Eu ajoelhei

Ajoelhei. Eu ajoelhei na Praça do Parlamento. Nós ajoelhamos. Foi num domingo, dia 07 de
Junho de 2020 em Londres. Um ajoelhar por mim, por nós, por todos que injusta e cruelmente,
foram executados. Pelas mãos e mentes de um sistema racista. Logo cruel, insensível,
opressor, alguns destes que são componentes intrínsecos do racismo.

Foi por George Floyd, foi por Marielle, Amarildo; por Cláudia; por João Pedro; Miguel e
tantos, tantos, tantos outros que ao se eliminar a vida, elimina um pouco de cada um de nós.
Conscientes de nós, que ao existir, e o existencialismo ensina: temos o livre arbítrio e ser livre é
o nosso condenamento. Como disse Jean-Paul Sartre: “Estamos condenados a ser livres.”

Este ser livre infringe o caminhar do racista que sente a náusea de ser e a externaliza no ódio
pelo outro, um ódio racial. O complexo de superioridade que em sua escolha livre de ser, e
em seu privilégio, que fora dotado historicamente, ter catalogado inúmeras conquistas em
detrimento da vida, da alma, do livre arbítrio do outro. Do ser.

Quando se incute da história, que se reproduz em obras, episódios absolutistas e estes entram
para o currículo acadêmico, se normaliza a opressão. Daí ter o opressor respaldo para suas
intempéries e atitudes racistas. Até mesmo para justificar uma execução.

O racismo impregnado em seu ser, não mais será tolerado. Enough is enough (Já basta)! Seu poderio
respaldado pela academia, por obras, religiões, vai ser ainda mais combatido. Onde o senso de
inatismo será rebatido como John Locke o fez ao apresentar ao mundo, o Empirismo em sua
obra “Ensaio acerca do Entendimento Humano”, onde afirma ser a mente, uma “tabula rasa” e
que toda idéia de um humano advêm de uma experiência vivida. O que denominou, “experiência
sensível.”

Todo seu racismo aprendido e adquirido, será combatido. Nós andamos, corremos, falamos,
somos, vivemos e respiramos, mesmo que a alguns, o respirar seja negado!

Nós precisamos respirar livres do seu julgamento e concepção do que um ideal de boa
aparência pode ser. WE CAN BREATHE (nós podemos respirar), assim como nós podemos ser. Sem o seu impedimento.

Estamos promovendo manifestos por todo o mundo. Quando eu digo nós, estou a dizer nós
negros, brancos, indígenas, asiáticos. Todos nós!

A violência de hoje e a violência colonial, tão atual. Como Frantz Fanon psiquiatra, filósofo e
ensaista, com muita propriedade escreveu sobre, há anos, e é tão atual.

Seria a violência contra atacada com violência, tida a contra-violência, exasperadamente
ao longo dos anos, julgada como culpada? A vilã? Até quando? A violência primeiramente
impetrada, deve ser a primeira fonte a ser analisada, ter julgamento e punição. Se houver
punição e justiça efetivamente instaurada, contra-violência jamais seria/será implementada.
Quando impunidade e opressão inter-relacionadas concomitantemente, incitam o ódio, as
dores, o afetar da psique.
Entendam, DE UMA VEZ POR TODAS, sem JUSTIÇA não há PAZ!
Nossos joelhos não se dobraram em vão! Prestem bem atenção.

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Reparei que todas elas, inclusive a policial negra que conversou comigo, tinham cabelos super escovados. Já enviei email para a Ouvidoria da Polícia Federal. Espero que eles mudem esse sistema. Ainda estou meio confusa, não sei o que devo fazer, se devo ir à Justiça para denunciar todo esse constrangimento que passei. Mas aqui denuncio para que todos os meus conhecidos saibam do ocorrido. E se puderem levar a denúncia adiante, ficarei grata. Obrigada.