<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Colorismo: quem decide?	</title>
	<atom:link href="https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/</link>
	<description>Informação para fazer a cabeça</description>
	<lastBuildDate>Sun, 18 Dec 2016 00:10:00 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	
	<item>
		<title>
		Por: Erica R Soares		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-8802</link>

		<dc:creator><![CDATA[Erica R Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2016 00:10:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-8802</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-5805&quot;&gt;carlos eduardo GIGLIO&lt;/a&gt;.

Posso usar esse poema te citando ? obrigada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-5805">carlos eduardo GIGLIO</a>.</p>
<p>Posso usar esse poema te citando ? obrigada.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Sarah Augusta de Oliveira Hipolito		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-8557</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sarah Augusta de Oliveira Hipolito]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Apr 2016 04:16:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-8557</guid>

					<description><![CDATA[Nossa, não tinha lido esse texto ainda. É exatamente o que passo, até enviei e-mail a vocês falando sobre o assunto (e-mail respondido com muita atenção e carinho, obrigada). Durante minha adolescência, após me mudar para um cidade do interior, passei a sentir mais o preconceito das pessoas (não me lembro de sofre esse preconceito na infância, até os 12 anos mais ou menos). Quando era pra me elogiar me chamavam de &quot;morena bonita&quot;, &quot;cor de jambo&quot;, &quot;cor de pecado&quot;, agora, pra xingar aí aparecia o &quot;preta feia&quot;, &quot;macaca&quot; e por aí vai. Hoje me reconheço como negra com orgulho. Amo minha cor, meus traços misturados (meu pai é transparente rsrsrs), meu cabelo cheio, meus olhos escuros e grandes. Pra mim a pele negra é linda, ser negro se aceitar e se reconhecer negro é maravilhoso!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nossa, não tinha lido esse texto ainda. É exatamente o que passo, até enviei e-mail a vocês falando sobre o assunto (e-mail respondido com muita atenção e carinho, obrigada). Durante minha adolescência, após me mudar para um cidade do interior, passei a sentir mais o preconceito das pessoas (não me lembro de sofre esse preconceito na infância, até os 12 anos mais ou menos). Quando era pra me elogiar me chamavam de &#8220;morena bonita&#8221;, &#8220;cor de jambo&#8221;, &#8220;cor de pecado&#8221;, agora, pra xingar aí aparecia o &#8220;preta feia&#8221;, &#8220;macaca&#8221; e por aí vai. Hoje me reconheço como negra com orgulho. Amo minha cor, meus traços misturados (meu pai é transparente rsrsrs), meu cabelo cheio, meus olhos escuros e grandes. Pra mim a pele negra é linda, ser negro se aceitar e se reconhecer negro é maravilhoso!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernanda Ramalho		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-7396</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Ramalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2015 03:34:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-7396</guid>

					<description><![CDATA[Enriquecedora a leitura, Parabéns pelo seu blog! São discussões e textos como esse que abrem mentes, acredito que esse é o caminho para que as pessoas se reconheçam e ao mesmo tempo se percebam iguais, pertencemos todos à raça humana e somos coloridos, que graça teria se fôssemos todos iguais?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enriquecedora a leitura, Parabéns pelo seu blog! São discussões e textos como esse que abrem mentes, acredito que esse é o caminho para que as pessoas se reconheçam e ao mesmo tempo se percebam iguais, pertencemos todos à raça humana e somos coloridos, que graça teria se fôssemos todos iguais?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gleycianne santos		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-7232</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gleycianne santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2015 17:21:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-7232</guid>

