Feminismo

Imagem: antifluor, flickr.

Um olhar sobre o machismo e as consequências em saúde para militantes negras

Estou escrevendo sobre isso porque hoje, aos 33 anos, sei que a minha reconciliação com minha mãe e tias somente foi possível a partir deste aprendizado no movimento negro. Ouvindo com atenção as mulheres negras, curando-me de mágoas e repensando politicamente minhas relações afetivas com as demais mulheres. Lembro-me que desde os meus 13 anos, passando pelos 15, minhas tias, devido às alianças com seus seduzidos companheiros pela minha adolescência negra, me isolavam do convívio mútuo, não falavam comigo, ainda que a oralidade e a roda de diálogos sejam expressões singulares africanas, inclusive na diáspora, como terapia comunitária e reconstrução da espiritualidade e das emoções.

Bem vindos ao Brasil colonial: a mula, a mulata e a Sheron Menezes

Sim, sabemos que 125 anos se passaram e a escravidão acabou, porém as suas práticas continuam bem vindas e são aplaudidas por muitos de nós na novela das nove e no programa do Faustão, “pouco original, mas comercial a cada ano”. No tempo da escravidão, as mulheres negras eram constantemente estupradas pelo senhor branco e carregavam o papel daquela que deveria servir sexualmente sem reclamar, nem pestanejar e ainda deveria fingir que gostava da situação, pois esse era o seu dever. Hoje nós, mulheres negras, continuamos atreladas àquela visão racista do passado que dizia que só servíamos para o sexo e nada mais.

Mulheres de Atenas: o reflexo do genocídio da população preta, pobre e periférica na vida das mulheres negras

Pobre, jovem e negro: esse é o perfil exemplar das vítimas de homicídio hoje no Brasil, que se por vezes não morrem através da ação da polícia à mando do Estado genocida, morrem através da guerra contra as drogas que serve como pano de fundo para culpabilizar e consequentemente exterminar os jovens com esse perfil. No Brasil hoje, cerca de 60 mil pessoas são assassinadas todos os anos, dos quais cerca de 70% são negros e pardos.

Mulheres e Negros: que as leis não os separem!!

No cenário da opressão racial de gênero há mulheres livres, amordaçadas em laços afetivo-sexuais não mais ansiados por elas, com prisioneiros dispostos a sentenciar com morte a efetivação anunciada da ruptura de vínculos. Segundo IPEA (Instituto de Pesquisa Aplicada), das mulheres assassinadas no Brasil 31% têm entre 20 e 29 anos e 61% são negras. A taxa de mulheres negras mortas chega a 87% só no nordeste.