Saúde

Outubro Rosa – Falar de câncer de mama também é falar de racismo

No exato momento em que escrevo, incontáveis mulheres negras estão em tratamento de um câncer de mama. Talvez você ou alguém próxima também esteja passando por uma situação parecida. Então, antes de mais nada, deixo aqui meus sinceros votos de sucesso. Que todas as mulheres, em especial as negras, que passam ou passarão pela doença sobrevivam. Sem racismo, com cuidado e acolhimento que todas precisamos nesse momento.
Imagem: antifluor, flickr.

Um olhar sobre o machismo e as consequências em saúde para militantes negras

Estou escrevendo sobre isso porque hoje, aos 33 anos, sei que a minha reconciliação com minha mãe e tias somente foi possível a partir deste aprendizado no movimento negro. Ouvindo com atenção as mulheres negras, curando-me de mágoas e repensando politicamente minhas relações afetivas com as demais mulheres. Lembro-me que desde os meus 13 anos, passando pelos 15, minhas tias, devido às alianças com seus seduzidos companheiros pela minha adolescência negra, me isolavam do convívio mútuo, não falavam comigo, ainda que a oralidade e a roda de diálogos sejam expressões singulares africanas, inclusive na diáspora, como terapia comunitária e reconstrução da espiritualidade e das emoções.

A saúde mental da população negra

Por que pessoas negras desenvolvem transtornos mentais e por que não recebem auxílio psicológico? O racismo precisa ser apontado, revelado e discutido. Sem combate ao racismo, não há saúde pública mental no Brasil. Não é mais possível manter a folclorização do sofrimento: a mente cuidada não pode ser um privilégio de poucos.