					<description><![CDATA[Minha mãe é negra (que se acha &quot;morena&quot;, mesmo sendo igualzinha a Elza Soares ) e meu pai era branco, brancão, playboy da zona sul. Ela era filha da empregada, ficou grávida de gêmos, o playboy não quis assumir, a mãe, minha avó, foi demitida (isso há 29 anos era ok) e minha mãe foi me ter eu e meu irmão sozinha, porquê de início minha avó também não aceitou a cituação. Enfim, não sinto nenhuma identificação com esse meu &quot;pai&quot; que jamais conheci, até tentei investigar pra ver se tinha direito a herança, mas tudo que descobrir foi que ele morreu num acidente e os pais foram à falencia, fui criada na favela, na batalha do dia-a-dia, minha mãe me botou pra vender bala na rua, já trabalhei como doméstica também, antes dos 20 anos já tinha 2 filhos pra criar, já tive minha casa envadida por polícia procurando traficante, já enterrei um filho morto numa operação da pm. Toda minha vivência é de mulher negra eu SOU negra. Posso ter pele branca, nariz fino, mas sou negra sim! Não adimito que alguém venha me dizer que eu não sou, como já ouvi assim de preto metido a intelectual: &quot;enquanto teus ancestrás eram senhores, os meus levaram chicotadas&quot;. Vai se fuder! Os meus ancestrás levaram chicotadas também! e se eu tive ancestrais sinhôs, a pessoa que me disse isso com certeza também tinha porquê ninguém aqui no brasil é 100% negro, quanta gente que é aceito pelo movimento negro eu vejo aí que o pai ou a mãe são brancos, eu mesma poderia ter nascido puxando mais a pele da minha mãe, genética é loteria, meu irmão gêmeo tem a pele mais escura e ele é meu irmão GÊMEO, filho da mesma mãe e do mesmo pai safado. Eu fico muito puta quando ouço/leio essas coisas! Eu sou negra sim! E esse preto em especial que me falou isso nunca sofreu metade do que sofri, nem na favela nunca morou, nunca lavou um prato na vida, fica pagando de ser O cara da consciência negritude! Mesmo meu irmão gêmeo nunca faltou mulher pra fazer as coisas pra ele, e eu sempre penei muito mais que ele. Então não me venha com essa papo de fenótpo e isso e aquilo, sou negra sim!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha mãe é negra (que se acha &#8220;morena&#8221;, mesmo sendo igualzinha a Elza Soares ) e meu pai era branco, brancão, playboy da zona sul. Ela era filha da empregada, ficou grávida de gêmos, o playboy não quis assumir, a mãe, minha avó, foi demitida (isso há 29 anos era ok) e minha mãe foi me ter eu e meu irmão sozinha, porquê de início minha avó também não aceitou a cituação. Enfim, não sinto nenhuma identificação com esse meu &#8220;pai&#8221; que jamais conheci, até tentei investigar pra ver se tinha direito a herança, mas tudo que descobrir foi que ele morreu num acidente e os pais foram à falencia, fui criada na favela, na batalha do dia-a-dia, minha mãe me botou pra vender bala na rua, já trabalhei como doméstica também, antes dos 20 anos já tinha 2 filhos pra criar, já tive minha casa envadida por polícia procurando traficante, já enterrei um filho morto numa operação da pm. Toda minha vivência é de mulher negra eu SOU negra. Posso ter pele branca, nariz fino, mas sou negra sim! Não adimito que alguém venha me dizer que eu não sou, como já ouvi assim de preto metido a intelectual: &#8220;enquanto teus ancestrás eram senhores, os meus levaram chicotadas&#8221;. Vai se fuder! Os meus ancestrás levaram chicotadas também! e se eu tive ancestrais sinhôs, a pessoa que me disse isso com certeza também tinha porquê ninguém aqui no brasil é 100% negro, quanta gente que é aceito pelo movimento negro eu vejo aí que o pai ou a mãe são brancos, eu mesma poderia ter nascido puxando mais a pele da minha mãe, genética é loteria, meu irmão gêmeo tem a pele mais escura e ele é meu irmão GÊMEO, filho da mesma mãe e do mesmo pai safado. Eu fico muito puta quando ouço/leio essas coisas! Eu sou negra sim! E esse preto em especial que me falou isso nunca sofreu metade do que sofri, nem na favela nunca morou, nunca lavou um prato na vida, fica pagando de ser O cara da consciência negritude! Mesmo meu irmão gêmeo nunca faltou mulher pra fazer as coisas pra ele, e eu sempre penei muito mais que ele. Então não me venha com essa papo de fenótpo e isso e aquilo, sou negra sim!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: yolanda		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-7041</link>

		<dc:creator><![CDATA[yolanda]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2015 21:28:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-7041</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6915&quot;&gt;Maria Luiza&lt;/a&gt;.

