Sua armadura de ferro banhada pelo ouro de Iré

Ubuntu para quem é de ubuntu, pedimos licença para aqui entrar. Viemos de muito longe, lá das bandas de Maranhão e Pará. Talvez de muito mais longe, atravessando o Atlântico para tocar as terras e as águas de Salum, Gâmbia, Casamance, seus rios a desembocar. É Dakar, é Senegal, terra imaginada de minha mãe com sua armadura de ferro, banhada pelo ouro de Iré.

A história que conto poderia ser um conto de todas nós, mas não quero me adiantar. Deixa-me sentar nessa cadeira senhoras, acender um pito e assuntar sobre aquele que traz alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca. Aquele que olha os caminhos, abrindo a passagem por meio da verdade para que possamos passar. Que não nos falte sabedoria e humildade para as adversidades enfrentar.

Recaminhar as estradas que não andamos sozinhas. Que falam ao segredo que carregamos no coração: “Conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura!” Naquele banco no final do ônibus, naquela mão que segura a palha que vai e vem absorta perfumando o terreiro, naquele gesto que se concentra para ser a força de todas nós. Esse talvez seja O lugar da beleza. Do segredo guardado pelos ferreiros, metalúrgicos, carpinteiros. Que conduz a engenharia e a tecnologia sobre a tela, o teclado, a voz. Com Mãos que falam: a experiência das marisqueiras de São Francisco do Conde.

Estamos ressignificando o presente, Agora a Favela é Chique. Te convido a aproveitar esse momento, onde estiver, onde estará e vem com a gente, para relembrar das horas carinhosas na rede, quando a gente juntava para se pentear. Talvez uma hora para ver a Estrelas Além do Tempo e a urgência do debate sem meias verdades, para abraças as irmãs. Aquelas que estão longe, aquelas que estão perto. Aquelas que inda se vão nascer para a vida e em suas mãos preservar Memória ancestral e a resistência das mulheres negras.

Que o ano por vir seja a nossa Felicidade e a nossa fortaleza, sob o signo da verdade. Maria Aparecida: a morte não mais encabula, mas aqui a nossa jura: ninguém vai se calar. Porque a morte, a vida é a luta tem muitos jeitos, lembra que Mc​ ​chapecoense​ ​agrideiu ​companheira​ ​e​ ​seu​ ​’Coletivo​ ​Selva’ produz​ ​Clip​ ​Misógino? Não sabia que a nossa voz é daquela de todas as Negras na América Latina. Estamos de punhos cerrados, cabeça erguida e mãos dadas. Enegrecer o feminismo, uma questão de prática.

O Tempo caminha, dá voltas sobre si mesmo, dança calado e observa enquanto a memória carrega, a lição de ontem aprendida Sobre a caloura Xica da Silva, nota sobre o trote na UFMG. Não nos esqueçamos de muito antigamente, muito menos de ontem porque é nossa responsabilidade ser continuidade diante do O trabalho (de parto) do Racismo. Vem comigo companheira que juntas a gente se alimenta e não há de se cansar. Nós viemos de lá, nós viemos daqui.

Nós sabemos, temos estória e podemos perguntar: Discussões sobre Branquitude: o grupo racial branco existe?. As respostas você vai saber quando clicar. E falando dessa gente, a gente também vai denunciar Os privilegiados têm cor, classe, gênero e endereço certo!. E ainda tem O conhecimento científico, o senso comum e o incomodo que a negritude causa na elite, porque a gente veio mesmo é pra falar. Sem esquecer do Curso gratuito de comunicação, saúde e direitos das mulheres, que deu o que falar.

Mas a minha prosa tá comprida, esqueci… Ah, de agradecer pela companhia, toda sua alegria, paciência para publicar. Adesculpas pelas tretas e pelos esquecimentos, mas prometemos melhorar. Amanhã é outro dia e vamos continuar a desenhar sobre o papel assim bonito, valha me deus, valha me nossa senhora: Eu, mulher negra, sexagenária, resisto! Nós viemos de lá, nós viemos daqui. Obrigada.

Imagem: The hood hippie, Manzel Bowman

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