess produzido por Roy T Anderson que conta a história de Nanny.

        Para saber mais : https://bit.ly/2uMkXEt

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4-Hariet Tubmann (nascida Araminta Harriet Ross; 1820 – March 10, 1913) :  Harriet Tubman foi uma abolicionista afro-americana, humanitarista,  espiã do Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana. Nascida como escrava, Tubman fugiu para a Filadélfia em 1849, e logo retornou a Maryland para resgatar sua família. Posteriormente, ela fez mais de 19 missões para resgatar mais de 300 escravos com a ajuda da rede de ativistas antiescravistas e abrigos conhecidos como Underground Railroad. Mais tarde, ela ajudou a recrutar homens para o ataque de John Brown em Harpers Ferry, de 16 a 18 de outubro de 1859, para libertar os negros escravizados. Em junho de 1863, Tubman se tornou a primeira mulher a liderar uma expedição armada na Guerra Civil. Ela guiou o Combahee River Raid, que libertou mais de 700 negros escravizados na Carolina do Sul: a maior libertação de negros escravizados na história americana.

           Para saber mais : https://bit.ly/2FTfrFm

                                        https://bit.ly/1JfyQZZ

Assata Shakur

5 –Assata Olugbala Shakur  (16 de julho , 1947) : Assata Shakur é uma ativista negra  que integrou o Partido dos Panteras Negras e o  Exército de Libertação Negra entre 1971 e 1973. Assata trabalhou com o BPP e o BLA para combater a opressão racial, social e econômica, mas se tornou alvo dos EUA. a partir da ação do  COINTELPRO . Este programa usou uma ampla gama de táticas, incluindo enquadramento, prisões sem causa e assassinatos de líderes, para eliminar os movimentos radicais da época.

Entre 1973 e 1977, em Nova York e Nova Jersey, Shakur foi indiciada dez vezes, resultando em sete julgamentos criminais separados. As acusações de Shakur variaram de roubos a banco; tentativa de assassinato de dois policiais; e oito outros crimes relacionados ao tiroteio em New Jersey Turnpike. Destas acusações, três resultaram em absolvições; uma em um júri suspenso; uma em uma mudança de local; um julgamento foi anulado devido a sua gravidez e um resultou em uma condenação. Três acusações foram rejeitadas sem julgamento. Shakur escapou da prisão e fugiu para Cuba após sua condenação pela morte do soldado Werner Foerster, do Estado de Nova Jersey. Em 2 de maio de 2013, o FBI anunciou que havia elevado a recompensa por Shakur para  2 milhões de doláres e a colocou em sua lista de Terroristas Mais Procurados, tornando-a a primeira mulher a integrar essa lista e efetivamente criminalizando a luta por liberdade dos negros e negras.

Para as pessoas que se perguntando se Shakur era culpada, o Huffington Post relatou que no julgamento, três neurologistas comprovaram que o primeiro tiro despedaçou sua clavícula e o segundo quebrou o nervo mediano em sua mão direita. Esse testemunho provou que ela estava sentada com as mãos levantadas quando foi atingida pela polícia.

Segundo a Wikipedia, outros depoimentos provaram que nenhum resíduo de bala foi encontrado em suas mãos, nem foram encontradas impressões digitais em nenhuma das armas localizadas na cena. No entanto, Shakur foi condenada por um júri todo branco e sentenciada à prisão perpétua.

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6- Amanirenas (morta em 10 a.c) :

Amanirenas (também chamada de Amanirena) foi uma das maiores Candades, ou rainhas-mãe, que governou o Império do Kush de Meroe no nordeste da África (atual Sudão). Ela reinou entre os séculos 40 e 10 a.C. Quando o imperador romano Augusto tentou cobrar impostos dos kushitas em 24 a.C, Amanirenas e seu filho Akinidad lideraram um exército de 30 mil homens para saquear o forte romano na cidade egípcia de Assuão. Eles também destruíram as estátuas de Cesar em Elefantina. Sob ordens de Augusto, o general Petronio retaliou, mas encontrou uma forte resistência de Amanirenas e suas tropas. Após mais de três anos de luta, as duas partes aceitaram negociar um tratado de paz. Os romanos concordaram em retornar seu exército para o Egito, retirar o seu forte, dar a terra de volta para o Kushitas e rescindir o imposto.00

A rainha guerreira corajosa Amanirenas é lembrada por seu combate leal, lado-a-lado com seus próprios soldados. Ela ficou cega de um olho depois de ter sido ferida por um romano.

