Nós Tantas Outras na tela

Em janeiro, no dia 2, quinta, às 22h, o SescTV apresenta o documentário Nós Tantas Outras, dirigido por Verônica Gabriel. A produção é um registro expressivo do 1º Encontro Internacional, o Nós Tantas Outras, realizado em 2018, nas unidades do Sesc Itaquera, Avenida Paulista, Santana, Campo Limpo e Pompeia. O evento reuniu mulheres de 11 países para debater questões pertinentes ao feminismo e a representatividade. Para saber mais sobre o projeto acesse bit.ly/SescTV_TantasOutras

 

O filme, exibido pela primeira vez no canal, conta com as participações de Regiany Silva, designer digital e cofundadora do coletivo Nós Mulheres da Periferia; Amelinha Teles, fundadora da União de Mulheres de São Paulo; Edneia Gonçalves, cientista social e coordenadora da Ação Educativa; Núbia Moreira, Doutora em Sociologia e professora da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia); Graça Xavier, coordenadora da União Nacional por Moradia Popular Rede Mulher Habita Brasil; Hailey Kaas, tradutora, escritora e fundadora do site Transfeminismo; Cristine Takuá, professora indígena, filósofa e ativista; e Noorjahan Akbar, escritora, ativista e diretora do Coletivo Free Woman Writers. Assista também em sesctv.org.br

 

Você é feminista? A pergunta feita para Regiany funcionou como um sinal de alerta. “Aos poucos percebi que o feminismo tem a ver com as mães que buscam as filhas no ponto de ônibus e as que deixaram os estudos para trabalhar”, conta a designer. Para ela o feminismo está relacionado às desigualdades sociais, que mantém as mulheres oprimidas. E as ações feministas são uma tentativa de desconstruir essa desigualdade. A ativista, junto de outras mulheres dos bairros Cidade Tiradentes, Perus e Jardim Ângela, contribuem para a reflexão sobre o que é ser mulher na periferia. Elas criaram um blog com notícias regionais e produzem notícias com recorte de gêneros, classes e raças.  

 

Outra depoente, Amelinha Teles, é uma das representantes do feminismo público no Brasil, iniciado em 1975, ano de ditadura e repressão política. Ela diz que hoje usamos o termo feminismos, porque há uma pluralidade enorme entre as mulheres e suas diferenças devem ser respeitadas. Amelinha chama a atenção à desigualdade, que segundo ela é uma construção histórica perversa e cria oportunidade para algumas mulheres e outras não. “Quando entendemos tantas proibições, começamos a ficar intrigadas e querer questionar o mundo e suas relações”, comenta.

 

O feminismo negro também ganhou voz durante a produção, através das sociólogas Núbia Moreira e Edneia Gonçalves. A primeira chama a atenção à causa das mulheres negras que, para além da opressão masculina do homem branco, vivenciam a intolerância das mulheres brancas. Já Edneia ressalta a necessidade de trabalhar a categoria do feminismo negro como determinante para a construção de identidade. “ A mulher negra tem a experiência do regime de luta coletiva, desde o começo de sua existência”, afirma.

 

Vale ressaltar que o documentário conta ainda com a contribuição das mulheres de movimentos populares, que fazem do ato de ocupar, manifestação viva do feminismo. E das mulheres trans que buscam respostas sobre a violência de gênero, sofrida principalmente por parte de homens.

 

Sobre o SescTV:

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua grade de programação é permeada por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com grandes artistas da música e da dança. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras artes também estão presentes na programação.