1ª Roda de fogueira com as mestras do Cupuaçu

1ª Roda de fogueira com as mestras do Cupuaçu

traz Graça Reis, na quarta-feira.

Imagem – Raquel Catão

O Grupo Cupuaçu de Danças Brasileiras, que há quase 40 anos faz a festa do Boi no Morro do Querosene, convida todos para sua 1ª Roda Fogueira com as Mestras do Cupuaçu. Será na quarta feira agora, dia 28 de outubro, às 20h. A fogueira estará ao vivo em nossa sede, mas a conversa será online, com transmissão ao vivo pelo Face e youtube. Nossa primeira mestra a dividir sua sabedoria será Graça Reis de Menezes, mestra de cultura popular e caixeira do Divino.

Vou falar um pouco do que sei. Não tenho faculdade, minha escola foi minha família. A casa da gente é nossa grande faculdade”, comenta Graça. Ela canta e toca, atualmente, com grupos reconhecidos na cultura brasileira, como A Barca, Ponto BR, além de sua carreira solo. Ela e as caixeiras de sua família: Dindinha, Zezé Menezes e Bartira Menezes.

As Caixeiras do Divino trazem consigo toques e vozes femininas, são um recorte de uma expressão da mulher dentro da cultura brasileira. Elas vêm de uma história em que, há mais de século, os homens que tocavam as caixas do divino – um tambor específico dessas brincadeiras do Divino – foram levados pelas guerras, e quando o Imperador viria ao Brasil e chegaria ao Maranhão, as mulheres tomaram os tambores e colocaram suas vozes nessa festa sagrada.

Isso só acontece no Maranhão, em outros estados são homens que tocam. Isso trouxe gerações de mulheres que trazem suas rimas, suas cantorias para esse universo de brincadeiras em todo o estado do Maranhão.

As Caixeiras do Divino da família Menezes realizam, em São Paulo, a Festa do Divino em parceria com a associação Cachuera!

As Caixeiras, assim como a família Menezes, são parentes sanguíneos do saudoso pai Euclides, fundador da casa Fanti Ashanti. Todos pertencem a essa casa. Uma das mais tradicionais casas de Candomblé do País.

Graça Reis trouxe a religiosidade para somar com o Grupo Cuapuaçu”, diz mestre Tião Carvalho, artista maranhense que, entre vários tipos de atuação artística em São Paulo, desde a cultura brasileira, a dança na metrópole, o Bumba meu Boi, criou também a Festa do Boi no Morro do Querosene. Uma Festa que representa uma migração da cultura pelo País. Um fenômeno rico – estudado em teses de doutorado e dissertações de mestrado – pelo País.

Pois as manifestações populares são migrantes, elas acompanham os homens escravizados, por exemplo, desde sua migração forçada da África, passando pela península Ibérica até a América Latina. A manifestação popular migra e se recria, e acolhe sempre a comunidade que a recebe. É das coisas mais vivas e que se transformam entre as expressões artísticas da contemporaneidade.

Fora o trabalho musical nos grupos e o arte das Caixeiras, Graça traz história com outras brincadeiras, como as de Caroço, e assim como as outras mestras, que além de cantar, dançar, tocar, também cozinham, limpam e conversam com as outras mulheres do grupo sobre partilha de trabalhos dentro do grupo, a participação dos homens em todos os trabalhos durante uma festa, entre outras orientações ao grupo.

Um mestre não se dá esse título, os outros dão. Ele vem de baixo, encarando desafios e aprendendo, ultrapassando os Nãos, os desafios como trabalhador, como artista, como mulher”.

Teremos roda de fogueiras e mestras, com mestres e também com jovens mestres, durante 2020 e 2021, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.