Môa, Raiz Afro Mãe

Documentário musical produzido pela Kana Filmes conta (e canta!) a trajetória do mestre Môa do Katendê (1954-2018), assassinado por divergência política há 4 anos. O filme participa do Festival de Cinema de Alter do Chão, Pará, de 16 a 20/11

Mestre de capoeira, agitador cultural, compositor e percussionista, co-fundador dos Afoxés Badauê na Bahia e Amigos do Katendê em São Paulo, Romualdo Rosário da Costa, também conhecido como Mestre Moa do Katendê (1954-2018) tem sua trajetória contada (e cantada!) em dois projetos: Môa, Raiz Afro Mãe (Kana Filmes), documentário musical de 101 minutos que teve lançamento para convidados no dia 18 de outubro em São Paulo, passou por Salvador, será apresentado no Festival de cinema de Alter do Chão, Pará, de 16 a 20 de novembro, e entra no circuito comercial em 2023. e o disco Raiz Afro Mãe (Mandril Áudio), lançado no dia 7 de outubro.

 

Mestre Moa do Katendê contribuiu para a preservação e disseminação da a cultura afro-brasileira, e fez história em Salvador, levando 8 mil pessoas para as ruas, promovendo a reafricanização do carnaval baiano e influenciando uma geração de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira e outros grandes da MPB. Antes de sua morte, deu início a um registro de seu trabalho, que agora segue em forma de homenagem. Ele foi assassinado brutalmente um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2018 – poucos meses depois dos projetos começarem – por intolerância política no bairro em que cresceu e fez história em Salvador. O nome do mestre ganhou destaque na imprensa internacional e em manifestações nas ruas de todo o Brasil, difundindo sua imagem como um símbolo de resistência cultural. Mas ele era muito mais do que isso: educador visionário, dedicou sua vida ao sonho de levar a cultura de raiz africana para o mundo, semeando a igualdade social.

Môa, Raiz Afro Mãe, o filme:

Rodado em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, o filme acompanha a história de Môa da década de 1970 até sua morte, entrelaçada com as manifestações culturais do carnaval baiano (o surgimento dos blocos afro e afoxés), seu trabalho como arte-educador e capoeirista, e seu legado na cultura afro-brasileira e mundial, mostrando toda a relevância de um artista que contribuiu para a preservação e disseminação da cultura afro-brasileira e fez história em Salvador, levando 8 mil pessoas para as ruas com o afoxé Badauê, promovendo a reafricanização do carnaval baiano e influenciando uma geração de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira e outros grandes da MPB.

Ao todo, foram mais de 300 pessoas envolvidas no projeto, entre equipe, participações e contribuições. Conta com depoimentos do próprio mestre e de familiares, amigos e parceiros do artista, como a filha Jasse Mahi, Gilberto Gil, Letieres Leite (1959 – 2021), Alberto Pitta, Lazzo Matumbi, Vovô Do Ilê, BaianaSystem, Negrizu, Mestre Plínio, Emília Biancardi, Geraldo Badá, Jorjão Bafafé, Márcia Short, Mestre Valdec, Goli Guerreiro, Arlete Soares, Mestre Lua de Bobó, Chico Assis, Luedji Luna, Gabi Guedes, Chico César, Dinho Nascimento e Fabiana Cozza, além de um rico acervo de imagens, com fotos de Pierre Verger, Arlete Soares, Lucia Correia Lima e Acervo Afro Zumvi, formado somente por fotógrafos negros de Salvador.

Na trilha sonora, músicas inéditas do disco Raiz Afro Mãe (Mandril Audio), que será lançado em todas as plataformas digitais no dia 7 de outubro e traz releituras da obra de Môa por artistas de peso como BaianaSystem, BNegão, Emicida, GOG, Chico César, Edgar, Rincon Sapiência, Criolo, Fabiana Cozza, Lazzo Matumbi, Jasse Mahi, Márcia Short, Mateus Aleluia Filho, Letieres Leite e Luedji Luna.

Ambos os trabalhos, filme e disco, são, além de um documento histórico, uma verdadeira celebração à cultura afro-brasileira a partir dos caminhos abertos por Môa. “Tá na hora de vocês fazerem a parte de vocês, certo?” (Môa do Katendê)

Raiz Afro Mãe – O disco

O disco Raiz Afro Mãe é composto de 14 canções que contam com a participação dos artistas: BaianaSystem, BNegão, Emicida, Criolo, Chico César, Edgar, Fabiana Cozza, GOG, Jasse Mahi (filha de Môa), Kimani, Lazzo Matumbi, Letieres Leite (1959 – 2021), Luedji Luna, Márcia Short, Mateus Aleluia Filho e Rincon Sapiência.

 

Já foram lançados os singles “Festa de Magia”, com Luedji Luna e “Embaixada Africana”, com Criolo. O próximo single a ser lançado será “Véia Coló”, que conta com a participação de Edgar e BNegão. O álbum completo Raiz Afro Mãe será lançado em 7 de outubro, quatro anos após o assassinato de Môa.

Raiz Afro Mãe – O disco e sua história pela Mandril Audio:

Em 2017, o destino trouxe Môa até a MANDRIL. O mestre tinha uma ideia grandiosa, que a produtora abraçou com todas as forças. O projeto consistia em releituras da obra de Môa com o intuito de promover um encontro entre artistas de renome da música popular brasileira e uma nova geração de músicos. Depois do triste ocorrido, cresceu em nós o desafio de conduzir o trabalho com ainda mais carinho e cuidado, na proposta de manter as ideias dele e, ao mesmo tempo, produzir um disco que não é só mais a ideia do Mestre, mas também uma parte do seu legado.

“Pretendemos honrar o sonho de Môa e trazer a esse mundo as composições de um gênio e mestre que viveu nos mesmos tempos que nós. Não medimos esforços para compor este trabalho. Mobilizamos parceiros e familiares em Salvador (Terra de Môa) e em São Paulo (sede das produtoras) e convidamos músicos, instrumentistas, artistas e pessoas importantes na vida de Mestre para colaborar com este projeto, que corrobora com a manutenção da memória cultural do Brasil por meio da educação e da música afro-brasileira. É a força de Môa irradiando e atraindo tantas pessoas potentes a somar com este feito!