3º Festival Mulheres Negras na Literatura Pernambucana abre programação do Mês da Consciência Negra

Evento é dedicado às contadoras de histórias, autoras, bibliotecárias e professoras negras que atuam dentro de localidades periféricas. Evento acontece sábado, 05 de novembro, no Recife

Após dois anos de intervalo, está de volta a 3ª edição do Festival Mulheres Negras na Literatura Pernambucana. A programação em comemoração ao Mês da Consciência Negra acontece no próximo sábado (5). Este ano, o evento traz como tema: “Tecendo Saberes Ancestrais”. Entre as atividades previstas estão rodas de diálogo, lançamento de livro e apresentações culturais. A iniciativa é da produtora cultural e contadora de histórias, Roma Julia. O encontro acontece no SESC Santa Rita, no Cais de Santa Rita, bairro de Santo Antônio, no Recife, no horário das 14h às 17h. A entrada do público é gratuita.

O festival tem como público-alvo contadoras de histórias, autoras, bibliotecárias e professoras negras que atuam dentro de localidades periféricas. Juntas, elas vão promover um encontro para debater e refletir sobre suas experiências e o cenário literário afro em Pernambuco. A ideia é que, por meio desta ação, haja um canal para trocas de saberes e construção de uma atuação em conjunto em prol do acesso ao livro e a leitura dentro das comunidades de atuação.

A programação segue com uma roda de diálogo com destaque para fala de mulheres negras com atuações importantes dentro do universo do conhecimento literário afro-brasileiro. A primeira convidada é a professora Adeilma dos Santos, que desenvolve um trabalho com leitura e letramento na localidade do Alto do Guilhermino, localizado na Zona Norte do Recife. Lá, ela atua com ações voltadas à proteção da criança e a prevenção da violência contra mulheres.

Também participa do encontro a professora e mestranda em Educação Contemporânea pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Yalaxé do Terreiro de Mãe Amara, Helaynne Sampaio. Inclusive, dentro do festival, ela irá apresentar o livro  “Dança Nagô: herança ancestral e resistência matriarcal do Balé Nagô Ajô, corpo que dança Afoxé Oyá Alaxé’” – lançado com o incentivo do Governo do Estado, por meio dos recursos do Funcultura.

 

Outra convidada é a especialista em Letras e pós-graduada em educação pela UFPE,  Josecleide Guilhermino. Na ocasião, ela faz uma apresentação sobre o projeto “Cantinho Literário: Entre Livros e Afetos”, que funciona como uma espécie de livraria  itinerante, circulando por feiras e eventos culturais do Recife.  A biblioteca ambulante surgiu com a proposta de reduzir a distância entre o livro e o leitor, trazendo, prioritariamente, em seu acervo, espaço para mulheres negras escritoras.

Quem também vai contribuir com a roda de diálogo é a biblioteconomia e pedagoga, formada pela UFPE, Marta Diniz. Ela já desenvolveu e articulou  diversas ações formativas com foco no livro e na leitura. Atualmente é chefe de unidade do Sistema de Bibliotecas Públicas Municipais de Pernambuco (SBPM). Com seu  olhar sensível, busca soluções inovadoras para contribuir na formação continuada das coordenadoras/es de bibliotecas municipais.

A mobilização também vai contemplar a fala da candomblecista e juremeira, professora da educação básica e mestranda em educação no programa de pos-graduação em educação, e integrante do Laboratório de Educação das Relações Étnico-Raciais da UFPE, Tamires Carneiro. Para contribuir com o debate, ela apresenta um estudo em desenvolvimento sobre as escritoras negras pernambucanas.

Para além do contexto da leitura e do diálogo, o festival recebe a graduanda em psicologia e Núcleo de Políticas de Educação das Relações Étnico-Raciais da UFPE, Helen Silva. Autora dos livros “Escritas Femininas em Primeira Pessoa (Editora Oralituras, 2020) e “A escrevivência como política artística da escrita de si” (Editora Sapatilhas de Arame, 2021),ela vai falar da importância da escrita como forma de construção de pensamento e expressão dos sentimentos.

A mediação da roda de diálogo é da pedagoga, contadora de histórias e produtora cultural e idealizadora do Festival Mulheres Negras na Literatura Pernambucana, Roma Julia. Ela que, desde 2014, busca compartilhar conhecimentos sobre literatura e a memória da população negra, a exemplo do projeto “Histórias do Meu Povo”, projeto que promove ações de leitura e escrita da memória do povo nordestino. Além disso, foi gestora de território do Programa Melhoria da Educação, do Itaú Social, que apoia municípios e estados a fim de garantir a qualidade da aprendizagem com equidade.

Entre um bate-papo e outro, o público confere as apresentações culturais do grupo teatral Pedra Polida. Fundado desde 1999, a atração vai apresentar leituras dramatizadas de obras de autoras negras de Pernambuco nos intervalos do Festival.  Ao final do evento, todos os participantes receberão certificado online de participação.

Quem for à 3ª edição do Festival Mulheres Negras na Literatura Pernambucana, também vai poder visitar a 1ª Feira do Afroempreendedorismo – Ojá Afro Sesc. Lá, será possível encontrar vários produtos, como vestuário, acessórios, materiais de papelaria, literatura, decoração, artes visuais, além de produtos e serviços de beleza, saúde, bem-estar e alimentação. A feira será realizada das 15h às 19h.