Após o cancelamento das apresentações do espetáculo Siré Obá – A Festa do Rei em março, devido às fortes chuvas em Salvador, o Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) anuncia novas datas. Essa linda homenagem/festa/espetáculo terá curta temporada e ocorrerá dias 14 e 15 de junho, às 20h, e 16 de junho com sessões às 17h e 20h, no Teatro Vila Velha, no Passeio Público – Campo Grande. Os ingressos estão disponíveis para compra no site da Ingresso Rápido.

As apresentações fazem parte do projeto OROAFROBUMERANGUE, que conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, aprovado no Edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

O espetáculo inspira-se nos orikis (poesia em exaltação aos Orixás) para mostrar a beleza e a filosofia do culto às divindades africanas, tendo como objetivo desmitificar preconceitos e combater a intolerância religiosa. Unindo religião e arte, a peça é uma grande festa/Siré e segue a sequência das músicas cantadas e tocadas para os Orixás nos rituais do Candomblé, celebrando junto com o espectador os feitos dessas divindades.

No ano de sua estreia (2009), Siré Obá recebe três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro: Melhor Espetáculo, Revelação (para a então estreante diretora Fernanda Júlia) e Especial (pela direção musical de Jarbas Biittencourt), categoria da qual saiu vencedor.

 

Orikis

Inicialmente, o Siré Obá nasce para ser um sarau poético, em que seriam utilizados textos de poetas e poetisas negras. No processo de concepção, um conhecido sugere que o grupo investigue os Orikis, poesias sagradas em exaltação aos Orixás, que apresentam elementos mais profundos que os itans, que narram as histórias dessas divindades.

“Os orikis nos falam da personalidade, da essência primordial do Orixá, além de serem elementos da narrativa mito poética ioruba. Depois de muito estudo, fiz a proposta para os integrantes e decidimos produzir um espetáculo chamado Siré Obá”, explica Onisajé.

Uma das fontes de pesquisa é a yalorixá Roselina Barborsa, do Ilê Axê Oyá L’adê Inan, Terreiro de Candomblé sede do grupo na cidade de Alagoinhas. No processo de investigação, consulta ao babalorixá L’adê Inan e este sugere que não utilizassem os orikis originais, pois seria uma exposição dos fundamentos do Candomblé.

Onisajé recorda que ele pediu para que ela lesse e compreendesse o universo do Orixá e a partir daí utilizasse os ensinamentos para escrever os seus próprios orikis. “É neste momento que nasce o primeiro princípio do teatro do Nata: não trabalhamos com a transposição literal da liturgia para cena. Mas, sim, nos inspiramos nessa liturgia”, pontua.

O livro chamado Oriki Orixá, do Antônio Risério, é uma das fontes de pesquisa. “O Oriki é tão potente que presentifica o Orixá, pelo tamanho da força da palavra no candomblé. Entendemos que voz tem ancestralidade”, esclarece Onisajé, ao acrescentar que o espetáculo é um agradecimento do grupo aos Orixás.

“Eu e minha família passamos por um processo de falência espiritual e material, e o Candomblé fortaleceu nossos laços. O Candomblé empodera o indivíduo quando diz para ele de onde veio e quais são as possibilidades para onde ele deve ir ou pelo menos que ele tem opções de escolha. Agradeço a Iansã por ela ter me tirado da indigência intelectual e financeira”, recorda a diretora.

 

O QUE: Sirè Obà – A Festa do Rei

QUANDO: 14 a 16 de junho às 20h

ONDE: Teatro Vila Velha – Salvador/BA