Com estética minimalista, o músico traz negritude e ancestralidade

Em tempos de muito empoderamento da população negra, o músico sorocabano Julio Moura resgata sua ancestralidade e traz, de forma leve e forte ao mesmo tempo, seu ponto de vista sobre o que é ser negro no Brasil em seu primeiro trabalho solo, o EP “Em Frente” (2018). O projeto conta com as participações do rapper Márcio Brown, do peruano Miguel Ganggini e tem Fábio Leal (guitarra), Beto Correa (sanfona) e composição de todas as faixas pelo próprio Júlio Moura.

Com canções masterizadas por Jay Franco, do estúdio Sterling Sound – Nova York, e composto de seis faixas, o EP traz temas inerentes à sua realidade: amores, empatia, perseverança, além de uma grande reflexão sobre negritude.

Por dentro das faixas

Julio apresenta o que será o álbum na forte faixa-intro “Rápido Rasteiro”, na qual traz uma única reflexão: a de ser negro e manter seu crescimento constante, mantendo a força do sangue negro a cada geração.

É também na faixa-título do EP que o cantor expressa sentimento de auto-estima e perseverança, retomando a questão que é ser negro no Brasil. Com pegada de hip hop e participação do rapper sorocabano Márcio Brown, a música traz boas energias e se relaciona com grandes influências do cantor e compositor do disco como Bob Marley, Martin Luther King Jr, Gilberto Gil, Racionais MCs e Emicida. “Em Frente” traz toda ancestralidade à tona, representando continuidade de um caminho e a apresentação de um trabalho solo inédito e necessário.

Uma participação super especial rola na canção “Pouco a pouco”, na qual o cantor e compositor peruano Miguel Ganggini, que lançou recentemente o álbum “Viajes”, divide os vocais com Julio Moura. Essa faixa fala sobre empatia e humanidade, sobre as coisas simples da vida que devemos semear e colher. Uma questão tão profunda depende de pequenas coisas, como não perder sua criança interior e escolher seus amores com calma, nela os cantores dizem: “amadureça e permaneça infantilizado. Escolha seus amores pouco a pouco”.

Os amores e paixões estão presentes nesse EP cheio de sentimentos. A música “Nós e a Noite”, conta a história de uma sonhadora que vive mil noites numa só, relembrando suas próprias histórias, numa brincadeira em que presente e passado, dores e alegrias  se misturam tudo numa única canção.

Inspirado por Lenine, Chico Buarque, Jorge Ben e tantos outros que dedicaram suas canções à mulheres. Julio Moura escreve “Luana”, faixa em que sanfona, voz e guitarra complementam-se enquanto a moça é elogiada e descrita com todas suas qualidades.

Viver de música no Brasil não é fácil. O artista independente vai atrás de tudo e mais um pouco para conseguir fazer aquilo que ama. O EP termina com a canção “Seguir fazendo um som”, um voto de esperança de que o amor e a dedicação pela música são maiores do que qualquer obstáculo. Poder seguir fazendo um som é tudo o que quer quem vive da música e para a música. Júlio Moura segue devoto “em cada nota, em cada show, em cada porta que consegue abrir”. Citando suas grandes referências, os mestres citados na letra: Elis Regina, Paulinho da Viola, Cartola, Martinho da Vila.

O QUE: Lançamento EP Em Frente

QUANDO: 2018

ONDE: Brasil