Essa é minha exata situação, com mais uns probleminhas. Minha mãe é branca e meu pai é negro, somos baianos. Minha mãe se identifica como negra apesar de ser branca e eu atribuo a isso o fato de que todas as outras características dela são negras e que ela vem de uma cidade do interior onde todos são negros também. Minha irmã se identifica como negra e a cor dela é um pouco mais escura que a minha, enfim, sempre fui &quot;morena&quot;. Depois de um tempo, comecei a  pensar que eu nunca tinha pensado na possibilidade de ser negra mesmo com minha irmã, do meu lado, sendo negra. Minha mãe sempre diz que não sou branca. Não consigo me encaixar pelo mesmo motivo, tenho medo de estar me apropriando.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6915">Maria Luiza</a>.</p>
<p>Essa é minha exata situação, com mais uns probleminhas. Minha mãe é branca e meu pai é negro, somos baianos. Minha mãe se identifica como negra apesar de ser branca e eu atribuo a isso o fato de que todas as outras características dela são negras e que ela vem de uma cidade do interior onde todos são negros também. Minha irmã se identifica como negra e a cor dela é um pouco mais escura que a minha, enfim, sempre fui &#8220;morena&#8221;. Depois de um tempo, comecei a  pensar que eu nunca tinha pensado na possibilidade de ser negra mesmo com minha irmã, do meu lado, sendo negra. Minha mãe sempre diz que não sou branca. Não consigo me encaixar pelo mesmo motivo, tenho medo de estar me apropriando.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Keka Bueno		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6947</link>

		<dc:creator><![CDATA[Keka Bueno]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2015 23:44:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-6947</guid>

					<description><![CDATA[Maravilhoso...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Maravilhoso&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ana Luiza Souza		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6941</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2015 01:00:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-6941</guid>

					<description><![CDATA[Que texto... maravilhoso! Me descreveu praticamente por completo. Lembrei até de uma conversa que tive com um militante, de como é difícil ser negro de pele e de consciência no Brasil, tendo a pele escura ou clara a negação é muito intensa. Sempre que eu estiver triste e perdida, virei aqui para tomar mais força... Obrigada!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que texto&#8230; maravilhoso! Me descreveu praticamente por completo. Lembrei até de uma conversa que tive com um militante, de como é difícil ser negro de pele e de consciência no Brasil, tendo a pele escura ou clara a negação é muito intensa. Sempre que eu estiver triste e perdida, virei aqui para tomar mais força&#8230; Obrigada!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lisa		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6917</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lisa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 08:33:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-6917</guid>

					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6915&quot;&gt;Maria Luiza&lt;/a&gt;.

Eu passo por uma situação muito parecida com a sua, Maria Luiza. Tenho descendência afro, indígena, europeia e outras tantas. Entretanto, meu fenótipo não aponta os traços afro e sou considerada &quot;morena clara&quot; ou &quot;indígena&quot;. Enfim, sei que eu não sofro o mesmo que pessoas de pele mais escura, e nem me atrevo a falar sobre racismo e tal, mas esses dias fui acusada pelo coletivo negro da minha universidade de estar cometendo uma &quot;apropriação cultural&quot; ao namorar um intercambista africano, pois eu &quot;não sou negra&quot;. Daí pedi esclarecimentos às moças da página preta e acadêmica que me indicaram esse artigo. Só um desabafo tbm]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6915">Maria Luiza</a>.</p>
<p>Eu passo por uma situação muito parecida com a sua, Maria Luiza. Tenho descendência afro, indígena, europeia e outras tantas. Entretanto, meu fenótipo não aponta os traços afro e sou considerada &#8220;morena clara&#8221; ou &#8220;indígena&#8221;. Enfim, sei que eu não sofro o mesmo que pessoas de pele mais escura, e nem me atrevo a falar sobre racismo e tal, mas esses dias fui acusada pelo coletivo negro da minha universidade de estar cometendo uma &#8220;apropriação cultural&#8221; ao namorar um intercambista africano, pois eu &#8220;não sou negra&#8221;. Daí pedi esclarecimentos às moças da página preta e acadêmica que me indicaram esse artigo. Só um desabafo tbm</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Maria Luiza		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6915</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria Luiza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 00:38:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-6915</guid>

