O número de publicações autorais e participações de mulheres em antologias, saraus e slams tem crescido na cena da literatura marginal/periférica, por isso, o Festival Literário de Poços de Caldas, o Flipoços, promove uma mesa para discutir o tema com as escritoras Luz RibeiroMel Duarte – ambas campeãs de poesia falada – Paulina Chiziane (direto de Moçambique) e Roberta Estrela D’Alva. A mediação é com a jornalista Jéssica Balbino. O evento é parte do Encontro de Arte da Periferia, que está todos os anos no festival e ocorre no dia 03 de maio às 17h30 no Teatro Benigno Gaiga. A entrada é gratuita.

Nesta 12ª edição do Flipoços, as escritoras vão conversar sobre as próprias produções na literatura feita a partir das periferias – tanto no Brasil como em Moçambique, sobre o papel da mulher na literatura e sobre a força da poesia falada.

Entre as convidadas estão Paulina Chiziane, a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, que luta por direitos das mulheres no país e dialoga intensamente com outras mulheres negras por meio da arte. No Flipoços ela integra a comitiva de escritores africanos e no bate-papo, vai contar um pouco da experiência da escrita no país em que vive.

 

Slam: a força da poesia falada

As outras convidadas da mesa devem falar também sobre ser mulher negra e escrever, sob a ótica de quem vive no Brasil, mas também representa o país em eventos internacionais de Slam – campeonato de poesia falada.

Entre as convidadas estão Mel Duarte, que em 2016 venceu o Rio Poetry Slam, campeonato de poesia falada no Rio de Janeiro, com 15 outros poetas de diferentes nacionalidades, Luz Ribeiro, que venceu o Slam BR também em 2017 e neste ano vai para a França representar o Brasil na copa do mundo de poesia falada. A atriz-MC, apresentadora e pesquisadora Roberta Estrela D´Alva também participa do bate-papo. Ela é a responsável por realizar no Brasil o primeiro slam, em 2008 e ajudar a fomentar o cenário desde então, culminando com cerca de 50 slams atualmente em todo o país.

“A cena dos slams tem crescido muito no país, assim como a participação das mulheres. Em 2016, algumas amigas, inclusive a Luz Ribeiro, e eu começamos a fazer o Slam das Minas – SP, inspirado em um movimento que já existia em Brasília (DF) e percebemos que faltava esse espaço em que as mulheres se sentissem à vontade para falar, declamar, performar. E é também uma forma de garantir mais equidade na participação das mulheres na final do Slam BR, que reúne os slams de todo o país e define o vencedor, que irá para a França. Tem sido muito bom participar desta cena toda, acompanhar a evolução das outras manas e sentir essa mudança. Vai ser muito bom poder falar mais disso no Flipoços, contar sobre essas experiências e inspirar mais irmãs da poesia”, destacou a poeta Mel Duarte.

O bate-papo terá mediação de Jéssica Balbino, jornalista que atua como curadora do Encontro de Arte da Periferia desde 2009 e pesquisou a produção literária feita por mulheres brasileiras durante o mestrado em Divulgação Cultural pela Unicamp.

 

***ENTRADA GRATUITA***