Saúde e Beleza

Negra e grávida: ainda mais invisível?

As discussões sobre humanização do parto e nascimento eram praticamente novidade total para mim quando me descobri grávida, em janeiro de 2011. Apesar de não ter muita informação, de cara eu já sabia que queria que meu filho ou filha viesse ao mundo por parto normal. Mal sabia eu a luta que precisaria enfrentar para que isso fosse possível. A realidade dos atendimentos nos serviços de saúde não é animadora de um modo geral, e o quadro piora quando se trata de atendimento a mulheres negras. De acordo com Alaerte Martins (2000), as mulheres negras tem 7,4 vezes mais chances de morrer antes, durante ou pouco tempo após o parto, do que mulheres brancas. Além de doenças pré-existentes e falta de acesso a serviços de saúde, o atendimento prestado às muheres negras pode ajudar a explicar esses números.

A carne mais exótica do mercado

Meninas e mulheres dos mais diversos contextos sociais sofrem com a sexualização exercida pela sociedade. As mulheres negras, no entanto, precisam lidar com estereótipos raciais que hipersexualizam seus corpos não somente por seu gênero, mas também por sua cor. Quando a mulher negra não é considerada indesejável e respulsiva devido a sua pele, acaba se tornando alvo de objetificação racista, que a exotifica sexualmente. Esses estereótipos acabam naturalizando a violência sexual contra as mulheres negras e limitando sua existência a um limbo de rejeição e indesejabilidade.

Um texto pra mãe que tem uma filha lésbica

Você nunca quis que eu fosse lésbica. Você nunca quis que eu fosse jornalista (ainda não, mas estou indo de encontro para.). Você nunca quis que eu fosse gorda. Você nunca quis que eu morasse longe. Você nunca quis que eu tivesse cabelo colorido e curtinho. E veja só você no que foi que eu me tornei: naquilo que você não queria. E isso não foi escrito com ironia, mãe. Eu sou subversiva por natureza, percebe? Não faço de propósito, é que eu acredito em mim dessa forma, só assim me sinto bem, forte suficiente pra vencer toda essa muralha de desafios que eu tenho pela frente.
Lia de cabelo black, fotografia com a qual competiu e ficou em segundo lugar no concurso modelo black.

Seu cabelo black combina com qualquer roupa

Falei da minha irmã pois sei de algumas desculpas usadas para se alisar o cabelo e, desejo com a história da minha irmã desfazer de forma lógica essas desculpas. A primeira e mais fácil de destruir é a de que o black combina com alguns estilos, alternativas, hippies, dependendo de como a mulher se veste não fica bem. Pelo perfil da minha irmã, advogada impecável, que vive vestida para ir a fórum, escritório e audiências, o senso comum a imaginaria de cabelo alisado. Seu black combina com qualquer roupa que coloca.