Racismo

Ah, sim, dentro da caixa? Uma banana!

Mas eu nasci machista? Não. Ninguém nasce machista. Antes eu era até bem crítica. Eu posso ir até onde minha memória consegue se lembrar de quando eu era criança, e dizer que nem sempre minha visão foi assim esquisita. Ela foi moldada por uma concepção machista não só de mulher, mas de ser humano mesmo. Eu sentia calafrios quando alguém, mecânica e originalmente, completava com um infame "cravo e canela?" quando eu respondia que meu nome era Gabriela. A parte de mim que se encantava momentaneamente por ser comparada a uma personagem de novela sorria e dizia, meio sem graça, “sim!”.
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O medo da raça humana

Quem eles são? O que eles pensam? Sim, há boas e valorosas exceções. Há brancos que sabem que são brancos, sabem dos privilégios inerentes a essa condição e lutam para que os não-brancos também os tenham. Mas os que, por cegueira ou inocência, por ignorância ou má fé, insistem em ser vistos e tratados como “apenas pessoas”, pregando o “somos todos iguais” “somos todos de uma só raça: a raça humana”, sem a preocupação de por quem e para quem o conceito de “raça humana” foi construído, têm uma característica em comum: eles têm medo e tentam, a todo custo, disseminar esse medo.

A ministra Luiza Bairros é chamada de anta: o tratamento dispensado à face negra e feminina da política

O respeito à liberdade de pensamento e a imunidade de crítica não devem ser usados para defender a ideia de que o racismo é apenas uma opinião. A herança racista de um país que se diz democrático está posta, nós a sentimos na pele todos os dias quando não acessamos a universidade, quando recebemos tratamento conveniente em função do racismo institucional e quando fazemos sua denúncia, assim como o fez a ministra Luíza Bairros. Estamos falando de uma realidade muito palpável, inclusive estatisticamente.

Tipos ideais negros e a desconstrução de Joaquim Barbosa

tipo ideal, na concepção weberiana, refere-se a uma construção mental da realidade, onde o pesquisador seleciona certo número de característica do objeto em estudo, construindo um tipo que servirá como referencia. Nesse sentido pensemos: para a sociedade brasileira qual seria a idealização do homem negro? Engajado, politizado, intelectualizado, vencedor, casado (com mulher negra)? Ou, trabalhador, forte, sensual, com pouco estudo, morador da periferia? Talvez, desempregado, semianalfabeto, morador da favela e bandido? Quais parâmetros devemos seguir para pensar o negro no Brasil?

Por que a Militância Negra?

É escrever um texto para um blog e esperar que pelo menos alguém se sinta tocado por ele. É estudar, capacitar-se; pois o conhecimento é a maior arma que se tem contra a ignorância. Militar contra o racismo, em prol da igualdade racial, é bater de cabeça num grande bloco de gelo. Vai doer, vai parecer ineficiente durante um tempo, mas no momento em que você perceber uma mudança - por menor que ela seja - aquilo se tornará algo essencial em sua vida. Já não consigo mais ficar calada.
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Editorial – O racismo (des)velado ou Quantas bananas vc quer pra deixar essa estória pra lá?

Nesse caso se aplica uma famosa máxima, só que de um jeito bom – eles não sabem com quem estão mexendo. Sozinho, Thiago Ribeiro conseguiu que tantos racistas deixassem o anonimato que dá até gosto de se ver num país que não reconhece seus privilégios e desigualdades. Ele fez o convite – “Este espaço é destinado a Racistas. Entre, fique à vontade e tire sua máscara! Você não está sozinho!” e muitos atenderam prontamente. É o espetáculo do racismo desvelado, avatar por avatar. Pensaram que iriam calar a vítima com seu rugido. Ledo engano. Apenas demonstraram sua fragilidade diante Oxaguian, esse que habita os corpos daqueles acostumados desde sempre a matar um leão por dia.