Os Mais Lidos de 2021

O ano dos desafios.

Se você conseguiu abrir esse site e está lendo este nosso penúltimo (sim, ainda não acabou) texto, pode comemorar! No ano do caos, de perdas e danos, queremos celebrar a vida.

Em memória de bell hooks, nós, as Blogueiras Negras, honramos tantas e tantos que em 2021 deixaram vida para entrar na História. A nossa, continua e continuará sendo escrita pelas autoras que, mesmo num ano pandêmico, desastroso e cheio de morte, não desistiram de escrever. A elas, a nossa lista de Os 20 Mais Lidos.

Como sempre, ela não reflete uma ordem classificatória nem muito menos de acessos, mas relembra os escritos das mulheres que mais foram lidos durante esse ano. 

Percebemos que cada vez menos estamos tendo tempo de ler com qualidade, de debater com respeito ou mesmo de reinventar teorias e práticas, frente a uma era de hiper informação e giga-conexão. Sentimos muita a falta de mais autoras escrevendo, compartilhando conosco suas histórias e trazendo poesia ao nosso dia-a-dia. Mas sentimos e refletimos a limitação do nosso tempo, e estamos felizes em poder entregar para leitoras e leitores a nossa tão esperada lista.

Sem mais delongas, as nossas poderosas:

Maria Teresa Ferreira retoma nossas reflexões sobre trabalho doméstico e sua intrínseca relação com a raça. O texto A pergunta é: de que Maid estamos falando reposiciona a discussão e nos instiga a procurar quais são outras produções audiovisuais que nos representam. E falando em produção, dessa vez de áudio, as Blogueiras Negras bombaram na escuta do #BNCast – o legado de comunicação das mulheres negras; o projeto apoiado pela Fundação Herinch Boll e produzido pela Rádio Aconchego, ouviu a história de 9 mulheres negras militantes e as suas relações com a comunicação dentro dos movimentos de mulheres negras. Destacamos aqui o episódio com Vera Daisy Barcellos e a narração e apresentação das admiráveis Gabi Porfírio e Naiara Leite. Vale a pena ouvir de novo.

A nossa terceira autora da lista vem no esteio de tantas outras brabonas, perguntando A quem interessa manter as mulheres negras como subalternas? : Lili Martins resgasta Lélia Gonzáles e nos faz refletir sobre a estrutura colonial que insiste em nos manter submissas. E por continuar nos querendo submissas, os conservadores não perdem tempo: esse ano a mandata da vereadora de São Borja (RS) Lins Robalo sofreu ameaças e nós assinamos junto com o #MeRepresenta uma Carta de Repúdio que também foi a mais lida no nosso site. E falando em Carta, Eli Odara Theodoro escreveu uma Carta ao Colonizador que de forma poética e dura coloca a branquitude no seu lugar.

Com um olho no passado e muitos pés no presente, Larissa Santiago traduziu o discurso de Audre Lorde em memória de Malcolm X : Aprendendo com os anos 60 é um textão profundo sobre a aliança entre nós, comunidade negra e como continuar a luta em tempos sombrios. Ainda rememorando o passado, Camila Rodrigues Francisco teve seu texto como um dos mais lidos evocando Sojourner Truth com o título E eu não sou uma escritora? numa conversa com outras autoras sobre esse lugar que parece não nos pertencer. E como não podia faltar, a poesia de Drielle Sampaio também ganhou espaço na nossa lista: Escuras como a minha pele é um dos escritos mais lido e lindos deste site! 

Como não podia deixar de ser, abrimos espaço para sonhos das mulheres negras: o texto de Jaciele Santos O que significa ser uma mulher negra no mundo dos concursos deu destaque ao projeto Afroconcurseira que tem como um dos objetivos construir uma comunidade para reivindicar a permanência e ampliação das cotas raciais nos concursos públicos. Esse texto é pra ler com caderninho de anotações na mão. Outra que foi destaque na nossa lista de Mais Lidos foi Elisa Mattos – essa escritora de mão cheia contribuiu muito com a gente esse ano e seu texto sobre racismo recreativo Seu pente não me penteia entrou pra lista e pra nossa reflexão neste ano de tantos racismos e violências. 

Nunca pode faltar poesia! Uma das mais lidas foi também a de Wanessa Maia Vidas Negras Importam que inspira resistência y coragem para as mulheres negras brasileiras. E a gente também tá na lista com uma das entrevistas mais incríveis que fizemos: numa mistura de audiovisual e texto, as Blogueiras Negras conversaram com Cidinha da Silva no texto Tecnologias Ancestrais de produção do infinito numa prosa longa, envolvente e inspiradora para nós, as tecedoras de futuros! 

Com a força política da crítica radical, Juliana Sankofa também emplacou seu texto na nossa honrada lista: O presidente é branco, que vergonha, hein branquitude – ácido e cheio de referência a contemporaneidade, ela inclusive falou de BBB. Vale muito ler! 

A nossa velha Blogueira Negra também apareceu dentre as mais lidas/ouvidas: Jéssica Dandara com seu novo projeto – o podcast Dandariando – comemorou seu retorno de saturno nos dando a graça de ler no texto Porque as nossas vozes precisam ser ouvidas sobre a relação entre funk e literatura. E fechando com chave de ouro, Charô Nunes nos entrega o texto mais lido do ano quando o tema é tecnologia: A memória é a nossa autonomia nos fez matar saudade da Blogueira Véia de guerra, numa escrita cadenciada, emocionante y forte. 

Que lista, senhoras! 2021 nos deixa com esse gosto de quero mais. 

Nos deixa na vontade de retomar nossas escritas, de continuar convocando as mulheres negras a escrever suas memórias, experiências e teorias. 2022 será tempo – ainda mais – de Inspirar as Mulheres Negras a Contarem Suas Histórias.

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