Ogum é para mim um símbolo da multiplicidade da natureza humana. Ele me ajuda a entender que no mesmo indivíduo podem conviver um pacifista e um guerreiro. Posso adorar a tranquilidade, mas ao mesmo tempo ser energizado pelas lutas do mundo”, disse Wole Soyinka, que já descreveu Ogum, o orixá da tecnologia, do trabalho e da criação artística, como sua “divindade companheira”. Esta visão de mundo iorubá, com seus mitos e rituais, foi uma influência decisiva para a personalidade e a obra do dramaturgo, poeta, ensaísta e professor nigeriano, primeiro africano Nobel de Literatura, em 1986. Hoje, aos 83 anos, ele segue produzindo arte e defendendo os Direitos Humanos ameaçados por ditaduras ou por grupos terroristas como o Boko Haram, na Nigéria. Admirado em todo o continente por sua obra e pelo seu ativismo político, é considerado o dramaturgo mais notável da África.

Para homenagear o escritor, que vem pela segunda vez a Porto Alegre e, pela primeira vez, como uma das atrações da Feira do Livro, neste ano, a Escola de Poesia, que tem a obra de Soyinka como uma referência em seus estudos, vai lançar na Feira o documentário Wole Soyinka – A forja de Ogum, em sarau, no dia 18 de novembro, às 17h, na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega). O filme mostra um pouco da obra e da vida de Soyinka e tem a participação de artistas e integrantes da comunidade local que se articulam, de algum modo, com a ancestralidade africana, como o grupo musical Alabê Ôni, o grupo teatral Pretagô, e seu diretor Thiago Pirajira, o Africanamente Ponto de Cultura e Escola de Capoeira Angola, e seu Contramestre Guto, o poeta Ronald Augusto, o escritor Jeferson Tenório, o pintor Paulo Montiel, os escultores Jonas e Marcos, a Iyalorixá Sandrali de Oxum, a Iyalorixá Bete Omidewa, a artista visual Manuzita, a poeta e psicanalista Lúcia Bins Ely e a psicanalista e poeta argentina Marcela Villavella.

O QUE: Wole Soyinka – A forja de Ogum

QUANDO: 18 de novembro de 2017 às 17h

ONDE: Feira do Livro – (Praça da Alfândega) – Porto Alegre, RS