Cultura

Siré Obá – A Festa do Rei. Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas.

Onde estão as bailarinas negras

O fato de nossas bailarinas não serem reconhecidas pelo grande público me faz pensar em Amarildo, cujo paradeiro é desconhecido após ter sido levado para averiguação pela PMERJ. Ele que denuncia o perigo histórico de sermos nada mais que um recurso barato, renovável, descartável para que a supremacia brasileira branca funcione perfeitamente bem. Desaparecemos concreta e imageticamente.

Poéticas do gueto

Estamos escrevendo uma nova realidade para o povo preto. É absolutamente contagiante ver o orgulho nos olhos dos nossos irmãos se sentindo cada vez mais bonitos, admirando sua quebrada sem perder a consciência de que a luta pela dignidade e pela liberdade é todo dia. Se alguém ainda tem muita dificuldade para entender essa dinâmica, para acompanhar a diversidade criada pela criatividade de nosso povo, não se preocupem, para isso estamos nas suas universidades, para tentar explicar pra ver se vocês entendem e conseguem deixar de separar a luta, a politica, a militância da sensibilidade, da beleza, do lirismo.
Sérgio Cardoso (Tomás) e Ruth de Souza (Cloé) em A Cabana do Pai Tomás.

O negro na tv brasileira. Onde está?

Encontramos uma participação maior do negro na televisão, é fato, porém continua a vinculação do estereótipo do negro que samba, gosta de pagode, é malandro ou exerce profissões subalternas e quase imperceptíveis. Muitos negros não gostam de samba, alguns nem sabem sambar, curtem outros estilos, mas esses nunca são representados na televisão. A sociedade mudou e ainda não conseguimos ver o reflexo disso na telinha. Não existe o que os mais modernos chamam de “democracia racial”, embora muitos projetos levantem a bandeira. Somos mais de cem milhões de brasileiros, representamos mais de 50% da população e o instrumento mais popular, que é a televisão, não nos representa.

Mungunzá com Frango, Coco, Amendoim e Chips de Quiabo

Com a chegada dos portugueses e seus rituais católicos, a canjica foi incorporada aos festejos dos santos juninos. A soma dos negros só fortaleceu o hábito de comer tal prato por aqui. A minha versão, apesar de também levar coco e amendoim, é salgada como em diversas regiões da África. Para dar ainda mais corpo, incluí frango e finalizei com milho tostado e chips de quiabo. Ficou uma delícia. Ideal para as noites frias do inverno. Vamos à receita do Mungunzá com Frango, Coco, Amendoim e Chips de Quiabo.