A estreia do projeto Quadriloseres, dos pernambucanos Isadora Melo e Amaro Freitas abre a programação. No dia seguinte, o capixaba Juliano Gauche faz show dando continuidade à turnê do seu terceiro disco Afastamento. A cearense Ilya encerra o fim de semana musical apresentando ao público de São Paulo o seu primeiro CD, Doces Náufragos

As noites do fim de semana de 21 a 23 no Itaú Cultual transpiram música. Na sexta-feira, às 20h, o instituto recebe a parceria entre os conterrâneos Amaro Freitas e Isadora Melo, que lançam o seu projeto Quadriloseres. No sábado, mesmo horário, Juliano Gauche sobe ao palco da Sala Itaú Cultural, com o show de seu mais recente disco, Afastamento. A partir das 19h do domingo, o público conhece Doces Náufragos, primeiro trabalho de Ilya, cantora cearense, recém-chegada a capital paulista.

Amaro Freitas tem se desatacado na cena musical como uma das maiores promessas do jazz da atualidade. Isadora Melo, é um a cantora expoente da música autoral e neste ano passou a integrar o Cordel de Fogo Encantado, que saiu em aguardada turnê após oito anos de hiato. Juntos, na sexta-feira, eles lançam no Itaú Cultural Quadriloseres, neologismo que mistura os seres em uma única quadrilogia: sincronismo, piano, voz e os corpos dos artistas. A dupla já se apresentou junta em outras ocasiões, mas este novo projeto nasce da vontade dos dois em dar corpo à parceria.

Com duas canções inéditas, a homônima Quadriloseres e Tripé, desempenhada no piano a partir do ritmo do coco, o trabalho é majoritariamente composto por regionalismos e músicas da América Latina, que, nas palavras de Freitas, são coisas que estão acontecendo por aí e ninguém presta atenção. No repertório, eles trazem releituras de Lamento Sertanejo, de Dominguinhos e Gilberto Gil, Brasileiro, de Júlio Holanda e Juliano Holanda, Fina Estampa, de Chabuca Granda, Barco Quieto, de Maria Elena Walsh, Conseguiram Parabéns, de Manduca, e Volta pra Casa, de Zé Manoel.

Eles introduzem na apresentação o conceito de piano preparado, colocando dentro do instrumento alguns objetos como cartão de crédito, bule de café ou almofada, para criar outras texturas musicais. A poetisa Luana Vitrolira faz uma participação especial no show, recitando uma poesia junto de Isadora.

No sábado, de Juliano Gauche leva à Sala Itaú Cultural Afastamento, seu terceiro disco. Produzido pelo cantor e co-produzido por Fernando Catatau, líder do grupo Cidadão Instigado, o álbum traz músicas que falam de memórias e da infância de Gauche, vivida em Ecoporanga, cidade no Espírito Santo, onde nasceu. Na apresentação, ele também canta músicas dos discos anteriores Juliano Gauche, de 2013, e Nas Estâncias de Dzyan, de 2016.

Em Afastamento, Gauche procurou se distânciar das influências que já possuia e marcaram sua trajetória musical, buscando uma aproximação maior com a música eletrônica. No show, além dele, na voz e guitarra, tocam Kaneo Ramos, também na guitarra, Gustavo Souza, na bateria, Daniel Lima, no baixo, Klaus Sena, nos teclados, e Daniel Viana, nos violões.

Encerrando os shows do final de semana, no domingo, às 19h, o Itaú Cultural apresenta ao público outro projeto: o primeiro disco solo da cantora cearense Ilya, que acaba de se mudar para São Paulo. Doces Náufragos reúne as próprias composições da artista às de uma cena contemporânea de compositores, como Daniel Groove, José Rodrigues, Daniel Medina, Michele Tajra e Maria Ó.

Entre os destaques está a canção Se eu Saio e Você Dança, que segundo Ilya, fala de fluxos e relações, mudanças, encontros e lembranças. “É uma forma de mostrar que a vida segue, envolta a uma melancolia que baila”, conta ela. Foi escrita por Maria Ó, que é paulistana, tem uma forte ligação com Fortaleza e em um desses fluxos encontrou a cantora. A música pode ser ouvida no link: https://www.youtube.com/watch?v=CXaTHyF8Jbs.

O show de lançamento de Doces Náufragos no instituto conta com a presença dos músicos cearenses Cláudio Mendes, Rian Batista e Beto Gibbs, além da participação especial de Vitor Colares, Igor Caracas e Soledad. A cenografia do show é assinada por Lu Grecco, cenógrafa do Castelo Ra-Tim-Bum. Ela propõe uma brincadeira com tecidos, panos e parangolés, que conversam com a luz da apresentação e o figurino dos músicos.

Sobre os artistas

Amaro Freitas nasceu em 1991, em Recife. É graduado em Produção Fonográfica e trilha carreira como compositor, pianista, arranjador, tecladista e diretor musical. Por meio da música instrumental, ele ocupou espaços como Teatro BNDES, no Rio de Janeiro, Conservatório Pernambucano de Música, Paço do Frevo, ambos no Pernambuco, Auditório Ibirapuera, em São Paulo, Instituto Ling, no Rio Grande do Sul, entre outros.

