Dois boxeadores negros estão em confronto no meio da multidão apressada. Seus corpos estão manchados de sangue e público esquece-se do tempo que urge para descobrir o que há por detrás deste confronto. “NEGROR”, espetáculo do Selo Homens de Cor, provoca um diálogo com espaço público para promover o debate sobre a relação da violência sistêmica do Estado brasileiro e o genocídio de jovens negros no Brasil. A peça-panfleto chega a partir do dia 31 de janeiro nas regiões de São Miguel Paulista, Itaquera, Capão Redondo, Largo 13, Cachoeirinha, Paulista e Praça da República. As apresentações acontecem nas ruas, de forma gratuita.

“NEGROR”, que ainda como performers os atores Pedrão Guimarães, Vítor Bassi, Larissa Nunes, é uma homenagem a Associação das Mães de Maio, um agrupamento de mulheres que tiveram seus filhos mortos pelo polícia em 2006 num massacre conhecido como “Crimes de Maio”. Elas pedem justiça não só para os próprios filhos, mas para criar uma forma de luta, atuação e movimento social de combate aos crimes do Estado.

Classificado como Peça-Panfleto-Itinerante, o universo alegórico e mítico do Boxe é pano de fundo da encenação.  A ação é contínua e dividida por assaltos. Os personagens são dois lutadores de boxe, um juiz, uma moça do placar e um fotógrafo. Através da formação de quadros vivos e de procedimentos dramáticos e épicos, pequenos relatos de casos reais envolvendo o assassinato de meninos negros são compartilhados em uma estrutura narrativa transformada em depoimentos em primeira pessoa.

A Peça- Panfleto resgata a tradição do Teatro panfletário dos anos 1970, na qual Comunidades Negras brasileiras por meio de agremiações, escolas de samba e centros religiosos se utilizavam do teatro como ferramenta para denunciar práticas excludentes, assim como, apontar o racismo como um sistema estruturador e estruturante das relações no país.  

O QUE: Espetáculo NEGROR

QUANDO: 01 a 23 de fevereiro

ONDE: Estações de Metrô e Praças de São Paulo e Região