Cultura

Carta aos amigos do planeta internet

O racismo é uma forma de exploração aviltante do ser humano, porque alguém está ficando mais pobre e alguém mais rico. Aqui entra desde a formação do nosso capitalismo, com o trabalhador escravo, que produziu riqueza, até o apresentador de TV que anda vendendo umas camisetas nonsense às custas do sofrimento alheio. Então, vejam, é muita gente mesmo.

“Se não usar desodorante, fico com cheiro de neguinha”

Negação + racismo velado são o que mais me preocupa nessa luta contra o racismo. Encobrir essa violência, negando-a desesperadamente, baseando-se na “supremacia” de ser só quem você é mesmo (nenhum desses que citei é antropólogo, historiador, sociólogo, nada disso) talvez me pareça o pior face do racismo, porque tenta calar uma dor que nenhum deles sofreu e jamais vai sofrer.
Atriz norte-americana Azie Dungey em seu figurino de escrava, durante o período que trabalhou como atriz na propriedade de George Washington. Crédito: Azie Dungey

Humor negro é o que combate o racismo

Além de “humor negro”, outras expressões como “lista negra”, “magia negra”, “ovelha negra”, “mercado negro” ou até mesmo “o lado negro da força” sempre nos fazem remeter a palavra negra/negro como algo ruim. São expressões usadas no cotidiano e com certeza alguém virá dizer que isso não é racismo cultural, que a cor preta é a ausência de cor, logo é utilizada para expressar o que está escondido nas sombras. Poderia questionar esse “escondido nas sombras”, mas será mesmo que não há nenhuma associação? Nossa língua é viva e perpetua-se pelo tempo de acordo com os usos que as pessoas fazem dela. Se uma palavra recebe constantemente uma conotação que a desvaloriza, como se sentem as pessoas que se identificam com ela?

12 Anos de Escravidão, a história de um homem livre

Sim, essa é a história de um homem livre, e é ao mesmo tempo a história de todos nós, descendentes de tantos outros escravizados. Essa história, no entanto, não fala apenas da escravidão. Steve Mcqueen é um diretor interessado em desvendar os indivíduos, quer entender como funcionam, que força os impulsiona, que grilhões os aprisionam.