Foi vencedor do Prêmio MIMO Instrumental e Savassi Jazz, em 2016, além disso, já se apresentou em importantes festivais do país, como: Rio das Ostras Jazz e Blues, no Rio de Janeiro, Jurerê Jazz, em Santa Catarina, Jazz na Fábrica, em São Paulo, Cerrado Jazz (BSB), Festival de Inverno do SESC Rio, em Petrópolis, e Festival de Inverno de Garanhus, no Pernambuco. No currículo também constam elogiosas críticas de especialistas, como: Júlio Maria – Estado de São Paulo, Juarez Fonseca – Zero Hora, Leonardo Cavalcanti – Correio Braziliense, Carlos Calado – Valor e Estado de S. Paulo e Antônio Carlos Miguel – Site G1.  Amaro Freitas, também participou de discos importantes, como do também pernambucano: Lenine (Em Trânsito – 2018).

Ilya é destaque na efervescente cena contemporânea de compositores e intérpretes cearenses. Começou sua trajetória como integrante do grupo Tripulantes da Sabiabarca, junto de Carlos Hardy e Diego Ramires. Com eles, circulou em festivais e importantes palcos de Fortaleza e do Nordeste. Com forte influência na cultura popular e em meio a timbres e batidas eletrônicas, ela formou também a dupla eletrônica Mantra Coité, com DJ Motor, improvisando e compondo. Participou do Livro-CD BULBRAX- Sociomorfologia Cultural de Fortaleza, do escritor Flávio Paiva, onde gravou com Chico Cesar. Em 2017, integrou o já tradicional bloco de carnaval As Gata Pira. Paralelamente a esses projetos, ela se lançou solo, produzindo singles e videoclipes durante o processo de pré-produção e gravação do seu álbum.

Os três primeiros singles lançados, já ganharam clipes. Canções de Mar, de José Rodrigues, foi o primeiro: dirigido e encenado pela própria artista e editado por Igor Cândido, seguido de Se eu Saio e Você Dança, foi gravado ao vivo durante a sua participação no programa Porto Dragão Sessions, e contou com a produção musical de Yury Kalil, integrante da banda Cidadão Instigado. O clipe foi lançado com destaque no festival Maloca Dragão, no palco da Praça Verde. A direção é da própria ILYA, com edição de Isadora Stevani, captação de Jamille Queiroz, que, junto com a Laubordando, também foi responsável pelas intervenções de bordados. O terceiro clipe, Balneabilidade Livre, foi uma realização coletiva, trazendo no time nomes como Clara Capelo, Monstra, Themis Memória e a própria Ilya. Isadora Stevani assina a edição e finalização.

Isadora Melo foi vocalista do grupo Arabiando, entre 2009 e 2012. Neste período entrou nas rodas de choro do Recife, angariando elogios de público e crítica como revelação da nova canção pernambucana. Aos 28 anos, a cantora acumula no currículo importantes apresentações nos palcos do ExcentriCidades, Museu do Estado de Pernambuco, Festival Contemporâneos, do Teatro de Santa Isabel, além de passagens pelas cidades de Bordeaux e Orleans, na França, e Lisboa, em Portugal, festival Cancion sobre Cancion com o grupo Argentino Chanco a Cuerda, festival REC Beat, festival de inverno de Garanhuns e Festivália, além de participações em discos e shows da Orquestra Contemporânea de Olinda, Zé Manoel e Juliano Holanda.

Como atriz participou da série Amorteamo, da Rede Globo, em 2015, com direção de Flávia Lacerda, e no ano seguinte integrou o espetáculo musical Gabriela, com adaptação e direção de João Falcão, que também escreveu e dirigiu o espetáculo musical Dorinha, Meu Amor especialmente feito para Isadora. Em 2016 também lançou o primeiro álbum Vestuário. Com ótimas críticas de mídias de porte nacional, Isadora se consolida como uma voz importante no cenário atual da música autoral pernambucana. Lançou recentemente Réstia, uma série de vídeos para youtube com direção de Helder Tavares e direção musical de Rafael Marques, e pesquisa repertório e sonoridades para um novo disco.

Juliano Gauche é cantor e compositor. Lançou em 2013 seu primeiro disco, sem título, em 2016 o segundo, Nas Estâncias de Dzyan, e em 2018 o terceiro, Afastamento.  Três álbuns autorais, influenciados pelos movimentos de contracultura e pela música popular contemporânea. Depois de tocar e gravar com a banda Solana e participar de alguns projetos interpretando compositores brasileiros entre 2003 e 2013, começou seu trabalho solo. Inspirado na estética dos anos 70, na literatura moderna, nas melodias de jazz e na simplicidade do rock. Suas canções servem de base para um som forte e cheio de dinâmicas.

SERVIÇO:

Amaro Freitas e Isadora Melo lançam Quadriloseres

Dia 21 (sexta-feira), às 20h

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: livre

Local: Sala Itaú Cultural

224 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: uma horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras

Juliano Gauche com Afastamento

Dia 22 (sábado), às 20h

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: livre

Local: Sala Itaú Cultural

224 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: uma horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras

Ilya apresenta Doces Náufragos

Dia 23 (domingo), às 19h

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: livre

Local: Sala Itaú Cultural

224 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: uma horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras