Em sua 9ª edição, o FAN-BH, que completa 22 anos de existência, ocupa

espaços da cidade com programação gratuita

 Realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, o Festival de Arte Negra – FAN-BH 2017 acontece de 15 a 22 de outubro. O tema da edição 2017 é FAN Mulher e terá o protagonismo das mulheres negras como eixo central. Os 120 anos de Belo Horizonte e as iniciativas culturais e políticas de valorização da cidade serão celebradas, com atenção para a dimensão do gênero. O FAN-BH pretende reunir várias ações artísticas e culturais, de modo a destacar o empoderamento da mulher negra em várias partes do mundo, com foco no continente africano, no Brasil e em Belo Horizonte. Este também é o terceiro ano da Década Internacional de Afrodescendentes instituída pela ONU.

No 9o FAN-BH, o público poderá conferir aproximadamente 100 atrações, entre elas artistas de renome nacional como Zezé Motta e Ellen Oléria. O evento também promove ações que marcaram as edições anteriores como oUbuntu – Encontro da Diversidade Religiosa, o Ojá – Mercado de Trocas e Saberes e o Fanzinho com programação dedicada às crianças e adolescentes, além de exposições, rodas de conversa, apresentações de artes cênicas, mostras de cinema e literatura.

Reforçando o protagonismo feminino-negro, a equipe curatorial conta com nomes de mulheres ligadas à produção cultural e à militância negra em Belo Horizonte. As curadoras do FAN-BH 2017 são: Carlandreia Ribeiro, atriz e dramaturga, com larga experiência na cena negra da cidade; Luciana Gomes (Dj Black Josie), DJ renomada da cena musical de BH, com formação em música erudita; Karu Torres, pesquisadora das artes e cultura negra, além de produtora de edições anteriores do FAN-BH.

Abertura oficial

Nesta edição, Joaquina Maria da Conceição da Lapinha, a primeira cantora lírica negra brasileira – de que se tem registro, é a homenageada. De acordo com a curadora do FAN-BH, Luciana Gomes (Dj Black Josie), em 1795, Lapinha atuou, inclusive, fora do país em Portugal, na virada do século XVIII para o XIX. O contexto musical da época seguia a tradição romana e não permitia a participação de mulheres. A atuação de Joaquina ao interpretar compositores renomados, segundo a curadora, aparece em registros de jornais de Lisboa e Porto, e em relatos de 1795 até 1796, e impressiona.

“O negro não só participou da música colonial brasileira, ele foi protagonista. É neste contexto que homenageamos Lapinha. As mulheres não podiam cantar nos teatros, mas quando houve essa autorização, os negros estavam inseridos no processo e, ao que tudo indica, a primeira mulher em condições técnicas de se apresentar nestes locais foi justamente Joaquina Maria da Conceição”, conclui. Em sua homenagem, concertos serão realizados no Conservatório de Música da UFMG e no Museu de Arte da Pampulha.

O QUE: 9º FAN-BH 2017

QUANDO: 15 a 22 de outubro de 2017

ONDE: Belo Horizonte, MG