					<description><![CDATA[Preciso comentar. Esse texto caiu como uma chuva na época de secura na minha vida. Ontem mesmo, estava falando com um amigo sobre eu não me identificar nem como negra, nem como branca, e como isso me deixava profundamente triste. Eu sou filha de negra com branco, eu e minhas irmãs nascemos de pele clara, eu, mais escura, digamos que um tom mais escuro que de minha irmã, que é bastante pálida. Sempre fui criada como &quot;branca&quot;, ainda mais por pertencer a uma família onde tios, avos, primos e etc eram negros. Sempre achei que eu fosse branca, e minha mãe, negra, dizia o quanto nós eramos privilegiadas por ter nascido de pele clara, porque nós não sofreríamos o que ela já sofreu. Embora de pele clara, nossos cabelos são crespos. Muitos cachos, cachos rebeldes. Minha irmã mais nova ainda nasceu com cachos mais fáceis e a raiz do cabelo lisa. Cachos que não existem mais devido ao alisamento. Pronto, depois de alisar, nós receberíamos a carteirinha de branca. E isso aconteceu por muitos anos, eu me achava branca, embora de pele mais escura &quot;parda&quot;, nunca pensei na hipótese de na verdade, ser negra. Há mais ou menos um ano, comecei a me interessar sobre assuntos relacionados ao racismo, li muito, falava muito. Mas eu sempre aprendi que eu não poderia falar sobre racismo com negros, porque, afinal, eu não era negra! Como posso falar de uma coisa que nunca vivi pra uma pessoa que tem vivência? Nunca sofri racismo. Até que eu conheci um garoto africano, que falou comigo na internet porque eu era &quot;fofa e negra&quot;. Eu? Eu disse que não era, obvio. E ele disse que pela foto, eu parecia ser. Como assim? Eu expliquei que era miscigenada, que aqui no Brasil há muitas pessoas assim, são chamadas de pardos. E ele insistia que eu era negra. Até que eu percebi que ele estava certo. Minha pele é clara, mas sou negra. Meu cabelo, por baixo de toda a química, é crespo. Meu nariz largo não mente. Eu entendi tudo isso. Mas mesmo assim, tenho dificuldade em me assumir. Porque sinto que estou invadindo o espaço negro. Não consigo dizer &quot;eu, como negra&quot; porque sinto que estou insultando quem tem a pele escura. Passei a perguntar aos meus amigos se eles me viam como branca ou negra. Uns dizem que acham que sou negra, outros, que sou branca. Minha mãe, quando eu pergunto se sou negra, diz que eu sou branca. Eu sei que negritude não é uma questão de multipla escolha, em que uns assinalam sim e outros não, mas eu estava muito confusa. E esse texto me ajudou a me encontrar. Agora, sei que sou negra, embora ainda não consiga falar de racismo e outros assuntos relacionados. Embora, eu tenha medo de serem hostis comigo por eu estar me apropriando de algo que &quot;não sou&quot;. Enfim, é isso, meu desabafo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preciso comentar. Esse texto caiu como uma chuva na época de secura na minha vida. Ontem mesmo, estava falando com um amigo sobre eu não me identificar nem como negra, nem como branca, e como isso me deixava profundamente triste. Eu sou filha de negra com branco, eu e minhas irmãs nascemos de pele clara, eu, mais escura, digamos que um tom mais escuro que de minha irmã, que é bastante pálida. Sempre fui criada como &#8220;branca&#8221;, ainda mais por pertencer a uma família onde tios, avos, primos e etc eram negros. Sempre achei que eu fosse branca, e minha mãe, negra, dizia o quanto nós eramos privilegiadas por ter nascido de pele clara, porque nós não sofreríamos o que ela já sofreu. Embora de pele clara, nossos cabelos são crespos. Muitos cachos, cachos rebeldes. Minha irmã mais nova ainda nasceu com cachos mais fáceis e a raiz do cabelo lisa. Cachos que não existem mais devido ao alisamento. Pronto, depois de alisar, nós receberíamos a carteirinha de branca. E isso aconteceu por muitos anos, eu me achava branca, embora de pele mais escura &#8220;parda&#8221;, nunca pensei na hipótese de na verdade, ser negra. Há mais ou menos um ano, comecei a me interessar sobre assuntos relacionados ao racismo, li muito, falava muito. Mas eu sempre aprendi que eu não poderia falar sobre racismo com negros, porque, afinal, eu não era negra! Como posso falar de uma coisa que nunca vivi pra uma pessoa que tem vivência? Nunca sofri racismo. Até que eu conheci um garoto africano, que falou comigo na internet porque eu era &#8220;fofa e negra&#8221;. Eu? Eu disse que não era, obvio. E ele disse que pela foto, eu parecia ser. Como assim? Eu expliquei que era miscigenada, que aqui no Brasil há muitas pessoas assim, são chamadas de pardos. E ele insistia que eu era negra. Até que eu percebi que ele estava certo. Minha pele é clara, mas sou negra. Meu cabelo, por baixo de toda a química, é crespo. Meu nariz largo não mente. Eu entendi tudo isso. Mas mesmo assim, tenho dificuldade em me assumir. Porque sinto que estou invadindo o espaço negro. Não consigo dizer &#8220;eu, como negra&#8221; porque sinto que estou insultando quem tem a pele escura. Passei a perguntar aos meus amigos se eles me viam como branca ou negra. Uns dizem que acham que sou negra, outros, que sou branca. Minha mãe, quando eu pergunto se sou negra, diz que eu sou branca. Eu sei que negritude não é uma questão de multipla escolha, em que uns assinalam sim e outros não, mas eu estava muito confusa. E esse texto me ajudou a me encontrar. Agora, sei que sou negra, embora ainda não consiga falar de racismo e outros assuntos relacionados. Embora, eu tenha medo de serem hostis comigo por eu estar me apropriando de algo que &#8220;não sou&#8221;. Enfim, é isso, meu desabafo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ticiane Caldas		</title>
		<link>https://blogueirasnegras.org/colorismo-quem-decide/#comment-6822</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ticiane Caldas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2015 18:11:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blogueirasnegras.org/?p=7472#comment-6822</guid>

