Poema de Ferro

Quando fui abusada…
Senti-me quase que amaldiçoada!
Meu mundo caiu de repente.
Fiquei num silêncio absolutamente;
Não tive coragem de falar.
Fiquei sem ar…
Era uma dor infinita…
Não me senti mais bonita,
Me senti aflita.
E totalmente esquisita.
Foi um trauma sem precedentes…
Profundamente!
Meu corpo passou uma situação…
De violação…
Uma luta de sobrevivência exposta…
E eu não tinha resposta.
Depois deste momento…
Tive vários sofrimentos…
Tal de transtorno afetivo…
Que na verdade é fruto de ato abusivo.
Chamado de stress pós-traumático…
Realizado por um fanático, lunático.
Que deveras pensou que aquilo fosse prático.
Longe de ser pragmático.
Queria fugir daquele lugar…
Eu queria era terminar…
Eu queria era terminar… …
Eu queria era terminar… …
Então pensei em me matar…
Socialmente perdi a vontade de interagir.
Eu queria era retroagir…
Incidir.
E não confundir…
Mas poderia eu infligir?
Mas não tinha para onde ir.
Uma carga corria no meu sangue…
Gota por gota…
Logo fui à bancarrota.
Minha cabeça virou um pingue pongue!
E a dor foi naquele instante
Totalmente constante.
E em minha mente?
Estava acelerada…
Descompassadamente.
Quase que mortalmente…
Uma falsa moral se instalou
E o sentimento de culpa chegou!
Como se o feito fosse meu…
Aí eu gritei: – ai meu DEUS.
O corpo é um véu!
Não rasgue como papel.
Ele é meu e não seu!
Nem podia imaginar em falar…
Porque ficava sem ar…
Nem IML e nem Delegacia fui
Não conclui, não flui, não evolui?
Porque tudo rui?
Como poderia falar aquilo de novo.
Mais parecia a guerra de Kosovo.
Mesmo que fosse só para alguém digitar…
O que havia acontecido…
Eu não tinha ido!
O abuso que vivi…
Saibam!
Eu não consenti!
E eu quase explodi…
Só de (re) lembrar…
Como poderia imaginar?
Eu ficava sem ar.
E eu quase explodi…
Só de (re) lembrar…
Como poderia imaginar?
Eu ficava sem ar.
Estávamos jogando vôlei como fazíamos sempre…
E ele me mente?
Foi no grupo de juventude
E ele não teve virtude.
Sim foi totalmente rude,
Imbecil, canalha, covarde…
Nem fez alarde e tudo mais…
Demorei anos, anos para ter paz!
E eu fiquei sem saúde.
Com as emoções em altitude…
E a memória ficou amiúde…
E o espírito ficou para lá de ilude…
Sem força e sem plenitude…
Bastante mude…
Disse que foi a roupa que lhe chamou a atenção…
De querer me colocar a mão…
Mesmo sem concessão?
E subitamente uma cantada agressiva eu levei
Ele queria me ter;
Como assim? Perguntei…
Afirmou que eu era “gostosa”.
Mas naquela situação eu nem queria ser maravilhosa
Como assim? Perguntei.
Eu de fato não topei…
E estas roupas? Ele indagou.
Como assim? Perguntei.
E ele muito bravo ficou…
Enfim, fui abusada sexualmente…
Minha mente ficou doente…
Como sair deste lugar?
Quando estava eu sem ar?
Senti-me abusada, usada, machucada, ferida, sofrida, ultrajada, constrangida;
Esculhambada, amassada, detida, forçada, apalpada, e sem saída?
Não ouvida
Não amada.
E sem vida?
Quase fiquei amargurada.
Diagnosticada: Deprimida.
Pudera, permaneci muito tempo calada
Coisifica.
Petrificada!
Sensação de quase NADA, NADA, NADA!
Como sair deste lugar?
Se me faltava ar?
Fui me reinventar…
Comecei a caminhar…
Fiz uma trilha…
Porque não podia ficar como uma ilha.
E soube que não estava sozinha…
Aconteceu com a vizinha da vizinha…
O mesmo se deu com aquela madrinha.
E sua sobrinha…
E agora em quem acreditar?
Fui acolhida por mulheres e homens coerentes…
Consequentes, contundentes, competentes convenientes,
Convincente tudo muito vagarosamente.
Em busca de justiça e igualdade…
Tipo AMIZADE!
Acessei também uma equipe interdisciplinar.
E orei todos os dias mais e mais…
Para os meus ancestrais…
Assim voltou o ar…
E comecei a respirar…
Paulatinamente voltei a me amar…
E quem não tem isto como faz?
Estas sem voz? Eu irei levantar cartaz.
Eu quero vida.
Eu quero vida.
Eu quero vida.
E por isto sou provida.
Não ao PL 5069 que faz uma despedida…
De quem foi submetida.
A uma forçada e desumana situação desprevenida.
Não sou uma louca varrida…
E nem uma pessoa metida.
Sou sim uma pessoa esclarecida.
E por amar a vida não fiquei perdida!
Esta vida?
Que às vezes parece maldita
Mal agradecida
Com suas filhas lindas
Que não querem estar fugida
Em nem uma hora do dia
Ou na noite que podia
Simplesmente
Naturalmente
Não ser reticente
Apenas respeito suficiente.
Tudo que se conquistou…
Não se pode retroceder…
Conceder ou ceder.
Eu quero apenas viver.
Porque ele violou?
Porque ele desrespeitou?
Eu quero vida.
Eu quero vida.
Eu quero vida.
E por isto sou provida.
Não ao PL 5069 que faz uma despedida.
Não podemos ficar arrependida…
Faremos a contrapartida…
Porque não estamos enfraquecidas…
Ainda muito doídas…
Não seremos esquecidas…
Por termos sido feridas…
Não morreremos escondidas!
Nem desconhecidas…
Não estamos distraídas…
Vamos continuar na lida.
Com nossa cabeça erguida!
Porque somo destemidas!
E não seremos proibidas…
Faremos uma torcida…
Exatamente porque queremos saída.
Não me pensam calma.
Ele machucou minha alma.
Foi um encauma…
Do tipo trauma.
Era uma intermitente dor
A humana transcendência acalmou com amor.
Vivi para dizer, bendizer, interdizer.
Não quero contradizer ou maldizer.
Obstruam este PL 5069.
Não iremos voltar ao século IX?
É uma aculturação…
De mais uma opressão!
Meu corpo minhas regras.
Inúmeras conjecturas…
Nesta injusta cultura.
E a vida? Efêmera!
Vamos mudar esta atmosfera?
Sem ficar no compasso de espera.
O feminismo nos nossos dias salva deveras.
Gratidão quem ME ENSINOU…
Feminista eu sou
E força mental obtivera.
Um mundo justo aprouvera.

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