Performance cênico musical aborda os desafios gerados pelo racismo e machismo

Obsessiva Dantesca, solo de Laís Machado, promove encontro da performance, do teatro e da música para tratar de questões políticas atuais

Um espetáculo travestido de show. Uma performance travestida de show. Este é o trabalho Obsessiva Dantesca , criação e atuação de Laís Machado, com direção artística de Diego Pinheiro e direção musical de Andrea Martins, que integra a Mostra Abundância do Teatro Base – Grupo de Pesquisa sobre o Método da Atriz, realizada em parceria com a Giro Produções Culturais. O espetáculo estará em cartaz de 14 a 17 de julho, quinta a domingo, sempre às 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha.

Obsessiva Dantesca propõe um espaço de ritualização das obsessões políticas, existenciais e filosóficas da performer e pesquisadora Laís Machado enquanto mulher negra, mesclando duas estruturas estéticas: o show e o rito. A obra busca aglutinar potências femininas a partir da monstruosidade, conjurando a mágica de coisas passadas e presentes e propondo um espaço para extravasar performances do que é ser mulher e negra ontem e hoje. Acima de tudo, Obsessiva Dantesca é sobre política.

Obsessiva Dantesca foi uma expressão usada para me identificar durante uma brincadeira, e ao perceber que este termo poderia ser aplicado a muitas das minhas irmãs, ganhou um tom sério. Esta persona que me habita, intitulada de Obsessiva Dantesca, é monotemática, militante, violenta, contraditória, feminista, impaciente, indócil, sensível, jocosa, insegura, grotesca, arrogante, diva, escatológica, monstruosa e preta” declara a criadora. Segundo ela, o ponto de partida inicial era fazer covers de divas negras que abordaram as questões raciais em suas músicas, mas no decorrer do processo foram nascendo canções inéditas e autorais. Assim, a música se faz presente, realizada ao vivo no palco, convocando o público a uma comunhão com a performer.

A estética afro-futurista permeia o trabalho, que brinca com a relação entre a tradição e a atemporalidade, mas também com o questionamento sobre os velhos estereótipos e clichês em cima das pessoas negras. Em cena, serão abordadas questões políticas atuais, como a fragilização dos direitos conquistados pelas minorias nos últimos meses e retomada da força dos movimentos feministas, naquilo que já se considera uma nova onda. “É um híbrido entre música, performance, teatro, envolvendo a colaboração de muitas mulheres. Uma espécie de performance travestida de show, mas também com os momentos do púlpito, porque existe a demanda da palavra. Um momento de comunhão com as mulheres que estiverem no teatro” explica Laís, que também coloca em cena as questões étnico-raciais, por meio das suas percepções enquanto mulher negra.

A performance cênico musical tem direção musical de Andrea Martins, que também executa no palco os samplers, reunindo uma banda formada por mulheres:  na percussão Sanara Rocha e Juliana Almeida; no violão e guitarra com Josyara.  A equipe também conta com figurino de Tina Melo; maquiagens de Hávata West; iluminação de Larissa Lacerda; Projeção Mapeada de Marcília Barros e Instalação cenográfica de Erick Saboya Bastos.

Além das apresentações do espetáculo, é aberto espaço para uma discussão sobre Mulheres Negras na Arte, no sábado, dia 16 de julho, às 15h, reunindo a diretora teatral e percussionista Sanara Rocha, a figurinista Tina Melo, a atriz e jornalista Mônica Santana, a pesquisadora e assistente social Carla Akotirene.

A mostra ABUNDÂNCIA é resultado do projeto de manutenção iniciado no ano de 2015 com o apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia através da Fundação Cultural do Estado da Bahia. A temática do feminismo é verticalizada nesse conjunto de obras, avançando na pesquisa iniciada no espetáculo “A Bunda de Simone” (2014).

Sobre o Teatro Base – O Teatro Base – Grupo de Pesquisas Sobre o Método da Atriz é um coletivo de pesquisas nas artes cênico-performativas, formado por egressos da Escola de Teatro da UFBA, atuante na cidade de Salvador-Ba há 6 anos. Suas pesquisas têm como eixo investigativo os princípios e procedimentos que fundamentam a ação do performer, a partir dos seguimentos em teatro, dança e música.

Em 2016, o grupo completou seis anos de investigação continuada em caráter de teatro de grupo, tendo em seu currículo: experimentos cênicos; três obras artísticas (Arbítrio – indicada a melhor espetáculo no Prêmio Braskem de Teatro 2011, dando ao grupo na mesma cerimônia o prêmio na categoria REVELAÇÃO, Oroboro e a mais recente A Bunda de Simone, Prêmio Braskem de Teatro 2014 – na categoria especial); workshops; demonstrações de trabalho; a idealização e produção do evento/movimento EMPUXO – Zona de Encontro de Artes Cênicas (Junto a outros grupos e artistas emergentes da cidade de Salvador); e a idealização e realização da mini residência artística DELIRIUM AMBULATORIUM (Ano I, II e III).

Sobre Laís Machado – Bacharela em Artes Cênicas pela ETUFBA. Feminista. Militante. E Integrante do Teatro Base: Grupo de Pesquisas sobre o Método do Atriz. Onde atua como atriz/pesquisadora desde 2011. Atuou no espetáculo de estreia do grupo, ARBÍTRIO (Direção de Diego Pinheiro), que foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro 2011 como melhor espetáculo adulto. Na mesma cerimônia o Teatro Base foi vencedor do Prêmio Revelação do Ano. Atuou em diversos espetáculos, dentre eles: A Bunda de Simone (dirigido por Diego Pinheiro), OROBORO (dirigido por Diego Pinheiro), Bonitinha, Mas Ordinária (dirigido por Luiz Marfuz – 2012), O Sumiço da Santa (dirigido por Fernando Guerreiro – 2012), sendo, por este trabalho, indicada a Atriz Revelação, no Prêmio Braskem de Teatro 2012.

Serviço

Projeto ABUNDÂNCIA

Espetáculo: OBSESSIVA DANTESCA

Espaço Cultural da Barroquinha

Período de apresentações: 14 a 17 de julho (quinta a domingo), às 19h.

– Valor ingresso para as apresentações: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia entrada)

Mesa de debates: A Mulher Negra na Arte

Convidados mesa de debates: Tina Melo (figurinista), Sanara Rocha (diretora teatral e percussionista), Mônica Santana (atriz e jornalista), Carla Akotirene (pesquisadora e assistente social) com mediação de Laís Machado.

Dia 16 de julho (sábado), às 16h

Entrada Franca

 

Criação e Atuação de Laís Machado

 

Direção Musical: Andrea Martins

Trilha Sonora Original: Andrea Martins, Diego Pinheiro e Laís Machado

Direção Artística: Diego Pinheiro

 

Banda Obsessiva:

Voz: Laís Machado, Andrea Martins, Sanara Rocha e Josyara.

Percussão: Sanara Rocha e Juliana Almeida.

Violão e Guitarra: Josyara e Diego Pinheiro

Samples: Andrea Martins.

 

Figurino: Tina Melo

Maquiagem: Hávata West

Iluminação: Larissa Lacerda

Projeção Mapeada: Marcília Barros

Fotografias: Izabella Valverde

Assistente de cenografia: Sarah Saboya

Instalação cenográfica: Erick Saboya Bastos

Produção: Giro Produções Culturais.