Já ouviu falar da Baobá? No “Ritual da Árvore do Esquecimento”? Esse ritual foi feito por séculos pelos colonizadores para que homens e mulheres que seriam escravizados, antes de serem retirados de África. Os homens eram forçados a dar nove voltas e as mulheres sete para deixarem suas origens, culturas e religiosidade.

Esse é o ponto de partida para GBAGBE, título do trabalho cênico desenvolvido por Nando Zâmbia, com direção de Fábio Vidal e texto de Daniel árcades, que estará em cartaz no dia 18 de novembro, no Teatro Sesc Senac Pelourinho, às 20h. GBAGBE é uma palavra em yorubá e quer dizer esquecimento.

O solo faz parte do Natas em Solos – Seis Olhares Sobre o Mundo, ação que faz parte do OROAFROBUMERANGUE, projeto conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, aprovado no Edital Setorial de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

O solo é uma provocação ao sujeito negro, fazendo-o pensar no que é ser negro na contemporaneidade e o “que quiseram que esquecêssemos”, elaborando um pensamento sobre os rituais contemporâneos impetrados cotidianamente que continuam a propor o abandono da ancestralidade.

O espetáculo estabelece ligações com o ritual da “Árvore do Esquecimento” e traz à cena reflexões sobre o tempo, memória, ancestralidade e contemporaneidade, afirmação e afro-brasilidade. “Com essas duas inquietações, cheguei ao ritual do Orukó, onde encontramos uma forma de repatriamento e conexão com tempos remotos”, desta o ator.

Tendo em vista que era muito amplo o caminho até o “repatriamento”, Nando Zâmbia, Fábio Vidal, Daniel Arcades e a equipe de Gbage buscam colocar em cena o esquecimento como metáfora para localizar o nosso atual momento, friccionando os atuais rituais de esquecimentos que são impostos. A peça fala principalmente de ancestralidade e de como ela salta de “você rumo a você mesmo”.

O espetáculo se constrói na relação entre “cotidiano” e “ritual/encontro”, entre o personagem e a “árvore das memórias”. Esses dois planos seguem em paralelo até que se torna inevitável o afunilamento e eles se cruzam provocando uma revolução no personagem que começa a ter contato com sua história, a partir de uma nova relação consigo mesmo.

Natas em Solos é um projeto artístico-investigativo-formativo que consiste na apresentação de seis solos concebidos e realizados pelos intérpretes/criadores do NATA a partir das pesquisas cênicas individuais destes artistas.

O QUE: GBAGBE – NATAS em solo

ONDE: Teatro Sesc Senac Pelourinho

QUANDO: 18 de novembro às 20h