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                                     https://bit.ly/2KidxDC

Carlota Lukumi

7- Carlota Lukumí (morta em  1844): Carlota foi sequestrada de sua tribo iorubá, trazida acorrentada a Cuba quando criança e forçada à escravidão na cidade de Matanzas, trabalhando para extrair e processar a cana-de-açúcar nas condições mais brutais. Ela era brilhante, musical, determinada e inteligente. Em 1843, ela e outra mulher escrava chamada Fermina lideraram uma rebelião organizada na plantação de  cana de açúcar de Triumvarato. Fermina foi presa depois que seus planos para a rebelião foram descobertos. Usando tambores falantes para se comunicar secretamente, Carlota e seus colegas guerreiros libertaram Fermina e dúzias de outros, e empreenderam uma insurreição armada bem organizada contra pelo menos cinco brutais operações de plantação de escravos na área. A brava batalha de Carlota durou um ano antes de ser capturada, torturada e executada por latifundiários espanhóis.

                        Saiba mais: https://bit.ly/2Z0H87C

                                            https://bit.ly/2G2Kf6i

8- Rainha Nzinga (1583, 17 de dezembro de 1663) : A Rainha Nzinga Mbandi era uma governante do século 17 altamente inteligente e poderosa dos Reinos Ndongo e Matamba (atual Angola). Por volta da virada do século XVII, Nzinga lutou pela liberdade de seus reinos contra os portugueses, que estavam colonizando a costa da África Central para controlar o comércio de negros e negras africanos. Para aumentar o poderio militar de seu reino, Nzinga ofereceu refúgio a escravos fugitivos e soldados africanos treinados por portugueses. Ela provocou revolta entre as pessoas ainda deixadas em Ndongo, então governadas pelos portugueses. Nzinga também formou uma aliança com os holandeses contra os portugueses. No entanto, as forças combinadas não foram suficientes para expulsá-los. Depois de recuar para Matamba novamente, Nzinga começou a se concentrar em desenvolver o reino como uma potência comercial e a porta de entrada para o interior da África Central. Na época da morte de Nzinga, em 1661, aos 81 anos, Matamba havia se tornado um poderoso reino que conseguiu resistir às tentativas de colonização portuguesa por um longo período de tempo. O seu reino só foi integrado em Angola no final do século XIX

                   Saiba mais: https://bit.ly/2uTiN63

                                       https://bit.ly/2RwydpT

Nyabingi

9- Sacerdotisas Nyabingi Muhumusa (falecida em 1945) e Kaigirwa (desconhecido): Muhumusa e Kaigirwa eram temidas líderes do grupo de sacerdotisas Nyabingi da África Oriental que foram influentes em Ruanda e Uganda de 1850 a 1950. Em 1911, Muhumusa proclamou que  “ela expulsaria os europeus” e “que as balas dos Wazungu se tornariam água contra ela.” Ela organizou a resistência armada contra os colonialistas alemães e acabou sendo detida pelos britânicos em Kampala, Uganda, de 1913 até sua morte em 1945. Ela se tornou a primeira em uma linha de sacerdotisas rebeldes que lutavam contra a dominação colonial em nome de Nyabingi, e mesmo depois de ser aprisionada ela continuou sendo uma inspiração popular. Os britânicos aprovaram seu Ato contra a Bruxaria de 1912 em resposta direta à eficácia política desse movimento de resistência baseado na espiritualidade. Em agosto de 1917, a “Nyabingi” Kaigirwa seguiu os passos de Muhumusa e liderou a revolta de Nyakishenyi, com apoio público unânime. Autoridades britânicas colocaram um alto preço em sua cabeça, mas ninguém se dispôs a entregá-la . Depois que os britânicos atacaram o acampamento de Kaigirwa no Congo em janeiro de 1919, matando a maioria dos homens, Kaigirwa e batalhão principal de combatentes conseguiram fugir do exército e escapar. No entanto, os britânicos capturaram a ovelha branca sagrada e a queimaram antes de uma convocação de chefes importantes. Após essa ação, uma série de desastres afligiu o comissário do distrito que matou as ovelhas. Seus rebanhos foram eliminados, seu teto desmoronou e um misterioso incêndio irrompeu em sua casa. Kaigirwa tentou outra revolta, depois foi para as colinas, onde nunca foi capturada.

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Tarenorerer

10 – Tarenorerer (1800-1831) : Tarenorerer, da Baía de Emu, no norte da Tasmânia, era uma líder indígena australiana do povo Tommeginne. Em sua adolescência, ela foi sequestrada por aborígines da região de Port Sorell e vendida para caçadores brancos nas Ilhas Bass Strait, onde a chamavam de Walyer. Ela se tornou proficiente em inglês e especialista no uso de armas de fogo. Em 1828, Tarenorerer retornou ao seu país no norte da Tasmânia, onde reuniu um grupo de homens e mulheres de várias etnias para iniciar a guerra contra os invasores europeus. Treinando seus guerreiros no uso de armas de fogo, ela ordenou que atacassem os homens brancos quando estavam mais vulneráveis, entre o momento em que suas armas eram disparadas e antes de serem recarregadas. Ela também os instruiu a matar as ovelhas e novilhos europeus. G. A. Robinson, que foi encarregado de reunir os aborígines, foi informado pelos caçadores de focas que Tarenorerer ficaria em uma colina para organizar o ataque e desafiar os colonizadores á luta.

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