Desconstruindo a mãe preta: amamentação e o cuidado das mulheres negras

Amamentar vai além de qualquer definição. É, mais que tudo, um momento partilhado de promessas realizadas e aquelas que estão por vir. Significa também que é preciso tempo, cuidado e atenção, para si e para o outro em todas as horas do dia.

Para nós, mulheres negras, amamentar tem sido também um sequestro que se concretiza através da construção da figura histórica da ama de leite e da mãe preta que deixariam de cuidar dos seus para voluntariamente nutrir os filhos das famílias brancas.

Precisamos lembrar, mesmo que de um lugar de fala cisgênero, que homens trans e pessoas não binárias também podem amamentar desde que isso não signifique uma violência, se o desejarem e tiverem condições para tanto.

Para a pessoa preta, seja ela de que posição no mundo esteja e observando suas particularidades, dividir o ato da amamentação consigo e com os seus significa ser extremamente política a partir da ótica do pertencimento racial, da cor da pele, da identidade de gênero, da classe e também do direito de escolha.

Muitas de nós são impedidas de amamentar pela necessidade de deixar os filhos muito precocemente para se dedicar ao trabalho. Outras, por conta da necessidade de tomar remédios ou se submeter a tratamentos médicos, também não conseguem nutrir os filhos como deveriam e gostariam.

Amamentar pode ser muito doloroso para aquelas que não puderam exercer seu direito de escolha sobre ter ou não filhos, significando sofrimento para si e para o bebê. Não que haja algo de esotérico ou místico no ato de amamentar, mas porque o mais importante dessa partilha estará prejudicado – a comunicação.

Você precisará estar disponível não apenas física mas sobretudo psicologicamente para si e para aquela pequena criatura que depende de você para tudo. Trata-se de estar disponível para o outro que, para transmitir suas necessidades e desejos, tem apenas o olhar e o choro.

Lembrando também que o direito ao aleitamento materno é um direito previsto no Estatuto da criança e do adolescente e na CLT. Por enquanto, a licença maternidade tem 180 dias e é um direito de todas, devendo ser reivindicado como uma conquista nas leis trabalhistas.

Amamentar é de fato muito mais que tudo o que foi dito até aqui. A boa notícia é que com o tempo a gente pega a manha. Aprende a enfrentar os olhares de quem acha que amamentar é algo que não se pode fazer em público. E também a falar com o bebê sem abrir a boca.

Mas para ter o prazer desse momento, sim o prazer que nada tem de sexualizado ainda que alguns insistam nisso, você tem de tomar alguns cuidados. Alimentar-se bem, dormir bem, beber muita água e ter muita atenção com a pele do seio.

Tenha sempre o cuidado de hidratar a pele dos seios com especial atenção para os mamilos que devido a amamentação podem ficar ressecados: Há mães que pra hidratar os mamilos prefiram óleos vegetais, outras falam do uso do Bepantol Derma em creme na área. Usando, por exemplo o Bepantol, antes de cada mamada você vai precisar retirar o produto com água e sabão para que o bebê possa se alimentar e logo após que a nutrição estiver completa, você reaplica o produto.

Esse cuidado é um enorme carinho para si e para o bebê, já que essa pequena medida evita o ressecamento dos mamilos que, sem hidratação pode evoluir para rachaduras e inflamações. Este processo, além de ser muito doloroso para mãe, pode até impossibilitar a amamentação.

Pensar na amamentação para além daqueles estereótipos que nos foram impostos é trabalhar nossa autonomia de mulher negra cis ou trans que tem possibilidade de decidir sobre ser mãe. É repensar as imposições da sociedade que nos obriga a escolher entre ficar desempregada para cuidar e amamentar nossas crias ou continuar a labuta e abdicar de estar perto, em nome de manter financeiramente a família.

Que cada vez mais possamos ter dignidade, e que seja prioridade na nossa luta, pensar nas mães todas que, por direito, precisam estar próximas das suas crias enquanto crescem, saudáveis e bem cuidadas! Detalhes que parecem pequenos, mas que nos lembram que para estar bem para o outro, precisamos antes de tudo estarmos bem para nós mesmas.

autora: Charô Nunes

Este texto é patrocinado por Bepantol® Derma. A marca respeita as diversas opiniões e acredita que desta forma se constrói uma sociedade mais consciente e igualitária. | L.BR.MKT.08.2017.8329

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