Campanha pela vida de adolescentes e jovens é lançada em Belo Horizonte com parceria do poder público, da universidade e dos movimentos sociais

#FAZDIFERENÇA mapeou práticas de profissionais que atuam com a juventude em risco social. Evento de lançamento acontece na próxima terça-feira, às 14h, gratuitamente

Belo Horizonte, 17 de setembro de 2020 – O que mantém a vida dos nossos adolescentes e jovens no país onde são um dos principais alvos de morte violenta? Com esta provocação, nasceu a campanha #FAZDIFERENÇA, mapeamento de práticas cotidianas realizadas nas escolas, nos centros de assistência social, nas unidades socioeducativas, nos movimentos sociais e em outros diferentes espaços de Belo Horizonte, que podem auxiliar a juventude em situação de vulnerabilidade social a remar contra a maré das estatísticas.

O lançamento acontece na próxima terça-feira, dia 22, às 14h, pelo canal do Youtube da campanha. Participam do evento Benilda Brito, professora e integrante do Nzinga – Coletivo de Mulheres Negras, Cássia Vieira, coordenadora do Fórum Permanente do Socioeducativo de Belo Horizonte, Leandro Zerê, integrante do Fórum das Juventudes da Grande BH, e Rafaela Lima, coordenadora da ONG Associação Imagem Comunitária (AIC). As atrações culturais ficam a cargo dos jovens da comunidade Vila Pinho, do Barreiro.

No evento, serão lançados o livro digital e a plataforma da campanha, que também conta com uma série de podcast e vídeos. Todos os materiais serão disponibilizados gratuitamente. #FAZDIFERENÇA é uma realização do Fórum Permanente do Socioeducativo de Belo Horizonte e da Associação Imagem Comunitária (AIC).

BREVE CONTEXTO

#FAZDIFERENÇA nasceu do desejo de dar visibilidade às práticas cotidianas de diversos profissionais que atuam com adolescentes e jovens, mas que, muitas vezes, não têm espaço nos fluxos e protocolos institucionais. Para entender essa realidade, entre março e agosto deste ano, foi realizado um longo processo de escuta com juízes, defensores públicos, promotores e procuradores de justiça, assistentes sociais, psicólogos, educadores, agentes de segurança socioeducativos, pesquisadores, militantes entre outros, para entender como cada um pode fazer a diferença para preservar a vida da juventude com a qual trabalha.

“Esse adolescente não morreu semana passada, mas quando nós, enquanto instituições, começamos a dizer também que não tinha mais jeito. Eles morrem muito antes dos óbitos acontecerem”, avaliou Fabia Carvalho, coordenadora geral do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte de Minas Gerais (PPCAAM). Opinião compartilhada entre parte significativa do sistema de justiça juvenil, como demonstra a defensora pública Ana Paula Canela: “os jovens chegam na Defensoria emoldurados pelo ato infracional, a faceta mais opressora do Estado. É muito difícil para esse adolescente desconstruir esse etiquetamento que o sistema faz. Cabe a nós oferecermos uma escuta qualificada e um espaço de voz para eles”.

Diante de uma realidade permeada por vulnerabilidades e riscos sociais das mais diversas ordens, os profissionais demonstram que fazem diferença quando deixam de se contentar com a simples oferta de serviços públicos, construindo soluções criativas com os adolescentes e os jovens atendidos. “Por mais que as histórias se repitam, cada adolescente é um universo”, conta a técnica do CREAS Marisa.

O resultado desse processo resultou na publicação Faz Diferença – Um convite para comprometer-se cotidianamente com a vida de adolescentes e jovens, que também apresenta propostas educativas de trabalho com o público juvenil. Além disso, a campanha apresenta vídeos com depoimentos dos participantes e uma série de podcasts, que reúne a voz de pesquisadores, militantes e trabalhadores com experiência na área. Para saber mais, acesse as redes sociais: https://www.instagram.com/oquefazdiferenca/.