O que Não Cabe em 500 Anos Outra História dos Povos Africanos

O Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro, será palco da atividade O que Não Cabe em 500 Anos: Outra História dos Povos Africanos, uma aula-exposição ao ar livre, com acesso gratuito, no dia 20 de outubro (domingo) a partir das 15h. O evento é promovido pelo IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros e pelo Partiu! – Plano de Arte e Intervenção Urbana, e faz parte da Virada Sustentável 2019 e do Circuito Urbano 2019. A atividade tem como ponto de partida a Linha do Tempo dos Povos Africanos (http://ipeafro.org.br/wp-content/uploads/2013/12/SUPLEMENTO-DIDATICO.pdf), pesquisa desenvolvida pelo IPEAFRO que remonta o quebra-cabeça da história autêntica da África, dos africanos e seus descendentes em todos os continentes, desde o berço da humanidade até os dias atuais.

O artista urbano Cazé Arte apresentará ao público, pela primeira vez, sua interpretação da Linha do Tempo, no tamanho de 7,20m x 2,10m. A pintura será feita em um painel montado a partir de madeiras de demolição e pneus de bicicleta reaproveitados. O escritor e poeta Milsoul Santos abrirá o evento com sua interpretação do poema Padê de Exu Liberador, de Abdias Nascimento. O DJ Rajão criará a atmosfera afrocentrada com a batida ancestral. Após a introdução feita por Leonardo Veiga, do ONU-Habitat Brasil, os professores Mônica Lima (Instituto de História/UFRJ), Elisa Larkin Nascimento (IPEAFRO), Renato Noguera (Departamento de Educação/UFRRJ) e Carlos Alberto Medeiros (IFCS/ UFRJ) darão a aula, seguida de conversa com o público.

SUSTENTABILIDADE, CIDADES E PATRIMÔNIO MUNDIAL
O Cais do Valongo foi uma entrada portuária central pelo qual chegou às Américas o maior contingente de africanos escravizados. Estima-se que mais de um milhão de negras e negros africanos tenham passado pela região. A proibição e o fim do tráfico de escravos e a abolição da escravatura no Brasil foram seguidas por um processo de ocultamento, inclusive material, dos vestígios. Em 2011, com as obras de revitalização da zona portuária, houve o “redescobrimento” do local, quando começou a luta por seu resgate histórico e de valor cultural como forma de resistência e memória. Em 2017, o Cais foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O que Não Cabe em 500 Anos: Outra História dos Povos Africanos faz parte da programação da Virada Sustentável 2019, maior festival do Brasil de cultura, mobilização e educação para a sustentabilidade, que terá atividades em mais de 30 bairros do Rio de Janeiro. O evento também faz parte do Circuito Urbano 2019, conjunto de eventos selecionados pelo ONU-Habitat que promovem debate e conscientização sobre o desenvolvimento urbano sustentável no Brasil.

PROGRAMAÇÃO
Local: Cais do Valongo
Endereço: Av. Barão de Tefé, s/n – Saúde, Rio de Janeiro (em frente ao número 75)
Acesso: gratuito
Em caso de chuva: a atividade será realizada no Instituto Pretos Novos (IPN), na Rua Pedro Ernesto, 36 – Gamboa (https://www.google.com/maps/search/Rua+Pedro+Ernesto,%0D%0A36+-+Gamboa?entry=gmail&source=g)

15h às 18h30 – Exposição de peça artística elaborada por Cazé Arte
15h – Música ao ar livre com Pedro Rajão (Leão Etíope do Méier)
15h45 – Abertura com a poesia Padê de Exu Libertador, de Abdias Nascimento, interpretada por Milsoul Santos (IPEAFRO)
16h – Participação de Leonardo Veiga, da ONU-Habitat
16h15 – Aula com mediação de Elisa Larkin Nascimento
17h45 – Participação do público
18h30 – Encerramento

ARTISTAS E PALESTRANTES

Cazé Arte, artista urbano, formado em design, com especialização em caráter design. Seu trabalho mais recente foi o mural retratando Amílcar Cabral na capital de Guiné-Bissau
Pedro Rajão, DJ, produtor cultural e idealizador do coletivo cultural Leão Etíope do Méier
Milsoul Santos, poeta, escritor e responsável pela dinâmica cultural do IPEAFRO. Autor dos livros Amor sem Miséria e Pássaro Preto.
Profa. Dra. Mônica Lima (Instituto de História/UFRJ), especialista em História da África e dos Africanos no Brasil, coordenadora do LEÁFRICA (Laboratório de Estudos Africanos) e integrante da equipe que preparou o dossiê que fundamentou a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade, aprovada pela UNESCO
Profa. Dra. Elisa Larkin Nascimento (IPEAFRO), autora da Linha do Tempo dos Povos Africanos e do respectivo Suplemento Didático e organizadora dos livros da coleção Sankofa, volumes 1 a 4 e o livro Adinkra, sabedoria em símbolos africanos
Prof. Dr. Renato Noguera (Departamento de Educação/UFRRJ), pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro) e coordenador do Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Infâncias (Afrosin)
Prof. Doutorando Carlos Alberto Medeiros (IFCS/ UFRJ), jornalista e pesquisador na área de relações raciais, com atuação no movimento social e em órgãos governamentais de promoção da igualdade racial

PARCEIROS
Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO)
Plano de Arte e Intervenção Urbana (Partiu)
Leão Etíope do Méier
Instituto Pretos Novos (IPN)
Virada Sustentável 2019
Tintas Coral
ONU-Habitat

SOBRE O IPEAFRO
O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros, no Rio de Janeiro, atua na recuperação da história e dos valores culturais negros, no sentido de assegurar o respeito à identidade, integridade e dignidade étnica e humana da população afro-brasileira. Trabalha com fóruns, cursos, pesquisas, exposições, publicações, memória e patrimônio

SOBRE O PARTIU
O Partiu! – Plano de Arte e Intervenção Urbana promove intervenções culturais e sociais na Zona Portuária do Rio, tendo os ODS como diretrizes. O objetivo é promover conscientização e valorização do entorno, quebrar paradigmas e auxiliar na reurbanização dessa região da cidade