Ela mistura todas as cores. Todas as cores juntas e misturadas! Ela é a magnitude contagiante da boa vibração; ela abraça o que faz com paixão; paixão é o que ela tem e sua presença pode dizer isso. Que presença!Seu sorriso é um presente para nós e é o seu cartão de visita. Femi conquista com seu sorriso e presença. Onde quer que esteja: no Black Cultural Archives Café; sempre em sua confirmada presença no carnaval de Notting Hill e sua sempre surpreendente fantasia; nos eventos que ela organiza; em qualquer lugar. Nascida em Londres, filha de mãe da Guiana Britânica in memoriam e pai Jamaicano, ela se impõe com elegância e magnanimidade, celebrando a vida e o momento. Sempre. Com o que tiver que lidar e com qualquer pessoa. Ela não aceita o ódio, o rejeita. Ela personifica o amor. Amor quando ela fala, amor que ela sente e nos transmite. Seu nome foi escolhido por seu pai, é um nome nigeriano e significa “Me ame”! Ela realmente se apropriou do nome e dele se incorporou, como se pode testemunhar ao se ter a chance de conhecê-la. Femi Solomon Cooper abraça a vida e fala sobre sua consciência racial e sua abordagem na vida seguindo-a, com uma voz adorável, um calmo semblante e uma firme atitude. É ela quem dirige o Café do Black Cultural Archives em Londres, localizado em Brixton, é ex proprietária de uma antiga companhia de teatro e também, de um restaurante. Ela é uma conquistadora e seu caminho e as estórias que formam o “romance de sua vida,” exemplifica isto muito bem.

Femi e seu sorriso

Quando estávamos prestes a nos encontrar, concordamos em nos encontrar em Brixton, no sudoeste de Londres. No mesmo dia, ao telefone, naquela tarde de segunda-feira, quando ela me ligou para confirmar nosso encontro, perguntei se deveríamos nos encontrar em uma determinada cafeteria, uma cadeia que é bem conhecida por aqui. Ela me respondeu dizendo: “Que tal encontrarmo-nos em um restaurante da Eritréia, localizado em Brixton? Deixemos o dinheiro circular entre nós. Vamos a um restaurante com culinária africana.” Nada mais foi, do que empoderamento negro. Me senti muito bem com sua sugestão. Especialmente porque eu não conhecia o restaurante. Eu realmente gostei e o empoderamento aconteceu. Lindo lugar, com comida deliciosa! Em relação a sua consciência racial, quando falamos sobre isso, ela disse que tem consciência racial desde muito cedo por influência de sua mãe. “O que ela trouxe para casa em termos de musicalidade, idéias, posicionando-se. Ela me brindou uma qualidade extraordinária de música negra, músicos, ela me contou sobre a maneira como as pessoas do Windrush* foram maltratadas quando chegaram à Inglaterra, vindas do Caribe”. Como mulher negra no Reino Unido, Femi diz que enfrenta o preconceito desde cedo, disse-me que recorda bem, nos anos setenta, durante o período escolar, na região onde nasceu e fez seus estudos. Uma área branca muito elegante e sofisticada, Wimbledon / Mitcham, em Londres. Ela é uma empreendedora em sua essência, desde a escola secundária, quando oferecia serviços na escola. Ela começou a vender chocolates, depois analisou seu público consumidor, quando basicamente fez uma pesquisa para verificar se eles queriam algo mais. A escola ficava em uma área sem lojas por perto e era evidente que ela deveria continuar fornecendo o que os estudantes poderiam precisar. Começou com chocolate, depois passou a fornecer sanduíches. Devido a sua popularidade, foi um sucesso. Ter esta mulher como entrevistada foi pra mim, um momento fascinante de conhecimento sobre ela. Em 1999 ela abriu com uma amiga, uma companhia de teatro chamada ‘True Colors’. Femi também é atriz, e esta empresa esteve na ativa de 1999 quando foi inaugurada até o ano de 2003. Perguntada por que ela não está mais atuando, ela diz que durante o tempo de sua companhia de teatro, onde ela não estava nos bastidores, pois esteve a atuar, teve momentos de pouca confidência, mesmo apesar das reações positivas das pessoas. Percebo que este lado atriz no entanto, segue pulsando dentro dela. Pulsa em seu ser. Ela nunca deixou para trás sua essência de atriz, não está nem mesmo adormecida, porque ela é uma personagem em seu dia-a-dia. Femi nos inspira com sua vitalidade e senso de amor. Esta que está envolvida em diferentes atividades, uma delas é ’Caribbean/African’ dinner em sua casa. Quando ela chega à sua casa, única e exclusivamente com um chef e organiza uma festa com comida magnífica. Femi é uma viajante convicta, a paixão por viagens é parte do que é e de sua conversa. Quando discorre sobre sua vida, o que eu posso sentir e testemunhar compartilhando desta conversa com esta mulher brilhante e iluminada, é que ela está em um momento de transição. Muito provavelmente por estar a avaliar que a vida no Reino Unido deve ser deixada de lado e dar espaço para outras possibilidades de viver. Uma mulher em expansão, por isso sua vontade de crescer, voar, ser… Às vezes, a simplicidade de olhar nos olhos, falar e chorar juntos nos aproxima como seres humanos, como mulheres. Ela é uma explosão de positividade, uma pessoa muito consciente, racialmente falando, é ela quem garante que o empoderamento negro ocorra, sempre, onde estiver. Uma mulher com um enorme senso de amor. Quando mencionou sua amada mãe, ela se emocionou. Foi ela quem abriu o caminho para que visitasse e conhecesse o seu primeiro país africano: a Gâmbia. E ela se apaixonou. Eu não posso falar sobre Femi e não mencionar cores. Ela usa cores a todo momento e dela parte o enfático aconselhamento: “Nunca deixe o tempo, o clima, ditar o que você vai usar.” Se o céu de Londres estiver cinza, ainda assim use cores. Eu concordo, as estações não tem cores pré-estabelecidas! Femi sempre comemora seu aniversário e neste 2019 não foi diferente, foi tremendo. Celebração da vida, família, amizade, música, dança, comida, união! Há uma conotação de união na conversa dela, na abordagem sobre a vida, na maneira como ela abraça e enfaticamente proclama que devemos nos apoiar mutuamente. Mulheres negras, negócios e todas as possibilidades que podemos ter como comunidade negra. Eu diria que Femi tem um senso de amor. Femi de amor…

* Windrush Foi uma imigração pós-guerra, de negros caribenhos, para o Reino Unido. SS Empire Windrush era o nome do navio que os transportou e em Junho de 1948 aportou no Tilbury Dock em Essex, na Inglarerra, marcando o início da imigração em massa no pós-guerra, a convite da Grã-Bretanha, que anunciou postos de serviços para a reconstrução do país no pós-guerra.