					<description><![CDATA[Texto maravilhoso Consuelo, a minha história é um pouco parecida com a sua, a diferença é que não estudei em Colégio particular, mas cresci em uma cidade extremamente racista que dia após dia seus habitantes agiam para me lembrar que eu era negra e não era bem vinda nos espaços, mas por muito tempo fiquei muito incomodada pelo fato de ouvir que não era &quot;tão&quot; negra assim, e que servia para mulata da cor do pecado. 
Mas hoje após ter a oportunidade de refletir e estudar muito sobre o tema não perco tempo com isso reconheço meu lugar de luta, como mulher negra busco ajudar minhas irmãs e irmãos na luta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto maravilhoso Consuelo, a minha história é um pouco parecida com a sua, a diferença é que não estudei em Colégio particular, mas cresci em uma cidade extremamente racista que dia após dia seus habitantes agiam para me lembrar que eu era negra e não era bem vinda nos espaços, mas por muito tempo fiquei muito incomodada pelo fato de ouvir que não era &#8220;tão&#8221; negra assim, e que servia para mulata da cor do pecado.<br />
Mas hoje após ter a oportunidade de refletir e estudar muito sobre o tema não perco tempo com isso reconheço meu lugar de luta, como mulher negra busco ajudar minhas irmãs e irmãos na luta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
