Foi no ano passado que “Café com Canela” venceu como Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o que lhe rendeu o Prêmio Petrobras de Cinema e uma consequente distribuição em circuito comercial, prestes a entrar na 7ª semana em cartaz, alcançando 13 estados do país. Neste ano, a mesma dupla de direção, Glenda Nicácio e Ary Rosa, engatou mais uma produção na mostra competitiva do evento: “Ilha”, que também fez bonito. Pelo Júri Oficial, a obra levou os troféus de Melhor Roteiro e de Melhor Ator, para Ary Rosa e Aldri Anunciação, respectivamente, ambos assinando as mesmas tarefas que em “Café com Canela”. “Ilha” ainda foi condecorado com o Prêmio Zózimo Bulbul – Melhor Filme Longa-Metragem, no reconhecimento da presença do corpo negro na frente e por trás das câmeras, bem como da inovação estética e narrativa na abordagem das subjetividades negras.

CAFÉ COM CANELA – Um dos mais festejados longas-metragens da atualidade do cinema da Bahia, “Café com Canela” estreou em circuito nacional no mês de agosto e já contemplou salas de 15 cidades de 13 estados: Salvador, São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Niterói, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre, Recife, São Luís e Vitória. Com direção de Glenda Nicácio e Ary Rosa, a obra vem de uma muito bem-sucedida trajetória em festivais de cinema do Brasil e do exterior. Além da premiação no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, fez parte da seleção oficial do International Film Festival Rotterdam, abriu a 21ª Mostra Tiradentes, integrou a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi premiado no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema e na 9ª Semana dos Realizadores.

Filmado e realizado no interior da Bahia, especificamente no simbólico Recôncavo Baiano, “Café com Canela” é uma produção de representatividades. Um elenco negro, um cenário de estéticas da negritude, referências às religiões afro-brasileiras, o cotidiano popular interiorano e a força da mulher são potências que constroem uma narrativa de sutilezas. A partir do reencontro das personagens Margarida e Violeta, um processo de transformação se desdobra para ambas – a primeira, isolada pela dor da perda do filho; a segunda, entre as adversidades do dia a dia e traumas do passado – e para a visão de quem poderá se reconhecer naquelas identidades. “Café com Canela” é um filme de afeto e aconchego.

A elogiada atuação de Valdinéia Soriano, premiada como Melhor Atriz também no Festival de Brasília, compartilha espaço com os atores e atrizes Aline Brune, Dona Dalva Damiana, Babu Santana, Arlete Dias, Guilherme Silva, Aldri Anunciação e Antônio Fábio. A trilha original é de Mateus Aleluia, remanescente do conjunto Os Tincoãs, ícone da música brasileira.

Apresentado pela Petrobras, “Café com Canela” foi produzido pela Rosza Filmes, produtora independente fundada em 2011 pelos próprios diretores do filme, como resultado de seleção no Edital de Arranjos Financeiros Estaduais e Regionais, realizado em conjunto pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB). Residentes do Recôncavo da Bahia, Glenda Nicácio e Ary Rosa encontram na cultura popular local a pulsação para o cinema, desenvolvendo filmes onde o processo de produção, a narrativa e a estética são elementos pautados nas dinâmicas do interior A distribuição em salas de cinema é assinada pela Arco Audiovisual, também da Bahia, que se compromete a contribuir para a difusão de obras audiovisuais independentes brasileiras, principalmente as fora do eixo. Tendo como pontos de recorte o potencial artístico, social e de comunicabilidade das obras, a distribuidora compõe seu catálogo com “filmes com questão”.

CAFÉ COM CANELA Direção: Glenda Nicácio e Ary Rosa.

Brasil, 2017. Longa-metragem de ficção. 103 min. Classificação indicativa: 14 anos.

SINOPSE – Recôncavo da Bahia. Margarida vive em São Félix, isolada pela dor da perda do filho. Violeta segue a vida em Cachoeira, entre adversidades do dia a dia e traumas do passado. Quando Violeta reencontra Margarida, inicia-se um processo de transformação, marcado por visitas, faxinas e cafés com canela, capazes de despertar novos amigos e antigos amores.