Educação

Sobre como minha mãe me ensinou consciência racial

Não me lembro de nenhum momento da vida em que não soubesse que sou negra e as implicações que isso tem. Conservo memórias dos primeiros anos de infância em que ouvia minha mãe contando suas experiências com o racismo. Ouvi essas histórias repetidas vezes, mas só muito recentemente percebi o quanto elas foram determinantes na minha vida.

Fica o aviso de que trote opressor não é diversão

Vivemos em uma sociedade que subjulga cotidianamente mulheres, negros (as) e LGBTIs, que afirmar se essas pessoas devem se subordinar ao sistema patriarcal, racista e homofóbico que rege todas as nossas relações. É por isso que ao amarrarem uma mulher negra reproduzem 500 anos de um doloroso processo de escravidão que essa mulher carrega em suas costas. Não é menor, o constrangimento, a vergonha e a falta de força para dizer NÃO. Assim também é a simulação de sexo oral. Afinal, para que servem as mulheres senão para provar sua capacidade de dar prazer a um homem? Que outro valor poderiam ter?

Ocupar a Universidade: Cotas! É o nosso povo colorindo a educação brasileira!

Durante mais de três séculos, nesse país o meu povo ficou do lado de fora do ensino regular, assim como ficou à margem do acesso a emprego, saúde de qualidade e a garantia doa direitos básicos para sobrevivência. Mas meu povo resistiu! E através do Movimento Negro organizado, vem lutando pelo direito ao acesso a educação, enquanto massificamos as taxas de evasão escolar, de mortalidade infantil e materna, além da morte precoce dos nossos meninos, que mortos ou encarcerados acabam desumanizados, deixando de ser gente, tornando-se apenas estatísticas.

Ensinar a pescar não resolve: a debilidade das cotas raciais do Instituto Rio Branco

O projeto afirmativo do Rio Branco é débil por ter sido transformado uma simples cota social inacabada. Não serve nem ao propósito original e não promove a inclusão. Além de não custear adequadamente o estudante negro (o valor mal paga 20 semanas de um bom cursinho preparatório, imagine os livros) força sua entrada por uma minúscula brecha que representa apenas 10% das vagas da primeira fase. Todas as demais etapas são solenemente ignoradas. E pior, sem ao menos verificar quem vivencia de fato a condição estigmatizada de afrodescendente, prática incoerente com os procedimentos adotados na primeira fase de seu processo seletivo.