Cultura

O lado de cima da cabeça

A democratização da comunicação é uma luta concreta de estudantes e cidadãos que sabem quão importante isso é e seria para a população. Afinal quanto mais crítica a sociedade for, menos desigualdades sociais teremos. O fato é que a “corte brasileira”, detentores das mais poderosas empresas, não fazem a mínima questão de ter uma população pensante.

Cinema brasileiro prefere atrizes brancas

Diretores do cinema nacional, as negras são mulheres lindas, excelentes profissionais. São professoras, médicas, advogadas, chefes de cozinhas, enfermeiras, engenheiras, motoristas, empresárias, rappers, escritoras, jornalistas, floristas, desenhistas, poetas, cobradoras de ônibus, feirantes, esportistas, donas de casa. Compõem o cenário profissional médio de enorme importância para o superávit da economia nacional. Pagam impostos, são mães, avós, amantes, tias, têm famílias e atrizes talentosas.

Um Egito Negro incomoda muita gente

Usurpar patrimônio africano não basta, também é necessário embranquecer seus sujeitos. Tanto na série José do Egito (atualmente em reprise pela Record) quanto em Êxodo: Deuses e Reis as personagens são majoritariamente brancas. Os realizadores são incapazes de reconhecer que todo um complexo sistema de crenças, filosofia, arte, arquitetura, astronomia e medicina são coisas de preto. Qualquer movimento diferente disso, mesmo a simples hipótese de que os antigos egípcios era negros, é vandalismo demais para aguentar.

“Preciosas, bonitas e guerreiras” – empoderamento feminista das Pearls Negras

Algumas feministas insistem em ler a ideia do recalque como perpetuação do discurso da rivalidade histórica entre mulheres, que nos coloca em posição de constante disputa e revanchismo. Porém, um ouvido mais atento consegue reconhecer que muitas vezes o recalque perpassa questões de raça e classe, pois o lado de lá da ponte têm cor e CEP: é branco e dos bairros da elite.

Editorial Cotas Sim: #NãoSigoaFolha

Diante de nossa luta aguerrida, fica evidente a necessidade de a branquitude defender uma reserva de vagas informal destinada apenas aqueles que tem a cor de pele, entre aspas, correta. No entanto, para nós um pingo é letra. Não nos calaremos diante de quaisquer ataques aos nosso direitos sobre os quais estamos ciosas e cientes mais do que nunca. Manifeste sua opinião. Não siga a Folha para que entendam que continuamos de punhos em riste pela gerência e ampliação de nossas conquistas. Não iremos retroceder nem um passo.

Minha carne não é de carnaval, e nem de Copa do Mundo!

Há algumas semanas acabou o evento mais esperado do ano, a Copa do Mundo da FIFA de 2014. Muito se discute sobre o legado do mundial, que deixou milhares de pessoas desabrigadas em troca da construção de estádios, fez o governo federal investir milhões de reais em policiamento e armamento e mantém até hoje pessoas presas por se manifestarem. Nos estádios, apenas a elite branca e a classe média brasileira, ou seja, pagamos a conta mas quem viu a Copa de perto foram os estrangeiros e os mais ricos.

João Ubaldo Ribeiro morreu. Você sabia?

Sei que já se passaram seis anos, e como bem dizem por aí, brasileiro tem memória curta. O povo não se lembra do que comeu ontem, quem dirá de quem te chibateou no século passado. Afinal, como foi dito por um personagem do filme Besouro, “é só receber um afago que o povo logo se esquece das chibatadas”.

Ser preto tá na moda?

Precisamos acima de tudo perceber que o racismo continua impregnado dentro desses movimentos que dizem que “o preto está na moda”. Só porque a classe média branca gosta do que o negro produz não quer dizer que ela gosta de conviver com o negro nos seus espaços diários, que ela não pratique racismo todo o dia com seu porteiro, com sua empregada.