Beleza

Gratidão Lupita Nyong’o

Não sei vocês, mas para mim, usar cores já foi difícil, houve um tempo em que usar um batom colorido era impossível, achava que as cores não combinavam com pele preta. O que pode parecer besteira, não é, essa minha insegurança (e acredito que seja de outras mulheres também) reflete o quanto nós, negras, infelizmente ainda sofremos com a falta de referências, essas que crescemos sem.
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O discurso de Lupita Nyong’o

Quero aproveitar esta oportunidade para falar sobre beleza, beleza negra, beleza escura. Eu recebi uma carta de uma menina e gostaria de compartilhar apenas uma pequena parte dela com vocês: "Cara Lupita," onde se lê : "Eu acho que você realmente tem sorte por ser tão negra e ainda tão bem sucedida em Hollywood. Eu estava prestes a comprar um creme da "Whitenicious" para clarear minha pele quando você apareceu no mapa e me salvou.

Questionamentos sobre pele negra e a modificação corporal

Beleza é algo totalmente subjetivo, e o que temos são particularidades naturais aos diferentes corpos humanos. Os profissionais devem estar conscientes de que usar fotos somente de pessoas brancas em seus portifólios se mostra como um desserviço a nossa população de maioria negra, pois pode passar falsas informações quanto as especificidades da tatuagem adequada para os variados tons de pele. Acredito que esta prática vai contra até mesmo a divulgação de seu trabalho, pois deixa de demonstrar todas as habilidades do tatuador, além de revelar, também, a descarada invisibilidade da população negra.

Estética: Liberdades, Moda e Identidade

Ai é que eu afirmo que avançamos, mas ainda estamos num campo perigoso. Por que ser socialmente aceito como exótico, não é lá uma vantagem. É “menos pior” do que ser rejeitado, mas ainda não é uma liberdade plena conquistada. A moda afro ter avançado no mercado tem, no momento, que conviver com essa faca de dois gumes: sair de territórios demarcados para galgar uma universalidade, mas em contrapartida ainda não ser encarado com naturalidade: ser sempre a moda do OUSADO, do super fashion, do Cult, menos o traje de uma identidade afirmada.

A carne mais exótica do mercado

Meninas e mulheres dos mais diversos contextos sociais sofrem com a sexualização exercida pela sociedade. As mulheres negras, no entanto, precisam lidar com estereótipos raciais que hipersexualizam seus corpos não somente por seu gênero, mas também por sua cor. Quando a mulher negra não é considerada indesejável e respulsiva devido a sua pele, acaba se tornando alvo de objetificação racista, que a exotifica sexualmente. Esses estereótipos acabam naturalizando a violência sexual contra as mulheres negras e limitando sua existência a um limbo de rejeição e indesejabilidade.
Lia de cabelo black, fotografia com a qual competiu e ficou em segundo lugar no concurso modelo black.

Seu cabelo black combina com qualquer roupa

Falei da minha irmã pois sei de algumas desculpas usadas para se alisar o cabelo e, desejo com a história da minha irmã desfazer de forma lógica essas desculpas. A primeira e mais fácil de destruir é a de que o black combina com alguns estilos, alternativas, hippies, dependendo de como a mulher se veste não fica bem. Pelo perfil da minha irmã, advogada impecável, que vive vestida para ir a fórum, escritório e audiências, o senso comum a imaginaria de cabelo alisado. Seu black combina com qualquer roupa que coloca.