Enciclopédia Itaú Cultural retoma série “Cada Voz” com a cirandeira Lia de Itamaracá em conversa sobre sua vida e carreira

Enciclopédia Itaú Cultural retoma série Cada Voz com a cirandeira

Lia de Itamaracá em conversa sobre sua vida e carreira

 

Conduzidos pelo fotógrafo Marcus Leoni, os vídeos capturam o pensamento de artistas de diferentes vertentes da cultura, sobre seus processos de criação, visões a respeito das próprias trajetórias e pontos de vista sobre o tempo atual. Os registros aproximam

o público da intimidade do artista, que permite a entrada no camarim,

no ateliê ou espaço de criação

 

 

 

Em todas as quartas-feiras, de 3 de agosto a 14 de dezembro, a Enciclopédia Itaú Cultural www.enciclopedia.itaucultural.org.br retoma a série Cada Voz, produzida pelo fotógrafo Marcus Leoni. Ele entrevista, em vídeo, artistas de diferentes áreas de expressão, como literatura, música, teatro e artes visuais. Nesta edição, o primeiro vídeo, disponibilizado dentro do verbete de cada artista, é da cantora Lia de Itamaracá, no dia 3, seguido pela escritora Índigo no dia 10. A conversa com a artista visual Sônia Gomes é disponibilizada no dia 17. No dia 24, sobe a do escritor Oswaldo de Camargo e a da atriz Léa Garcia, no dia 31.

 

Na sua fala, a pernambucana Lia de Itamaracá compartilha sua história de vida e a construção de sua carreira. A ciranda dela traz a marca do seu povo e do seu lugar – a partir de onde olha o mundo e se inspira –, tomando emprestado o nome da Ilha onde nasceu e vive. “A ciranda não tem preconceito, é uma dança de roda, de confraternização. É um amor. Casa e batiza, não separa. É onde todo mundo dá-se as mãos e vai na maior harmonia”, explica na conversa.

 

A cirandeira lembra a infância, quando, aos 12 anos, começou a se interessar pela música e passou a ter o sonho de cantar. Foi com 19 que gravou o primeiro LP e assumiu responsabilidades no meio para seguir na carreira como queria. “Não foi facinho para mim não, de jeito nenhum. Lutei com todas as minhas espadas”, afirma. “Disse: eu quero ser Lia da ciranda, quero ser uma cantora, quero cantar para o público me ver, me receber, eu quero fazer bem ao público.”

 

Lia vem de uma família de 18 irmãos, contando com ela. “Meu pai era casado e desse casamento teve 11 filhos. Ele se engraçou com a minha mãe e conseguiu mais sete filhos. Tudo isso para ele sustentar na agricultura sem poder”, conta. Ele era casado, foi embora procurar a família dele. Com a minha mãe, só se encontrava de vez em quando.”

 

A cirandeira, que também foi merendeira de uma escola local, preparando refeições para aproximadamente 200 crianças por dia, foi criada em uma casa de sítio, onde sua mãe trabalhava. “Hoje em dia, quem quer uma empregada com sete filhos pela saia, para trabalhar? Ninguém”, fala. “Foi todo mundo já trabalhando para ajudar ela a criar a gente. Fomos conscientes do que é o trabalho e a dificuldade da mãe para criar”.

 

No vídeo, Lia também fala sobre o preconceito na atualidade: “se eu fosse uma galega dos olhos azuis, aí a coisa andava mais depressa, mas como eu sou uma pobre negra, africana, aí a coisa fica mais difícil, mas eu não me deixo ficar na dificuldade não”, diz. “Não era para acontecer isso, porque somos todos iguais. Se cortar o dedo do branco, o sangue é vermelho, se cortar o dedo do negro, o sangue é vermelho, e aí?”, indaga. “O único sangue azul que participei foi do filme, em Fernando de Noronha. Nunca vi sangue azul”, referindo-se à obra de Lírio Ferreira, de 2014, da qual fez parte do elenco.

 

SERVIÇO:

Cada Voz – Lia de Itamaracá

Dia 3 de agosto (quarta-feira)

Em www.enciclopedia.itaucultural.org.br

 

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