Uma performance de pouco texto e muitas palavras. A água que conta as histórias das yabás, dos corpos negros naufragados no atlântico e dos fluídos corporais que expressam sentimentos. O som do tambor que cria imagens ancestrais. As cores futuristas em desenhos ancestres. Os drives sonoros percussivos.

Esse é um pequeno resumo do espetáculo solo IYÁ ILU, ritual afro futurista de saudação a Ayan – a deusa do tambor, da atriz e musicista Sanara Rocha, com direção de Andrea Martins, a ser apresentado no dia 10 de novembro, no Teatro Sesc Senac do Pelourinho, pelo Natas em Solos – Seis Olhares Sobre o Mundo, ação com do Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA, que faz parte do OROAFROBUMERANGUE.

Esse projeto conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, aprovado no Edital Setorial de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), ocorrerá de 09 a 18 de novembro (quinta-feira, sexta-feira e sábado, às 20h), no Teatro Sesc Senac Pelourinho. Os ingressos das apresentações estão a preços populares R$ 20 e R$ 10,00.

O solo propõe uma discussão com o universo da musicalidade nas cerimônias sagradas, que interditam a presença feminina a frente dos tambores sagrados. Questiona as “tradições” e procura estabelecer diálogos com a tradição e a contemporaneidade. A partir desse desejo, Sanara Rocha se debruça no mito de Ayan e na invenção do tambor batá de culto a Xangô, que deu origem ao candomblé no Brasil.

“Em Corpo e Ancestralidade de Inaycira Falcão, a autora nos explica que Ayan era uma mulher errante, que andava para cima e para baixo com um tambor de couro ruim. Exu lhe presenteia com o couro certo e, a partir de então, ela tocou de uma forma tão eximia que todo mundo se encanta e o próprio Xangô, que a leva para tocar no culto dele”, conta.

Iyá Ilu traz para cena o teatro pós-dramático e performático alinhado com conceitos “afro-centrados, que dialogam com a produção contemporânea negra”, como o afrofuturismo. “Tina Melo, que concebe a maquiagem corporal, trouxe a mistura dos adinkras (desenhos africanos) com cores neon; Andrea Martins, que é minha colaboradora poética, produtora musical e também compositora musical deste projeto, combinou a música percussiva (orgânica) com a eletrônica”, reforça Sanara .
O QUE: Espetáculo  IYÁ ILU – Natas em Solo
QUANDO: 10 de novembro, às 20h
ONDE: Teatro Sesc Senac Pelourinho, Largo do Pelourinho, 19, Pelourinho – Salvador/BA